21 janeiro 2017

Existe sentido para viver o sofrimento?




                  Existe sentido para viver o sofrimento?

                             O sofrimento precisa ser o impulso para a ressurreição


“Os que lançam as sementes entre lágrimas, colherão com alegria.” (Sl 125)

Muitas vezes, a experiência da dor é marcada por mistério e incompreensão, e o desejo de conhecer os motivos do sofrimento jamais será saciado nesta vida. Frente ao mistério da dor, o homem busca respostas que nem sempre vai encontrar, como alguém ávido de compreensão que mergulha no abismo profundo do “por quê?”



Nossa fé nos permite vislumbrar um caminho novo e diferente. O homem não depende da compreensão de sua dor para conseguir superá-la. O mais importante não é entender, mas descobrir a força de esperança que nasce de um coração que sabe crer. Crer que a mais bela experiência de amor só brota de um terreno encharcado pelas lágrimas. Crer que o valor das pequenas coisas só brilha quando elas fazem falta. Crer que Deus é capaz de gerar santidade mesmo nas piores tragédias. É essa fé que dá ao homem o sentido para suas dores e, ao mesmo tempo, não o reduz à mera compreensão das fatalidades da vida.
Lute diante do sofrimento

O cristão não teme o sofrimento, porque encontra nele o impulso para a ressurreição. É no largar da dor que Deus espreme aqueles que Ele ama, para que sejam capazes de produzir o mais puro óleo de santidade. É essa beleza de fé, muitas vezes obscura, que se torna o caminho seguro para que sejamos capazes de vencer as maiores dores da vida e da existência.


Felizes aqueles que escolheram ficar na incompreensão das suas dores para caminhar na penumbra da fé. São esses que se tornaram agradáveis a Deus e encontraram n’Ele a força e a coragem para um abandono total. Felizes aqueles que, após a noite das lágrimas, puderam sorrir na aurora da ressurreição e da vida nova. Esses foram além da mera compreensão racional, subiram mais alto, chegaram ao horizonte limitado da fé que faz do crente alguém que não depende de explicações humanas, pois encontrou em Deus um amor que não requer respostas. Quem ama não precisa entender, basta que exista o amor para que a angústia da incompreensão se transforme na paz que nasce da fé.

Que hoje também você encontre em Deus esse amor que, não exigindo respostas, nos permite sorrir mesmo quando temos todos os motivos para chorar.
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19 janeiro 2017

Oração, fonte de sustentação na vida de Tobit e Sara


     Oração, fonte de sustentação na vida de Tobit e Sara

                         O poder da oração frente às provações de Tobit e Sara


Oração é sustento e fortaleza nos momentos de provação e dificuldades na vida das pessoas. Ela tem o poder de elevar a nossa intimidade com Deus, experiência essa que Tobit, pai de Tobias, teve no auge de sua angústia quando chegou a exprimir: “Entristecido no meu íntimo, pus-me a suspirar e chorar, e comecei a orar entre gemidos” (Tobias 3,1).

No tempo atual, existe a necessidade de relacionar a humanidade com a espiritualidade, ou seja, caminhar no concreto do dia a dia com o coração na presença de Deus.



Oração de Tobit e Sara

É comum ver nas pessoas que estão passando por sofrimentos e dificuldades na vida a amarga experiência do desalento, da angústia e da não aceitação de uma realidade da dor.

Diante desses infortúnios cotidianos, pode-se aprender muito com a experiência de Tobit, que, em vez da reclamação e do desespero em meio às provações, aflições e insultos pelo qual estava passando, decidiu-se pela oração, que “é a elevação da alma para Deus ou o pedido feito a Deus de bens convenientes” (CIC 2559). Ele rezou da seguinte maneira: “Tu és justo, Senhor, e são justas todas as tuas obras. Todos os teus caminhos são misericórdia e verdade, e tu julgas o mundo. Agora, Senhor, lembra-te de mim e olha para mim” (Tb 3,2-3).

Após a oração de Tobit, a Sagrada Escritura apresenta a figura de Sara, filha de Raguel, que, no mesmo dia de insultos dirigidos a Tobit, também recebeu “insultos de uma das criadas de seu pai” (Tb 3,7), referente ao fato de os homens que lhe haviam sido dados em casamento terem morrido, pois “Asmodeu, o demônio malvado, matava-os antes de terem relações com ela” (Tb 3,8). Sara, assim como Tobit, faz uma oração a Deus, exaltando Sua misericórdia e pedindo que a livrasse dos insultos, na humildade que “é o fundamento da oração” (CIC 2559).

Em nossa vida, não entenderemos, muitas vezes, o porquê dos sofrimentos que nos afligem, mas precisamos ter a clareza como a de Tobit, de que Deus é justo e os Seus caminhos são misericórdia e verdade (cf. Tb 3, 2), por isso, o melhor lugar é onde Deus está.

Com isso, a nossa casa, família, matrimônio, comunidade, local de trabalho e estudo precisa estar na perspectiva de que existe um Deus que está conosco a todo instante, pois não estamos sozinhos, Ele nos ouve em nossas provações e tribulações e nos dá a paz.
Tobit e Sara atendidos

Muitas pessoas, ao fazerem suas orações, esperam uma resposta de Deus imediata ou instantânea, mas rezar é ir além de simplesmente pedir coisas, é relacionar-se e ter intimidade com o Senhor, que nos ama e nos conduz no caminho de santificação.

“Não te aflijas se não recebes imediatamente de Deus o que lhe pedes: pois Ele quer fazer-te um bem ainda maior por tua perseverança em permanecer com Ele na oração. Ele quer que nosso desejo seja provado na oração. Assim Ele nos prepara para receber aquilo que Ele está pronto a nos dar” (CIC 2737).

Claro que Deus também nos responde, basta ver como exemplo a sequência dos ocorridos na vida de Tobit e Sara, que passavam por grandes provações, aflições e insultos, mas que, ao recorrerem ao Senhor, “na mesma hora foi ouvida a oração de ambos, na presença da glória de Deus. E o anjo Rafael foi enviado para curar os dois: a Tobit, para tirar as escamas das manchas brancas de seus olhos, a fim de que pudesse enxergar com seus olhos a luz de Deus; e a Sara, filha de Raguel, para dá-la como esposa a Tobias, filha de Tobit, e prender Asmodeu, o demônio malvado“ (Tb 3,16-17).

Mesmo diante dos conflitos e dilemas interiores, precisa-se cultivar a certeza de que Deus é presença na vida de cada um de nós seus filhos, seja no amor, no consolo, acolhimento e perdão. Porém, é preciso que todos estejam decididos por Seu amor e fidelidade, para assim continuar buscando Deus pelo que Ele é, e não somente por aquilo que Ele pode realizar na vida de cada um.

Assim, diante das provações e sofrimentos, a oração traz esperança de um futuro melhor. Como pode se ver no testemunho de Tobit e Sara, que chegaram até a querer desistir da própria vida, mas a fidelidade e oração a Deus no amor, os redirecionaram para a vontade do Senhor, que é sempre o melhor e único caminho para a felicidade.
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17 janeiro 2017

Como Bartimeu, peçamos ao Senhor que possamos ver


     Como Bartimeu, peçamos ao Senhor que possamos ver


         A exemplo de Bartimeu, não podemos ficar parados diante da presença de Jesus

“Chegaram a Jericó. Ao sair dali Jesus, seus discípulos e numerosa multidão, estava sentado à beira do caminho, mendigando, Bartimeu, que era cego, filho de Timeu. Sabendo que era Jesus de Nazaré, começou a gritar: ‘Jesus, filho de Davi, em compaixão de mim!’ Muitos o repreendiam, para que se calasse, mas ele gritava ainda mais alto: ‘Filho de Davi, tem compaixão de mim!’ Jesus parou e disse: ‘Chamai-o’. Chamaram o cego, dizendo-lhe: ‘Coragem! Levanta-te, ele te chama’. Lançando fora a capa, o cego ergueu-se dum salto e foi ter com ele. Jesus, tomando a palavra, perguntou-lhe: ‘Que queres que te faça?’. Rabôni, respondeu-lhe o cego, que eu veja! Jesus disse-lhe: ‘Vai, a tua fé te salvou’. No mesmo instante, ele recuperou a vista e foi seguindo Jesus pelo caminho” (Mc 10,46-52).

Quem era Bartimeu? Qual seria a história daquele homem conhecido não pela sua vida, trajetória, dons, potencialidades, mas pela marca física que o limitava e o condicionava a uma situação existencial de sofrimento e miséria? O texto sagrado nos diz que ele era filho de Timeu. Excelente! Mas quem era Timeu? Pode parecer displicente não se esclarecer os detalhes sobre os personagens, mas, na verdade, trata-se de uma linda providência, pois, em algum momento, serei eu o cego ou está sendo você agora, diante da situação que está vivendo. Portanto, mais importante do que fazermos uma reflexão histórico-sociológica, mergulhemos na essência querigmática desse episódio.



Jesus já era uma pessoa reconhecida publicamente em virtude dos sinais e prodígios que vinha realizando. Exatamente por isso, ao chegar a Jericó, uma numerosa multidão o seguia. Eram ávidos pela novidade trazida pelas suas palavras e pela sua vida. Podemos imaginar como a multidão acompanhava Jesus, cercando-O de todos os lados, na tentativa de caminhar ao Seu lado, tocá-Lo, conversar com Ele. Mas não era ali que estava Bartimeu. A sua cegueira, ao longo da vida, o tinha privado de muitos sonhos. Dos mais fundamentais como ver o nascer do sol, o rosto de seus familiares, aos mais gerais, como exercer uma profissão ou constituir família. Dessa forma, ele estava efetivamente à beira do caminho. Ficara ali, pois era o que lhe restara. Ficar sentado, mendigando, à beira do caminho, da própria vida.
Aprenda com Bartimeu

Nós, assim como Bartimeu, já ouvimos falar muito de Jesus. Sabemos quem Ele é. No entanto, não nos é possível usar a visão sensorial para ver Jesus. Quantos daqueles que estavam com o Senhor, na estrada de Jericó, mesmo enxergando-O, não chegaram a vê-Lo! Estavam tão focados em seus milagres, que esqueceram de olhar para o Senhor. E assim nós também somos tentados a nos comportar. Não podemos vislumbrar os bens do céu com os olhos da terra. Dessa forma, ficamos à margem do que poderíamos ser. Deus nos concebeu com um designo, um propósito, com uma centelha do eterno. A artimanha do maligno é nos fixar no temporal, no físico e efêmero, mendigando uma realização que apenas poderemos encontrar em Deus.

Bartimeu, muito embora fosse cego, não estava acomodado nessa situação. Tanto que, assim que soube que a razão daquela agitação que se aproximava era Jesus, não titubeou e pôs-se a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim!”. Mesmo sendo repreendido por alguns, para que se calasse, ele gritava ainda mais alto: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!”. Jesus então para e ordena: “Chamai-o”.

No modelo de relacionamento interpessoal que a sociedade atual nos propõe, em que temos todos os direitos e quase nenhum dever, é fácil acharmos que o mundo deve nos compreender, aceitar e se condicionar ao que somos. Dessa forma, se algo precisa mudar, certamente não somos nós. Os outros estão errados, eles não os compreendem, agem mal conosco e não sabem o que estamos passando. Mudamos de trabalho, de casamento, vizinhança, aparência e religião, mas não mudamos a nós mesmos, não nos submetemos a mudar nosso interior. A fim de superarmos nossa cegueira, precisamos nos desacomodar, sair da zona de conforto, na qual somos o centro de nossa própria vida e convidar Jesus ao centro. Foi isso que o cego fez. Desconsiderou a sua limitação, as pessoas que o desencorajavam, a vergonha de uma exposição pública e clamou por Jesus. E assim nós também devemos proceder. Não nos deixemos paralisar, engessar. O Senhor está parado, diante de nós, aguardando nosso convite, nosso chamado e clamor.
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15 janeiro 2017

Como ler a Bíblia


                                 Como ler a Bíblia

O Concílio Vaticano II indica critérios para uma interpretação da Escritura conforme o Espírito que a inspirou


O documento do Concílio Vaticano II, Dei Verbum, orienta como a Bíblia deve ser lida. “Deus, na Sagrada Escritura, falou por meio de homens e de modo humano: deve o interprete da Sagrada Escritura, para bem entender o que Deus nos quis transmitir, investigar atentamente o que foi que os hagiógrafos, de fato, quiseram dar a entender e, por suas palavras, aprouve a Deus manifestar.



Para descobrir a intenção dos hagiógrafos, devem-se levar em conta, entre outras coisas, também os “gêneros literários”, pois a verdade é apresentada e expressa de maneira bem diferentes nos textos, de um modo ou outro históricos, proféticos ou poéticos, bem como em outras modalidades de expressão. Ora, é preciso que o intérprete pesquise o sentido que, em determinadas circunstâncias, o hagiógrafo, conforme a situação de seu tempo e de sua cultura, quis exprimir e exprimiu por meio de gêneros literários então em uso. Pois, para corretamente entender aquilo que o autor sacro haja intencionado afirmar por escrito, é necessário levar devidamente em conta tanto as nossas maneiras comuns e espontâneas de pensar, falar e contar, as quais já eram correntes no tempo do hagiógrafo, como a que costumavam empregar-se no intercâmbio humano daquelas eras.

Mas como a Sagrada Escritura deve ser também lida e interpretada naquele mesmo Espírito em que foi escrita, para bem captar os sentidos dos textos sagrados, deve-se atender com não menor diligência ao conteúdo e à unidade de toda a Escritura, levada em conta a Tradição viva da Igreja toda e a analogia da fé. Cabe aos exegetas trabalhar esforçadamente dentro dessas diretrizes para mais aprofundadamente entender e expor o sentido da Sagrada Escritura, a fim de que, por seu trabalho de certo modo amadureça o julgamento da Igreja. Pois tudo o que concerne à maneira de interpretar a Escritura, está sujeito, em última instância, ao juízo da Igreja, que exerce o mandato e o ministério divino de guardar e interpretar a Palavra de Deus”(n.12).

Devemos compreender que a Bíblia é a Palavra de Deus escrita para os homens e pelos homens; logo, ela apresenta duas faces: a divina e a humana. Logo, para poder interpretá-la bem é necessário o reconhecimento da sua face humana, para depois, compreender a sua mensagem divina.

Não se pode interpretar a Sagrada Escritura só em nome da “mística”, pois, muitas vezes, podemos ser levados por ideias religiosas pré-concebidas, ou mesmo podemos cair no subjetivismo. Por outro lado, não se pode querer usar apenas os critérios científicos (linguística, arqueologia, história…); é necessário, após o exame científico do texto, buscar o sentido teológico.

A Bíblia não é um livro caído do céu, ela não foi ditada mecanicamente por Deus e escrita pelo autor bíblico (=hagiógrafo), mas é um livro que passou pela mente de judeus e gregos, numa faixa de tempo que vai do séc. XIV a.C. ao século I d.C. Por causa disso, é necessário usar uma tradução feita a partir de originais e com seguros critérios científicos.

Os escritos bíblicos foram inspirados a certos homens, isto é, o Espírito Santo iluminou a mente do hagiógrafo a fim de que ele, com sua cultura religiosa e profana, pudesse transmitir uma mensagem fiel à vontade de Deus. A Bíblia é, portanto, um livro humano-divino, todo de Deus e todo do homem, ela transmite o pensamento de Deus, mas de forma humana. É como o Verbo encarnado, Deus e homem verdadeiro. É importante dizer que a inspiração bíblica é estritamente religiosa, isto é, não devemos querer buscar verdades científicas na Bíblia, mas verdades religiosas, que ultrapassam a razão humana: o plano da salvação do mundo, a sua criação, o sentido do homem, do trabalho, da vida, da morte etc.

Não há oposição entre a Bíblia e as ciências naturais; ao contrário, os exegetas (estudiosos da Bíblia) usam das línguas antigas, da história, da arqueologia e outras ciências para poder compreender melhor o que os autores sagrados quiseram nos transmitir.

Mas é preciso ficar claro que a revelação de Deus através da Bíblia não tem uma garantia científica de tudo o que nela está escrito. É inútil pedir à Bíblia uma explicação dos seis dias da criação, ou da maneira como podiam falar os animais, como no caso da jumenta de Balaão. Esses fatos não são revelações, mas tradições que o autor sagrado usou para se expressar.

A própria história contida na Bíblia não deve ser tomada como científica. O que importa é a “verdade religiosa” que Deus quis revelar, e que, às vezes, é apresentada embutida em uma parábola, ou outra figura de linguagem.

O Concilio Vaticano II indica três critérios para uma interpretação da Escritura conforme o Espírito que a inspirou:

1. Prestar muita atenção “ao conteúdo e à unidade da Escritura inteira”. Por mais diferentes que sejam os livros que a compõem, a Escritura é una em razão da unidade do projeto de Deus, do qual Cristo Jesus é o centro e o coração, aberto depois de Sua Páscoa.

2. Ler a Escritura dentro “da Tradição viva da Igreja inteira”. Como ensinaram os padres da Igreja, “a Sagrada Escritura está escrita mais no coração da Igreja do que nos instrumentos materiais”. Com efeito, a Igreja leva em sua Tradição a memória viva da Palavra de Deus, e é o Espírito Santo quem lhe dá a interpretação espiritual da Escritura.

3. Estar atento à “anagogia da fé”, isto é, à coesão das verdades da fé entre si e no projeto total da Revelação.
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13 janeiro 2017

Por que ler a Bíblia?


                                Por que ler a Bíblia?

            É preciso ler todos os livros da Bíblia, entendendo que tudo converge para Jesus

A Bíblia é palavra inspirada, é Deus que se revela aos homens; em contrapartida, é necessária a fé de quem a lê. É preciso a adesão da fé para que essa palavra produza frutos na vida de quem se debruça sobre a Palavra de Deus e acredita na ação divina. E para que esta fé exista é preciso contar com o auxílio do Espírito Santo que nos direciona a Deus e nos dá o entendimento necessário para aceitar e crer na Revelação.



Já nos ensinou São Jerônimo: “Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo”. Não podemos ignorar Jesus. Temos de contar com o Espírito Santo, que nos conduz na leitura da Sagrada Escritura e nos põe no caminho do Cristo. Ler e acreditar na Sagrada Escritura é caminhar com o Senhor, é ouvir o Seu convite: “Vem e segue-me!”

Daí a importância de lermos a Sagrada Escritura, em especial os Evangelhos. Toda a Bíblia é Revelação de Deus. O Antigo Testamento e o Novo Testamento possuem a mesma importância, mas os Evangelhos têm um lugar de excelência, pois ali se encontra a vida de Jesus e todos os outros livros se convergem para o centro que é o Cristo.

Orienta-nos a Dei Verbum, Constituição Dogmática sobre a Revelação Divina: Ninguém ignora que entre todas as Escrituras, mesmo do Novo Testamento, os Evangelhos têm o primeiro lugar, enquanto são o principal testemunho da vida e doutrina do Verbo encarnado, nosso salvador.

É preciso ler todos os livros da Bíblia, entendendo que tudo converge para Jesus. E quando lemos os quatro Evangelhos não é diferente. É importante ler estes livros para percebermos vários aspectos da vida de Jesus. Os quatro Evangelhos se completam. Cada um possui suas características próprias e vistos em conjunto nos ajudam a conhecer e seguir Jesus.

O Evangelho segundo São Marcos, por exemplo, quer nos apresentar a pessoa de Jesus. Precisamos conhecê-Lo, pois decidimos segui-Lo. Com o Evangelho de São Mateus, considerado o mais catequético dos quatro, aprendemos ensinamentos de Jesus, pois só é possível segui-Lo se soubermos como escolher o Seu caminho nas situações da vida. O Evangelista São Lucas nos apresenta a universalidade da mensagem de Cristo. É para todos! E somos chamados a anunciar essa mensagem a todos. E, por fim, o Evangelho segundo São João, que possui uma literatura mais simbólica, pois nos propõe a fé nos mistérios de Jesus, que é Deus.

Conhecer Jesus, saber Seus ensinamentos, levar a mensagem de salvação aos outros e experimentar fé nos mistérios divinos, eis alguns dos motivos pelos quais devemos ler e estudar os Evangelhos. Além disso, nos permitir compreender que Jesus é o centro da Sagrada Escritura, e assim ler cada um dos outros livros da Bíblia com suas características próprias e relacionando-os com os demais [livros bíblicos], é um bom caminho para aceitar o convite da Igreja de que nos debrucemos gostosamente sobre o texto sagrado (Dei Verbum), ou seja, sintamos seu sabor, seu gosto na nossa vida.
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11 janeiro 2017

Que tal começar tudo pela Palavra de Deus?


            Que tal começar tudo pela Palavra de Deus?

               A Palavra de Deus é fonte de riqueza e sabedoria para o nosso dia a dia


Jesus é o motivo de todas as coisas existirem. “Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito” (Jo 1, 3). Cristo é o Senhor, e tudo Lhe está submetido, tanto o mundo material quanto o angélico, “para que, ao nome de Jesus, dobre-se todo joelho no céu, na terra e nos infernos” (Fl 2,10), também toda matéria e forma, viva ou inanimada, estão sob Seu olhar.

“Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas” (Hb 4,12-13). Jesus veio revelar também ser Ele o Verbo Encarnado do Pai, a Palavra criadora (cf. Jo 1,14). Palavra que quis se colocar em meio a nós, perpassando e agindo em nossas realidades. “A palavra que minha boca profere, não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado minha vontade e cumprido sua missão” (Is 55, 11).


Importância da Palavra de Deus

A Palavra de Deus rege todas as coisas. Se, então, a Palavra pode trazer essa eficácia, por que nos privamos de nos orientar por ela quando vamos empreender algo?

Queira ser um agente que propaga a Sagrada Escritura. A força e a sabedoria ali contidas provêm da boca do Senhor e não de nós. Deus não a deixará cair no descrédito. É do interesse divino que a Bíblia transmita Seus efeitos onde quer que ela seja colocada em prática e proferida, ainda que seja por nosso intermédio, servos fracos e sujeitos ao pecado.

Podemos contar sempre com os efeitos da vontade de Jesus em nossas iniciativas. Leve sempre a Bíblia aonde você for.
Reserve um momento para ler a Palavra de Deus

Comece tudo o que for fazer com a oração de um trecho bíblico, como um Salmo por exemplo. Ao acordar, antes de pegar o trânsito, antes de iniciar um trabalho ou ministério, leia um versículo, busque uma passagem relacionada com a situação que você está vivendo. Com certeza, Deus lhe falará, pois Ele quer participar de sua vida. Destaque textos da Sagrada Escritura e cole-os em lugares por onde for passar, na cabeceira da cama, no interior do carro, na porta da geladeira, nos cadernos e aparelhos de seu trabalho. Se, por vezes, enfeitamos nossos pertences com diversos dizeres, frases de efeito, figurinhas e personagens, por que não fixar também neles um versículo bíblico? Aproveite para lê-los e rezar todas as vezes que os visualizar.

Não se trata de separar textos que mais nos agradam e vivê-los isoladamente. Queira, com essa prática, aprender a amar a Palavra de Deus para ser Evangelho vivo, comungando-O na sua totalidade. Essa sugestão é uma maneira de memorizar trechos ou inspirar-se num lema para vida ou tempo presente.
Viver conforme a Palavra de Deus configura-nos, segundo a Pessoa de Jesus, Verbo Eterno, de forma a permitirmos que Sua voz tenha poder sobre todo o nosso ser: “Porque a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4, 12). Assim, também será com nossas ações e sobre o que elas desencadeiam, suas consequências e resultados.
Jesus em primeiro lugar

Todas as realidades contidas na Pessoa da Palavra serão favoráveis em nossa vida, mesmo quando não entendermos o porquê de um fato acontecer daquela maneira. No fim, testemunharemos que tudo concorrerá para um bem maior, pois o Altíssimo quer sempre o melhor para nós, como afirma a Bíblia: “Tudo contribui para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8,28).

Começar pela Palavra também é colocar Jesus em primeiro lugar.

“Antes de qualquer tarefa, vem a palavra verdadeira” (Eclo 37,20).
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06 janeiro 2017

Deus tem nos visitado?


                        Deus tem nos visitado?

Talvez seja hoje o tempo das visitas de Deus. Precisamos estar atentos para perceber seu significado


Quanto a mim, a resposta é positiva. Ouso dizer que você também é alvo das visitas de Deus. A questão é: qual importância temos dado a essas visitas?

Certa vez, ao comemorar meu aniversário, tinha a certeza de que Deus me visitaria de maneira especial. Fiquei atenta e imaginei várias maneiras pelas quais Ele poderia vir ao meu encontro, mas não esperava que fosse de um jeito tão exclusivo.

Imagine só! Naquela época, eu morava no terceiro andar de um prédio em pleno Rio de Janeiro; um passarinho –- que desconheço a espécie -– veio fazer seu ninho justamente na plantinha que estava em minha varanda!


Acolha com carinho a visita de Deus

O interessante é que tudo já vinha sendo preparado há algum tempo, pois o ninho estava pronto com dois ovinhos; e só percebi isso no dia de meu aniversário… Fala sério! Não é carinho de Deus?

Quem quiser pode chamar de coincidência, mas eu prefiro acolher como manifestação de amor, visita de Deus!

Monsenhor Jonas escreve nos Nossos Documentos internos da Comunidade Canção Nova: “Há momentos que o Senhor nos visita pessoalmente. É Ele quem toma a iniciativa e cria as circunstâncias para que isso aconteça. É necessário ser sensível a essas visitas. Um momento desses, que se cede à iniciativa do Senhor, vale por dias inteiros de busca e empenho pessoal. É uma graça incalculável!”.

É certo que Deus nos visita de várias formas; às vezes, no amor, dando-nos presentes, mas, às vezes, na dor, no sofrimento. A iniciativa, no entanto, é sempre d’Ele; e acolher com docilidade é nossa parte para colhermos todo bem que Ele quer nos proporcionar.

Deus me conhece e sabe o quanto gosto da vida, da natureza e quis manifestar seu amor com um presente bem original.

Aquele passarinho me fez lembrar da minha infância, quando morava num sítio e estava sempre em contato com a beleza da criação. Às vezes, encontrava algum ninho de pássaro. Voltei no tempo por instantes e até esqueci que os anos se passaram. Como criança, fui correndo espalhar a feliz notícia para todos e adotei o passarinho como meu, até que ele cumprisse seu oficio de gerar os filhotes e voasse.

Recebi vários presentes naquele dia e outras manifestações de carinho. Sou grata por todos, mas nenhum superou este.
Em cada visita de Deus, existem lições a serem aprendidas

Na tentativa de compreender o recado de Deus com esse acontecimento, colhi várias lições. O pássaro não constrói seu ninho num piscar de olhos nem de um dia para outro: exige-se tempo e dedicação. A Palavra de Deus diz que “há um tempo para cada coisa debaixo do céu”. Talvez seja hoje o tempo das visitas de Deus; preciso estar atenta para perceber seu significado.

Cada vez que via aquele pequeno pássaro a chocar seus ovinhos, lembrava-me que preciso, a exemplo dele, ser mais corajosa, dedicada na missão que tenho a cumprir, paciente e perseverante.

O interessante é que o pássaro não larga o ninho por qualquer ameaça. Cheguei perto dele para observar melhor e percebi que começou a respirar mais forte, demonstrava medo, porém, permaneceu no ninho, como a dizer-me: “Não abro mão de minha missão. Por ela dou a vida!”.

Aquele pássaro fez-me refletir como tenho assumido a missão que Deus me confiou: “Diante das ameaças e perigos, saio voando ou aguento firme, disposta a dar a vida?

Essa reflexão tem me aproximado de Deus e encorajado-me. Acredito que essa foi a intenção do presente!

Tomara que Deus o visite também por estes dias. Fique atento!
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04 janeiro 2017

Os dons infusos do Espírito Santo


                   Os dons infusos do Espírito Santo

Os dons infusos produzem os frutos, perfeições que o Espírito Santo forma em nós como primícias da glória eterna


Desde o batismo ,o Espírito habita em nós (cf. 1 Cor 3,16; 6,19) e gera em nós os dons de santificação, também chamados dons infusos: Ciência, Entendimento, Sabedoria, Conselho, Piedade, Fortaleza e Temor de Deus. Com a Crisma, esses dons crescem no cristão. Os Sete dons do Espírito Santo.



“Não sabeis que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Porque o templo de Deus, que sois vós é santo” (1 Cor 3,16). “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual vos foi dado por Deus? (1 Cor 6,19).
O nosso Catecismo diz: “A vida moral dos cristãos é sustentada pelos dons do Espírito Santo. Estes são disposições permanentes que tornam o homem dócil para seguir os impulsos do mesmo Espírito” (n. 1830).

Os dons do Espírito Santo são como que “auxiliares das graças”, os seus “lubrificantes”. São predisposições para a santidade que o batismo infunde na nossa alma junto com a graça santificante e as virtudes teologais (fé, esperança e caridade) e morais (justiça, fortaleza, prudência e temperança).

Além dos dons infusos, o Espírito Santo produz nos fiéis os frutos, que são perfeições que o divino Espírito forma em nós como primícias da glória eterna. A Tradição da Igreja enumera doze: “caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade” (Gl 5,22-23 vulg.).

Os sete dons do Espírito Santo em plenitude pertencem a Cristo. Completam e levam à perfeição as virtudes daqueles que os recebem. Tornam os fiéis dóceis para obedecer prontamente às inspirações divinas. “Que o teu bom espírito me conduza por uma terra aplanada” (Sl 143,10). “Todos os que são conduzidos pelo Espírito Santo são filhos de Deus. Filhos e, portanto, herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo” (Rm 8,14.17).

Somente pela ação do Espírito Santo em nós é que podemos conquistar a santidade. É ele que, desde o batismo, vem habitar em nós para nos fazer “templos do Deus vivo”; ou, como disse São Pedro, “pedras vivas, vós também vos tornais os materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo, a oferecer vítimas espirituais agradáveis a Deus, por Cristo” (1Pe 2,5). São Pedro Julião Eymard disse que “é dogma de fé que, sem o auxílio do Espírito Santo, não podemos ter um pensamento sobrenatural; apenas naturais”.

O Espírito de Jesus habita em nós para fazer-nos imagens de Jesus (Rom 8,29), o Homem perfeito e Santo. Desde o batismo, o Espírito habita em nós com a Trindade Santíssima e nos dá os dons de santificação: Sabedoria, Ciência, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Piedade e Temor de Deus. A Igreja nos ensina que, mediante esses dons, o Espírito nos dirige para a santificação, à medida que a nossa disposição coopera com a graça.

Muitas vezes, pedimos um ou outro dom do Espírito Santo. Devemos ter a coragem de pedir todos eles, para que Deus venha sempre em socorro de nossas fraquezas e nos ajude a crescer na busca da santidade de vida e no engajamento à missão evangelizadora de anunciar a Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo – ao mundo, para que o mundo creia e a paz, a concórdia e a misericórdia reinem entre nós.

Peçamos, humildemente, a Virgem Maria Aparecida, esposa do Espírito Santo, que interceda por nós junto a Deus, concedendo-nos a graça de recebermos os divinos dons, apesar de nossa indignidade, de nossa miséria, de nossa fragilidade e fraqueza. O próprio Jesus, Nosso Redentor, recomenda-nos: “Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto”(Mt 7, 7).

Façamos a experiência e possamos experimentar as chuvas de bênçãos que Pentecostes nos proporcionará. Amém!
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02 janeiro 2017

O que é o discernimento dos espíritos?


                     O que é o discernimento dos espíritos?

              O discernimento é um dom “protetor da comunidade e de todos os outros dons”

O discernimento é uma habilidade ou a capacidade dada por Deus de reconhecer a identidade (e, muitas vezes, a personalidade e a condição) dos “espíritos” que estão por trás de diferentes manifestações ou atividades. Este dom, essencial à Igreja, é geralmente concedido aos pastores do rebanho de Deus e aos que estão em posição de guardar e guiar os santos.

Como podemos ver, na definição acima, esse dom de Deus nos ajuda a perceber a origem de uma intuição, de um pensamento, a causa de um comportamento, especialmente quando este é apresentado a nós de forma estranha.


Foto: Daniel Mafra / cancaonova.com

Como dom, o discernimento dos espíritos não procede das capacidades simplesmente humanas nem das deduções científicas que possamos ter adquirido. “O discernimento é intuição pela qual sabemos o que é, verdadeiramente, do Espírito Santo”.

O discernimento também pode ser visto como uma espécie de visão ou sensibilidade, é uma revelação espiritual da operação de diferentes tipos de espíritos numa pessoa ou numa situação; é o meio pelo qual Deus faz os cristãos tomarem consciência do que está acontecendo.

Após todas essas definições, podemos nos perguntar: Qual benefício esse dom nos traz ao ser usado de forma adequada? Como utilizá-lo? Como deve ser utilizado pelas pessoas, quando essas vivem situações complexas? Como elas devem proceder a partir da orientação certa e segura que o discernimento lhes deu?
O uso do dom do discernimento

O carisma em estudo nos permite agir de forma correta em um fato ou situação que temos em mãos no momento. Permite-nos identificar a causa dessa situação especial, podendo, assim, levar-nos à raiz, ao princípio que a move, que a origina, encaminhando à situação acertada e feliz.

O uso do dom nos ajuda, portanto, a conhecer o espírito, isto é, o princípio animador (anima = o que anima, move, movimenta, etc.). Com ele, podemos chegar, com facilidade, à origem de uma inspiração e confirmar de onde esta pode vir:

– Se provém de Deus (ou de Deus por meio de Seus anjos, os Seus mensageiros);

– Se tem origem na mente humana (a qual pode estar sã, doentia, desequilibrada ou alterada);

– Se provém dos espíritos maus (do demônio ou de influências espirituais maléficas).

O discernimento ajuda-nos, ainda, a distinguir o certo do errado, o verdadeiro do falso, orientando nossas vidas na fé e doutrina de Jesus Cristo. O Senhor tem para nós esse grande dom, esse precioso dom, que é o discernimento dos espíritos. Embora ele seja um dom, embora nos seja dado gratuitamente, é resultado, também, da nossa caminhada. Precisamos caminhar e amadurecer. O que nos torna maduros é a perseverança, a oração, a Palavra de Deus e a docilidade. Com a maturidade vem também o discernimento dos espíritos.

Que Deus dê a você esse grande dom. Você pode orar agora: “Senhor Jesus, peço o discernimento dos espíritos. Preciso muito desse dom para não confundir todas as coisas. Não quero saber de nada de mau, não quero saber confundir. Quero ser guiado, conduzido, orientado pelo Senhor. Dá-me, Senhor, o dom do discernimento dos espíritos. Amém!”.

Peço para você a graça da caminhada, do crescimento, para que venha trilhar seu caminho com perseverança. Peço que, amadurecido, crescido e arraigado em Jesus, que você tenha todo discernimento para poder servir ao Senhor cada vez melhor, como bom e prudente, a quem o Senhor pode confiar o que tem de mais precioso.

Vinde, Espírito Santo, e dai-nos o dom de discernir.
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30 dezembro 2016

Homem e mulher, um belo desígnio de amor




               Homem e mulher, um belo desígnio de amor

                                Deus assim quis o casal humano: homem e mulher

“Deus fez o homem e a mulher “à sua imagem e semelhança”” (Gn 1,26). Isto é, Ele foi buscar “dentro de Si mesmo” o “modelo” para nos criar. Portanto, não poderia nos ter feito melhor.

E como é o “interior” de Deus? É amor. “”Deus é amor””, nos ensina São João (cf. I Jo 4). E, se nos fez à sua “imagem”, nos fez por amor e para o amor, como Ele. O amor é difusivo; isto é, sai de si mesmo e vai em busca do outro. Sabemos que Deus é uma bela “família”, a Trindade Santíssima: um Deus só (uma só natureza ou essência), mas que subsiste em três pessoas distintas, que se amam infinitamente.




Você pode não compreender este “mistério” de “um em três”, porque não pode compreender toda a intensidade do amor que é Deus. Se você pudesse entender plenamente o amor que há na Trindade, o seu mistério ficaria claro.

Ora, como Deus nos quis à sua “imagem”, então, fez do amor a “razão de ser” de nossa vida. Assim, ao estabelecer na terra a humanidade, quis que a sua essência fosse esse amor que é Ele mesmo. Isto esclarece porque ao criar o homem (= Adão), Deus disse: ““Não é bom que o homem esteja só”; “vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada”” (Gn 2,18).

Essa “ajuda adequada” seria para o homem o seu complemento, e também, alguém para amar, para se doar. É importante notar que Deus, antes de criar a mulher, tinha dado ao homem todos os seres criados, e mandado que ele desse nome a cada um deles. “Dar nome”, na Bíblia, significa tomar posse. Damos nome àquilo que nos pertence; o fazendeiro dá nome à sua vaca; a menina dá nome à sua boneca; os pais dão nome aos seus filhos.

“”Tendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais dos campos, e todas as aves dos céus, levou-os ao homem, para ver como ele os havia de chamar; e todo o nome que o homem pôs aos animais vivos, esse é o seu verdadeiro nome”” (Gn 2,19). Mas o livro do Gênesis afirma que tomando posse de todos os seres criados, e pondo nome a todos eles, “não se achava para ele [homem] uma ajuda que lhe fosse adequada” (v. 20). O que quer dizer isto, senão que faltava “alguém” que o homem pudesse amar e por quem fosse amado? Faltava o “outro, que completaria a sua essência.

A Bíblia não deixa de dizer que foi grande a surpresa e a alegria do homem ao ver a mulher que Deus criara. Foi como um suspiro: “”Eis agora aqui, disse o homem, o osso de meus ossos e a carne de minha carne; ela se chamará mulher, porque foi tirada do homem” (Gn 2,23).
O alerta do Papa

Foi a primeira declaração de amor que o universo ouviu. O homem suspirou aliviado porque Deus tinha então lhe dado ajuda a “ajuda adequada”; isto é, a sua vocação para o amor podia agora ser realizada. Precisamos dizer aqui –- com todo o respeito para com os homossexuais –- que Deus assim quis o casal humano: homem e mulher.

A Igreja reconhece, e o próprio Catecismo explica, que a origem e as causas da homossexualidade são ainda confusas, mas a sua prática é classificada como “”depravação grave” e “intrinsecamente desordenada”” (Catecismo 2357).

Quando o Parlamento Europeu, em 1994 (no Ano da Família), considerou juridicamente válido o casamento de homossexuais, podendo até adotar filhos, o Papa João Paulo II não se calou; imediatamente condenou esta prática: “

“Não é moralmente admissível a aprovação jurídica da prática homossexual. Ser compreensivos para com quem peca, e para com quem não é capaz de libertar-se desta tendência, não significa abdicar das exigências da norma moral… Não há dúvidas de que estamos diante de uma grande e terrível tentação”
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28 dezembro 2016

Quem é mais forte: o amor ou o poder?


                Quem é mais forte: o amor ou o poder?

     Não com a força, não com a fúria, mas com o amor e o perdão, é assim que venceremos

Certa vez, disse para uma amiga: “Não desista de viver a bondade!” Passaram-se anos e há poucos dias ela me disse: “Nunca mais esqueci suas palavras e tenho deixado-me conduzir por elas, as quais permanecem como eco em minha memória”.

A princípio, fiquei somente surpresa por ela ter se recordado tão vivamente do conselho, mas depois percebi que era mais que isso. Em suas palavras, percebi o Senhor atualizando o recado também para minha vida.




Em um mundo no qual se coloca em evidência aquilo que não é bom, se não estivermos alicerçados em princípios de fé e esperança, correremos o risco de nos deixar levar pela maldade e agir pela força dos argumentos da razão, desistindo facilmente de ser bons.

Hoje falei sobre isso em um dos programas que apresento na Rádio Canção Nova e resolvi ampliar a partilha na intenção de que ela chegue ao seu coração. Eu acredito no poder da bondade! Posso dizer, por experiência própria, que o amor é mais forte do que o poder do mal.

Existe uma fábula atribuída a Esopo que pode ilustrar essa partilha e eu a apresento aqui:

“Conta-se que o sol e o vento discutiam sobre qual dos dois era mais forte.
O vento disse:
– Provarei que sou o mais forte.
Vê aquela mulher que vem lá embaixo com um lenço azul no pescoço?
Aposto como posso fazer com que ela tire o lenço mais depressa do que você.
O sol aceitou a aposta e recolheu-se atrás de uma nuvem.
O vento começou a soprar até quase se tornar um furacão, mas quanto mais ele soprava,
mais a mulher segurava o lenço junto a si.
Finalmente, o vento acalmou-se e desistiu de soprar.
Então, o sol saiu de trás da nuvem e sorriu bondosamente para a mulher.
Com este gesto, ela imediatamente esfregou o rosto e tirou o lenço do pescoço.
O sol disse, então, ao vento:
– Lembre-se disso: A gentileza e a bondade são sempre mais fortes que a fúria e a força”.
Dando a vitória à bondade

Acredito que, com essa narrativa, Deus está nos dando hoje a direção para vencermos os obstáculos de nossa vida. Não com a força, não com a fúria, mas com a gentileza, com o sorriso, com a bondade, com a paciência, com o amor e o perdão, é assim que venceremos!

Não sei em qual etapa da vida você se encontra, quais são os desafios que tem enfrentado, mas acredito que Jesus, o “Homem bom por excelência, pode e quer nos ajudar a darmos uma resposta diferente, fazendo opção pela bondade. A Palavra do Senhor diz: “Não pela força, nem pela violência, mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos […]” (Zacarias 4,1-10).

E o Espírito de Deus nos conduz somente àquilo que é bom, justo e nobre.

Que tenhamos a coragem e a disposição para expressar a bondade que está em nós e pode chegar a muitos corações a partir da nossa decisão e coragem de ser um pouco melhores a cada dia. Eu estou tentando. E você?

Busquemos juntos, neste dia, dar a vitória à bondade. A força dessa virtude, passando por nossos pequenos gestos, pode fazer grande diferença.
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26 dezembro 2016

Natal, tempo de capacitar-se para o novo


              Natal, tempo de capacitar-se para o novo

A vivência do Natal pode e deve ser a inteligente oportunidade para escrever um capítulo novo na história da sociedade, da vida pessoal e familiar

Questionamentos, com tons de aridez e desânimo, podem brotar no coração humano em meio às festas natalinas. De novo, é tempo do Natal e onde está a novidade? Ao avaliar os últimos anos, ou mesmo a década que passou, o que mudou para melhor? Talvez, as análises sejam marcadas pelo pessimismo, concluídas com uma afirmação melancólica: de novo, é tempo do Natal. Os votos natalinos, que ocupam a pauta da mídia, os cumprimentos entre pessoas e os cartões enviados, podem parecer mera repetição. Isto porque, dias depois, tudo parece voltar a uma rotina que tem o seu peso próprio. Os votos de Natal podem se tornar apenas “palavras pronunciadas ao vento”, sem nenhuma força de transformação e mudança. Em vez disso, cada pessoa deve aproveitar o tempo do Natal como oportunidade para capacitar-se para o novo.


A novidade que se experimenta não se esgota nas indispensáveis inventividades do comércio ou na criatividade de estrategistas para alcançar ganhos, sair de crises, conseguir novas respostas econômicas, inclusive para superar os cenários excludentes que envergonham a sociedade. O novo do tempo do Natal está na fonte plantada bem no centro da história, perto de cada homem e mulher, no mistério insondável e inesgotável da encarnação do Verbo, Jesus Cristo, o Filho de Deus. A fonte do novo que não envelhece está entre nós é o cântico do tempo do Natal. Está aí a novidade procurada pelo coração humano, como necessidade amorosa que alimenta o sentido da vida.

A liturgia na Igreja Católica constrói este caminho experiencial com singularidade e riqueza preciosas, além de uma incontestável força pedagógica. Essa força é transformadora, com incidência na vida de quem percorre o caminho rumo ao mistério do Natal do Senhor. Indispensável é livrar-se das exterioridades que ancoram os corações na superficialidade. São pesados fardos que não permitem avanços na experiência do encantamento que o mistério do Natal opera na história da humanidade e na vida de cada pessoa. Santo Agostinho, tocado no mais íntimo do seu ser por este mistério expressa, de maneira admirável, sua profundidade e seu alcance quando diz: “Celebremos este dia de festa, em que o grande e eterno Dia, gerado pelo Dia grande e eterno, veio a este nosso dia temporal e tão breve”. Esta reflexão permite compreender melhor a novidade, sempre atual, que deve acompanhar os votos de feliz Natal. Ao alcançar esse entendimento, de modo profundo, supera-se a rotina que promove esterilidade, são superados desencantos que deprimem e fazem tantos caírem, não se deixa exaurir a força dos que combatem em muitas frentes, especialmente as que buscam a paz, a solidariedade e a justiça.

Santa Terezinha do Menino Jesus, sempre muito tocada pelas festas do Natal, em diálogo com Maria, a Mãe do Salvador, pergunta, em meditação profunda: “Terei inveja dos anjos que cantam o nascimento do Salvador? Não, porque o Senhor deles é meu irmão!” Esta verdade é a fonte da esperança que garante a novidade tão almejada pelo coração humano. Não há outra realidade comparável ao encontro do novo que está sempre guardado no coração de Deus. Tudo o que está fora desta fonte é repetição, não raramente enfadonha, sem força de modular os corações no amor que alimenta lógicas transformadoras, corrige os descompassos das arbitrariedades, elimina as amarguras que comprometem a fraternidade, supera as indiferenças que retardam o remédio urgente da solidariedade entre pessoas, culturas, povos e nações.

A vivência do Natal pode e deve ser a inteligente oportunidade para escrever um capítulo novo na história da sociedade, da vida pessoal e familiar. Esta tarefa é urgente, pois existe uma lista de intermináveis desafios a serem superados – da corrupção endêmica na sociedade brasileira, passando pelas disputas e manipulações que encobrem malfeitos e arrogâncias de todo tipo até a perda lamentável do encantamento e da ternura, que sustentam o respeito ao outro, em todas as circunstâncias. Os votos de Natal produzem efeitos, particularmente, quando o coração humano os traduz em propósitos a serem verdadeiramente assumidos, especialmente aqueles que corrigem os descompassos que fragilizam instituições, conturbam a família, desfiguram a vivência da fé na Igreja e perpetuam os tons de selvageria nas relações interpessoais.

Na especialidade deste tempo, de tamanha densidade, que os votos de Natal criem a oportunidade para a reconciliação entre pessoas, classes e povos; inspirem a lista dos propósitos pessoais para qualificar a vivência do Ano Novo, fecundem o encantamento por Deus e o respeito ao semelhante, principalmente ao mais pobre. Estes são os votos de Natal.
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25 dezembro 2016

Como ser luz no Natal?


                            Como ser luz no Natal?

                  Aprenda a ser luz no Natal e iluminar todos os dias do novo ano

Com a chegada do fim de mais um ano, muitos renovam no coração gestos de solidariedade e paz. O clima deste tempo transforma até mesmo os corações mais duros. Celebrar o Natal é renovar nosso amor no Senhor. Aquele que veio um dia nos trazer a salvação continua vindo ao nosso encontro todos os dias do ano, nas mais diversas pessoas e situações.



Síndrome do Papai Noel

Muitos assumem, no tempo natalino, a síndrome do Papai Noel. Do dia para a noite, fazem um processo de conversão relâmpago. Abraçam a todos e distribuem presentes. Mas, terminado o Natal, voltam a praticar os mesmos atos de maldade. Tais pessoas não se converteram de fato; têm apenas um impulso emocional para desencargo de consciência.

Jesus Cristo nos ensinou que não existe dia específico para a prática do bem e do amor. Todo dia é dia de amar. O irmão necessitado não sente fome somente no tempo do Natal, mas também todos os outros meses do ano.
Qual o melhor presente?

Não adianta você dar o melhor presente para seus pais, se você passa os outros onze meses do ano ausente da vida deles. O melhor presente a ser ofertado é a mudança de suas atitudes e a conversão permanente do seu coração. Gestos de amor brilham na eternidade.

Neste tempo em que nos preparamos para celebrar o nascimento do Senhor, somos convidados a ser luz. A cada semana, vamos nos aproximando da Luz Maior, que é o próprio Jesus Cristo. Em meio a tantas situações de trevas, devemos levar a luz da paz, do amor, da misericórdia, da solidariedade e da esperança para as pessoas. Brilhe para que muitos se aqueçam com o seu testemunho e façam o retorno ao coração amoroso do Pai.

Você não é uma luz pisca-pisca usada nas árvores de Natal e decorações natalinas. Não! A sua luz é permanente, porque a fonte que faz você brilhar nasce do coração de Deus. O amor do Senhor é a usina que gera a luz e faz o Seu brilho resplandecer frente à escuridão do mundo. Você é luz, porque é gerado no amor de Deus.
Não podemos encaixotar o nosso brilho

Ao terminar as festas de fim de ano, as luzes usadas na decoração serão retiradas da tomada e encaixotadas para que, no outro ano, voltem a ser utilizadas. Não podemos encaixotar o nosso brilho, a nossa misericórdia e o nosso amor. Somos gerados para amar. A memória do nascimento de Cristo renova em nosso coração a esperança na vida. A Luz Maior deixa sempre um rastro luminoso em nossa alma. Somente quem foi iluminado pelo Senhor pode brilhar na vida de outras pessoas.

Na esperança de um novo tempo de misericórdia e paz, renove sua confiança no Senhor. Brilhe com Seu testemunho de vida, para que as trevas do mundo se afastem, para dar lugar ao alvorecer de um novo tempo gerado no amor de Deus.
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24 dezembro 2016

Como devo me preparar para o Natal?


                 Como devo me preparar para o Natal?

Aquele que se decidir a viver o Natal em oração, com certeza o viverá de maneira mais santa, renovada e feliz

Charles Dickens, um famoso romancista inglês, escreveu certa vez: “Honrarei o Natal em meu coração e tentarei conservá-lo durante todo o ano”. Penso que ele estava certo, pois o Natal precisa novamente ser honrado com urgência, porque, há muito tempo, as pessoas têm simplesmente ignorando o real sentido dessa data.


O que é o Natal?

Papa Francisco, em uma de suas homilias sobre o Natal, não hesitou em afirmar à humanidade seu verdadeiro significado: “O Natal é mais! Nós vamos por esse caminho para encontrar o Senhor, porque o Natal é um encontro e nós caminhamos para encontrá-Lo com o coração, com a vida, encontrá-Lo vivo, como Ele é, encontrá-Lo com fé”. O Natal é um encontro. Que bela definição o Santo Padre nos deu! Trata-se, portanto, de um encontro com Jesus, o Menino Deus que traz consigo o segredo da verdadeira paz à alma humana ainda tão agitada. Neste encontro com Cristo, o Sumo Pontífice nos indica a oração, a caridade e o louvor como caminhos para uma boa preparação para bem celebrarmos o nascimento de Jesus.

Gostaria de deter-me neste primeiro caminho, que é da oração, para vivenciarmos o Natal como aquilo que ele verdadeiramente é.

O mundo, nesta época, ensina-nos que tudo consiste em caprichar na compra de presentes, fazer aquela ceia maravilhosa com ricas iguarias, ter o maior número possível de enfeites natalinos dentro de casa, chamar todos os parentes para uma confraternização social – mesmo que, durante os outros 364 dias do ano, vocês nem se falem mais! – e dar, além de tudo isso, umas generosas contribuições para as tais “caixinhas de Natal”.

Tudo na vida tem real significado e valor. O Natal é, sobretudo, o aniversário do nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo, o Verbo de Deus que se fez carne e habitou entre nós para nos salvar. Mas grande parte da nossa sociedade, tão consumista e alienada, simplesmente celebra o aniversário ignorando o aniversariante.
Seguir o conselho da Virgem Maria

Nós cristãos não estamos isentos de tal risco. Podemos cair no mesmo equívoco de celebrar esta grande festa ignorando o aniversariante, que é Cristo. Para que isso não aconteça, segue o conselho constante que a Mãe de Jesus nos dá em Medjugorje: “Queridos filhos, rezem, rezem e rezem”.
Intimidade com Deus

Preparemos o aniversário de Jesus com as nossas orações. Quando nos decidirmos a viver este Natal em oração, já estaremos começando a experimentar esse encontro com o Menino Deus. É por meio da oração, dessa busca de uma maior intimidade com Deus, que adentramos no castelo do Rei dos reis e nos livramos daquelas amarras de ressentimentos e lembranças amargas que nos oprimem e estragam o nosso Natal. Porém, não se iluda, meu irmão! Esse “castelo” nos é revelado na pobreza da gruta de Belém, na qual o Trono de Graça se fez simples manjedoura e Aquele que detém todo poder e autoridade nas mãos manifesta-se na fragilidade de uma criança nos braços de Sua Mãe.


Somente aquele que reza consegue contemplar esses sinais escondidos, os quais o mundo ainda não foi capaz de enxergar. Aquele que se decidir a viver o Natal em oração, com certeza o viverá de maneira mais santa, renovada e feliz. Pois o homem que reza jamais se encontra sozinho. Ele é semelhante àqueles Reis Magos que caminhavam por terras desconhecidas sob a guia de uma estrela. A luz que vinha do Alto os direcionava. O mesmo acontece com a alma orante: ela é sempre conduzida pelo Céu e para o Céu.

Não deixe para rezar somente no Dia de Natal

Que tal fazermos essa maravilhosa experiência nesse tempo? Prepare-se bem para o Natal por meio da oração e não deixe para rezar somente no grande dia. Comece antes, comece agora! Reze o Santo Terço em família, leia na Bíblia as verdadeiras histórias do Natal para seus filhos, participe bem das Santas Missas durante este tempo, faça uma boa confissão e, nos últimos dias do Advento, reze a Novena de Natal com os seus.

Enfim, deixe que a força da oração o guie em direção à gruta de Belém. Ali, você contemplará o Filho de Deus que se fez um de nós e aprenderá que o Natal é a oportunidade que a humanidade tem de recordar que o verdadeiro amor consiste em doar-se até o fim com humildade e simplicidade. Ali, naquela manjedoura construída pela paz em seu coração, você poderá admirar o sorriso do Menino Jesus. E diante desse singelo sorriso, é impossível que a alma humana permaneça sofrendo na dor e na solidão!

Desejo a você e a sua família um Natal diferente dos anos anteriores, um Natal preparado em oração, que marque definitivamente este tempo novo de recomeços e retomadas na sua vida.

Um abraço fraterno!
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22 dezembro 2016

A vida familiar é uma verdadeira escola


                 A vida familiar é uma verdadeira escola

         É preciso compreender que é no núcleo familiar que as pessoas são formadas

Há uma perigosa, progressiva e ameaçadora perda do sentido da vida como dom precioso. São muitos os cenários que comprovam a maneira relativista com que se vem tratando a vida: o resultado é a crescente perda de seu valor sagrado. Assim, torna-se urgente compreender e investir sempre mais em processos educativos que permitam o enfrentamento dessa realidade problemática e ameaçadora. Isso porque a dinâmica da delinquência, incentivada pela impunidade, entra sorrateiramente no tecido da cultura urbana, moldando o comportamento de pessoas e grupos.

Nesse cenário, gravíssimo é constatar o quanto está corroído o núcleo da consciência individual pelas escolhas subjetivistas, voluntaristas, norteadas por conveniências que relevam até mesmo preconceitos e ódios. Desse modo, esses adiantados processos de delinquência surgem na contramão de tudo o que se pode presumir. Há um pisca alerta em último grau indicando a urgência de programas educativos mais efetivos para enfrentar esse caos. Os altos preços já pagos e os prejuízos evidentes alertam para o agravamento dos mais diversos tipos de violência, desde o terrorismo de estado até aquelas que se escondem no silêncio dos lares, a exemplo das abomináveis agressões às mulheres.



A família como prioridade

Não bastam, porém, apenas intervenções pontuais nessas situações todas. É preciso completa reorganização nos funcionamentos da sociedade, considerando, sobretudo, o apreço sagrado pelo dom da vida. Inclui-se aí o enorme desafio de articular a complexidade e a diversidade das linguagens e das simbologias em meio às velozes transformações socioeconômicas, religiosas, políticas, culturais e ambientais. Também não bastam as intervenções estruturais na organização externa das realidades urbanas. É preciso investir em contextos com impactos estruturantes. No cenário amplo dos investimentos educativos, os governos, as igrejas, as academias e os demais segmentos devem priorizar a família, sempre mais.

Mesmo considerando-se superada a fase vivida recentemente, de relativização da família e até mesmo da preconização do seu fim, ainda são necessários ajustes na compreensão do que ela realmente representa. É essencial ter-se a clareza da importância de se constituir o núcleo familiar para ser qualificado no contexto educativo e, assim, ser capaz de questionar as realidades. Antes e acima do ensino formal, está a família. Escola indispensável, nela se configuram os elementos estruturantes do caráter, da socialização, do exercício da liberdade, da cidadania e da capacidade de amar. Tudo isso mantém acesa a chama do respeito à sacralidade da vida, força capaz de reconfigurar os cenários que a ameaçam.

É na família que nasce o novo caminho no enfrentamento daquilo que esgarça o tecido da cultura urbana, ao formar cidadãos capazes de oferecer a força do testemunho imprescindível a toda transformação, fundamentado na justiça, na verdade e na paz. Essa competência para intervir positivamente na realidade estrutura-se primeiramente a partir das relações familiares. Com a preponderância das figuras parentais é que se dá o aprendizado da indispensável dinâmica da reciprocidade, do sentido do outro, de sua dignidade e, sobretudo, do gosto por amparar e promover a vida.
Respeito à vida

A primeira e mais importante escola da vida não pode, contudo, caminhar sozinha. Esses desafios todos exigem políticas públicas adequadas, espiritualidade qualificada, sentido social e político da cidadania, que resultem em práticas capazes de fecundar o respeito incondicional à vida.

Âmbito da socialização primária, a família oferece os meios insubstituíveis de produção de um tecido urbano mais civilizatório, constituindo-se em lugar privilegiado para se repensar hábitos, relacionar-se com os outros, respeitar, ouvir e dialogar. Se não se aprende as boas maneiras de convivência em casa, comprometido estará o modo de se habitar em meio à comunidade, empurrando, mais aceleradamente, a sociedade para o caos.

A abordagem desta questão, emoldurada pela complexidade da cultura urbana contemporânea e pela realidade desafiadora própria da família, convida a refletir, debater e investir em novos cenários para fazer da vida familiar uma verdadeira escola. Todos somos sempre aprendizes.
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20 dezembro 2016

Como deve ser a espiritualidade da família?


              Como deve ser a espiritualidade da família?

A espiritualidade da família é formada por alegria, festa, sexualidade, descanso e sofrimentos


Muitos casais, acostumados a uma participação ativa na comunidade e a um ritmo na vida de oração, sentem-se um pouco confusos, se estão crescendo em sua espiritualidade. É que o matrimônio, a chegada ou não dos filhos e tantos acontecimentos que influenciam na família acabam por causar consequências no dia a dia. É aí que surgem dúvidas. Algumas pessoas acham que a família é empecilho para uma vida no Espírito. Na verdade, é o contrário, a vida em família “é um percurso de que o Senhor Se serve para levá-la às alturas da união mística”, conforme ensina o Papa Francisco na Exortação Pós-sinodal Amoris Laetitia.


Espiritualidade feita de gestos concretos

“A espiritualidade do amor familiar é feita de milhares de gestos reais e concretos. Deus tem a sua própria habitação nessa variedade de dons e encontros que fazem maturar a comunhão”, orienta o Papa. O dinamismo das relações favorece características fundamentais dessa espiritualidade específica. A intimidade do amor conjugal dá glória a Deus.

“O Senhor habita na família real e concreta, com todos os seus sofrimentos, lutas, alegrias e propósitos diários. Quando se vive em família, é difícil fingir e mentir, não podemos mostrar uma máscara. Se o amor anima essa autenticidade, o Senhor reina nela com sua alegria e paz”, acrescenta. O Papa explica que a família vive sua espiritualidade própria, sendo uma igreja doméstica e uma célula viva para transformar o mundo.
Vida no Espírito

Pessoas que “têm desejos espirituais profundos não devem sentir que a família os afasta do crescimento na vida do Espírito”. A graça divina é alcançada, pouco a pouco, por meio da vida matrimonial. Dificuldades e sofrimentos oferecidos por amor nos permitem participar no mistério da cruz de Cristo. Momentos de alegria, descanso, festa, sexualidade são sentidos como uma participação na vida plena da sua Ressurreição.

Gestos cotidianos moldam a família em espaço teologal, possibilitando experimentar a presença mística do Senhor ressuscitado. A espiritualidade matrimonial advém do vínculo habitado pelo amor divino. Dedicação que une humano e divino, porque está cheia do amor de Deus.

Oração em família

Meio privilegiado para expressar e reforçar essa fé pascal é a oração em família. Papa Francisco indica “alguns minutos, cada dia, para estar unido na presença do Senhor vivo”. Nesses momentos, é possível dizer a Deus o que nos preocupa, rezar pelas necessidades familiares, orar por alguém necessitado, pedir ajuda para amar, agradecer pela vida e as coisas boas, suplicar a proteção de Nossa Senhora.

“Com palavras simples, esse momento de oração pode fazer muito bem à família. As várias expressões da piedade popular são um tesouro de espiritualidade para muitas famílias. O caminho comunitário de oração atinge o seu ponto culminante ao participarem juntos na Eucaristia, sobretudo no contexto do descanso dominical. Jesus bate à porta da família para partilhar com ela a Ceia Eucarística”, diz Amoris Laetitia.
Amor por toda vida

“Quem não se decide a amar para sempre é difícil que possa amar deveras um só dia”, afirma o Papa Francisco. “É uma pertença do coração, lá onde só Deus vê. Cada manhã, quando se levanta, o cônjuge renova diante de Deus essa decisão de fidelidade, suceda o que se suceder ao longo do dia”, completa o Santo Padre.
Família não é realidade perfeita

Nessa busca por crescimento, consola-nos a afirmação do Papa Francisco de que “nenhuma família é uma realidade perfeita e confeccionada duma vez para sempre, mas requer um progressivo amadurecimento da sua capacidade de amar”. Essa consciência nos impede de julgar nossos vizinhos com dureza e nos permite avaliar o percurso de nossa família “para deixar de pretender das relações interpessoais uma perfeição, uma pureza de intenções e uma coerência que só poderemos encontrar no Reino definitivo”.
Que queres que te faça?

Ao finalizar este texto, sugiro um exercício especialmente para os casais. Imitando a atitude de Jesus, que se coloca diante do cego Bartimeu com toda disponibilidade: “Que queres que te faça?” (Mc 10, 51), coloque-se diante do seu cônjuge e pergunte: “Que queres que te faça?”. Quando uma pessoa se entrega gratuitamente, é consequência estar diante do outro e esquecer-se de tudo o que existe em redor. Logo, você vai ver a ternura florescer, suscitará em todos a alegria de se sentir amado.
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18 dezembro 2016

Jogos de sorte ou apostas é permitido para um cristão?


      Jogos de sorte ou apostas é permitido para um cristão?

                      Participação em apostas ou jogos de sorte são permitidos?


Apostas e jogos de sorte são uma realidade no meio social, pois a diversão, o lazer e o entretenimento, nas suas várias expressões, fazem parte de uma das dimensões do ser humano. Porém, a pergunta é se essas práticas são convenientes ou não.




Diante do que a Igreja ensina sobre apostas e jogos de sorte ou azar, sendo essa uma questão complexa, um aspecto imprescindível é destacar o abandono e a confiança na Providência de Deus, que rege todas as coisas e deve ter a primazia na vida de todo ser humano. Também é preciso a todos disposição e empenho para o trabalho que “pode ser um meio de santificação” (CIC 2427), que não deve ser descartado frente a possíveis acomodamentos por motivos fúteis.
O que a Igreja ensina

O Catecismo da Igreja Católica, em sua terceira parte, na segunda seção sobre os dez mandamentos, que trata do sétimo mandamento “não roubarás” (Mateus 19,18), traz as direções sobre os jogos de sorte e apostas, ou seja, se são convenientes ou não, e os riscos que tais práticas podem trazer quando excedem e causam dependência nas pessoas.
O Catecismo da Igreja diz:

“Os jogos de azar (jogos de carta etc.) ou apostas em si não são contrários à justiça. Tornam-se moralmente inaceitáveis quando privam a pessoa daquilo que lhe é necessário para suprir suas necessidades e as dos outros. A paixão pelo jogo corre o risco de se transformar em uma dependência grave. Apostar injustamente ou trapacear nos jogos constitui matéria grave, a menos que o dano infligido seja tão pequeno, que aquele que o sofre não possa razoavelmente considerá-lo significativo (CIC 2413)”.

Perante esse ensinamento do Catecismo, verifica-se que os jogos de sorte ou apostas, por eles mesmos, não são um problema para os princípios conceituados justos. Entretanto, essa prática torna-se inadmissível quando inflige valores primordiais da vida e seus direitos inalienáveis, ao priorizar mais as coisas secundárias.
Exemplos de incoerência:

Um pai de família que deixa de comprar o necessário para sua casa se manter com dignidade e gasta seu dinheiro com jogos de sorte e apostas está dando prioridade ao que é secundário. Outra situação é quando uma pessoa, devido a sua exagerada frequência nos jogos e apostas, acaba viciando-se nessas práticas e deixa de fazer as coisas realmente necessárias em sua vida, como cuidar da própria saúde, cumprir com responsabilidades familiares e sociais.

Outro risco é acreditar mais em apostas e jogos de sorte do que no próprio Deus, o que pode interferir tanto na espiritualidade da pessoa quanto no seu equilíbrio na vivência social. Com efeito, o vício provoca a perda da liberdade de filho de Deus e dos princípios básicos do Evangelho.


Assim, é importante ter claro que o ser humano também deve trabalhar para sua sobrevivência, pois, em Gênesis 3,17, ao falar sobre a terra, diz que o homem “tirará dela com trabalhos penosos o teu sustento todos os dias de tua vida”. Ou seja, não se deve confiar o sustento às apostas e jogos.
Postura coerente frente a essa realidade

Diante da participação de apostas e jogos de sorte, conforme a Igreja ensina, é importante que cada um saiba analisar suas próprias limitações e intenções por trás de cada prática, para não se viciar, ou optar sempre por aquilo que pode ser supérfluo. Com isso, se for por simples diversão, sem resquício de vícios e com uma consciência moral reta, não haverá problemas nesse sentido.

Uma forma de não incorrer em riscos relacionados ao excesso de jogos de sorte, cartas e apostas é perceber como e o quanto estamos envolvidos, se temos o domínio sobre nós mesmos para dizer sim e não na hora de começar e na hora de parar.

Assim, o que precisa reger nossa vida é a Providência de Deus, tanto na parte material quanto a promoção de divertimentos que sejam saudáveis para o corpo e a alma. Já que, na vida do cristão, “procura-se ordenar para Deus e para a caridade fraterna os bens deste mundo” (CIC 2401).

O básico e necessário sempre nos será concedido pelo Senhor por meio da Sua Providência junto ao nosso esforço e trabalho, pois Jesus nos garante: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mateus 6,33).
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