28 março 2017

Aprenda o sentido do jejum descrito na Bíblia


             Aprenda o sentido do jejum descrito na Bíblia

                   Jesus explica, por meio da Bíblia, a importância e o sentido do jejum

Era dia de jejum para os fariseus e discípulos de João Batista. Daí, a pergunta a Jesus: “Por que Seus discípulos não jejuam?”. A resposta não nega a importância do jejum, mas sua oportunidade em certas circunstâncias. Assim, não tem sentido o jejum em dias de grande alegria e festa, como as núpcias de um amigo íntimo, que se prolongavam, naquele tempo, por sete dias.

Jesus se compara ao esposo, figura empregada no Antigo Testamento para Javé. Seus discípulos são seus amigos. Por isso, enquanto o Esposo estiver com eles, não podem jejuar (Mc 2,19). Seu Esposo está com eles até Sua Paixão. No entanto, com Sua morte, o Esposo vos será tirado (Mc 2,20). Então, o jejum será normal. E eles ficaram tristes por não contarem com a presença física do Senhor. O jejum será sinal dessa tristeza.


Jejum como prece

O jejum, durante séculos, teve grande importância na ascese cristã. Infelizmente, não é assim hoje. Julga-se que não contribui para o crescimento espiritual. Há, certamente, os que se privam do alimento por razões de saúde ou estética, por motivos sociais ou políticos (greves de fome). Há também cristãos que oferecem o jejum como prece segundo as intenções da Igreja.

O jejum não é um fim, mas um meio. É busca de Deus (prece) e preocupação com os outros (esmola). Tem, sem dúvida, um aspecto penitencial, mas este não é o mais importante. Embora seja louvável jejuar para obter o perdão de suas faltas e das faltas dos outros.

Contribui, sem dúvida, para a saúde física. Alexis Carrel escreveu que o jejum limpa e transforma os tecidos. E é um dever zelar pela saúde do nosso corpo. Mas, para o cristão, o jejum é, sobretudo, uma escola de domínio de si e combate espiritual. Jejuar por razões religiosas tonifica o espírito. A privação do alimento contribui para o domínio das tendências instintivas. Quem controla seu apetite, domina seus desejos.
O jejum é caridade e solidariedade

É um meio, também, de reagir contra o espírito materialista reinante hoje. Privando-se dos alimentos, as pessoas se convencem de que as nutrições terrenas não bastam. É preciso também estimular a fome dos bens espirituais. No mundo do bem-estar e do conforto, é necessário guardar o espírito disponível para Deus.

Numa sociedade em que há milhares e milhares de pessoas famintas, jejuar é partilhar a fome e a pobreza de nossos irmãos, se o jejum é acompanhado do gesto da caridade e solidariedade.
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26 março 2017

Por que jejuar?


                                    Por que jejuar?

               Compreenda por que a Igreja nos pede para realizar a penitência do jejum


Ao tratarmos da cura de gastrimia (gula), a primeira coisa que nos vem à mente, evidentemente, é o jejum. No entanto, sejamos sinceros, quem é que ainda leva a sério o jejum? Para a maior parte das pessoas, o jejum é uma prática antiquada, desnecessária, quando não, completamente absurda.



Até entre os “bons católicos” a prática do jejum é vista com desconfiança. Afinal, somos pessoas equilibradas. Nada de radicalismos! Quando muito, ainda é possível encontrar quem se recorde do velho Catecismo: “O quarto mandamento [da Igreja]: jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja”. Mas quando é que a Santa Mãe Igreja nos manda jejuar? A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou, em 1987, a Legislação Suplementar ao Código de Direito Canônico, que diz o seguinte:
Quanto aos cânones 1251 e 1253:

1. Toda sexta-feira do ano é dia de penitência, a não ser que coincida com solenidade do calendário litúrgico. Os fiéis, nesse dia, abstenham-se de carne ou outro alimento, ou pratiquem alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade.

2. A Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa, memória da Paixão e Morte de Cristo, são dias de jejum e abstinência. A abstinência pode ser substituída pelos próprios fiéis por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação nesses dias na Sagrada Liturgia.

Bem, talvez, do jejum e da abstinência na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, a maior parte dos católicos se recorde. Porém, é provável que a maioria não faça a mínima ideia de que a abstinência de carne, às sextas-feiras, ainda existe! Mas isso não é motivo para que alguém se sinta mal. Muitos e nobres eclesiásticos sofrem da mesma miséria. Magra consolação!

“Mas isso é somente uma lei da Igreja!”, alguém poderia dizer. Depois de constatar essa obviedade, desfiar um rosário de argumentos contra a prática do jejum: “Não está na hora de a Igreja deixar de lado essas tradições medievais? Por que incentivar o jejum? Não existe algo de mal neste masoquismo de querer se penitenciar? Isso não prejudica a saúde? Qual o sentido do jejum, se a pessoa não trabalha para transformar a sociedade?”.

Com argumentos desse tipo, livramo-nos do problema, varrendo-o para debaixo do tapete. Acho que os Santos Padres não estariam exatamente de acordo com esse procedimento.

Santo Tomás de Aquino (1225-1274), que era um mestre em argumentação, ensina-nos a distinguir duas realidades diferentes no jejum:

a) O mandamento da Igreja

b) A lei natural

Os dias em que eu devo jejuar e as formas de realizar esse jejum são uma lei da Igreja (a). Mas o jejum não é uma invenção da Igreja. A necessidade de jejuar é uma lei que Deus imprimiu na natureza humana (b), ou seja, compete às autoridades da Igreja determinar alguns tempos e modos de jejuar, já que é dever dos pastores cuidar do bem das ovelhas. No entanto, mesmo se não houvesse uma legislação canônica, as pessoas teriam de jejuar, pois se trata de uma exigência da própria natureza do homem. Sim, é isso mesmo! Por estranho que possa soar aos seus ouvidos, a ascese e o jejum são imperativos da ética humana natural e não uma tradição de algumas religiões e culturas exóticas. O jejum e a abstinência são instrumentos necessários para que possamos chegar a ser, não heróis ou semideuses, mas simplesmente humanos”!


Talvez, uma comparação nos ajude a compreender melhor essa realidade. Quando alguém compra um carro, as montadoras geralmente dão a oportunidade de a pessoa escolher os “opcionais”: ar-condicionado, airbag, direção hidráulica etc. No entanto, num automóvel, o sistema de freios não é opcional, mas essencial do próprio veículo. De nada adiantaria ter um automóvel se ele não tivesse um freio.

O ser humano também é assim. Precisamos de um sistema de freios, de algo que nos sirva de limite, porque a vida humana desregrada é semelhante a um carro desgovernado. O que era uma bênção transforma-se numa maldição. O jejum e a abstinência fazem parte desse sistema de freios que, no ser humano, recebe um nome: virtude da temperança.
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24 março 2017

Quando é que as mães param para rezar?


                Quando é que as mães param para rezar?

                                        Conciliando a vida de oração e os filhos

Um dia, após ter tido meu primeiro filho, fui com o coração apertado conversar com um padre amigo meu, porque estava me sentindo distante de Deus, já que, em meio a mamadas, banhos, trocas de fralda, roupinhas para lavar, serviços de casa e marido, não estava encontrando tempo para rezar. Dentre tantas coisas que ele me falou, a que mais ficou gravada foi: “Um filho nunca vem para afastar seus pais de Deus, mas para os aproximar”.



Fiquei com aquela frase e fui conduzindo minha vida. O tempo foi passando e eu continuava tentando adaptar as várias realidades do dia com minha espiritualidade. Vivi momentos de aridez, de dias sem rezar o terço, de semanas sem um estudo da Palavra de verdade; às vezes, uma passada de olho, e acabava dormindo com a caneta na mão, rabiscando coisas ilegíveis no papel. Sei que nesse tempo fui amparada pela Eucaristia diária. Em meio a toda correria, não deixávamos de participar da Santa Missa um dia sequer. Isso foi meu sustento. Hoje, graças a Deus, vivo um tempo bonito de intimidade com Deus, de me sentir amada e perceber que meu amor por Ele também cresce a cada dia. Como consegui isso com tantas atribuições e tarefas a serem realizadas? É o que quero partilhar com você.
Vivendo a oração

A primeira e preciosíssima coisa foi entender a beleza de meu chamado e a virtude a que sou convidada a viver como esposa e mãe. Deus espera virtudes diferentes de cada vocação, de cada estado de vida: a dos esposos é o amor e a fidelidade um para com o outro. A das mães e pais é a virtude da paciência e o cuidado com os filhos. Missões diferentes do que Ele espera de um sacerdote e de uma freira, por exemplo. Compreendendo isso, descobri que eu poderia causar tanta alegria ao coração de Deus enquanto varria minha casa, quanto se passasse 40 minutos de joelhos em oração. Não é que Deus não queira me ver diante d’Ele rezando, mas é que, enquanto mãe, minha obrigação primeira é amar e cuidar dos meus; e ao fazer isso, estarei amando e honrando Nosso Senhor. Isso é oração.

A segunda coisa que aprendi com Santa Terezinha, que com certeza aprendeu de seus pais São Luís e Santa Zélia (casados, pais de nove filhos), é que a menor e mais simples atitude feita com amor é oração, é um degrau que sobe em direção ao céu. Isso me ajudou muito: passei a fazer do estender roupas no varal, do lavar louças, do arrumar as camas, de um momento de atividade com os meninos, do receber meu esposo em casa com um beijo, minha oração. Consegui isso todos os dias e com perfeição? Não. Ainda não. Às vezes, o cansaço, a irritação, as preocupações me atrapalham em meu propósito, mas continuo nessa busca; e quando consigo, é para mim um dia pleno da presença de Deus.

Espiritualidade no casamento

A terceira coisa é aprender a fazer tudo na presença de Deus. Desde o acordar, já podemos ir nos colocando em oração, agradecendo a Deus pelo dia e consagrando a Ele todas as nossas atividades. Recordo-me de um dia, um domingo de manhã, que acordei já muito cansada, porque estava sozinha com as crianças desde sexta-feira, pois meu esposo havia viajado em missão para pregar um retiro.

Percebendo logo de manhã, pela impaciência com os meninos, que meu dia não seria fácil, coloquei-me num cantinho da cozinha e comecei a orar em línguas, clamando que o Espírito Santo viesse me ajudar naquele dia, que viesse mudar meu humor e nos ajudasse a ter um dia agradável. Eu não queria ser conduzida pelos meus sentimentos e por meu cansaço, mas pelo Espírito de Deus. Foi incrível o que o Senhor realizou! Passamos um dia tranquilo, divertimo-nos e fizemos tudo que precisávamos fazer em paz. Quando clamamos a presença e o auxílio de Deus e de Nossa Senhora, eles não nos desamparam. Assim, em tudo que fizermos, podemos ir pedindo, numa oração silenciosa ou não (é até bom que nossos filhos nos escutem rezando), que o Senhor venha estar conosco, que Maria venha nos ensinar a ser mãe, que o Espírito Santo preencha nosso lar de amor e paz. Isso é oração, oração constante, ao ritmo da vida que aprendemos com monsenhor Jonas, fundador da Canção Nova.

São Paulo recomenda: “Orai em todo tempo” (Ef 6,18). Isso nós mães e esposas podemos e devemos fazer: enquanto amamentamos, enquanto tomamos banho, enquanto fazemos almoço, enquanto colocamos a criança para dormir, é estar o tempo todo falando com Deus. Falando de quê? De tudo. Tudo que passa no coração: dores, medos, alegrias, dúvidas, sofrimentos, sonhos. Isso é oração concreta.
Continue sempre rezando

Outro ponto da espiritualidade do casado é entender que o amor entre os esposos é a grande expressão da presença de Deus na família. Estudando a “Teologia do Corpo” de São João Paulo II, compreendi que o ponto forte da espiritualidade do casal acontece no ato conjugal, onde esposo e esposa atualizam o sacramento, tornam-se expressão do amor de Cristo pela Igreja e expressão do próprio Deus, que é comunhão, é unidade. Então, por exemplo, se uma esposa está indecisa sobre como aproveitar seu tempo, se rezando o terço ou unindo-se sexualmente ao seu marido, penso que melhor para o casal – emocional e espiritualmente falando – é a segunda opção; melhor ainda é se puderem os dois recitarem o terço juntos e depois fecharem a espiritualidade do dia com a celebração do amor em seu leito conjugal. Isso é oração, a mais bela oração de um casal.

Por fim, compreendi que tudo na nossa vida passa, só Deus não. As noites em claro vão passar; o cuidado, muitas vezes exaustivo com o recém-nascido, vai passar; as inúmeras trocas de fraldas ou de roupas sujas de papinha, vão passar; as preocupações com provas, tarefas e a escola, vão passar; o trabalho profissional das esposas, que além da casa também trabalham fora, com o tempo vai mudar. Então, o que vivemos hoje são exigências próprias desse tempo, mas futuramente não as teremos e provavelmente voltaremos a ter mais tempo para nos dedicarmos diretamente à oração, às missões e atividades pastorais em nossas comunidades. Conformemo-nos com o chamado de Deus e nos alegremos, fazendo tudo com amor, porque essa é a maior e mais perfeita oração: “Agora pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, mas o maior destes é o Amor” (1 Cor 13,13). Assim, ao nos questionarmos sobre a espiritualidade de uma esposa com a pergunta: “Quando é que ela reza?”, logo teremos a resposta também em forma de pergunta: “Quando é que ela NÃO reza?”.
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22 março 2017

A cura interior gera um ambiente familiar saudável


         A cura interior gera um ambiente familiar saudável

          Proporcione a sua família um ambiente saudável e feliz com a cura do seu interior

Uma alma e um coração curados podem nos fazer verdadeiramente livres e felizes? Inicio este artigo com esta provocação, que é um fato: Todos nós queremos ser felizes! Mas será que todos querem trilhar um caminho de cura que possibilite tal felicidade?

Na vida, há dois jeitos de sofrer:

1º) Sofrer por ajeitar a vida, assumindo as consequências que ela nos impõe;

2º) Sofrer por viver a vida desajeitada.



Veja bem: quem “sofre” organizando a vida certamente colherá os frutos desse tempo, mas quem vive continuamente a vida “empurrando-a com a barriga” dificilmente colherá algo de bom.

Por exemplo: tem gente querendo se casar e ter filhos, sem no mínimo se perguntar se, de fato, é chamado para isso. Ou até pode ser chamado a uma vida familiar, mas antes de dar esse passo tão decidido na vida, proponho-lhe a se perguntar: será que hoje você tem condições de assumir todas as consequências de tal escolha? Talvez você esteja carregando fardos pesados do passado e, com isso, remoendo culpas que o asfixiam e impedem de ter uma vida nova.

Trazemos, por algum motivo, traumas, dores, feridas na alma e no coração, as quais, muitas e na maioria das vezes, têm origem nos primeiros anos de vida. Especialistas garantem que a etapa mais importante para a formação de um psiquismo saudável se estrutura nos três primeiros anos de vida e se dá principalmente pelos relacionamentos que tivemos com pai, mãe, irmãos e pessoas próximas. Talvez, hoje, você esteja sofrendo consequências desses anos e dos relacionamentos que viveu. Não é hora de buscar culpados (pai, mãe etc.), mas sim viver a grande oportunidade de reelaborar a vida.
Testemunho

Hoje, sou mãe de uma linda menina de seis meses. Quanta dedicação e empenho com ela! No entanto, mesmo com todo cuidado que tenho e tentando ser uma mãe suficientemente boa, nem sempre acerto; às vezes, cansada e impaciente, acabo não dando o que ela precisava de mim. Então, preciso nessa hora olhar para dentro de mim, sem culpa, mas com coragem de reorganizar meu interior.

Para sermos uma boa esposa, esposo, pai e mãe temos de ter a coragem de realinhar a vida, fazer novas escolhas, ter a coragem de olhar para nossa história familiar e permitir que Deus nos cure. Temos de gastar tempo em olhar nosso interior com a verdade da luz e o amor de Deus.

Muitas vezes, brigamos com nosso cônjuge, mas, no fundo, estamos brigando com nossos pais interiores. Muitas vezes, o motivo dos desencontros entre os casais são os mesmos motivos que os atraíram.
Por que isso acontece?

Colocamos no outro nossas projeções. Projetamos nele o que trazemos em nossa psique. Colocamos no esposo, na esposa, as figuras maternas e paternas. Exemplo: quando não se teve um pai que desse limites e incentivasse, oferecendo segurança à filha em sua primeira infância, adolescência e juventude, essa mulher, na fase adulta, poderá crescer com uma ausência interior, estará à procura de um homem que lhe ofereça segurança e firmeza, isso tudo inconscientemente. Ao se casar com um homem que lhe coloque em “seu lugar”, ela, de forma inconsciente, dirá: “Se nem meu pai fez isso, quem é você para agir assim?”. Na verdade, ela quer, sim, que seu esposo lhe dê segurança, firmeza e coloque-a no lugar de mulher.

Para a cura ocorrer é necessário tomar consciência disso e assumir a história dando a ele um novo final. Quando ela brigar com o esposo devido a isso, deve abaixar a guarda e dar oportunidade a si mesma de refazer sua história. Não que o esposo vá assumir o lugar do pai, mas ele poderá ajudar em seu processo de cura.

Isso é sério e acontece muito mais do que imaginamos, sendo o casamento uma grande fonte de integração desses conteúdos, mas se você não estiver aberta ao processo de cura, ele será para você mais um desajuste interior.
Processo de cura interior

Tal processo pode também ser vivenciado na vivência da paternidade/maternidade. Exemplo: o homem que não quer crescer interiormente sempre teve o que quer, não sabe o preço do sacrifício. Esse homem, certamente, quando vier a ser pai, competirá com o filho, unindo-se a ele na necessidade de cuidados.

Reflito com você três pontos necessários para a cura interior:

– tomar consciência diante de Deus, que lhe revela quem verdadeiramente você é, em uma boa terapia psicológica, diretor espiritual e amigos verdadeiros;

– assumir a própria vida nas mãos, não ir atrás de culpados nem trazer sobre si a avalanche da culpa;

– fazer novas escolhas e perdoar quem o feriu, pedir perdão e dar o perdão a si mesmo. A partir do que aconteceu em sua vida, sempre terá escolhas a fazer.

Concluo com um testemunho: meu esposo e eu tivemos a oportunidade de acolher em nossa casa um médico psiquiatra (com doutorado e tudo mais). Nessa época, eu estava grávida da minha filha e nós fizemos a seguinte pergunta a ele:

“Temos, em nossa família, casos de depressão e bipolaridade. Nossa filha como pode ser influenciada por tal genética familiar?” Ele simplesmente nos respondeu: “Hoje, a medicina compreende que existe a epigenética (definida como modificações do genoma que são herdadas pelas próximas gerações). Como vocês dois vivem em um ambiente saudável, passam constantemente pela cura interior, estão fazendo novas escolhas, muitas delas diferentes das que suas gerações passadas fizeram. É bem provável que sua filha não sofra com os danos que suas famílias trazem na ordem psíquica. Vocês, por causa da vida nova que vivem como família, estão modificando o DNA para uma realidade mais saudável.

Encerro, assim, como iniciamos no título: a cura interior gera um ambiente familiar saudável.
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20 março 2017

AMBIÇÃO E GANÂNCIA



                        AMBIÇÃO E GANÂNCIA
                            A diferença existente entre a ambição e a ganância
                          Qual a distância existente entre ambição e ganância?


É muito interessante observar as crianças: já prestou atenção quando elas ganham um brinquedo? Aquele sonho de meses ou até anos, em pouco tempo se desfaz quando elas ganham o tão sonhado presente. A satisfação de ganhar, rapidamente se transforma numa nova insatisfação e, logo, elas almejam um novo objeto.

Nesse sentido, filósofos indicam que o homem insatisfeito é aquele que tem a capacidade de provocar mudanças ao seu redor. A insatisfação é uma condição humana que faz parte da evolução do homem. Vale aqui fazer uma distinção entre ambição e ganância, pois muitos podem pensar que querer algo mais se trata de ganância. O ambicioso constrói, ao passo que o ganancioso destrói. A ambição pertence às qualidades do homem; a ganância, a seus defeitos.


Cuidados

Imagine um casal, no qual uma das partes, satisfeita com a conquista, esquece-se de cuidar, amar e dar atenção; é como se, satisfeitos com aquilo que já têm, não continuem a dar atenção ao relacionamento e, aos poucos, deixem-no morrer. Um homem satisfeito com seu trabalho faz apenas aquilo que lhe é dado e, muitas vezes, não se lança ao novo.

Pensando nos jovens, é sadio imaginar que, nessa fase da vida, eles querem mais, querem fazer diferente ou mudar e melhorar aquilo que são. O que não é bom, nesse caso, é um jovem que não tem perspectivas ou que nada quer para sua vida.
Ansiedade

Devemos ter cuidado com a ansiedade gerada por nossa insatisfação, pois com ela surgem sentimentos em nós como autodesprezo, diminuição de nossas habilidades ou o sofrimento, quando não conquistamos nossos projetos. Quando a ansiedade nos abraça, passamos a gerar queixas e mais queixas com o objetivo de abandonar esse sentimento. Essa situação pode ocorrer, mas conforme o tempo passa, chega a frustração, situação que se torna até mais difícil de administrar dentro de nós.

Uma forma para observarmos e nos relacionarmos com a insatisfação humana é fazermos uma conta: qual a distância existente entre a ambição e a ganância?
Insatisfação

Vale lembrar que estar insatisfeito é buscar o diferente, buscar a mudança naquilo com o qual não concordamos ou que poderia ser diferente. Porém, a ambição pode ser considerada um sentimento positivo se pensarmos que ela favorece o crescimento e a superação em todas as dimensões de nossa vida.

Percebe como tanto o ganancioso quanto o ambicioso são insatisfeitos? A diferença é a forma como cada um canaliza e trabalha com seus desejos. O ambicioso quer chegar lá para se realizar e compartilhar, enquanto o ganancioso quer chegar primeiro para pegar a parte maior e não ter que repartir. Podemos chegar à conclusão de que ambição faz parte das qualidades do homem, já a ganância pertence aos seus defeitos. Quando não temos o equilíbrio necessário, é que nos vemos envolvidos com o sentimento de ganância, ou seja, o querer cada vez mais para nós em detrimento dos outros, o que não é saudável, pois “anulamos” o outro neste nosso desejo que querer sempre mais.

E você? Como tem lidado com a insatisfação em sua vida?



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18 março 2017

Como esperar pelo José que nunca chega?


                Como esperar pelo José que nunca chega?

                          Esse tempo de espera pelo José precisa ser vivido sem tortura

É muito comum, nos retiros e rodinhas de Igreja, quando se fala sobre relacionamento amoroso, as meninas se referirem ao futuro namorado, noivo, marido como o seu ‘José’. Fazem referência ao santo esposo de Maria, um exemplo para nós de respeito, cuidado, paciência e dedicação à família. São José é venerado não só como padroeiro do trabalho, mas também como um modelo de virtudes em quem os homens podem se espelhar.

Para muitas meninas, no entanto, esse discurso “esperando o José” é como uma vitrola quebrada: entra ano, sai ano, nada muda, nada do José aparecer.



O que fazer?

O tempo vai passando e a cobrança social por estar sem um namorado vai aumentando. Se já passou dos 30 anos, é um “Deus nos acuda!”, pois o relógio biológico já implora pela maternidade.

A opção é continuar vivendo a vida plenamente solteira, sendo uma pessoa legal, agradável, cuidando de sua saúde e seu corpo, ampliando seu círculo de amigos; afinal, se o José chegar, é bom encontrar uma mulher inteligente e boa de papo, no mínimo. Mas pode ser que isso não aconteça e a sua cabeça comece a se torturar com questionamentos: “O que estou fazendo de errado? Por que ninguém quer me namorar sério? Qual será o meu problema? Será que sou feia demais? Falo demais? Sou desagradável?”.
Primeiro perigo

Aí mora um primeiro perigo: o de autoflagelar-se, simplesmente porque está sozinha há um tempo, por não corresponder à expectativa social de que todas as mulheres vão namorar, noivar, casar, ter filhos e viver felizes para sempre. É claro que você pode fazer uma autocrítica e verificar se está bem com si mesma, com sua família, para estar bem com outra pessoa e pensar em formar uma família. Pense: você é uma pessoa chata? Sinceramente, avalie-se, porque ninguém quer gente chata ao seu redor para toda a vida.

Não se cobre além da conta, sempre pense se você está sendo autêntica, pois autenticidade, numa sociedade tão superficial e plastificada, é moeda valiosa e especial.
Segundo perigo

O segundo perigo está em considerar-se tão melhor que os meninos ao seu redor, que nenhum é suficientemente bom para o seu padrão de beleza ou de recursos financeiros, culturais, enfim. Para mim, nada disso adianta se o homem não é inteligente, se não consegue desenvolver um raciocínio sobre o mundo em que vivemos, se está alienado política e culturalmente, porque a beleza passa, o dinheiro acaba e companheirismo exige diálogo; então, alguém com quem minimamente se estabeleça um papo gostoso no fim do dia para mim é essencial.

O extremo oposto também é perigoso: a tentação de agarrar o primeiro homem que aparecer, seja do jeito que for – afinal, antes acompanhada de qualquer jeito do que só! Minha gente, cuidado com isso! Para estar com alguém é importante que essa pessoa tenha valores parecidos com os seus, e que seja alguém que trabalhe, consiga construir e sustentar um lar com você, que tenha sonhos que possam ser cultivados por vocês dois. Essa história de ser muro de arrimo para os outros, só para não ficar sozinha, é um barco furado. Você atendeu a uma pressão social agora, mas vai sofrer o resto da vida, talvez com um homem que não o ajude a ser alguém melhor.
É bom refletir

Lembre-se que prudente é quem constrói a casa sobre a rocha, lugar seguro, onde podem vir ventos e tempestades, mas a casa continuará inabalável (cf. Mt 7,24-27). Não seja insensata. Peça a Deus discernimento nas suas escolhas amorosas e conceba também a possibilidade de ser plenamente feliz sem estar em um relacionamento amoroso. Antes só você e Deus do que mal acompanhada.

A situação que descrevi acima não deve ser encarada como igual e existente para todas as mulheres, pois sabemos que cada mulher é única.

Estudando sobre o comportamento feminino atual e convivendo em diferentes grupos de mulheres, percebo, muitas vezes, que falta esse choque de realidade, e é para elas que escrevo.
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16 março 2017

A Providência de Deus e a obediência de Tobias


          A Providência de Deus e a obediência de Tobias

                                      A Providência no caminho da obediência

A Providência de Deus rege todas as coisas, ela “é concreta e direita, toma cuidado de tudo, desde as mínimas coisas até os grandes acontecimentos do mundo e da história” (Catecismo da Igreja Católica nº 303).



No livro de Tobias, vê-se a importância da obediência de um filho em relação aos conselhos de um pai, pois a resposta do filho ao pai colabora na realização dos desígnios e da Providência de Deus, como se vê na vida de Tobias.

A obediência não se opõe à liberdade, pelo contrário, “Deus não somente dá às suas criaturas o existir, mas também a dignidade de agirem elas mesmas, de serem causas e princípios umas das outras e de assim cooperarem no cumprimento de seu desígnio” (CIC 306), ou seja, somos livres e não marionetes nas mãos de Deus, e por trazermos em nós a filiação divina, é por amor que caminhamos no Amor.
Conselhos de pai

“Os pais devem considerar seus filhos como filhos de Deus e respeitá-los como pessoas humanas. Educar os filhos no cumprimento da Lei de Deus, mostrando-se eles mesmos obedientes à vontade do Pai dos Céus” (CIC 2222). Essa é a missão do pai e da mãe, educar em Deus os seus filhos e testemunhar com a vida o que educa.

O amor e a presença do pai são fatores imprescindíveis para o filho, e a resposta do filho ao amor do pai é manancial de bênçãos, como aconteceu com Tobit e Tobias.

Diante da situação específica de enfermidade que Tobit estava passando, e percebendo ser seus últimos dias de vida, chama seu filho Tobias e pede um favor a ele; em seguida, orienta-o com vários conselhos. Direciona seu filho em pontos importantes na vida de qualquer pessoa que quer fazer a vontade de Deus, principalmente, no seio de sua família.

Tobit, estando enfermo, pede a seu filho que o sepulte com dignidade quando morrer; em seguida, diz a ele: “Honra tua mãe. Não a abandones todos os dias de tua vida e faze o que lhe agrada. Não entristeças o seu espírito em coisa alguma” (Tb 4,3). Que exemplo de pai é Tobit, que se preocupa em entregar sua esposa aos cuidados de Tobias, dizendo a ele: “lembra-te dela, filho, que passou muitos perigos por tua causa quando estavas em seu seio” (Tb 4,4). Nos dias de hoje, é preciso que os filhos honrem seus pais, que manifestem, por meio de gestos concretos de amor e gratidão, aquilo que são: filhos.

Logo em seguida, Tobit direciona Tobias à fidelidade a Deus. “Em todos os teus dias, filho, tem o Senhor na tua mente, e não consintas em pecar nem em transgredir os seus mandamentos. Pratica a justiça todos os dias de tua vida e não sigas os caminhos da iniquidade” (Tb 4,5).
Obediência de filho

“Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isto agrada ao Senhor” (Cl 3,20).

Após o pai realizar vários pedidos e conselhos a seu filho, as Escrituras narram que “então Tobias respondeu a seu pai, Tobit: Farei tudo o que me ordenaste, meu pai” (Tb 5,1). Que edificante são os filhos que buscam viver segundo o princípio, em que “o respeito filial se revela pela docilidade e pela obediência verdadeira!” (CIC 2216). Pois a obediência aos pais não está antiquada ou ultrapassada, mas é atual e santificante, e colabora para que os filhos não abandonem seus pais, mas os ame, primordialmente, nos momentos mais difíceis da vida.

“O dever da obediência impõe a todos prestar à autoridade as honras a ela devidas e cercar de respeito e, conforme seu mérito, de gratidão e benevolência as pessoas investidas de autoridade” (CIC 1900).

No caminho feito por Tobias até seu casamento, percebe-se a importância da obediência a seu pai, já que a Providência de Deus foi regendo cada passo até o belo encontro de Tobias com Sara. Em nossa vida não é diferente, o que precisamos fazer é não atrapalhar com nossa impaciência, orgulho e vaidade o que Deus quer realizar, mas ser obediente a Ele e a nossos pais, como indica o livro dos Provérbios: “Meu filho, guarda os preceitos de teu pai e não rejeites a instrução de tua mãe. Leva-os sempre atados ao teu coração, e pendurados ao teu pescoço. Quando caminhares, te guiarão; quando dormires, te guardarão e, quando acordares, falarão contigo” (Pr 6,20-22).

Assim como foi na vida de Tobias, que obedeceu ao seu pai, busquemos viver a obediência perante as diversas circunstâncias do cotidiano, e também nos relacionamentos interpessoais. Porque se entende que, na obediência a Deus, “a Providência divina age também por meio da ação das criaturas. Aos seres humanos, Deus concede cooperar livremente para seus desígnios” (CIC 323), ou seja, Deus está todo o tempo conosco e sua ação amorosa acontece também por intermédio das pessoas, quando assim for necessário.

“A providência divina jamais falta ao homem em nada, sob a condição de que ele a aceite” (Santa Catarina de Sena).
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14 março 2017

Como Bartimeu, peçamos ao Senhor que possamos ver


      Como Bartimeu, peçamos ao Senhor que possamos ver

           A exemplo de Bartimeu, não podemos ficar parados diante da presença de Jesus

“Chegaram a Jericó. Ao sair dali Jesus, seus discípulos e numerosa multidão, estava sentado à beira do caminho, mendigando, Bartimeu, que era cego, filho de Timeu. Sabendo que era Jesus de Nazaré, começou a gritar: ‘Jesus, filho de Davi, em compaixão de mim!’ Muitos o repreendiam, para que se calasse, mas ele gritava ainda mais alto: ‘Filho de Davi, tem compaixão de mim!’ Jesus parou e disse: ‘Chamai-o’. Chamaram o cego, dizendo-lhe: ‘Coragem! Levanta-te, ele te chama’. Lançando fora a capa, o cego ergueu-se dum salto e foi ter com ele. Jesus, tomando a palavra, perguntou-lhe: ‘Que queres que te faça?’. Rabôni, respondeu-lhe o cego, que eu veja! Jesus disse-lhe: ‘Vai, a tua fé te salvou’. No mesmo instante, ele recuperou a vista e foi seguindo Jesus pelo caminho” (Mc 10,46-52).

Quem era Bartimeu? Qual seria a história daquele homem conhecido não pela sua vida, trajetória, dons, potencialidades, mas pela marca física que o limitava e o condicionava a uma situação existencial de sofrimento e miséria? O texto sagrado nos diz que ele era filho de Timeu. Excelente! Mas quem era Timeu? Pode parecer displicente não se esclarecer os detalhes sobre os personagens, mas, na verdade, trata-se de uma linda providência, pois, em algum momento, serei eu o cego ou está sendo você agora, diante da situação que está vivendo. Portanto, mais importante do que fazermos uma reflexão histórico-sociológica, mergulhemos na essência querigmática desse episódio.



Jesus já era uma pessoa reconhecida publicamente em virtude dos sinais e prodígios que vinha realizando. Exatamente por isso, ao chegar a Jericó, uma numerosa multidão o seguia. Eram ávidos pela novidade trazida pelas suas palavras e pela sua vida. Podemos imaginar como a multidão acompanhava Jesus, cercando-O de todos os lados, na tentativa de caminhar ao Seu lado, tocá-Lo, conversar com Ele. Mas não era ali que estava Bartimeu. A sua cegueira, ao longo da vida, o tinha privado de muitos sonhos. Dos mais fundamentais como ver o nascer do sol, o rosto de seus familiares, aos mais gerais, como exercer uma profissão ou constituir família. Dessa forma, ele estava efetivamente à beira do caminho. Ficara ali, pois era o que lhe restara. Ficar sentado, mendigando, à beira do caminho, da própria vida.
Aprenda com Bartimeu

Nós, assim como Bartimeu, já ouvimos falar muito de Jesus. Sabemos quem Ele é. No entanto, não nos é possível usar a visão sensorial para ver Jesus. Quantos daqueles que estavam com o Senhor, na estrada de Jericó, mesmo enxergando-O, não chegaram a vê-Lo! Estavam tão focados em seus milagres, que esqueceram de olhar para o Senhor. E assim nós também somos tentados a nos comportar. Não podemos vislumbrar os bens do céu com os olhos da terra. Dessa forma, ficamos à margem do que poderíamos ser. Deus nos concebeu com um designo, um propósito, com uma centelha do eterno. A artimanha do maligno é nos fixar no temporal, no físico e efêmero, mendigando uma realização que apenas poderemos encontrar em Deus.

Bartimeu, muito embora fosse cego, não estava acomodado nessa situação. Tanto que, assim que soube que a razão daquela agitação que se aproximava era Jesus, não titubeou e pôs-se a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim!”. Mesmo sendo repreendido por alguns, para que se calasse, ele gritava ainda mais alto: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!”. Jesus então para e ordena: “Chamai-o”.
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12 março 2017

A intimidade com Deus alimenta a vida religiosa?


        A intimidade com Deus alimenta a vida religiosa?

                                     O centro da vida religiosa é o conteúdo

Respondendo a essa pergunta existencial, apresento elementos que constituem e dão vigor e identidade à vida religiosa cristã e à sua necessidade para a Igreja e para o mundo.



A vida consagrada procura a perfeição, que é Deus, palmilhando o caminho-vida protótipo do Filho, Deus-homem: Jesus Cristo. Jesus – o Verbo encarnado – revelou o Pai, o caminho ao Pai e, assim, foi revelando a Si mesmo e o profundo da pessoa humana. Jesus viveu na vontade do Pai – era um com o Pai – e convidou pessoas para segui-Lo: para assumir a Sua vida. Assim, o centro decisivo da vida religiosa cristã é Deus, como aparece em Jesus Cristo.

Na história, sempre houve homens e mulheres que escolheram na vida o Absoluto de Deus, dedicando toda a vida a Ele. Essa escolha se efetiva na sequela radical de Cristo pobre, obediente e casto. Assim, processou-se e foi constituída a vida consagrada, que se exprime na profissão pública dos três conselhos evangélicos: obediência, castidade e pobreza, ou na consagração das Novas Comunidades.

A pessoa de vida consagrada procura entregar-se a Deus de forma permanente e com intensidade progressiva, de maneira absoluta, atualizando o batismo e assumindo a sua radicalidade. Como vocacionados, não somos nós que nos colocamos no seguimento. Somos chamados, escolhidos, constituídos no dom do Senhor. Jesus cria o Seu discípulo, torna o Seu vocacionado capaz da missão. O seguimento radical de Cristo se torna a alma da vida do consagrado, como projeto particular de vida cristã, concretizada numa forma histórica.

No seguimento radical a Cristo, a Vida Consagrada é uma existência no Absoluto de Deus. Trata-se de uma vida íntima e intensa com Deus: desposar a vontade de Deus. A pessoa que encontra Deus e se apaixona por Ele não é mais capaz de amar uma criatura com doação total e permanente (como no matrimônio – Mt 19). Esse amor exclusivo constitui o dinamismo da sequela ao Cristo, que significa amá-lo com a vida, em profundidade e radicalidade absoluta.

Esse amor, essa experiência amorosa nenhuma lei, regra ou juramento pode criar ou manter. Essa é somente uma manifestação explicativa objetivada e pública. Isso porque a vocação à vida consagrada brota de um encontro entre duas liberdades que se atraem e se dão: Deus e a pessoa. A estrutura – lei, regra, vida comunitária – pode e deve ajudar a manter o cultivo do amor esponsal. O Evangelho só existe vivo: não pode ser representado! O cerne da vida religiosa é o conteúdo; a forma é relativa, mesmo que necessária. O seguimento de Cristo assume, desta maneira, um caráter mais existencial e menos moral.

Concluindo: casos bíblicos conhecidos comprovam que vida religiosa sem intimidade exclusiva com Deus não se mantém: morre!
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10 março 2017

Só em Deus encontramos repouso


                       Só em Deus encontramos repouso


                                   Entenda por que só em Deus encontramos repouso

No livro dos Números, Deus convocou o povo para reunir 80 homens na tenda. Enquanto isso, fora do acampamento, outros dois homens ficaram cheios do Espírito Santo e eles começaram a profetizar. Não há obstáculos para Jesus, mesmo quando Ele encontra as portas fechadas. O Senhor vai a todos os lugares e você pode encontrá-Lo mesmo que as portas estejam fechadas.

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Jesus disse: “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve” (Mateus 11,28-30).

Quantos de nós experimentamos o cansaço em meio ao mundo de hoje! O Senhor nos propôs uma cura nessa passagem bíblica, mas na dimensão da fé. Nosso Senhor Jesus Cristo, vivo e ressuscitado, está no meio de nós. D’Ele ouvimos o convite: “Vinde a mim!”.
Você pode se perguntar: devo ir aonde?

Hoje em dia, muitos se apresentam como a solução para os seus problemas. Por isso precisamos tomar cuidado para não sermos enganados por pessoas que estão pensando somente em seus próprios interesses. Jesus tem para nós algo muito melhor, porém, para isso, temos de deixar aqui o “homem velho”. Muitas pessoas deixaram de seguir o Senhor, porque não foram atendidas na hora.

Jesus quer nos dar muitas coisas, mas o mais importante é a vida eterna. O restante é acréscimo, por isso, muitas vezes, não recebemos o que pedimos, porque para nós o mais importante é o Reino dos Céus. Santo Agostinho afirma que de nada adianta vivermos bem, se não vivermos eternamente.

A nossa presente tribulação, momentânea e passageira, proporciona-nos um peso eterno de glória incomensurável, porque não miramos as coisas que vemos, mas sim as que não vemos.


Há uns 800 anos, São Francisco disse: “Meus filhos, grandes coisas prometemos a Deus, mas muito maiores são as que Ele nos prometeu. Pequena é a pena, o sofrimento do tempo presente, mas a glória que nos espera é infinita”.

Quando não acreditamos na vida eterna, qualquer sofrimento parece ser insuportável, mas quando acreditamos nela, o que são os sofrimentos da vida diante dos bens eternos?

Faço um apelo para sua fé: as coisas visíveis são momentâneas, mas o que Deus quer nos oferecer é eterno. Vale a pena dar a vida por aquilo que é eterno!
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08 março 2017

Acreditar naquilo que não se vê


                        Acreditar naquilo que não se vê

                 A nossa fé sempre será provada, é assim que a gente amadurece e cresce


A dor, na maioria das vezes, impede-nos de ouvir Deus, por isso é um exercício conter os sentimentos que ficam confusos dentro de nós. Quando estamos no meio de uma tormenta, é difícil enxergarmos a saída. “Na crise, não se toma nenhuma decisão”, disse-nos uma vez Dom Alberto Taveira.É preciso deixar a poeira baixar para enxergar melhor. Quando a situação nos impede de ter clareza, os nossos sentimentos se misturam, e o melhor é buscar ouvir Deus. Por meio da Palavra, temos uma direção certa da vontade divina, ela nos salva, enche-nos de esperança e nos dá um norte a seguir.



Foto: Daniel Mafra / cancaonova.com

Por isso, quando você não conseguir rezar, escutar a Deus, não se desespere, mesmo assim reze, reze com as lágrimas, ofereça a Deus os seus sentimentos, pensamentos e palavras, nada passa despercebido ao Seu olhar e amor. Para Ele, nada se perde, tudo se transforma, o Altíssimo é o único que consegue tirar de um aparente mal um grande bem. Mas isso requer tempo, suor e, às vezes, muitas lágrimas. É preciso seguir com fé, acreditando naquilo que ainda não se vê, pois a tempestade não dura uma vida toda, mas algumas horas apenas; depois, aparecem o sol e o céu azul. Não se esqueça: depois da cruz vem a ressurreição!

“Logo depois, Jesus obrigou Seus discípulos a entrarem na barca e a passar antes d’Ele para a outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. Feito isso, subiu a montanha para orar na solidão. Chegando à noite, estava lá sozinho. Entretanto, já a boa distância da margem, a barca era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário. Pela quarta vigília da noite, Jesus veio a eles, caminhando sobre o mar. Quando os discípulos o perceberam caminhando sobre as águas, ficaram com medo: “É um fantasma!”, disseram eles, soltando gritos de terror. Mas Jesus logo lhes disse: “Tranquilizai-vos, sou eu. Não tenhais medo!”. Pedro tomou a palavra e falou: “Senhor, se és tu, manda-me ir sobre as águas até junto de ti!”. Ele disse-lhe: “Vem!”. Pedro saiu da barca e caminhava sobre as águas ao encontro de Jesus. No entanto, redobrando a violência do vento, teve medo e, começando a afundar; então, gritou: “Senhor, salva-me!” No mesmo instante, Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e disse: “Homem de pouca fé, por que duvidaste?”. Apenas tinham subido para a barca, o vento cessou. Então, aqueles que estavam na barca prostraram-se diante d’Ele e disseram: “Tu és verdadeiramente o Filho de Deus”” (cf. Mateus 14,22-33).

Em nossa vida, sempre haverá tempestades; no entanto, as maiores não são as tempestades externas, mas as tormentas interiores. O que não pode acontecer, nesses momentos, é estarmos sozinhos sem Jesus e sem companheiros de caminhada. A nossa fé sempre será provada, é assim que a gente amadurece e cresce. São tantos fantasmas no caminho, mas não podemos nos enganar e confundir Deus. O mais importante é reconhecê-Lo, manter os olhos fixos n’Ele e clamar a salvação. Ter a coragem de nadar contra a maré, assumir o sofrimento e ouvir dos lábios do Senhor as palavras da salvação: “Tranquilizai-vos, sou eu. Não tenhais medo!”.

Jesus repete para você, que agora se encontra no meio de uma tempestade emocional, de problemas financeiros, de saúde, relacionamento conjugal, ouvindo muitas vozes e assustado por tantos fantasmas: “Tranquilizai-vos, sou eu. Não tenhais medo!”

Agora reze com confiança essa oração:

“Senhor, não me deixe perecer nas tempestades da vida, afundar nos momentos de dificuldades. Tudo fica tão escuro e confuso, que eu posso até confundir o Senhor, por isso, quero manter os meus olhos fixos em Ti e não Te perder de vista, estender minhas mãos e tocar as Tuas e ouvir sempre as santas palavras: ‘Não tenhais medo, sou eu!’. Aumenta a minha fé e, nos momentos de grande tribulação, quero perceber sempre a Tua presença junto de mim a me salvar. Guarda a minha vida de todo mal e perigo, principalmente de Te ofender gravemente. Desejo sempre ser orientado pela tua Palavra, que é fonte de cura e libertação para mim.
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06 março 2017

As nove virtudes do homem que agradam o coração de Deus


   As nove virtudes do homem que agradam o coração de Deus


                      Existem virtudes do homem que agradam o coração de Deus

Jesus Cristo é o Homem perfeito. Mas seu pai adotivo, José, foi quem O inseriu nos ofícios e dinâmicas deste mundo. Sem dúvida, Cristo nasceu com todo potencial, mas Deus Pai providenciou que José fosse o escolhido para ensinar ao Menino Jesus o que é ser homem. A masculinidade é aprendida, passada de geração em geração, nisso o menino ou o jovem tem de se esforçar, lutar para ser virtuoso. Por isso, São José será aqui nosso modelo e fonte inspiradora das nove virtudes do homem que agradam o coração de Deus.


1- Casto

São José é conhecido na tradição da Igreja como modelo de castidade. Essa virtude dá ao homem o domínio de si mesmo e, portanto, liberdade interior. O homem de Deus precisa se exercitar na pureza para aprender a não ser arrastado por seus impulsos e assim conseguir optar por escolhas grandiosas.
2 – Honrado

Pela forma como se referem a Jesus, “o filho do carpinteiro” (cf. Mt 13,55), nos dá a entender que a profissão de seu pai seria a referência de José na cidade onde moravam. Daí, podemos também supor que era fácil encontrá-los em Nazaré, sua oficina e sua casa, pois não precisavam se esquivar de ninguém. José tinha um bom nome, honrava seus prazos e sua palavra. O homem, segundo o coração de Deus, é honrado. Se ele promete, cumpre. Se errou, assume. Seu nome e sua reputação são como que a assinatura de sua pessoa como um todo, sua palavra é sempre de honestidade.


3 – Trabalhador

A mesma citação – “o filho do carpinteiro” (cf. Mt 13,55) – pode designar uma pessoa que é conhecida pelo seu ofício; trata-se, portanto, de um ótimo profissional. José era um trabalhador talentoso. O ser masculino tem uma inclinação natural a ter, no trabalho, também um sentido existencial. A impressão de que sua profissão é extensão dele mesmo.

Frequentemente, nas obras de artes – esculturas e pinturas –, vemos uma mulher posando (parada e expondo sua beleza) e os homens quase sempre em posição de movimento, fazendo algo. Não imaginamos um homem sem o trabalho!
4 – Lutador

Olhe o esforço de São José nos primeiros anos de vida do Menino Jesus para preservar a vida do Filho de Deus e Sua Mãe Maria. José renunciou a tudo o que já tinha para preservar os seus. O homem de Deus é um lutador. O Senhor convida Seus profetas, na Sagrada Escritura, e, constantemente, os coloca em luta contra um inimigo público, contra forças espirituais; Ele os ensina a batalhar por sua família, pelo seu povo e pela causa do Reino de Deus.
5 – Fiel

Sem dúvida, o fato de Maria, enquanto noiva de São José, ter ficado grávida, significou para ele uma grande prova. Papa Francisco disse a esse respeito: “Uma prova parecida com aquela do sacrifício de Abraão”, em ambos os casos, Deus “encontrou a fé que buscava e abriu um caminho de amor e felicidade” (22/12/2013). Um homem deve ser fiel, primeiramente a Deus, depois a sua mulher e família. As tentações passam, a fidelidade torna o homem forte de espírito. Seja fiel até o fim!


6 – Cavalheiro

Difícil não imaginar José como um cavalheiro. Mas alguns fatos podem nos fazer supor isso de forma um pouco mais concreta. Por exemplo, quando Jesus, aos doze anos, perde-se no templo, é Maria quem O indaga na frente dos homens magistrados, numa sociedade que não contava mulheres e crianças. Por que não foi José quem o fez? Talvez, porque a Mãe participasse de forma mais intensa do ministério de Cristo, e José entendeu isso.

O homem de Deus é cavalheiro, porque associa sua força e propensão a ter atitude com sensibilidade e percepção. É atento e gentil sempre, mesmo em meio à crise, e não só na hora que quer conquistar uma mulher.
7 – Magnânimo

“José, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente” (Mt 1, 19). Este versículo demonstra a essência do coração do esposo de Maria. Ao saber da gravidez de sua noiva, José, num primeiro momento, deve ter imaginado que ela o tivesse traído, e a lei dos judeus condenava à morte a mulher que assim procedesse. Entretanto, mesmo sentindo-se injustiçado, a intenção desse homem de Deus revela sua disposição em garantir a vida da pessoa que ele amava e de uma criança inocente, e para ele isso significaria renunciar à sua carpintaria (seu sustento), sua casa (o “desposado” cuidava de construir e mobiliar o futuro lar), seu bom nome, sua reputação na cidade e, quem sabe, assim comprometer seu futuro.

Magnanimidade é bondade de coração, mas está além disso, é indulgência com nobreza. É compadecer-se do outro até em suas entranhas. É ser fiel, dar perdão, assumir a miséria do outro e fazer o bem mesmo quando se recebe um mal. É ter amor para oferecer mesmo quando a outra pessoa não o merece. O homem magnânimo é um gigante interiormente, ele doa de si não somente o que possui – seus talentos, dons materiais e espirituais –, mas se entrega por inteiro, até sua própria vida se preciso.

Imagine Maria, sabendo de seu esposo que ele teve a intenção de renunciar tudo em sua vida por causa de amor por ela! Imagine o olhar de amor que ela direcionou a ele! Que linda prova de amor José deu a Maria!

Faço aqui uma observação: Em minha juventude, conheci rapazes que tinham dinheiro, carro, eram “boa pinta” e bem populares entre as meninas. Contudo, das pessoas da minha geração, percebo que as mulheres que estão realmente felizes hoje são aquelas que se casaram com os homens que, desde aquela época, demonstravam ter um coração bom. Toda mulher merece ter um homem bom ao seu lado; no fundo, é o que elas esperam. O homem de coração magnânimo é um sinal e um reflexo de Deus nesta terra.
8 – Servo

São José escolheu ser servo, primeiramente de Deus. Por meio dos sonhos que tinha (e sonhos são coisas corriqueiras), ele entendeu que ali estavam as ordens do Senhor, e que era necessário cumpri-las. José não ficou questionando se aquilo era fruto de sua emoção causada pelos fatos que estavam acontecendo. Em tudo José foi obediente a Deus.

Também foi o servo de sua família. A Bíblia diz, “mas a cultura judia coloca o homem como chefe de sua família” (cf. Ef 5, 23). O pai terreno de Jesus fez de sua autoridade um serviço para os seus. Não usurpou dessa sua posição para obter direitos e favores dos membros de sua família. Pelo contrário, sacrificou-se, renunciou de si em favor de sua esposa e seu filho.

O homem segundo o coração de Deus entende que toda e qualquer autoridade nesse mundo deve ser vista como uma responsabilidade de amar e edificar aqueles que estão sob seus cuidados, seja família, subordinados no trabalho ou o povo do Senhor. Mas, acima de tudo, está a vontade de Deus.
9 – Justo

Todas as virtudes acima podem ser vistas como desdobramentos desta última. A Palavra define José como Justo (cf. Mt 1,19). O significado bíblico dessa palavra se refere àquele que cumpre e pratica a Lei, tanto no termo jurídico – a pessoa que é idônea perante suas obrigações civis –, mas também a Lei do Senhor. José era irrepreensível quanto ao cumprimento dos preceitos e ritos religiosos, mas os fazia por um ardente amor ao Senhor, e não por prestígio entre os homens.

O homem precisa encantar-se com a Palavra e a Lei eterna do Altíssimo, pois, se ele dá a Deus o que é de Deus, não lhe será pesado dar a César o que pertence a César. Ser justo é ser santo. O homem que agrada a Deus busca constantemente a santidade.

Peçamos a intercessão de São José, pois o mundo está precisando cada vez mais de homens que tenham a coragem de entregar a vida deles a Deus, deixarem-se ser conduzidos por Ele e, dessa forma, trazerem um pouco da alegria do céu para viver já aqui nesta terra.
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04 março 2017

Nove virtudes da mulher que agrada o coração de Deus


       Nove virtudes da mulher que agrada o coração de Deus

                           Existem virtudes da mulher que agradam o coração de Deus

É gratificante agradar o coração de quem se ama, principalmente quando essa pessoa é Deus. Questionar-se em relação ao processo de conversão, que exige mudança de pensamentos, atitudes e escolhas, é fundamental para alcançar virtudes que agradam o Senhor. Segundo Aristóteles, a virtude é uma disposição adquirida para fazer o bem e que se aperfeiçoa com o hábito. A Doutrina da Igreja Católica afirma que a virtude é “uma disposição habitual e firme para fazer o bem”, sendo que “o fim de uma vida virtuosa é tornar-se semelhante a Deus”. Portanto, se você quer ser uma mulher segundo o coração do Senhor, é preciso lutar diariamente para que os bons hábitos se transformem em virtudes.



Segue abaixo as nove virtudes da mulher que agradam o coração de Deus

1. Castidade

A virtude da castidade opõe-se à luxúria. É a mulher que tem o autodomínio sob os impulsos sexuais e que mantém a pureza como a base de sua vida. É desafiador alcançar essa virtude, pois requer o controle dos pensamentos, sentimentos, emoções e desejos. Porém, a Virgem Maria é aquela que deseja ajudá-lo a alcançar essa virtude. “Os que vivem segundo a carne se voltam para o que é da carne; os que vivem segundo o Espírito se voltam para o que é espiritual (…) Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus” (Romanos 8,5.8).


2. Caridade

A virtude da caridade opõe-se à avareza. É a mulher generosa que dá de si sem esperar algo em troca e vive o autossacrifício. “Antes de tudo, mantende entre vós uma ardente caridade, porque a caridade cobre uma multidão dos pecados” (1 Pedro 4:8).
3. Temperança

A temperança opõe-se à gula. É a mulher que tem autocontrole e vive com moderação. Não é fácil ter equilíbrio em todos os aspectos da vida, porém é essencial lutar para tê-los. As mortificações, penitências e jejuns são de suma importância nesse quesito.
4. Paciência

Eis uma virtude que requer constante vigilância, pois, numa era em que se quer tudo ‘para ontem’, ter paciência e esperar é um grande desafio. A paciência opõe-se à ira, é a mulher serena, calma, que transmite paz onde quer que esteja. Como nos ensina Santa Teresa D’Ávila: “Nada te perturbe, nada te amedronte. Tudo passa, a paciência tudo alcança. A quem tem Deus nada falta. Só Deus basta!”.
5. Bondade

A Palavra de Deus nos ensina: “Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo” (Efésios 4,32). A bondade opõe-se à inveja. É a mulher que tem compaixão do outro, ela é misericordiosa.
6. Humildade

No Evangelho de Lucas diz: “Pois todo o que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado” (Lucas 14,11). A virtude da humildade opõe-se à vaidade. É a mulher que pensa menos em si e dá espaço para Deus ser o Senhor de sua vida. A mulher modesta e sábia entende que a humildade é a escada para o céu.


7. Fidelidade

A mulher deve ser fiel primeiramente a Deus e, então, ao seu marido. A virtude da fidelidade é baseada na confiança conquistada com atitudes e tempo. Seja transparente no seu relacionamento com Deus, diga para Ele o que você está vivendo e como está o seu interior; assim, manterá a confiança com Aquele que só quer o seu bem.
8. Amabilidade

A mulher amável agrada o coração de Deus, porque transmite o Seu próprio amor aos outros. Amabilidade no falar e no agir faz a diferença em todos os ambientes em que ela estiver. Quando as pessoas forem ásperas, rudes e frias com você, dê uma resposta diferente com gestos de amor.
9. Trabalhadora

Maria, ao receber a missão de ser a mãe do Salvador, prontificou-se a ir ao encontro de sua prima Isabel para ajudá-la. “Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela. E, naqueles dias, levantando-se Maria, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá.” (Lucas 1,38-39). A mulher trabalhadora sabe que o seu serviço é santificador, pois ajuda Deus a formar homens novos para um mundo novo.

É importante ressaltar que não conseguiremos ser perfeitas e ter todas as virtudes que gostaríamos de alcançar. Entretanto, a luta é a marca do cristão, e é assim que finalizo esse artigo. Como ensina Santo Agostinho: “Enquanto vivemos, lutamos; se continuamos a lutar, é sinal de que não nos rendemos e de que o Espírito bom habita em nós. E se a morte não te encontrar como vencedor, deve encontrar-te como lutador”.

Deus abençoe a sua decisão em ser uma mulher virtuosa!
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02 março 2017

Livres e fiéis em Cristo


                               Livres e fiéis em Cristo

                   Deus nos criou com o dom maravilhoso e desafiador que é a liberdade

Deus se arrisca a encontrar inclusive respostas negativas ao seu projeto de amor e felicidade para a humanidade. Seu contato com a humanidade, expresso em toda a História da Salvação, inclui um elemento importante, o chamado, apelo, a vocação. A aventura humana pede este confronto de duas liberdades, que podem construir, ao longo dos anos, fecundo relacionamento, cujos frutos contribuem para o crescimento do Reino de Deus, sem excluir as possíveis crises de amadurecimento, já que somos respeitados nos passos a serem dados.




Um homem de nome Amós, vindo do ambiente rural (Am 7, 12-15), cuja experiência é descrita pela Liturgia neste final de semana, é convocado por Deus, para exercer a missão de profeta, com palavras provocadoras e exigentes, em tempos de crise política e religiosa. Deus chama quem ele quer e do jeito que quer, desenraizando, quando necessário, a pessoa do próprio ambiente, concedendo-lhe palavras acertadas que suscitam mudança e conversão. A resposta ao chamado poderia ser negativa, mas a hombridade do homem simples e corajoso pede um compromisso corajoso. Não dá para voltar atrás!

Jesus chamou doze (Mc 6, 7- 13), setenta e dois, centenas e milhares para o seguirem e serem enviados. Houve gente que disse não (Cf. Mc 10, 17-22), entre os que o seguiram houve deserções, traição, negação vergonhosa, pecados! A todos ele faz propostas semelhantes e desproporcionais às capacidades humanas: não levar nada para o caminho, despojamento total, expulsar demônios, curar os enfermos, anunciar a chegada do Reino de Deus. Até hoje é assim, nos diversos dons, ministérios e carismas que são concedidos a todo o povo de Deus. Existe o chamado e as pessoas continuam respondendo, mesmo em meio a tantas mudanças no mundo. E quem o segue deve acolher condições exigentes: “Entrai pela porta estreita! Pois larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram! Como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida, e poucos são os que o encontram” (Mt 7, 13-14). O que acontece? Por que este “incômodo” que é seguir Jesus continua a se realizar, malgrado toda uma onda que aparentemente conduz a estradas diversas?

É claro que nosso ângulo de visão é fruto de nossa fé. Estamos convencidos de algumas realidades fundamentais! Fomos feitos por Deus, não somos obra do acaso, por ele somos amados e o mundo não é o espaço dominado pela maldade, mas terra de Deus, pensada por ele para a nossa felicidade, tanto que a Bíblia descreve poeticamente a Criação, falando de um Paraíso! Num mundo de pessoas que apenas pensam em vestir-se bem, outras querem a ociosidade, tantas rejeitam a verdade ou querem criticar todas as coisas, há gente que prefere os valores do Paraíso e o preferem, como santos do porte de um São Filipe Neri, sobre o qual é muito conhecido um filme chamado “Prefiro o Paraíso”.

Renunciam a grandes carreiras, homenagens, sucesso a qualquer custo. Agrada-lhes outra coisa, o Paraíso! É que o projeto de Deus contempla valores diferentes dos que costumeiramente encontramos como a partilha, a sensibilidade diante das situações dolorosas dos outros, a atenção, a coragem para tomar iniciativas de serviço à sociedade, a superação da impureza e da ganância. Trata-se de preferir o Paraíso, o jeito de Deus ver as coisas!

O Apóstolo São Paulo usa expressões que podem abrir os horizontes de nossa compreensão da realidade humana e dos desígnios de Deus para todos: “Deus nos escolheu em Cristo, antes da fundação do mundo, para sermos santos e imaculados diante dele, no amor. Conforme o desígnio benevolente de sua vontade, ele nos predestinou à adoção como filhos, por obra de Jesus Cristo, para o louvor de sua graça gloriosa, com que nos agraciou no seu bem-amado” (Ef 1, 4-6). Nós fomos escolhidos, antes do mundo ser criado, para sermos santos e imaculados, diante dele, no amor. Ninguém foi feito para o egoísmo ou para o pecado. Optar pela maldade é possível, mas é processo de autodestruição, e Deus não fez ninguém para ser infeliz!

Aqui tocamos num ponto delicado. Há um destino traçado, do qual não podemos fugir? Será que não posso escolher jogar tudo para o alto, considerando-me livre para fazer o que quiser? Só posso ser feliz em Deus? São perguntas desafiadoras e incômodas! Só Deus é capaz de propor aos seres humanos um caminho de felicidade e continuar a amá-los, se manipular sua liberdade, mesmo se eventualmente voltarem as costas para ele. Só o Pai do Céu é capaz de enviar seu Filho amado, que foi até o mais profundo da rejeição de Deus, quando, em nome da humanidade arrasada, gritou na Cruz o abandono: “Quando chegou o meio-dia, uma escuridão cobriu toda a terra até às três horas da tarde. Às três da tarde, Jesus gritou com voz forte: “Eloí, Eloí, lemá sabactâni? – que quer dizer “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste” (Mc 15, 33-34). Tendo descido por amor ao ponto mais baixo, Jesus Cristo nos abriu o caminho da vida e da liberdade, visitando todas as situações humanas, para preenchê-las apenas de amor.

Nesta “viagem”, com a qual conheceu tudo o que é humano, concedeu capacidades às pessoas, chamou, convocou, atraiu e enviou: “A cada um de nós foi dada a graça conforme a medida do dom de Cristo. Por isso, diz a Escritura: ‘Subindo às alturas, levou cativo o cativeiro e distribuiu dons aos seres humanos’. Que significa ‘subiu’, senão que ele desceu também às profundezas da terra? Aquele que desceu é o mesmo que subiu acima de todos os céus, a fim de encher o universo” (Ef 4, 7-10). Para resgatar o escravo, fazendo-o livre e fiel, ele se fez escravo, entregou-se até à morte, e morte de Cruz!

O caminho da liberdade passa pela entrega. Só se liberta quem se doa, quem transforma sua vida em oferta a Deus e ao próximo! Quem se guarda condena a si mesmo à esterilidade e à tristeza, e este não é o plano de Deus! O dom da liberdade se efetiva quando as pessoas saem de si mesmas. Pode acontecer que alguém até esteja preso, como ocorreu e ocorre com tantos homens e mulheres que se sacrificam por Deus e pelo próximo, mas estas são pessoas livres, porque são fiéis a Cristo. Acima das eventuais circunstâncias, “pela fé, conquistaram reinos, exerceram a justiça, foram contemplados com promessas, amordaçaram a boca dos leões, extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio da espada, recobraram saúde na doença, mostraram-se valentes na guerra, repeliram os exércitos estrangeiros. Mulheres reencontraram os seus mortos pela ressurreição. Outros foram torturados ou recusaram ser resgatados, para chegar a uma ressurreição melhor.

Outros ainda sofreram a provação dos escárnios, experimentaram o açoite, as cadeias, as prisões, foram apedrejados, serrados ou passados ao fio da espada, levaram vida errante, vestidos com pele de carneiro ou pelos de cabra, oprimidos, atribulados, sofrendo privações. Eles, dos quais o mundo não era digno” (Hb 11, 33-38). Que Deus continue a chamar, em nosso meio, pessoas desse quilate!
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28 fevereiro 2017

A experiência de fé exige amadurecimento


               A experiência de fé exige amadurecimento

                                     A vivência na fé requer posições maduras

Os Apóstolos de Jesus e os discípulos que a eles se juntaram eram pessoas provenientes do ambiente popular, com atividades diversificadas. Vários deles eram pescadores profissionais. O Mar de Tiberíades, também chamado Mar da Galileia ou Lago de Genesaré, era o espaço de trabalho e convivência. Pregações, milagres, caminhadas, muitas das atividades de Jesus se desenvolveram ali, num sobe e desce de barcos, ventanias, redes, peixes, comércio no mercado, suor, cansaço, horas de expectativa dos peixes, que nem sempre vinham, famílias que dependiam daquele trabalho, um conjunto de vida e atividade certamente muito carregado de humanidade e lutas, temperado também com muitas alegrias.




É para o lago que retorna Pedro, seguido de seus companheiros. Não lhes era ainda claro tudo o que viria a acontecer, se pensarmos na origem simples daqueles homens, que não eram especialistas em profecias, letras da lei ou mesmo na novidade do próprio Evangelho. Era um mar de novidades, num mar de ideias confusas. Sabemos que foi depois do derramamento do Espírito Santo que aqueles homens adquiriram a ousadia (Parresia!) necessária para pregar, constituir as primeiras comunidades cristãs e derramar o próprio sangue pela Igreja e pela causa do Reino! Tinham que aprender muito, e o Senhor aproveita a aparente volta à profissão de pescadores para oferecer-lhes e a todos nós preciosas lições (Jo 21,1-19).
Enxergar o amor em meio à escuridão

Seis pescadores profissionais chegam à madrugada sem qualquer fruto do trabalho. Barca e trabalho na barca de Pedro, que sabemos ser a Igreja, não leva a nada sem a presença do Senhor. O lusco-fusco da madrugada mostra uma figura na praia. É que a experiência da fé exige mesmo amadurecimento! Jesus os provoca, perguntando sobre algo para comer. Nem sabiam que da Ressurreição para frente quem oferece o alimento que perdura para a vida eterna é Jesus! É João, o discípulo amado, que proclama com força “é o Senhor!”, pois o amor verdadeiro faz enxergar no meio da escuridão dos acontecimentos.

Redes lançadas pela força da Palavra de Jesus, frutos em profusão. Começa uma nova mudança em Pedro, que culminará em mais um chamado. O homem nu reveste-se agora de sua inusitada missão. Corre até Jesus, mas me parece ver o próprio Jesus entrando na barca do coração de Pedro. Chegados à praia, é Jesus quem havia preparado tudo. O Mestre e Senhor se faz mais uma vez servidor. Uma refeição oferecida por Jesus é sinal daquela que o mesmo Senhor oferece todos os dias, até o fim dos tempos, na Eucaristia. Além disso, a rede da Igreja tem cento e cinquenta e três grandes peixes, e essa rede nunca vai se romper, podendo acolher, na contínua festa eucarística da misericórdia, todas as gerações, até que ele volte outra vez. É a abundância do tempo novo inaugurado pelos discípulos capazes de lançar na fidelidade à ordem do Senhor. Eles têm alguma e muita coisa para oferecer. Igreja é assim! Deus recebe, Deus se doa, suscita a maravilhosa comunhão em que Céu e Terra compartilham seus dons! É claro que ninguém mais se atreve a perguntar nada, pois é certa a vinda e a presença do Senhor.

A experiência da nova missão

Mesa preparada, convivas que se alimentam, corações pulsantes pela emoção de mais uma aparição do Ressuscitado. A virada de página para um novo chamado tem no Senhor a iniciativa. Pedro, que três vezes havia negado conhecer o Senhor, agora não precisa do canto do galo para desatar suas lágrimas. É o próprio Cristo que lhe faz três vezes, com expressões e entonação diversa, a pergunta sobre o amor! Jesus sabe tudo, sabe que Simão, filho de Jonas, o ama, malgrado todas as suas fraquezas e infidelidades. Apascentar ovelhas e cordeiros é a nova missão daquele que tinha o mar como lugar de trabalho. Deverá seguir por muitas estradas o seu Senhor, confessando-o até o martírio, pois a definitiva resposta virá com o Sangue derramado! Segue-me! Basta isso, hoje, quando Simão Pedro ficar velho e sempre. Basta seguir Jesus!

Lições para a Igreja e para todos nós. Ninguém pense em singrar qualquer mar sem a presença de Jesus no barco da vida. Não dá certo! E as noites e os dias serão estéreis! Na escuridão do tempo ou das crises pessoais, comunitárias e sociais, descobrir gente que às vezes tem “pouca leitura”, mas muita percepção das coisas de Deus. A luz pode chegar por meio de tais pessoas! Quando parece que o mar não está para peixe, na aventura diária da existência, apostar naquele “É o Senhor!”, que manda jogar as redes onde nem poderíamos pensar. Ao chegar às muitas praias que a vida oferecer, levar o que tivermos, sabendo que as redes agora repletas não se romperão! Depois, aceitar a gratuidade daquele que se assenta em torno de um fogo aceso e se faz servidor, oferecendo o alimento que dura até a vida eterna.

O olhar pessoal de Deus

Os apóstolos de Jesus devem ter comentado tais acontecimentos, depois de passados a Ascensão do Senhor e o Pentecostes, quando tiveram a lucidez necessário para montar o verdadeiro quebra-cabeça que lhes tinha sido oferecido por Deus. Há uma linha mestra que lhes serviu de guia para a vida e o apostolado e iluminam nossa vida. O chamado de Deus é gratuito, parte de seu amor infinito que vai ao encontro das pessoas, sem depender de suas qualidades ou eventuais defeitos. Deus tem a paciência necessária para cercar de amor e infinitas iniciativas ou repetidas perguntas a respeito de nossas disposições. Há um olhar pessoal de Deus, que nos leva a sério, mostrando-nos alternativas, novas possibilidades de serviço ao seu Reino, para o qual Ele nos oferece dons necessários. Ninguém pense que tudo está definido e muito explicado nas medidas humanas que desejamos, muitas vezes, impor a Deus. Antes, ele é mais criativo do que nós e encontrará sempre o modo para nos surpreender. Estejamos atentos, porque, mesmo quando passamos anos fugindo dele, numa noite de suor, sobre o barco em alto mar, ele se mostrará. Quando as luzes de nossa limitada inteligência parecerem insuficientes, é hora de dizer, com o Apóstolo e Evangelista São João, que “é o Senhor”!

Se forem corajosas nossas respostas, diante dos grandes desafios de nosso tempo, que podem levar-nos a “baixar a guarda” diante das tentações, e poderemos dizer como Simão Pedro, aquele que, convertido, foi chamado a confirmar os irmãos: “É preciso obedecer a Deus, antes que os homens” (At 5, 29). Aliás, é hora dos cristãos assumirem posições ousadas!
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26 fevereiro 2017

A nossa vida pode ser transformada pela fé


               A nossa vida pode ser transformada pela fé 

                               A importância de termos uma vida de oração e fé

Fé não é mágica nem sentimento, mas adesão. Para vivê-la, precisamos saber em quem estamos confiando e conhecer aquele em quem estamos depositando nossa confiança. Pela vida de oração e pelo conhecimento das coisas de Deus é possível conhecê-Lo, também por meio de uma intimidade com Ele e uma vida sacramental, além de jejum, práticas espirituais, conhecimento e leitura orante da Palavra.

Quanto mais conhecemos Deus, quanto mais mergulhamos na vida de oração, na experiência da adoração, jejum, mortificação e combate espiritual, maior será a ação d’Ele em nossa vida, e muito maior nossa sede e busca pelas coisas do Alto. Assim, certamente progrediremos na fé.



Nós não precisamos procurar ser perfeitos para caminhar na fé

Em Gênesis 17, Deus vai dizer a Abrão: “Não busque a perfeição, mas caminhe na minha presença e eu te aperfeiçoarei a cada passo que você der”.

“Deus não veio para os sadios”, também diz a Palavra, mas para os enfermos e doentes, seja espiritual ou fisicamente. É nesse caminhar e no progredir na busca pelas coisas do Alto que vamos aprender a crescer na fé e perceber a manifestação e o agir de Deus em nossa vida, na vida de nossa família e no dia a dia.
O poder da fé

A Palavra de Deus vai nos ensinar que pela fé tudo é possível. Foi por meio dela que Abrão se tornou pai, Moisés tocou no mar e este se abriu. Pela fé, Davi lançou a pedra e derrubou o gigante Golias. A fé pode transformar a vida da pessoa e pode mudar o coração mais duro e petrificado, que foi congelado pela ignorância ou até mesmo pela falta de experiência do amor de Deus. A fé muda a pessoa de um modo geral e a leva a transformar a humanidade, além de se tornar um testemunho de Jesus Cristo.

A fé pode mudar a vida de todo homem e de toda mulher a partir de um testemunho de uma pessoa. Deus pode curar, acredite, porque a fé gera em nós um poder sobrenatural como sinais de prodígios e milagres.
Como perseverar na fé?

Reflitamos com a vida dos santos, olhemos as perseguições que eles passaram, as doenças que enfrentaram, a fúria de satanás que se levantou na vida deles e as noites escuras que travaram, mas permaneceram firmes. Portanto, permaneçamos firmes na fé, façamos com que a nossa vida seja alimentada também pela vida daqueles que nos antecederam e tornaram-se força viva do Evangelho no meio de nós.

Veja o que viveu São Francisco, a beata Helena Guerra, Santo Padre Pio, Santa Gema Gualgona, Santa Teresa D’Ávila e todos os outros santos e santas que, com a sua perseverança, tornaram-se para nós um modelo de vida em Cristo.
Alimentemos nossa fé

Umas das maneiras de alimentarmos nossa fé é vivermos cada dia com intensidade, é a experiência do batismo no Espírito, que nos convence do pecado e nos leva a fazer coisas maiores do que aquelas que Deus fez. É a promessa de Jesus: recebereis o Espírito Santo e sereis minhas testemunhas.

É impossível alimentar a fé e a experiência de Deus em nós sem o batismo no Espírito, sem os exercícios dos carismas, sem a entrega e a total submissão e escravidão ao Espírito Santo. Quanto mais nos aproximarmos do Espírito Santo, mais sadios, fortificados e alimentados na fé seremos.

É o Espírito Santo que nos faz buscar as coisas do Alto. Quanto mais a Ele estivermos ligados, muito mais dependentes d’Ele seremos. Quanto mais nos entregarmos ao Espírito Santo, mais livres nos tornaremos das coisas do mundo, dos apetites da carne, das vaidades, dos vícios, de uma sexualidade desordenada e de um caminho de perdição.

Alimentar a fé é ser possuído, todos os dias, plenamente, pelo Espírito Santo, para sermos livres de toda possessão do mal.

Tenha o Espírito Santo próximo de ti

Não podemos nem queremos deixar de acordar sem dizer: “Bom dia, Espírito Santo! O que vamos fazer juntos hoje?”. Nem podemos dormir a noite sem dizer: “Perdão, Espírito Santo, por aquilo que eu fiz sem O consultar”. Uma pessoa que quer viver uma fé saudável, estruturada, alimentada pela graça de Deus tem de ser possuída pelo Paráclito.

Invoquemos o Espírito Santo e alimentemos nossa fé, diariamente, pois Ele tem o poder de abater a fúria de satanás, que vai tornando nossa fé anêmica. Ao nos alimentarmos pelo Espírito, mais sólidos na fé, mais livres de tudo aquilo que é mundano e de tudo o que é desprezível aos olhos de Deus e aos nossos olhos nos tornaremos. Portanto, vivamos uma dependência e uma submissão de escravidão total ao Espírito Santo, pois sem Ele não podemos fazer nada de bom.

O Espírito Santo é para nossa alma aquilo que a nossa alma é para o nosso corpo. Se quisermos ter uma fé estruturada, fortificada, precisamos ter a experiência de uma alma mergulhada no “Rio de Água Viva do Espírito Santo”.
Viva a fé diante dos obstáculos

É impossível viver a fé sem a cruz. Quem busca Cristo sem cruz vai viver uma cruz sem Cristo. É preciso na cruz buscar a Deus para não desistir e não desanimar.

Se você quer perseverar na fé, se quer ter uma fé firme e inabalável, olhe para a cruz com Cristo e a abrace. Não fique criando cruz nem se autoflagelando ou tornando-se vítima diante dos fatos, mas abrace a cruz com Cristo. A cruz de Cristo é redentora, libertadora, transformadora e nos levará a viver o céu neste mundo.

Busquemos com Cristo a glória plena do Pai e, em todas as circunstâncias, oremos pelo Espírito, apresentando-nos a Deus, dizendo-Lhe as nossas preocupações mediante súplica e ações de graça. Assim, a paz se manifestará com graças, sinais, prodígios e milagres, até alcançarmos a maturidade de São Paulo e nos tornarmos homens e mulheres adultos na fé.
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24 fevereiro 2017

Nossa oração muda a vontade de Deus?


               Nossa oração muda a vontade de Deus?
                      Nossa oração precisa ser diante daquilo que Deus nos oferece

Conhecemos a famosa frase: “Tudo pode ser mudado pela força da oração”. Ela já deu até música, como canta Salette Ferreira. Mas você já se perguntou se a sua oração é capaz mesmo de mudar a vontade de Deus? Com os seus pedidos e com a sua súplica, Deus mudaria sua vontade? Seria possível nós, como criatura, mudarmos a vontade do Criador?

Saiba que, se você já se fez essa pergunta, não foi o primeiro. São Tomás de Aquino, um grande santo e doutor da Igreja, já nos catequizou em cima dessa pergunta. Em sua Suma Teológica, no artigo 2, da questão 83 da II IIª Parte, onde fala especificamente da oração, ele nos aponta a reposta dessa pergunta, que lhe é feita exatamente desta forma: “A oração dobra o espírito, a quem oramos, a fazer o que lhe pedimos? Ora, o espírito de Deus é imutável e inflexível, conforme aquilo da Escritura: ‘Mas o triunfador em Israel não perdoará nem se dobrará pelo arrependimento’, logo, não é conveniente orarmos a Deus.”



Qual o sentindo de orar?

Se não somos capazes de dobrar a Deus, a quem oramos, então, qual o sentido de orar? Qual o sentido de pedir, se não vamos conseguir o que queremos, já que Deus não vai se dobrar à nossa vontade? É aí que Tomás nos apresenta o sentido da oração. Nós, homens, não oramos para mudar a vontade de Deus, ao contrário, oramos para alcançarmos aquilo que Ele nos ofereceu, mas que só conseguiremos por meio da oração.

É mais ou menos assim: Deus me deu um presente, mas deixou do outro lado da rua. Para que eu pegue esse presente, faz-se necessário que eu atravesse a rua. Se eu ficar parado desse lado, nunca conseguirei o presente. Com isso, entendemos que, Deus nos deu um presente e a via para o qual conseguiremos alcançá-lo é a oração. Se eu não atravessar, não pego o presente; se eu não orar, não pego o presente. O mais interessante é saber que Deus já me deu esse presente. Ele não vai me dar quando eu chegar do outro lado, ele já é meu, mesmo que eu fique desse lado da rua, ele já está lá.
A oração nos muda

A oração, portanto, não é para mudar a vontade de Deus, mas é para que ela nos mude. Orando, e somente orando, vamos entender qual é a vontade de Deus para nossa vida. Por isso, é extremamente necessário ter uma vida de oração, pois é por meio dela que vamos entrar em sintonia com a vontade do Senhor. É a vida de oração (e aqui podemos traduzir como a intimidade com Deus) que vai moldar o nosso coração no formato do coração de Deus. A própria oração tem várias características: oração de intercessão, de súplica, agradecimento, louvor a Deus etc. Todas elas vão nos fazer mais próximo do coração de Deus.

Então, não deixemos de pedir, não deixemos de orar pensando que a oração não tem efeito, já que não vamos mudar Deus. Muito pelo contrário, rezemos mais, peçamos mais, pois é essa oração que vai nos mudar. E é isso o que importa: nossa conversão diária, para, cada vez mais, estarmos perto de Deus.
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