05 setembro 2018

O perigo das falsas amizades e como lidar com elas


       O perigo das falsas amizades e como lidar com elas

            As falsas amizades são os maiores obstáculos para o crescimento espiritual


Assim como Deus nos dá amigos para nos conduzir à vida eterna e experimentarmos as realidades do céu, corremos o risco de nos deixar confundir pela falsidade, pelo erro das amizades que podem aparecer para nos desencaminhar da santidade e da verdade. Precisamos pedir o discernimento dos espíritos [cf. I Coríntios 12,10], a fim de analisar se as amizades são de Deus ou não.




Podemos ter amigos que querem nosso bem e outros que querem o mal. Estes últimos são chamados de falsos amigos. As falsas amizades são as que se fundem em qualidades sensíveis ou frívolas: “Não persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê de suas ideias frívolas” (cf. Efésios 4,17), que são uma espécie de egoísmo disfarçado. Essas amizades vivem daquilo que é mundano: “Principalmente aqueles que correm com desejos impuros atrás dos prazeres da carne e desprezam a autoridade” (cf. II Pedro 2, 10).
Três espécies de falsas amizades

São Francisco de Sales distingue três espécies de falsas amizades: as amizades carnais, que atraem pelas paixões carnais e pela devassidão (cf. II Pedro 2, 18) buscando os prazeres voluptuosos; as amizades sensuais, que se prendem ao ver a formosura, ao ouvir uma doce voz, ao tocar; e as amizades frívolas, fundadas em qualidades vãs (festas, bebedeiras etc).

Existem diversos tipos de amigos falsos: os amigos do copo, que se reúnem somente para beber; amigos da prostituição; amigos do furto e roubo; amigos de fofocas; amigos de ganância e interesses; amigos do sexo.
Como podemos identificar a origem dessas falsas amizades?

Partimos da origem: elas começam de maneira repentina e forte, pois parte de uma simpatia, de um instinto, de qualidades exteriores e brilhantes e emoções vivas ou apaixonantes. Seu desenvolvimento: alimentadas por meios de conversas insignificantes, mas afetuosas, outras por meio de conversas muito íntimas e perigosas, por olhares frequentes, por carícias entre outros. Efeitos: são vivas, absorventes e exclusivas, imaginam que serão eternas e seguidas por outras afeições.

Perigos dessas amizades: são os maiores obstáculos para o crescimento espiritual. À medida que os apegos vão crescendo, vai-se perdendo o recolhimento interior, a paz da alma, o gosto dos exercícios espirituais e do trabalho. O pensamento foge, muitas vezes, para o amigo ausente. A sensibilidade toma as rédeas da vontade, a qual se torna fraca. Partindo para os perigos relacionados à pureza.

Devemos fugir dessas amizades por intermédio da aplicação do remédio certo desde o começo, pois assim é mais fácil, porque o coração ainda não está preso. O rompimento deve ser feito de maneira firme e energética. É necessário evitar procurar e pensar na pessoa em questão, e cortar toda espécie de vínculo ou ligação, antes que seja tarde.

“Cortai, despedaçai, rompei; não vos deveis deter a descoser essas loucas amizades, é forçoso rasgá-las; não convém desatai os seus nós, devem-se romper ou cortar” (São Francisco de Sales). Quem se expõe ao perigo acaba por sucumbir.
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14 agosto 2018

Por que buscar o isolamento nem sempre é algo ruim?


       Por que buscar o isolamento nem sempre é algo ruim?

                           O isolamento pode ser bom, mas quando ele se torna perigoso?


Buscar a solidão, o isolamento de outras pessoas nem sempre é ruim. O próprio Jesus tinha o hábito de isolar-se e ficar a sós com Deus depois de um dia de trabalho em meio às multidões. Nessas ocasiões, Ele orava e renovava suas forças.

Existe, no entanto, uma solidão que nos faz mal. É aquela em que as pessoas podem viver numa mesma casa com muitas outras e, ainda assim, vivem isoladas delas. Esse tipo de isolamento acontece mesmo entre pessoas tão íntimas como marido e mulher. Que triste!




Sentimentos que rondam a solidão

O “isolar-se” gera ansiedade, tristeza, depressão, angústia e, em casos extremos, o sentimento de morte. O “isolar-se” corta o diálogo tão necessário na família, faz com que a pessoa se deixe levar pelos pensamentos, que nem sempre são verdadeiros e podem gerar confusão, desorientação. Nesse caso, não é uma busca de Deus, mas uma fuga dos problemas, daquilo que é preciso enfrentar.

A Palavra de Deus diz: “Quem se isola, busca seus próprios interesses” (Pv 18,1).

Neste mundo cheio de problemas, por causa de toda pressão, somos tentados ao isolamento, a nos colocarmos dentro da casca. Se você vive problemas, e a tentação o incita a desistir, a deixar tudo para trás e isolar-se, sinto muito! Você está num caminho torto. Mas, se você vive problemas, a tentação é desistir, isolar-se, mas, mesmo assim, você dá a volta por cima, busca os amigos, o sacerdote, busca orientação na Palavra de Deus, no conselho de alguém, na oração; aí sim, você está no caminho reto.
Abra-se para Deus

Deus abre várias portas para você: Eucaristia, confissão, comunidade e meios de comunicação católicos. Veja quantas formas de Deus falar, e perceba quantas opções você tem para buscar ajuda.

Deus abençoe você! Que Maria passe à frente, resolvendo as situações que hoje você não consegue resolver!
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12 agosto 2018

Qual a solução para solidão?


                      Qual a solução para solidão?

A solução, tão difícil nesta época de egoísmo e individualismo, é simplesmente um pouco mais de solidariedade

Solidão é passear pela praia ou pela calçada sem companhia, é assistir a uma partida de futebol, é ouvir uma rádio horas e horas a fio ou será que solidão é morar sozinho? Segundo o dicionário, solidão é o “estado do que se encontra ou vive só, é isolamento”.

O solitário sempre existiu, ele pode estar em qualquer lugar: sentado vendo o horizonte, andando numa rua movimentada, trabalhando em um escritório ou no trânsito barulhento. A solidão sempre é destacada na literatura e na música.




Para se livrar deste sentimento, tem gente que põe anúncio no jornal, outros enfrentam a noite ou até conversam com cachorros. A maioria acha uma desculpa: solidão é um mal da cidade grande, o jeito é conviver com ela. Alguns preferem estar “sozinhos do que mal acompanhados”, como diz a expressão popular, o importante é se sentir bem. Aí começa a aparecer o espírito egoísta dos indivíduos, onde o “eu” é superior ao “nós”.

O individualismo abafa a solidariedade, a relação de responsabilidade entre as pessoas. É comum pensar que nas grandes cidades a solidão está relacionada somente aos que moram sozinhos. Pode-se achar que quem optou por este tipo de vida é um solitário. Isso pode ser um engano. São muitos os motivos que levam, principalmente os jovens, a morarem separados dos pais. Muitos saem procurando uma autoafirmação, outros para fugir da realidade da família, mas muitos outros saem para buscar uma vida melhor, para estudar ou procurar um emprego. E aí, se os jovens são vítimas de uma situação de solidão, o que dizer dos velhos que hoje amarguram o resto de suas vidas abandonados pela família em um asilo, porque já se tornaram um “estorvo” para a sociedade?

A solidão é sempre um grito, contido ou não, de quem vive fechado no seu eu. Mesmo cercado por milhares de pessoas, o solitário não encontra alguém que lhe dê um pouco de atenção. A solução, tão difícil nesta época de egoísmo e individualismo, é simplesmente um pouco mais de solidariedade, de diálogo, de amizade sincera, sem segundas intenções. É saber ouvir, saber calar e falar na hora certa. É dar o ombro e compreender o momento que o outro vive, é abrir-se para ajudar, para doar-se, para amar.
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10 agosto 2018

O que é oração?



                                    O que é oração? 

                                  O nosso modo de rezar é o Senhor quem o concebe


Antes de começarmos a falar sobre oração, precisamos adentrar no seu significado, se é que podemos defini-la. Mas vamos buscar clareza sobre o tema e o modo como a oração pode fazer parte da vida do cristão.


A definição de oração pode ser expressa por palavras, mas o jeito de rezar e o relacionamento com Deus é diferente para cada pessoa. Porém, não podemos inventar o jeito próprio de rezar, mas seguir aquilo que a Igreja já determinou com seus séculos de experiência; contudo, a aplicabilidade é diferente.


Vamos tentar definir oração:


Diziam os Padres do Deserto que a oração é o espelho da alma. Em hebraico, oração é tefillah, que significa “juízo”: […] a oração é a possibilidade de julgar com Deus, de realizar um discernimento sobre a própria vida, sobre a relação com os outros, sobre o próprio relacionamento com as criaturas. É assim que se ordena e se aprofunda a própria interioridade, que se mede o próprio caminho humano, o próprio amadurecimento como crescimento interior adequado à própria idade e situação. (Livro: Onde está Deus? – Padre Reinaldo)


Perceba que a oração não é nossa, mas de Deus. O próprio Senhor nos concede o dom de orar. Por isso, na oração, precisa entrar o julgamento de d’Ele. Nós precisamos nos submeter a Ele na oração. O nosso modo de rezar é o Senhor quem o concebe.





Sobre a oração pessoal.:


“A oração pessoal é insubstituível, porque chega um tempo em que cada um é chamado a encontrar Deus frente a frente, no encontro espiritual. Isso pode acontecer na intimidade do próprio quarto, diante do sacrário, debaixo de uma árvore, no alto de um monte ou à beira-mar. Pode acontecer mesmo ao volante do carro ou em algum momento da Missa, como enquanto a preparamos, antes da coleta, após a leitura ou na homilia, sem dúvida após a santa comunhão e na ação de graças, após a Celebração Eucarística.


A nossa oração privada há de ser realmente pessoal: há de brotar do coração. Podemos exprimi-la com ou sem palavras; não podemos nos limitar a repetir preces escritas por mestres espirituais e por santos, ainda que tais fórmulas nos ajudem a entrar na oração pessoal.


A oração deve ser incessante e continua. Por isso, requer dois pontos:


Qualidade da oração: buscar rezar com o coração para, assim, gerar uma contínua e ininterrupta perseverança. Orai sem cessar (1 Ts 5, 17).


Oração pura e sincera: ser feita com fervor – evitar as inquietações e preocupações. Deixar Deus entrar no santuário do meu coração.”


Para concluir o sentido e o significado do que é oração, fixemos nosso olhar na graça de Deus. E a Igreja a define assim:


“A oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado para o céu, é um grito de gratidão e de amor, tanto no meio da tribulação como no meio da alegria”.



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08 agosto 2018

A pressa é inimiga da oração



                      A pressa é inimiga da oração

Essa realidade de uma vida agitada e tumultuada tem seus reflexos em nossa vida espiritual, o que torna a pressa inimiga da oração.


Diz um antigo ditado que a pressa é inimiga da perfeição. Infelizmente, somos escravos da pressa, principalmente na sociedade em que vivemos. Tudo acontece numa velocidade muito rápida! As notícias chegam até nós no momento em que os fatos acontecem. A comunicação está a um clique de nossas mãos. Neste tumultuado mundo em que habitamos e vivemos, desaprendemos a saborear os momentos. Na pressa que nos convida a estar sempre agitados interiormente, fazemos tudo no impulso da agilidade que o tempo nos exige.


Essa realidade de uma vida agitada e tumultuada tem seus reflexos em nossa vida espiritual. Enfermos da ‘síndrome da pressa’, nossa caminhada espiritual sofre as consequências de nossa agitação. Rezamos com tamanha rapidez que não conseguimos viver e sentir a força profunda da oração em nossa alma.


Perceba o seu modo de orar. Na maioria das vezes, as orações que saem de nossa boca não acompanham o ritmo de nossa alma. Tudo muito veloz; quando não, muito mecânico. Quando olhamos para essa realidade latente em nossa vida de fé, percebemos claramente que, na maioria das vezes, estamos ligados no “botão automático”.





Quando foi a última vez que saboreamos internamente uma oração do Pai-Nosso rezada com calma e profundidade? Das celebrações litúrgicas que temos participado, quantas temos gravadas com profundidade em nosso coração?


A vida espiritual requer de nós a tranquilidade roubada pelas agitações. As nossas orações necessitam da calma e da paz que nos permitem saboreá-las internamente. Todo excesso de pressa furta de nós uma autêntica construção de nossa vida interior. Faz-se necessário desligarmos o “botão automático” quando nos propomos momentos de oração.


Muitas vezes, será preciso reaprendermos a descobrir onde, em nosso coração, se encontra o lugar sereno que nos permite estar totalmente com o Senhor. Distantes de nós mesmos e imersos na velocidade alucinante da vida, estamos condenados a fazer de nossos momentos espirituais apenas mais um momento que não deixa marcas profundas em nossa caminhada espiritual.


Antes de começarmos a orar, temos de parar, respirar e, uma vez adquirida a serenidade na alma, começar nossa oração. Saboreemos cada palavra que nossa boa pronuncia e, no silêncio do nosso coração, deixemos emergir as mais sinceras preces que nascem de nossa alma.


Reduzindo nossa velocidade interior, vamos vivenciar os momentos de oração como oportunidades de crescimento espiritual e humano. Entre os muitos benefícios que um momento tranquilo de oração nos proporciona, descobrimos que, mesmo que tenhamos pouco tempo para orar, estes serão profundos. Aprenderemos também a reagir com calma diante de situações que necessitam de mais serenidade para serem solucionadas. E ainda experimentaremos que a paz de Deus pode ser uma realidade em meio ao tornado de demandas que a vida nos apresenta.
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06 agosto 2018

A oração é uma arma para demolir fortalezas



           A oração é uma arma para demolir fortalezas

Deus nos deu a capacidade de destruir qualquer forte que o pirata mais poderoso já tenha construído em nossa vida

“As reuniões para oração coletiva têm resultado em tremendas respostas à oração. Além das respostas específicas, há sempre grandes benefícios espirituais à medida que todos aqueles que estão orando aprendem a persistir mais efetivamente”.

Todos nós temos importantes decisões a tomar, pois são elas que determinam nossa eficiência em derrubar as fortalezas mencionadas na Bíblia.





Deus nos deu a capacidade de destruir qualquer forte que o pirata mais poderoso já tenha construído em nossa vida. Ele nos dá armas “poderosas em Deus para destruir fortalezas” (cf. 2 Co 10,4). A primeira arma talvez seja a mais poderosa que você irá utilizar: a oração. Ela é a grande tarefa para a qual todo cristão foi chamado.
 “A oração não nos equipa para as ‘obras maiores’. Ela é a maior obra de todas”. A Bíblia declara claramente o propósito eterno de Deus para nossa vida: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho…” (Rm 8,29). O desejo do coração do Senhor é que nos tornemos iguais a Jesus. Quando a paixão de nossa vida se alinha com a paixão do coração d’Ele, podemos nos colocar de lado e ver Deus fazer coisas extraordinárias. Ele transforma o negativo em positivo, os erros em acertos e as fortalezas ocupadas por piratas em templos cheios do Seu Espírito. Isso nos leva à segunda arma de nossa guerra: o Espírito Santo. A oração nos dá acesso ao trono de Deus, de onde ele mantém todo poder e autoridade. O Espírito Santo é parte da natureza trinitária do Senhor que habita em cada cristão. Ele transporta o poder do céu ao nosso coração para sermos conformes a imagem de Cristo. O Apóstolo João escreveu: “Filhinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo” (1 Jo 4.4).

Há muitos anos, um grande pregador proclamou o Evangelho e uma jovem entregou seu coração a Cristo. Ao término da reunião, o pregador lhe perguntou: “O que você fará quando o diabo bater à porta do seu coração?”. Ela parou e pensou antes de responder. “Eu acho que só vou pedir para Jesus atender à porta”. A jovem compreendeu uma grande verdade bíblica. A vitória não está no nosso poder, mas no poder d’Aquele que vive em nós. Ele é nossa força, a nossa fortaleza, a rocha da nossa salvação. Ele é aquele que nos leva a vencer.

“A oração nos dá acesso ao trono de Deus e nos permite tomar posse do poder e da autoridade de Cristo”. O Espírito Santo habita em nós e nos dá poder para demolir as fortalezas. “A oração libera o Espírito Santo para nos tornar iguais a Cristo”
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04 agosto 2018

Como manter a confiança diante das dificuldades



        Como manter a confiança diante das dificuldades

A experiência do abandono em Deus passa pela descoberta do Seu amor incondicional por nós


Ela o segurava nos braços, debaixo de um sol forte e em meio à agitação própria da cidade grande; ele dormia sereno e calmo, pois estava seguro de que nada poderia atingi-lo. Essa cena não faz parte de um filme, é real e, apesar de tê-la contemplado há algum tempo, ainda hoje me recordo claramente dela. No ponto de ônibus, uma mãe, com ar de preocupada, segurava seu filho nos braços enquanto mantinha os olhos fixos nos ônibus que chegavam e saíam sem parar. Um deles poderia ser o seu e ela não poderia nem sequer pensar em perdê-lo. Observei que, apesar da agitação própria do local e da preocupação aparente da mãe, a criança dormia tranquila e sossegada. Sem palavras parecia dizer: “Nada temo, pois os braços que me seguram são de alguém que me ama”.





Naquele dia, a cena foi um pretexto para Deus falar comigo. Já observou que quando não paramos para ouvir a voz d’Ele, por meio da oração, Ele nos fala pelos fatos? No meu caso, eu estava vivendo um tempo de muita correria no trabalho, já não conseguia rezar como antes e queria resolver todas as coisas com minhas forças. Quando ocupamos o lugar de Deus é isso que acontece. Com aquela situação, o Senhor foi me mostrando que eu precisava confiar mais no amor d’Ele. Precisava viver a atitude daquela criança, ou seja, abandonar-me. Na verdade, precisava amá-Lo mais e deixar-me amar por Ele, pois só confia quem verdadeiramente ama, e quem ama consequentemente confia.


E mais: Deus Pai abriu meus olhos para eu perceber que a raiz da minha agitação era também falta de amor-próprio e má interpretação do Seu amor por mim. Eu estava me comportando como serva de Deus e não como Sua filha. E isso faz uma grande diferença em nossa vida como cristãos. O próprio Senhor disse em Sua Palavra: “Já não vos chamo servos, mas amigos […]” (João 15,15), ou seja, o Senhor nos elegeu, amou-nos, não quer apenas o nosso serviço, mas nosso amor. Isso é próprio de uma relação de amizade. Amamos e somos amados, e o amor vai além do fazer.
Escola da confiança


Hoje, por providência, contemplei uma cena semelhante e lembrei-me das lições de outrora. Já não estou tão agitada como antes, vivo uma fase diferente. Mas uma coisa é certa: preciso continuar na escola da confiança. Devo aprender mais de Deus na matéria do amor. “O amor lança fora todo temor, é paciente, tudo suporta, tudo crê, tudo espera […]” (I Coríntios 13,4-7). É por isso que quem ama confia!


Quanto mais amamos Deus e nos deixamos envolver por Sua misericórdia, tanto mais vamos encontrando a harmonia que tanto desejamos e a qual, muitas vezes, buscamos nas pessoas, nos cargos, no poder, no ter ou de tantas outras formas aparentes de segurança neste mundo.


O abandono é, antes de tudo, uma atitude de confiança, fruto da maturidade, e a maturidade não se alcança de uma hora para outra, é preciso ter paciência com o tempo, dar passos e superar os obstáculos. É por isso que quem já teve sua fé provada, tem mais facilidade em confiar em Deus, tem forças para ir mais longe mesmo quando tudo parece perdido.


Aquela criança provavelmente se sentia amada, por essa razão as circunstâncias não a impediam de confiar e repousar tranquilamente no regaço acolhedor de sua mãe.


Desassossegos no dia a dia


São Francisco de Sales faz uma interessante comparação quando fala da alma recolhida em Deus. De fato, diz ele “[…] os amantes humanos contentam-se, às vezes, em estar junto da pessoa a quem amam, sem lhe falarem nada e sem nem sequer pensar em outra coisa que não seja estar ali… Sentem-se amados e isso basta. É assim que acontece com a alma que se entrega aos cuidados do Criador. Repousa sossegada, mesmo em meio aos constantes desassossegos que vive no dia a dia”.


Compreendo, cada vez mais, que a experiência do abandono em Deus passa pela descoberta do Seu amor incondicional por nós.


Peço ao Senhor que, hoje, permita-lhe viver essa experiência e o cure profundamente de toda falta de amor, devolvendo-lhe a serenidade e a paz, fruto da confiança n’Ele.


Assim como a mãe segura em seus braços o filho amado, Deus o segura, por isso não tema. Nos braços do Pai nada poderá atingi-lo. Quem ama confia.
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02 agosto 2018

Fé: receita certa para vencer as tribulações



             Fé: receita certa para vencer as tribulações

                                  Diante da insegurança, a resposta certa é a fé


Vida cristã é muito mais que prazer. Experiência de Deus é você não mais saber quem você é, mas recordar quem é Jesus em você. Há tantos de nós intoxicados pela vida, pela palavra do outro! Quantas vezes você não fez a experiência de chegar a um lugar e adoecer?


A grande artimanha do diabo é minar nossa saúde espiritual, colocar desânimo na nossa vida de oração. Há pessoas que se amarguram por não ter dado conta da vida inteira, mas não fizeram sua parte no milagre.





O mar da vida nos torna vítimas


Se nós tivéssemos a possibilidade de analisar nosso espírito hoje, ainda veríamos que permanecemos tão secos e paralisados nos nossos medos. Quer dar força ao inimigo? Tenha medo. O seu medo o faz entregar-se a ele. Muitas vezes, o mar da vida nos torna vítimas. Quantas pessoas são vítimas daqueles que estão ao lado delas! Coração que não faz a experiência de mergulhar no Espírito Santo sempre será vítima do inimigo.



“Eu não dou conta”. Para essa frase não precisa de esforço; e cada vez que dizemos isso, perdemos o movimento das águas e a chance de atravessar o mar. Tornamo-nos vítimas, porque perdemos a chance de dizer: “eu não aceito”. Tenha a coragem de dizer: “Esse mar não mais irá me afogar”.
Postura de guerreiro


O que faz um homem ser de fé é a resposta que dá diante da insegurança – isso é Cristianismo. Não é uma postura angelical, é uma forma de se tornar guerreiro, soldado. Coragem! Vitória é o que Deus quer celebrar na nossa vida por meio da fé.


Quando você tiver a coragem de colocar o pé na água, você já poderá sorrir, porque seu inimigo tem os “pés de barro” e, nas águas do Espírito Santo, ele irá se afogar. A única forma de você vencer o mal é colocar os pés onde ele não pode estar.
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31 julho 2018

Qual é o momento certo para deixar o casulo para trás?


     Qual é o momento certo para deixar o casulo para trás?

                    Reflita com os ensinamentos da borboleta que deixa o casulo para trás

Quando vemos uma borboleta voar cheia de cores, vida e leveza, devemos considerar o processo que ela viveu até chegar ali. Construiu o casulo, morou dentro dele por um tempo e o abandonou quando chegou a hora. Ela não traz esse processo escrito nas mãos, mas o expressa na beleza de suas cores nem na leveza de suas asas. Voa leve e tem um colorido especial quem teve a coragem de deixar seu casulo para trás!

Tenho compreendido que a liberdade interior que tanto desejamos passa por um processo lento, marcado, muitas vezes, pela espera silenciosa e a coragem de deixar voar o que já não nos pertence. É o tempo do casulo, onde o silêncio nos permite escolher o essencial. Aliás, se é que posso dar um conselho, não tenha medo do silêncio. É nele que Deus nos revela Seu amor e nos liberta da ilusão da nossa falsa imagem. É também no silêncio que descobrimos que o ser é mais importante do que o ter, e que valemos muito mais do que o resultado do nosso trabalho, por exemplo. No silêncio, descobrimos ainda que nossa vida não é uma posse a ser defendida, mas um dom de Deus a ser compartilhado com os outros.



Um tempo para cada coisa

Descobertas assim não acontecem em um fim de semana de encontro, por exemplo. Leva um tempo, exige disciplina, coragem, desapego, fé e, acima de tudo, uma decisão diária de não se deixar levar pelos ruídos que nos cercam. Jesus é o exemplo por excelência de quem não teve medo de se encontrar com si mesmo na solidão e no silêncio, para poder doar-se por inteiro. Vemos, nas Sagradas Escrituras, várias passagens que narram episódios assim: “Jesus foi para um lugar solitário para orar” (Marcos 1,35).

De forma metafórica, podemos considerar também o exemplo da borboleta que, para voar alto, enfrenta as etapas necessárias para sua espécie, inclusive o tempo devido para que suas asas fiquem prontas. E nós, será que decidimos viver os processos que a vida nos propõe?
Aprenda com o conta da borboleta

Recordo-me da famosa fábula da borboleta. Ela narra um homem que, ao observar um casulo e perceber que a borboleta que estava dentro dele fazia um esforço enorme para sair por um pequeno buraco, sem sucesso, resolveu ajudá-la, cortando o restante do casulo. Assim, a borboleta saiu facilmente, mas seu corpo estava murcho e as suas asas amassadas. O homem ficou esperando, com entusiasmo, o momento de vê-la voar, mas isso nunca aconteceu, pois suas asas ainda não estavam prontas. É que o esforço da borboleta, para conseguir sair do casulo, era necessário para que o fluido do seu corpo fosse para suas asas, fortalecendo-as o bastante para que, quando saísse do casulo, pudesse voar. Sem esse processo, que “dependia somente dela”, voar foi impossível.

Podemos tirar inúmeras lições desse conto, uma delas é que o esforço que fazemos em meio a tantos acontecimentos que marcam nossa história também é necessário para fortalecer nossas asas. Se vivêssemos sem passar por obstáculos, provavelmente jamais “conseguiríamos voar”. Quando buscamos a felicidade como resultado imediato, nossa tendência é atropelarmos o processo natural que a vida nos oferece e, em alguns casos, fazermos o mesmo com quem está ao nosso lado, tardando ou impedido a felicidade de chegar.

Não tenha medo do novo

Para voar alto, precisamos construir nossa própria história, vivendo todas as etapas sem fugas; antes, procurando em Deus o sentido para cada acontecimento, seguir em frente sem medo de se arriscar quando a vida aponta uma nova direção. Imagino que a lagarta nunca teve a certeza de que seria capaz de voar, mas, mesmo assim, construiu seu casulo e passou por ele com dignidade.

Fiquemos atentos, pois chega um dia que “pode ser hoje”, em que nós também precisamos tomar uma decisão que defina nossa vida. Entrar no casulo que nossos sonhos construíram e movimentarmo-nos dentro dele, com todas as forças, até chegar a hora de voar ou continuar sendo para sempre lagarta que rasteja pelo chão.

De uma coisa tenho certeza, Deus o criou para voar alto com beleza e leveza, trazendo um colorido especial para o mundo que está a sua volta e passa com você por todas as etapas de sua vida, apenas lhe pedindo para não parar em nenhuma delas, pois assim a obra ficaria incompleta. Portanto, vá além da sua dor e do medo de passar até mesmo pelas perdas necessárias, para chegar onde Deus quer levá-lo. E se você perceber que suas asas já estão prontas para voar, deixe seu casulo para trás e voe alto na direção dos seus sonhos!
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29 julho 2018

Dentro de cada um de nós existe uma fonte de amor


       Dentro de cada um de nós existe uma fonte de amor


                                      O amor que me cura é o amor que dou


Fomos criados para amar! O que, muitas vezes, nos trava e deixa em crise é o fato de passarmos a maior parte do nosso tempo querendo ser amado, esperando o amor das pessoas. O mais interessante é querermos ser amados da forma que desejamos. Por esse motivo, não conseguimos perceber o amor das pessoas para conosco; e com isso sofremos.




Era assim que eu me comportava, e perdi muito tempo da minha vida desejando ser amada da minha forma e do meu jeito. Com isso, eu me frustrava. Um dia, revolvi mudar de estratégia e falei para mim mesma: “Tudo aquilo que desejo receber das pessoas, tudo aquilo que quero que as pessoas façam comigo, farei eu para elas”. Aí, comecei a demostrar para as pessoas que eu as amo; e, para demonstrar esse amor, usei muitos gestos concretos. Assumi essa atitude na minha vida, e tenho tocado uma realidade diferente. Hoje, sempre gosto de usar a expressão: “Que o melhor de mim seja para o meu irmão”.

Com essa teoria, fui percebendo que, quanto mais eu amo, quanto mais eu demostro amar, mais eu sou curada das minhas carências e vou me tronando cada vez mais uma pessoa livre para amar. Percebo que Deus me cura cada vez que saio de mim para ir ao encontro do outro, cada vez que deixo o meu mundo egoísta para estar com o outro, para manifestar gesto de amor, de presença e companheirismo.

Estejamos abertos para amar

Essa é uma experiência que faço do amor que cura. É esse amor que dou sem nada esperar em troca, do amor do qual fala São Paulo: tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Um amor que é paciente e sabe esperar o tempo do outro, que não para nas fraquezas e limitações do outro. É dessa forma que vou sendo curada, na medida que vou me colocando para amar.

Não tenha medo de sair de si, para ir ao encontro do outro. Deus sabe do que você precisa, e foi Ele quem nos amou primeiro. Por isso, alegre-se quando se colocar aberto para amar, e amando ser curado para amar mais.

Deus o abençoe!
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27 julho 2018

As feridas passadas não podem afetar seus relacionamentos


  As feridas passadas não podem afetar seus relacionamentos

                       Os relacionamentos servem para nos tornar pessoas melhores

Todo relacionamento deve dar errado e terminar, à exceção de um, aquele com o qual você e seu escolhido ou escolhida vão constituir uma família. Cada pessoa que passa pela nossa vida, seja num namoro ou mesmo noivado, pode nos melhorar e lapidar nossa personalidade, fazendo-nos melhores e mais felizes. Nem todo relacionamento, porém, começa e termina bem. Muitos namoros e noivados são carregados de traumas, infidelidades e desrespeitos. Seja em uma ou em várias situações desagradáveis, cada uma dessas experiências tem o potencial de ficar marcada na nossa memória e no nosso coração, prejudicando nossos próximos relacionamentos. Todas as relações precisam nos melhorar. Se for para nos tornarmos alguém pior do que somos hoje, nenhum relacionamento faz sentido.


Jesus quer nos curar

Ao mesmo tempo, é muito cômodo colocar-se na posição de vítima e justificar uma situação de solidão no presente, baseada nas feridas passadas e suas cicatrizes. Deus, porém, convida-nos a sermos novas criaturas todos os dias. A partir da nossa abertura de coração, é possível transformar a nossa essência e, pelo Espírito Santo, curar essas feridas.

Da mesma forma que Jesus curou a mulher que tinha uma hemorragia, há 12 anos (Lc 8,44), Ele também pode curar cada um de nós. Eu não sei há quanto tempo existem as feridas em seu coração e em sua alma, mas eu o convido a aproximar-se de Jesus Eucarístico, por meio de uma boa e sincera confissão e comunhão, para que você possa abrir seu coração a um sacerdote e propor-se a perdoar quem o feriu, e também a perdoar-se.

A hemorroíssa do Evangelho foi ousada! Em meio à multidão, espremeu-se para apenas tocar o Senhor e, pela sua , foi salva. Imagine o que a presença dos sacramentos em nossa vida podem fazer por cada um de nós?

Não deixe que as suas decepções do passado impeçam a evolução de sua vida afetiva nem acomode amarguras em seu coração. Aprenda com os erros e feridas passados, mas não deixe que eles determinem, de maneira negativa, sua personalidade e seus próximos relacionamentos.

Deus nos quer livres, curados e felizes, para O amarmos de verdade, e também a nós mesmos e aos outros.
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25 julho 2018

Durante essa vida, nós precisamos aprender que tudo passa


   Durante essa vida, nós precisamos aprender que tudo passa

As etapas de nossa vida, por mais que queiramos nos apegar a elas, não têm jeito, porque elas passam


Durante minha infância, várias vezes, por um motivo ou outro, eu caia e acabava me machucando, o que me fazia, em prantos, buscar o consolo dos meus pais. Lembro-me das vezes em que eles me disseram: “Calma filha, vai passar”. Tinham toda razão! Passou mesmo! Já nem me lembro das quedas daquela época. Vieram outras que também passaram. Afinal, nesta vida, tudo passa. Acredito que você também já tenha ouvido essa afirmativa. Para concordar com ela, basta fazer uma breve reflexão sobre seus últimos anos.

As etapas de nossa vida, por mais que queiramos nos apegar a elas, não têm jeito, porque elas passam. Os tempos de crise e bonança passam, as notícias passam e também as pessoas. O que se tem e sente também passa. E também você passará.




Ora, se essa é uma verdade inquestionável, por que nos falta a esperança quando estamos na tribulação? Por que nos faltam a cautela e o zelo quando estamos no cume das alegrias momentâneas? Perguntas como essas passam quase sempre sem respostas em nossa vida.

A moda que fez você comprar “aquela roupa” passou; se usá-la agora, não se sentirá tão bem. E assim segue a vida, e esta vai e vem, e tudo passa! Porém, o que passa não necessariamente se acaba, mas certamente se transforma.

“… as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”, diz a Palavra de Deus em 2 Cor 5,17. Os sentimentos mudam, passam e se transformam. Alguns se tornam mais intensos, outros suavizam. A euforia passa. Será, então, que estamos, neste mundo, somente passando? Será que viver é passar, e não permanecer? Será que nada permanece, nada fica? O evangelista Mateus nos fez um grande bem quando registrou o que Jesus afirmou: “Os céus e a terra passarão, mas minhas palavras não passarão”.

Mais de 2000 anos depois, suas palavras continuam ecoando nos quatro cantos da terra, e o mais importante, com o mesmo efeito. Nesse caso, sim, algo permanece, mas não é humano. As coisas que permanecem transcendem nossa existência e não se explicam pela razão, mas pela fé. A sede que o homem tem por Deus, e por Suas obras, por exemplo, permanece em nossos corações. Essa sede só passará quando, finalmente, e para sempre, chegarmos em sua presença. Só não podemos fazer da verdade de que tudo passa, um amuleto para não agir, achando que tudo vai passar por si só. Com nosso empenho, os sentimentos bons podem durar mais e os ruins passarem mais rápido.

Portanto, se hoje você está feliz, aproveite, partilhe sua alegria, mas não se apegue a ela. Se estiver passando pela tribulação, se caiu de novo, machucou e doeu? Calma! Vai passar. Talvez, se o papai me ouvisse, hoje, daria o mesmo conselho. Acho que, lá do Céu, ele me lembra o que sempre ensinou: “Calma, filha! Vai passar”. Aprendamos a conviver com o passageiro depositando sempre nossa esperança n’Aquele que é eterno. Também estou aprendendo a viver assim!
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23 julho 2018

É tempo de clamar o Espírito Santo



                  É tempo de clamar o Espírito Santo

                     Entenda a beleza e a importância de clamar o Espírito Santo de Deus


No alto da Cruz, quando Jesus morreu, entregou o “Espírito”. Não é apenas uma citação de um salmo, mas a realidade da entrega do Espírito à Igreja nascente do lado de Cristo, fonte de graça e vida para todos. No dia da Ressurreição, aparecendo aos seus discípulos, soprou sobre eles e lhes concedeu o Dom do Espírito Santo, garantia da Paz e do Perdão, do qual são portadores, para levar ao mundo inteiro. Na manhã gloriosa do Pentecostes, o vento impetuoso e as línguas de fogo, o assombro da multidão e o anúncio de Jesus Cristo, quando todos os presentes em Jerusalém os entendem, tudo expressa, na “inauguração” da Igreja, o tempo novo que se inicia, o tempo do Espírito, que se estende até a vinda gloriosa do Senhor, no fim dos tempos, para julgar os vivos e os mortos! É o Mistério Pascal que se realiza e a Igreja, nos últimos cinquenta dias, conduziu-nos, como mãe pressurosa, a viver cada uma das etapas do único e mesmo mistério. Podemos até unir, como numa única palavra, Morte-Ressurreição-Ascensão-Pentecostes!





E o Espírito Santo continua a conduzir a Igreja. Vêm dele os carismas, ministérios e serviços suscitados no correr dos séculos. Prova disso é o fato de que a Igreja sempre foi inspirada a encontrar os caminhos da caridade, para chegar a todos os recantos e aos corações, com a criatividade que caracteriza seu serviço à humanidade.
Os dons do Espírito Santo


Do Espírito Santo esperamos receber os dons, que nos fazem viver de forma divina a nossa vida nesta terra: Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade, Temor de Deus! De sua presença esperamos os frutos: “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, lealdade, mansidão, domínio próprio” (Gl 5, 22-23).


O Espírito Santo conduz a Igreja, mantendo-a fiel à verdade, sustentando-a para que as portas do inferno não prevaleçam. Todas as crises devidas à condição humana de seus membros, que sabemos ser pecadores, têm sido superadas. Basta recordar os grandes Concílios, com os quais a Igreja buscou com sinceridade a verdade, para anunciá-la corajosamente.


É o Espírito Santo que dá aos cristãos a disposição para o testemunho de Jesus, fecunda uma vida santa nos filhos da Igreja. Ele foi e é o sustento dos mártires, para a audácia do derramamento do próprio sangue pelo nome de Jesus Cristo.


É o Espírito Santo que nos faz proclamar que Deus é Pai – Abba, é ele que nos possibilita reconhecer Jesus como Senhor, é o Espírito Santo que reza em nós! “O Espírito vem em socorro de nossa fraqueza. Pois não sabemos o que pedir nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis. E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito, pois é de acordo com Deus que ele intercede em favor dos santos” (Rm 8, 26-27).
O condutor dos cristãos


O Espírito Santo age na Igreja, conduzindo os cristãos das várias confissões na estrada exigente a maravilhosa da unidade, a ser buscada com afinco por todos os que professam Jesus como Senhor. Este é o sentido da Semana de Orações pela Unidade dos Cristãos, com o tema “Reconciliação” e o lema “É o amor de Cristo que nos move” (Cf. 2 Cor 5, 14-20). Junto com outros cristãos, queremos refletir também sobre os quinhentos anos da Reforma. E o Papa faz inúmeros gestos de aproximação com irmãos e irmãs de outras Igrejas. Na Vigília de Pentecostes, neste Sábado, tenho a alegria de estar com o Santo Padre na Vigília Ecumênica de Oração, em Roma, a se realizar no “Circo Máximo”, um dos lugares históricos do martírio dos cristãos dos primeiros séculos.


O quadro conflitivo em que nossa sociedade se encontra é um grito à unidade dos cristãos. Cabe-nos oferecer ao mundo o testemunho do amor mútuo, superando preconceitos, medos, agressividade, lutas estéreis que só escandalizam as pessoas. Vale buscar o que nos une, que certamente é muito maior do que os eventuais motivos de separação. E podemos começar pelas pessoas mais próximas, estendendo os braços para a reconciliação, valorizando o testemunho de pessoas que fazem parte de outras confissões cristãs, colocando-nos juntos em oração, pedindo os dons do Espírito Santo.


Mais ainda, o Espírito Santo conduz todos os homens e mulheres de todos os tempos na busca da verdade. É ele que planta as Sementes do Verbo de Deus por toda parte, fazendo com que os cristãos abram os seus olhos e seus corações, para identificar e valorizar o bem que é feito, onde quer que esteja!
Oração


Esta é uma ocasião privilegiada para convidar à oração confiante:


Oh vinde, Espírito Criador, as nossas almas visitai, e enchei os nossos corações
com vossos dons celestiais.
Vós sois chamado o Intercessor, do Deus excelso o dom sem par, a fonte viva, o fogo, o amor, a unção divina e salutar.
Sois doador dos sete dons, e sois poder na mão do Pai, por ele prometido a nós,
por nós seus feitos proclamais.
A nossa mente iluminai, os corações enchei de amor, nossa fraqueza encorajai,
qual força eterna e protetor.
Nosso inimigo repeli, e concedei-nos vossa paz; se pela graça nos guiais,
o mal deixamos para trás.
Ao Pai e ao Filho Salvador por vós possamos conhecer. Que procedeis do seu amor fazei-nos sempre firmes crer.


Vinde, Espírito Santo!
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21 julho 2018

O Espírito Santo é Paráclito, sobretudo amigo íntimo


         O Espírito Santo é Paráclito, sobretudo amigo íntimo

O Espírito Santo não é simplesmente algo de Deus inanimado em nós, mas é a Pessoa de Deus

São Paulo, ao dirigir-se à comunidade dos colossenses, fala do amor com que o Espírito os animava (cf. Cl 1,8b). O que chama à atenção é que Paulo não somente fala da animação do Espírito Santo, mas do amor, da ternura com que o Ele os animava.



Força de Deus

O Espírito Santo, Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, embora figure como força de Deus, vento animado – a palavra “espírito”, em hebraico, é “ruah”, traz a ideia de “vento” –, é Pessoa de Deus, que fala, ouve, movimenta e, sobretudo, ama. Portanto, o Espírito não é simplesmente algo de Deus inanimado em nós, mas é Pessoa d’Ele que habita nossa intimidade. O Espírito é o Paráclito, Advogado, sobretudo amigo íntimo.

São Paulo, profundamente íntimo do Espírito Santo, ao falar da animação do Espírito àquela comunidade, não a resume a um ato mecânico, impessoal, mas fala da ação amorosa de alguém que ama.

É interessante o profundo senso da pessoalidade do Espírito que tinham os apóstolos. No livro dos Atos dos Apóstolos, vemos relatada inúmeras vezes essa pessoalidade íntima do Espírito na Igreja. Em Atos 13,2, o Espírito é quem separa Barnabé e Paulo para uma missão específica; em Atos 13,4, esses mesmos missionários são enviados pelo Paráclito a Selêucia; em Atos 21,11, o Espírito diz, por meio de Ágapo, os acontecimentos que viriam a Paulo em Jerusalém. Mas é impressionante o relato de Atos 16,6-8 em que o Espírito impede Paulo e Timóteo de anunciar a Palavra de Deus na província da Ásia e não permite que eles sigam de Mísia para Bitínia.

A Igreja primitiva entendeu muito bem quem era Aquele que, um dia, o próprio Mestre, ao se despedir, enchendo de tristeza o coração dos apóstolos, colocara em Seu lugar (cf. Jo 16). Eles entenderam quem era Aquele outro amigo (cf Jo 14,16) que, de tão importante que seria para a Igreja, viria no lugar do Senhor.
Eternamente conosco

Ele, o Consolador, é amigo fiel que habita em nós (cf. I Cor 3,16-19). Com Ele jamais estaremos sozinhos, pois Ele ficará eternamente conosco (cf Jo 14,16). Com Deus jamais estaremos desamparados, pois Ele permanecerá conosco, estará em nós e nos protegerá contra os adversários com palavras de sabedoria, à qual ninguém pode resistir ou contradizer.

Por Ele conheceremos a verdade e teremos acesso ao Pai. N’Ele seremos fortes, pois Ele é a força do alto que nos reveste, pois somos poderosamente robustecidos pelo Espírito. Ele vem em auxílio à nossa fraqueza.

Pelo Espírito, somos livres, pois onde Ele está aí há liberdade (cf. II Cor 3,17). Por Ele, o amor de Deus é derramado em nós, pois o Amor foi derramado em nosso coração pelo Espírito que nos foi dado (cf Rm 5,5). Enfim, por Ele nos tornamos filhos de Deus, pois todos os que são conduzidos pelo Paráclito são filhos do Senhor. O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus (Rm 8,14.16).

Para quem deseja o amor

O Espírito Santo é a personificação do amor entre o Pai e o Filho, conforme o II Concílio Ecumênico da Igreja em Constantinopla I, em 381. Ele é o amor com que se amam o Pai e o Filho. Por isso, diz São Bernardo: “O que é o Espírito Santo, senão o beijo que trocam entre Si o Pai e o Filho?”. Ele é o amor entre o Pai e o Filho, portanto, entre Deus e Deus! Que coisa maravilhosa pensarmos que o amor entre Deus e Deus habita em nós!

O que há de comparável com tal dádiva para nós? Se realmente entendermos isso, entenderemos tudo. A percepção clara do mistério, no qual o Amor personificado habita em nós, faz mudar tudo, e tudo o que desejamos é ser amados e amar.

Se, do fundo do coração, entendêssemos que o próprio Amor nos ama e ama em nós, deixaríamos de mendigar amor. O que mais querer, o que mais almejar, o que mais sonhar senão a certeza de que o Amor nos ama e ama em nós para sempre?

Tendo o Amor tão perto e tão certo, somos verdadeiramente livres para viver e amar. Aí, somos livres para responder aos mais loucos chamados de Deus, somos livres para o perdão, para a humilhação, para a paciência e o serviço. Somos livres de tudo o que foi e de tudo o que será, pois a felicidade é certa e habita dentro de nós.
Cuidai da promessa em vós

“Eu vim lançar fogo sobre a terra, e quanto eu desejaria que já estivesse aceso!” (Lc 12,49). Sem dúvida, Jesus se referia ao Espírito Santo, o fogo que desceu em Pentecostes. Desde quando o Pai tirou Abraão de sua terra para constituir um povo, Ele sonhava com a descida do Espírito ao homem. Por isso, Jesus, o Filho de Deus, tanto desejou o Pentecostes, e Seu ministério não foi senão a missão de nos dar o Espírito Santo, o fogo do Céu (cf. Lc 12,49).

O Paráclito é o prometido do Pai (cf. Lc 24,49a; At 1,4.2, 23-39), é a grande promessa feita, desde a antiga aliança, pelos profetas e realizada por Cristo no dia de Pentecostes.

Promessa de Deus, riqueza dos homens. Saiba: Ele está em você e o chama a abrir-se à Sua amizade. Ele está em você, na sua intimidade. Ele conhece tudo e pode tudo. Ele cura, liberta, ensina, ama, é vida em abundância. Converse com Deus, Adore-O em você, conte a Ele suas dores, peça a Ele a proteção. A única coisa que o Senhor no pede: não o contristeis (cf. Ef 4, 30a).
Deus está em você

Cristão, em tudo, lembre-se de que Deus está em você. Quão grande mal faz o cristão que não responde a essa terna amizade com amor! Cuidemos do Espírito que habita em nós. Prestemos atenção aos lugares, aos programas, lazeres, às palavras, conversas, músicas que entristecem o Espírito em nós. Aqui está algo de absolutamente importante: ou amamos o Espírito em nós e descobrimos quão libertador é Seu poder, quão curadora é Sua força e tão sublime e maravilhosa é Sua amizade, ou, embora O possuamos em nós, continuaremos a ser estraçalhados pelo mundo a mendigar qualquer amor por aí.

Já se passaram dois mil anos do cumprimento da promessa em Pentecostes. Porém, muitos são os que continuam aguardando, dizendo que as coisas não são bem assim. O Espírito mesmo é quem clama: “Não espere mais; a graça é para todos, abra-se à Minha amizade e conhecerá a verdadeira liberdade de ser filho de Deus.”
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19 julho 2018

Deixar-se conduzir pelo Espírito Santo


                   Deixar-se conduzir pelo Espírito Santo

             A abertura aos dons do Espírito Santo possibilita um salto qualitativo na existência

“Não há maior liberdade do que se deixar guiar pelo Espírito Santo e permitir que Ele nos conduza para onde quiser”. Esse foi um dos convites do Papa Francisco durante a Semana da Novena de Pentecostes e de Orações pela unidade dos cristãos. Trata-se de uma provocação positiva destinada a orientar nossas escolhas diárias, pois fomos criados com o maravilhoso e desafiador presente da liberdade.

Atribui-se ao Espírito Santo, terceira pessoa da Santíssima Trindade, amor que circula entre o Pai e o Filho, a santificação da humanidade, garantia prometida por Jesus aos Seus discípulos, para acompanhá-los no tempo da Igreja, até a volta do Senhor no fim dos tempos. Este tempo é precioso e há de ser desfrutado como uma oportunidade atrás da outra para acolher a graça que vem de Deus, realizar as obras d’Ele e testemunhá-las a todos os homens e mulheres que encontrarmos. Somos convidados, continuamente, a essa abertura da alma àquele que é chamado “Alma da Igreja”. Deixar-nos conduzir pelo Espírito Santo!





Para tanto, faz-se necessário exercitar o discernimento, identificando as moções que nos vêm do Espírito. O olhar interior, adquirido na oração, abre nossos ouvidos, nossos olhos e o coração para identificar a voz do Espírito. Não se trata de sons ou barulhos externos, mas indicações capazes de conduzir as nossas decisões. No meio de tanta agitação, nasce o apelo ao recolhimento e ao silêncio. Vale a pena desligar as muitas fontes de informações e apelos vindos de fora, para desfrutar o clamor da voz interior, não a abafando, inclusive porque ela não nos fecha aos clamores das outras pessoas e situações humanas, mas qualifica nossa sensibilidade, para nos deixarmos conduzir pelo Espírito Santo!

Há um roteiro para a escuta da voz interior, instrumento precioso colocado à nossa disposição, a Palavra de Deus. O contato diário com a Bíblia e sua leitura atenta treinam nossa sensibilidade para os verdadeiros valores, abrem nosso horizonte para a compreensão de realidades antes escondidas. E isso pode ser feito com muita calma e serenidade, passando pelo percurso da meditação, oração, contemplação e propósitos de vida nova.
Abertura aos dons do Espírito Santo

A abertura aos dons do Espírito Santo, pedidos e acolhidos, com os quais podemos agir de modo sobrenatural no cotidiano da vida, sem nos afastarmos de tudo o que é necessário fazer em nossa família ou profissão, possibilita um salto qualitativo na existência. Sabedoria para descobrir o sentido impresso por Deus em tudo o que existe. Ciência para conhecer de modo divino as realidades da própria natureza. Conselho para discernir os passos a serem dados. Fortaleza para elevar quem está caído e para dominar os impulsos que nos levam à agressividade. Piedade, para que o nosso coração seja “pio”, cheio de bondade em relação ao próximo, à sociedade e diante de Deus. Temor de Deus, para levá-lo sempre em conta e caminhar em sua presença. De propósito, o dom da Inteligência, também chamado de entendimento, é elencado por último, pela urgência com que precisa ser atuado em nossos dias. O Senhor nos diz: “Quando ele vier, o Espírito da Verdade, vos guiará em toda a verdade” (Jo 16,13). Com o dom do entendimento, o Espírito Santo infunde em nós a paixão pela verdade, em tempos de falsidade, corrupção e mentira deslavada. Deixar-se conduzir pelo Espírito é adquirir tal paixão, purificando-nos de todo engano!

Uma fonte preciosa de inspiração é um olhar aberto às pessoas e suas necessidades, especialmente à sensibilidade diante dos mais pobres e fracos. Não abafar a voz da consciência, que provoca a saída de nós mesmos para encontrar as estradas do bem. É necessário superar a insensibilidade corrente diante dos problemas e da violência, quando podemos fazer ouvido moco diante dos gritos dos mais sofredores. As muitas cenas do cotidiano, com as quais a miséria humana clama por serviço e caridade seja a voz do Espírito Santo, que nos conduz ao bem e suscita a atenção diante do próximo.

Uma das manifestações da ação do Espírito Santo na Igreja é a figura do conselheiro. Há pessoas colocadas por Deus em nossa vida que significam muito, pois nos oferecem, pela palavra e o exemplo, a preciosa ajuda para percorrer os caminhos suscitados pelo Espírito. Aqui entra, em primeiro lugar, o confessor, pela graça da escuta, as orientações e mais do que tudo o exercício do ministério sacramental do perdão. Diga-se o mesmo do ministério da direção espiritual. E existem também homens santos e mulheres santas que, com sua experiência de vida cristã madura cuja palavra e exemplo são sinais para a aventura da vida no Espírito, que não é privilégio de poucas pessoas, mas vocação universal à perfeição da vida cristã.

Deixar-nos conduzir pelo Espírito Santo significa ainda identificar suas inspirações que se transformam na diversidade de dons (Cf. 1 Cor 12,3-13). A beleza da Igreja se expressa na vocação específica de cada pessoa. Não há motivos para a inveja, ciúme ou comparações estéreis, já que todos têm muito a oferecer e são importantes para Deus. O apelo é que ninguém se esconda ou se omita, mas todos contribuam com aquilo que são e com o que têm para a edificação do Reino de Deus.

Para que nossa vida seja conduzida pelo Espírito Santo que sopra onde quer, só nos resta pedir insistentemente: “Ó Deus que, pelo mistério da Festa de Pentecostes, santificais a vossa Igreja inteira, em todos os povos e nações, derramai por toda a extensão do mundo os dons do Espírito Santo, e realizai agora no coração dos fiéis as maravilhas que operastes no início da pregação do Evangelho.
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17 julho 2018

De que lado estamos?

Estamos do lado do Espírito Santo, que nos defende, ou do lado de quem nos acusa?

Não é necessário muito para que um cristão se torne o sujeito mais fraco do mundo e desista diante de qualquer obstáculo. Desse modo, precisamos estar abertos para receber a força do Alto. Como vamos fortalecer poderosamente nosso homem interior, se nos enchemos com essas “futricas” apresentadas pelo mundo? Somos chamados a coisas grandes. Se temos um “projetinho pequenininho para nossa vidinha”, estamos no lugar errado. Supliquemos o Espírito Santo, pois Pentecostes é para aqueles que querem ser cheios do Espírito de Deus.


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15 julho 2018

Quais os benefícios de sermos amigos do Espírito Santo?


       Quais os benefícios de sermos amigos do Espírito Santo?

          Conheça os benefícios de sermos amigos do Espírito Santo e nos aproximarmos d’Ele

“Crer no Espírito é, portanto, professar que o Espírito Santo é uma das Pessoas da Santíssima Trindade, consubstancial ao Pai e ao Filho, «adorado e glorificado com o Pai e o Filho». É por isso que tratamos do mistério divino do Espírito Santo na «teologia» trinitária. Portanto, aqui só trataremos do Espírito Santo no âmbito da «economia» divina” (Catecismo da Igreja Católica, n. 685).

Essa é a experiência de nossa fé, sendo uma Pessoa, nós podemos nos relacionar com Ele [Espírito Santo], ser amigos, próximos e íntimos d’Ele. E é exatamente isso que essa Pessoa da Trindade deseja ardentemente de nós para poder nos revelar o amor do Pai e do Filho e o conhecimento dos dois. Esse é o primeiro grande benefício de sermos amigos dessa Pessoa Divina e nos aproximarmos d’Ele.





“O Espírito Santo, pela sua graça, é o primeiro no despertar da nossa fé e na vida nova que consiste em conhecer o Pai e Aquele que Ele enviou Jesus Cristo” (CIC n. 684).

O Espírito Santo de Deus é o nosso mestre de vida de oração, Ele nos ensina a rezar como convém, isto é, a alcançar na oração a vontade de Deus, que alimenta e plenifica a nossa alma. “Da mesma forma, o Espírito vem em socorro de nossa fraqueza, pois não sabemos o que pedir nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis” (Rom 8,26).

“Ninguém conhece o que há em Deus, senão o Espírito de Deus” (I Cor 2,11). Ora, o Espírito, que O revela, faz-nos conhecer Cristo, Seu Verbo, Sua Palavra viva; mas não Se diz a Si próprio. “Aquele que falou pelos profetas” faz-nos ouvir a Palavra do Pai. Mas a Ele, nós não O ouvimos. Não O conhecemos senão no movimento em que Ele nos revela o Verbo e nos dispõe a acolhê-Lo na fé” (Catecismo da Igreja Católica, n. 687).
Os benefícios da amizade com o Espírito Santo

Aproximarmo-nos desta Pessoa Divina e sermos amigos d’Ele nos faz conhecer Sua Palavra e Seu poder. Só pelo Espírito Santo podemos dizer: Jesus Cristo é o Senhor. E pelo mesmo Espírito conhecer e experimentar o amor de Deus Pai.

O primeiro grande fruto da amizade com o Espírito Santo é a experiência do amor de Deus e a salvação em Jesus Cristo, proclamando Seu senhorio: “Ninguém será capaz de dizer: ‘Jesus é Senhor’, a não ser sob influência do Espírito Santo” (cf. I Cor 12,3b).

Ele nos purifica dos nossos pecados. “Manda teu espírito, são criados, e assim renovas a face da terra” (Sl 104, 30). Ilumina e abre a nossa inteligência: “O Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo” (cf. Jo 14,26). O Espírito Santo nos ensina a sermos dóceis e a obedecer aos mandamentos do Senhor: “Porei em vós o meu espírito e farei com que andeis segundo minhas leis e cuideis de observar os meus preceitos” (cf. Ez 36,27).

Este Amigo Divino confirmará a esperança da vida eterna, pois Ele é o penhor da herança dada por Cristo Jesus: “N’Ele acreditastes e recebestes a marca do Espírito Santo prometido, que é a garantia da nossa herança, até o resgate completo e definitivo para louvor da sua glória” (Ef 1, 13-14). Ele revela aos nossos corações que de Deus nós somos filhos, devolve a dignidade e a convivência perdida pelo pecado original: “E a prova de que sois filhos é que Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: ‘Abbá, Pai!'” (Gl 4,6).

Ele é o nosso conselheiro nas dúvidas e nos mostra qual a vontade de Deus: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às Igrejas: ‘Ao vencedor darei como prêmio comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus'” (Ap 2,7). Anima-nos e levanta-nos do abatimento: “Deu-me o Senhor Deus uma língua habilidosa para que aos desanimados eu saiba ajudar com uma palavra. Toda manhã ele desperta meus ouvidos para que, como bom discípulo, eu preste atenção” (Is 50,4).

Ele é o nosso advogado contra o mundo, defensor contra o pecado e, principalmente, nos defende de nós mesmos quando não conhecemos os desígnios de Deus: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós” (cf. Jo 14,16-17). Sendo amigos do Espírito Santo, recorrendo a Ele, pedindo o socorro do Seu auxílio, chegaremos à vontade do Pai, cuja missão é imprimir em nossa alma, em nossa vida, a santidade:“Eleitos conforme a presciência de Deus Pai e pela a santificação do Espírito, para obedecerem a Jesus Cristo e serem aspergidos com o seu sangue” (I Pd 1,2). “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (I Ts 4,3).

“Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. Contra estas coisas não há lei” (cf. Gl 5, 16. 22-23).
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