20 novembro 2017

Diante das situações adversas, pense e aja de forma diferente


 Diante das situações adversas, pense e aja de forma diferente


             Sabe quando falam em dar uma resposta diferente diante de alguma situação?

Pensar diferente, agir diferente? Pois é, vira e mexe, eu me vejo nessas situações! Por vezes, é fácil fazer isso, principalmente quando amamos a pessoa que nos afetou. Porém, quando isso se torna algo constante ou uma situação um pouco mais séria, aí dói, porque nosso orgulho, muitas vezes, é maior do que a nossa capacidade de perdoar. E aí abrimos brecha para muitas coisas acontecerem.

Convido você, que ainda não leu a história de Santa Bakhita, a lê-la. É uma grande lição de superação e perdão!



Quando falo que coisas podem acontecer, estou falando de vários aspectos de nossa vida, desde pequenas perdas, as quais vamos carregando sem necessidade, até as grandes! Eu mesma já perdi amigos e oportunidades, e como é difícil aprender a perdoar, mesmo quando olhamos para a história dos santos e até mesmo para algum testemunho forte de conversão! Sei lá… É como se o erro não fosse nosso; então, não precisamos fazer nada.
Faça da adversidade um impulso para o céu

Deixe-me lhe contar uma coisa, pense comigo: se toda humilhação pela qual passamos for um degrau para o céu, quer dizer que estamos no caminho certo. Deveríamos até agradecer às pessoas que nos impulsionam! E se dermos uma resposta diferente, aí já virou uma corrida para o céu.

A receita eu não tenho, mas tenho aprendido com a vida que, a cada dia e a cada passo, somos capazes de pensar e agir diferente. Quando não fazemos isso, é como se estagnássemos, falássemos assim para Jesus: “Olha, Jesus, essa chance aí, que o Senhor está me dando, eu não a quero. Vou esperar outra”. E se não houver outra? E se nosso encontro com o Senhor estiver próximo? Então, percebemos que faltou só um ou dois degraus para chegarmos no céu. É difícil aceitarmos o cadinho da humilhação, mas mais difícil ainda é perdermos o céu.


Busque a santidade

Isso não é utopia nem coisa para santos, mas sim para quem busca a santidade, para pessoas de carne e osso, assim como eu e você.

Se colocarmos, na nossa cabeça, que o que realmente importa é o céu, as coisas pequenas do dia a dia ficarão fáceis de suportar, e as grandes (às vezes com um pouco de ajuda, é claro) não ficarão assim tão pesadas.

Ao longo da minha vida, já passei por várias situações, grandes e pequenas, fáceis e difíceis de suportar, mas posso dizer que estou vencendo, pois constato isso no meu crescimento como pessoa, como alguém que busca servir a Deus, que almeja o céu. Ao dizer isso, não digo que sou santa nem exemplo a ser seguido, digo apenas que, se eu consigo, você também consegue.

Sou humana, frágil, tenho meus desequilíbrios, porém, nada disso é maior que o meu desejo do céu.
Faça a experiência

Conheço uma música que diz assim: “Tudo posso. Deus me fortalece. As coisas velhas se foram, tudo novo se fará. Descobri o sentido de viver. Essa é a razão que me faz cantar: tudo posso em Deus que me fortalece”. Se pensarmos assim, ao menos um pouquinho do nosso dia, o fardo que carregamos se tornará mais leve.

Eu o convido a fazer essa experiência de viver um dia de cada vez, uma situação de cada vez. Quem sabe assim, os degraus para o céu se tornem mais fáceis de alcançar.

Estamos juntos nessa luta, nessa batalha. Tenho a certeza de que Deus caminha conosco e nos fará perceber Sua ação, até mesmo na miséria do outro.

Peça ao Espírito Santo que nos ajude, que revele a melhor forma de vivermos a situação que estamos vivendo, e que nos lembremos de que o céu é logo.
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18 novembro 2017

O que é ter fé e também ser uma de pessoa de fé?


           O que é ter fé e também ser uma de pessoa de fé?

                                            A Bíblia e a Igreja sobre o que é a fé

A Sagrada Escritura, na carta aos Hebreus capítulo 11 versículo 1, diz que “a fé é a garantia dos bens que se esperam, a prova das realidades que não se veem”. A fé é um dom de Deus, uma virtude sobrenatural infundida por Ele em nós, que nos certifica dos bens vindouros, como a promessa da vida eterna.

O Catecismo da Igreja Católica ensina que “a fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que Ele nos disse, revelou e a Santa Igreja nos propõe a crer, porque Ele é a própria verdade. Pela fé, “o homem livremente se entrega todo a Deus”. Por isso, o fiel procura conhecer e fazer a vontade d’Ele. “O justo viverá da fé” (Rm 1,17). A fé viva “age pela caridade” (Gl 5,6). (CIC. 1814).




Nessa perspectiva, a Igreja diz que “a fé é, primeiramente, uma adesão pessoal do homem a Deus; é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, o assentimento livre a toda verdade que Deus revelou” (CIC 150). Isso porque “a fé é a resposta do homem a Deus, que se revela e a ele se doa, trazendo, ao mesmo tempo, uma luz superabundante ao homem em busca do sentido último de sua vida” (CIC 26). Dessa forma, não é suficiente dizer que temos fé, mas é preciso responder, concretamente, com a vida o que Deus nos revelou, o seu amor e salvação: Jesus Cristo.

Com isso, para que o homem possa entrar em intimidade com Deus, numa experiência pessoal, o próprio Senhor quis “revelar-se ao homem e dar-lhe a graça de poder acolher esta revelação na fé. Contudo, as provas da existência de Deus podem dispor à fé e ajudar a ver que a fé não se opõe à razão humana.” (CIC. 35). Pois, como bem explicou o Papa João Paulo II: “a fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade.”
O que é ser uma pessoa de fé?

A carta aos Hebreus, no capítulo 11, após acentuar o que é , traz também instruções sobre o que é ser uma pessoa de fé.

“É pela fé que compreendemos que os mundos foram organizados por uma Palavra de Deus. Por isso é que o mundo visível não tem sua origem em coisas manifestas” (Hb 11,3). A pessoa de fé é aquela que crê na existência de Deus, que criou todas as coisas visíveis e invisíveis, e que é Ele o organizador de toda a criação.

“Foi pela fé que Henoc foi arrebatado (…). Antes de ser arrebatado, porém, recebeu o testemunho de que foi agradável a Deus. Ora, sem a fé é impossível ser-lhe agradável” (Hb 11,5-6). Uma pessoa de fé é agradável a Deus, porém, deve-se crer não pelos possíveis benefícios a serem recebidos, mas simplesmente por aquilo que Deus é.

“Foi pela fé que Noé, avisado divinamente daquilo que ainda não se via, levou a sério o oráculo e construiu uma arca para salvar a sua família” (Hb 11,7). Ser pessoa de fé é ouvir a Deus e colocar em prática aquilo que aos olhos humanos parece impossível. Assim como Noé, é preciso confiar no anúncio de Deus, que nos é direcionado diariamente.

“Foi pela fé que Abraão, respondendo ao chamado, obedeceu e partiu para uma terra que devia receber como herança, e partiu sem saber para onde ia” (Hb 11,8). Só quem crê, confia. A pessoa de fé obedece e responde a Deus, mesmo sem ter seguranças humanas e materiais, pois, como Abraão, é necessário caminhar na fé rumo à pátria celeste, que é o céu.

“Foi pela fé que também Sara, apesar da idade avançada, tornou-se capaz de ter uma descendência, porque considerou fiel o autor da promessa” (Hb 11,11). A fé nos faz perseverar nas promessas de Deus, que pode até tardar, mas não falha, porque para Deus nada é impossível.

“Foi pela fé que Moisés (…) deixou o Egito, sem temer o furor do rei, e resistiu como se visse o invisível. Foi pela fé que atravessaram o mar vermelho, como se fosse terra enxuta” (HB 11,24.27.29). Uma pessoa de fé acredita no ordinário e extraordinário, que leva a vislumbrar o que não se vê. Já que, também, “foi pela fé que as muralhas de Jericó caíram, depois de um cerco de sete dias” (HB 11,30).

Por fim, no Novo Testamento, o iniciador e consumador da fé, Jesus Cristo, é o exemplo por excelência de uma pessoa de fé, e é n’Ele que nós encontramos a plenitude do que devemos crer e realizar. Assim, é pela obediência da fé ao Cristo que conseguimos dar respostas a Deus. Mesmo sem ver, cremos, pois o próprio Jesus diz: “Felizes aqueles que creem sem ter visto” (Jo 20,29).
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16 novembro 2017

Experiências dolorosas do passado influenciam meu jeito de amar?


Experiências dolorosas do passado influenciam meu jeito de amar?

Será que alguma experiência dolorosa do passado continua exercendo influência sobre meu jeito de amar?

Já é tarde da noite e lá fora há um silêncio rural, interrompido somente pelo vento, e que hoje está mais forte, anunciando uma nova estação. A impressão que tenho é que tudo está tranquilo lá fora e aqui dentro de minha alma. Mas não seria só uma impressão?

O fato é que tenho, em minhas mãos, um livro que se tornou meu amigo e conselheiro nesses últimos dias. De autoria do pesquisador e escritor Roberto Shinyashiki e Eliana Dumêt, ele trata sobre diversos assuntos ligados ao relacionamento humano, inclusive o medo de amar. Paro na página que acabo de ler e começo a escrever como que a me certificar do que aprendi, mas também para partilhar com você, leitor, algo que, segundo imagino, lhe fará o mesmo bem que fez a mim. Você já sentiu medo de amar? De relacionar-se com profundidade? Sabe de onde vem esse medo?



O exemplo do camundongo

O escritor narra um experimento realizado pela Psicologia, que responde, de forma figurada, a esta e a outras perguntas ligadas a este assunto: o amor. Um cientista colocou um ratinho em uma gaiola para avaliar o comportamento dele. Ele conta que, no início, o animal ficou passeando de um lado para o outro, movido pela curiosidade. Ao sentir fome, dirigiu-se ao alimento depositado lá. No entanto, ao tocar no prato, no qual o pesquisador havia instalado um circuito elétrico, o animalzinho levou um grande choque, tão forte que, se não desistisse de o tocar, poderia morrer.

Depois do ocorrido, o camundongo correu na direção oposta ao prato. Se pudéssemos perguntar-lhe se ele estava com fome, certamente responderia que não, porque a dor provocada pelo choque, com certeza, faria com que desprezasse o alimento naquele momento. Depois de algum tempo, porém, o ratinho entrou em contato com a dupla possibilidade de morte: pelo choque ou pela fome. Contudo, quando a fome se tornou insuportável, o animal, vagarosamente, foi novamente em direção ao alimento. Nesse meio tempo, no entanto, o pesquisador desligara o circuito. O prato não estava mais eletrificado. Porém, quando quase iria tocá-lo, o ratinho teve a sensação de que levara um segundo choque. Houve taquicardia, os pelos ficaram eriçados e ele correu, mais uma vez, em direção oposta ao prato. Se lhe perguntássemos o que havia acontecido, a resposta seria: “Levei outro choque”. Embora a energia elétrica estivesse desligada, e ele não soubesse disso.

A partir desse momento, o ratinho vai entrando numa grande tensão e seu objetivo passa a ser o de encontrar uma posição intermediária entre o limite da fome e o da obtenção do alimento, para que tenha certa tranquilidade. Esse estado é chamado de ponto de equilíbrio, porque representa uma posição entre o se fazer alguma coisa, no caso alimentar-se, e, ao mesmo tempo, evitar um novo choque.
O choque de sentir-se rejeitado

É provável que você esteja se perguntando: o que isso tem a ver com medo de amar? Eu diria: Tudo!. Muitas vezes, vemos pessoas ou até nos vemos “tomando choque” sem nem mesmo tocar no “prato”. Basta analisar em quantas ocasiões sentimos vontade de convidar alguém para sair, conversar, ir à praia ou ao cinema, mas não fizemos nada disso temendo levar o “choque do ‘não'”! Ou ainda, quantas vezes deixamos de dizer às pessoas o quanto elas nos fazem bem e quanto as amamos, por medo de que o sentimento não seja recíproco e com isso nos sintamos rejeitados?

Segundo o pesquisador, isso é tomar um “choque sem tocar no prato”.

O fato é que experiências dolorosas do passado podem provocar um medo terrível de novos sofrimentos. O pior é que quase sempre esquecemos que nem todos os “pratos” estão eletrizados, ou seja, nem todas as pessoas têm as mesmas inseguranças ou outras fraquezas que, algum dia, nos deram um choque.

Segundo estudos científicos, a compreensão do que sentimos é o melhor estímulo de que precisamos para recomeçar.


Ir além do medo de novos sofrimentos

Talvez, hoje, seja o dia propício para fazer uma pausa e pensar: Será que alguma experiência dolorosa do passado continua exercendo influência sobre meu jeito de amar e sobre a profundidade de meus relacionamentos?

Amar é a primeira condição para estarmos em constante comunhão com Deus. Não temos o direito de nos privar dessa vocação maravilhosa que o Senhor imprimiu em nosso coração no ato da criação.

“Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. Quem não ama, não chegou a conhecer a Deus, pois Deus é amor” (cf. I João 4,7-8).

Que o Mestre do Amor nos encoraje a irmos além do medo e amarmos, com profundidade, aqueles que Ele, em Sua infinita bondade, aproxima de nós.
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14 novembro 2017

A oração é um caminho de intimidade com o Senhor


        A oração é um caminho de intimidade com o Senhor

                   A oração exige de nós esforço e constância, fidelidade e perseverança


É fantástico, fascinante e sedutor percorrer o caminho, a aventura da oração através dos séculos, da Palavra de Deus, dos santos, místicos e dos homens e mulheres que, sem nenhuma pretensão teológica, são autênticos mestres do diálogo com o Senhor da vida. Não há nenhuma faculdade que dê o título de orantes, místicos e mistagogos, embora muitas pessoas possam se apresentar orgulhosamente com esses títulos.

Só a humildade e a aprendizagem constantes nos fazem capacitados para errar. Só os que erram sentem que estão longe de poder dizer que rezam bem e por isso, buscam luzes e forças naqueles que foram consagrados pela Igreja como autênticos orantes. Meditar na vida e na doutrina de orantes de diversas épocas pode, sem dúvida, estimular-nos na nossa caminhada de encontro pessoal com o Senhor.




Cada um nos diz alguma coisa interessante, outros percorrem caminhos diferentes, mas o ponto de partida e chegada é sempre o mesmo. O que muda são os meios, os métodos.
O ponto de partida

A nossa realidade humana, finita, pobre, limitada, ao sentir-se atraída por uma força violenta, busca a serenidade, o ilimitado, o completo, e sabe que isso só pode existir dentro de si, mas, ao mesmo tempo, vem de alguém que é maior e que está dentro e fora dela. É totalmente outro, o diferente que, em Jesus de Nazaré, faz-se um de nós, reveste-se de nossa carne, vive conosco para nos ensinar como devemos rezar, viver, assumir a vida, partilhar e manifestar o amor até às últimas consequências: ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos (Jo 15,13).


O ponto de chegada

Sempre o ponto de chegada da oração será o amoroso encontro com Deus, o diálogo com Ele sobre o amor, é tornar-se amigo íntimo do Senhor. A oração tem essa finalidade e nada mais. Não é, portanto, quantitativa, mas qualitativa. Deus vê o nosso coração e espera encontrar em nós o amor. Para nos colocarmos face a face com Ele, necessitamos de fé, silêncio e amor, de uma forte esperança, que não permita desanimar diante dos múltiplos silêncios de Deus.

Temos visto que dialogar com Deus exige esforço e determinação da nossa parte. Não é fácil, exige exercício constante. Como em todas as coisas, sem perseverança não se chega a nada. Também, na oração, as palavras-chave são fidelidade e perseverança ao projeto assumido. Nunca deixar de rezar, mesmo que nada se perceba e nada sinta. Sempre a oração deve estar no centro das nossas atividades.
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12 novembro 2017

É preciso disciplina para revisar e organizar a vida interior


  É preciso disciplina para revisar e organizar a vida interior

É importante retomarmos a disciplina e a organização, das mínimas às grandes coisas que envolvem nossa vida


A Canção Nova, em seu caminho de formação permanente, segue este tema: “A disciplina gera santos, porém, sem disciplina não há santidade” (Dom Gambino). Celebrar essa graça é celebrar a vida, tornar cada hora significativa, preencher os meses e minutos com sentidos que ultrapassam a rotina e a mesmice.

Queremos fazer um caminho de volta às nossas origens, retomar o ardor, reavivar o encontro com Jesus, Senhor da nossa história. Retomar a vida com Deus, princípio de toda nossa vida; retomar a vida comunitária e voltar às origens pelo caminho da disciplina.




Organização e disciplina

Para que a disciplina aconteça, é necessário que haja organização. Assim, começamos definindo o que vem a ser disciplina: “Regime de ordem imposta ou mesmo consentida. Ordem que convém ao bom funcionamento de uma organização. Relações de subordinação do aluno ao mestre. Submissão a um regulamento” (Dicionário Aurélio).

Precisamos revisar nossa vida, organizá-la em todos os sentidos: em Deus, no nosso trabalho, nosso interior e nossa casa. Enfim, faz-se necessário começarmos por essa retomada de organização, das mínimas às grandes coisas que envolvem nossa vida.

Padre Jonas Abib nos ensina que, em nossa vida, nada deve ficar entulhado. Não podemos terminar o nosso dia sem estarmos reconciliados com Deus, com nós mesmos e nossos irmãos. Ele nos diz também que a semana tem um dia especial, que nos ajuda a nos revermos, o Dia do Senhor, o domingo.

Não podemos carregar “entulho” de uma semana para outra. Deus nos dá a graça de revermos nossa vida, revermos aquilo que, em nossa caminhada, não foi bom durante a semana. Revermos nossas dificuldades, nosso crescimento e relacionamento com Deus e com os outros. Rever em que ponto estamos da nossa vida espiritual.


Revisão de vida, intimidade com o Senhor

A revisão de vida nos leva a uma maior intimidade com o Senhor e acalma nosso interior agitado. Ela nos faz perceber a ação da Providência Divina em nossa vida e constitui orientação para o nosso apostolado. O Concílio Vaticano II nos aponta que a Igreja está no mundo, nem fora nem separada dele, exorta os cristãos a não se retirarem da luta do dia a dia, mas a discernirem os sinais dos tempos, a colaborarem com todos na construção de um mundo mais humano e a olharem o mundo com os olhos de Deus.

Enfim, a revisão de vida é a reflexão cristã realizada com o fim de adquirir a visão cotidiana em sintonia com o olhar que o Pai contempla o mundo, tendo em vista a realização de Seu projeto de salvação. É um olhar de fé viva, que reafirma o valor de nossa vida aos olhos de Deus e revela o chamado divino dentro dos acontecimentos cotidianos. Deus está em tudo e tem o controle de todas as coisas em Suas mãos.
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10 novembro 2017

Ao removermos nossos escombros, damos passos para a cura


Ao removermos nossos escombros, damos passos para a cura

                                       Ainda há vida por debaixo dos escombros?

“É preciso que não desanimemos de maneira nenhuma; antes, empreendais com calma, cuidado e com uma coragem cheia de paciência, a tarefa de curar a vossa alma das feridas que tenha recebido na batalha” (São Francisco de Sales).

Algo que hoje, infelizmente, tem impedido muitas pessoas de fazerem a experiência com o amor e a misericórdia de Deus para com si mesmo é a dificuldade de lidar com o que podemos chamar de escombros existenciais.



Conforme a Sagrada Escritura, podemos tomar como referência o povo hebreu na história da salvação, que, com o tempo, se cansaram de Deus, esqueceram-se da Mão Forte que os tirou da escravidão, porque caíram nas malhas da sedução e da corrupção do pecado. Contaminaram-se, prostituíram-se, curvaram-se diante dos deuses pagãos e romperam a aliança com Deus.

“Não esqueceis a Aliança que firmei convosco, nem venereis deuses estrangeiros, mas venerai o Senhor, vosso Deus, e ele vos salvará da mão dos vossos inimigos. Eles, porém, não deram ouvidos, e continuaram conforme seu antigo costume” (2Rs 17,38-40).

Como consequência das más escolhas, Jerusalém, a amada e eleita, acabou por terra, incendiada. O Templo Sagrado, morada de Deus, foi invadido, profanado, roubado e destruído. O lugar que o Senhor quis habitar, estar no meio do Seu povo, era somente escombros. Como um pai ou uma mãe, que, mesmo com o coração partido, precisa disciplinar o filho por meio de uma correção ou castigo, Deus agiu energicamente com Seu povo. Era preciso que este passasse por um castigo, resultado de suas próprias escolhas. Aqui é importante ressaltarmos as escolhas.
A liberdade de escolha

Recordo-me do filósofo dinamarquês Sören Kierkegaard (1813-1855) quando apresenta a angústia existencial humana proveniente das escolhas. O homem, que se volta para a satisfação dos seus desejos, que mergulha em uma vida desregrada e permite-se envolver pelas paixões, no primeiro momento, não tem plena consciência da complexidade na qual está se envolvendo, pois está imerso na saciedade de seus desejos.

Kierkegaard aprofunda nessas questões em seus escritos e aponta o resultado do homem que não põe limites na busca pela saciedade de suas paixões e desejos; e acaba tomado por uma escuridão e um vazio por não encontrar a saciedade que procura; e, então, depara-se com a angústia.

Segundo o filósofo, o vazio existencial que o homem experimenta é uma consequência de sua própria liberdade de escolha, que, ao se deparar com a superficialidade de sua realização, encontra-se confinado ao desespero. Kierkegaard aponta a saída para essa realidade como um salto, um impulso que se deve dar para sair desse poço escuro. Mais uma vez, as escolhas e a oportunidade de uma revisão, de um reconhecimento dos erros. Nesse sentido, partindo da filosofia de Kierkegaard, podemos comparar com as exortações de Deus para com o povo, que se afastasse da vida de corrupção e iniquidade. No entanto, pela liberdade, o homem pode querer ou não olhar para dentro de si e voltar para Deus. Kierkegaard acena para essa necessidade: o salto de um reconhecimento dos erros e um salto para Deus.
Remover os escombros: o passo para a cura

Nesse árduo caminho da vida, deparamo-nos com nossos escombros existenciais, com as pedras – e estas não são poucas! São elas as nossas fraquezas e maldades, nossos limites e a incapacidade que tocamos em nossa impotência. Não somos tão fortes assim; precisamos de coragem para encarar nossa verdade. E se não estivermos bem firmes na Rocha, que é Deus, acabamos em escombros e desmoronamos.

Impressionante o que acontece com aqueles que estão imersos nas trevas! Uma pessoa em penumbra não é capaz de enxergar nenhuma possibilidade, apenas de entrega ao desespero, como Kierkegaard nos apresentou. É uma pessoa confinada apenas à derrota, não vendo saída para mais nada. Apenas como que soterrada pelos escombros de sua vida, que desabou sem possibilidade de sobrevivência.

É nessa armadilha que o demônio tem investido e na qual tantos têm caído e morrido. Muitos já se deram por vencidos, não têm expectativas. Quantas pessoas viveram uma experiência com Deus, mas, hoje, por tomarem de volta a vida velha, acabaram por se encontrar com suas próprias fraquezas! Já não se veem mais dignas de voltar para Deus; fecham-se, então, à Luz, que é o próprio Cristo, e trancam-se no quarto escuro do peso e da falta de perdão a si próprio.

Lançando o olhar para essa imagem dos escombros, vem-me à mente aqueles acontecimentos de prédios, construções que sofreram desabamentos, que vieram abaixo por explosões ou acidentes. A equipe de resgate está realizando seu trabalho no lugar dos escombros. Que triste quando conseguem encontrar os corpos já sem vida! Quando, no entanto, vemos aquelas imagens do resgate de pessoas vivas, que estavam horas debaixo daqueles escombros, contemplamos um milagre. São crianças sendo resgatadas, que resistiram e saíram com vida. Meu Deus, que alegria!

Assim acontece conosco quando estamos debaixo dos escombros de nossa vida. Não é o ponto final. Podemos escolher entre permanecer soterrados ou gritar por socorro. Podemos nos render ou buscar dentro de nós a força para suplicar ajuda em sair das pedras. Precisamos ter a coragem de remexer os escombros e não nos contentarmos com a realidade na qual nos encontramos.

Em momentos de nossa vida, somente podemos nos enxergar como um poço de lepras, indignos de Deus. Mas Ele, em sua infinita Misericórdia e Amor, estende Sua Mão como os bombeiros em resgate e vem nos dizer: “Coragem! Ainda há vida por debaixo dos escombros!”.
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08 novembro 2017

O que fazer com uma imagem sacra que foi abençoada, mas se quebrou?


O que fazer com uma imagem sacra que foi abençoada, mas se quebrou?

                      Posso jogar fora uma imagem sacra abençoada que quebrou?

Antes de pontuar o que se pode fazer com uma imagem sacra que se quebrou, é válido destacar a importância e o valor das imagens na Igreja. Começo recordando que católico não adora imagem, mas tem por ela veneração. São João Damasceno diz que “antigamente, Deus, que não tem corpo nem aparência, não podia em absoluto ser representado por uma imagem. Mas, agora que se mostrou na carne e viveu com os homens, posso fazer uma imagem daquilo que vi de Deus. (…) Com o rosto descoberto, contemplamos a glória do Senhor” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1159).



Nessa perspectiva, o Catecismo da Igreja ensina que, “na trilha da doutrina divinamente inspirada de nossos santos padres e da tradição da Igreja Católica, que sabemos ser a tradição do Espírito Santo que habita nela, definimos, com toda certeza e acerto, que as veneráveis e santas imagens […] devem ser colocadas nas santas igrejas de Deus, nas casas e nos caminhos, tanto a imagem de Nosso Senhor, Deus e Salvador, Jesus Cristo, como a de Nossa Senhora, a puríssima e santíssima Mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e dos justos” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1161). A Igreja sempre valorizou tais práticas que conduzem para o próprio Deus.
Como dispensar com zelo imagens sacras abençoadas quebradas?

Um primeiro ponto a ser observado em relação a uma imagem sacra que se quebrou é verificar a possibilidade de restaurá-la, se assim for oportuno. Após uma avaliação do estado da imagem e não havendo uma possibilidade ou interesse em sua restauração, o próximo passo seria utilizar a forma mais coerente de se desfazer do objeto levando em conta seu significado.

A sugestão é que não há “necessidade” de se levar as imagens quebradas para depositar nas igrejas, cemitérios, jogar em rios ou em outros lugares, mas elas podem ser trituradas e enterradas no jardim ou em um vaso de sua casa. O sentido é evitar a possibilidade de as imagens que foram abençoadas serem escarnecidas, ao serem jogadas no lixo com indignidade ou deixadas em lugar indevido.

Com isso, deve-se desfazer das imagens danificadas de forma que o seu valor espiritual e significado religioso não sejam afetados, evitando qualquer sinal de desrespeito.

Dizia São João Damasceno que “a beleza e a cor das imagens estimulam minha oração. É uma festa para os meus olhos, tanto quanto o espetáculo do campo estimula meu coração a dar glória a Deus”. Assim, a função tanto das imagens abençoadas quanto dos ícones santos em boas condições é entrar “na harmonia dos sinais da celebração, para que o mistério celebrado se grave na memória do coração e se exprima em seguida na vida nova dos fiéis” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1162). Portanto, uma imagem que está quebrada ou danificada não atinge todo o seu objetivo, por isso pode ser dispensada sem nenhum problema.
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06 novembro 2017

Qual é a importância das artes sacras nas igrejas?


          Qual é a importância das artes sacras nas igrejas?

                                As artes transmitem a fé e surgem dessas experiências

As artes religiosas são dirigidas para promover o louvor e a glória a Deus, guiando os pensamentos dos fiéis e agindo sobre seus sentidos. As obras criadas pela inspiração religiosa transmitem a fé e a piedade que convêm à majestade da casa de Deus. O artista que professa uma fé verdadeira edifica sua obra como um ato próprio de culto e religião, alimentado pelo amor de Deus e colocando seu talento a serviço da Igreja de Jesus Cristo. A obra que surge de um ato de fé inspira a fé.

O Papa João Paulo II escreveu, na solenidade da Páscoa da Ressurreição do ano de 1999, a ‘Carta aos Artistas’, e juntamente com o significado divino da vocação artística, expressou a mais completa catequese: “A verdade é que o cristianismo, em virtude do dogma central da encarnação do Verbo de Deus, oferece ao artista um horizonte particularmente rico de motivos de inspiração. Que grande empobrecimento seria para a arte o abandono desse manancial inexaurível que é o Evangelho!”. Certamente, a beleza da arte sacra é inquestionável, a exemplo da Capela Sistina, obra das mãos humanas de Michelangelo, mas que não deixa dúvidas da inspiração divina; e para promover essa experiência de fé, o site do Vaticano permite um tour virtual pela Capela Sistina.



Os evangelistas Mateus, Marcos e João relatam a história da mulher que despejou sobre Jesus Cristo um perfume caríssimo. Indignados, os que presenciaram a cena – havendo discípulos entre eles – começaram a criticar a mulher. Ora, o perfume despejado representava uma quantia muito alta! No Evangelho de Marcos, lemos o valor de trezentos denários, o que seria de muita ajuda aos pobres. A mulher é questionada: “A troco de que esse desperdício?” (Mt 26,8), e a resposta lhes é dada diretamente por Jesus: “Ela, de fato, praticou uma boa ação” (Mt 26,10). Em verdade, as artes sacras são entendidas como obras de grande valor financeiro por aqueles que não se comprometem com a fé. Sem a devida devoção, enxergar tamanha beleza apenas com olhos, sem entregar-se de coração, faz com que muitos, ainda hoje, questionem as obras de alto valor.
Inspirações de fé

Seguindo a lição de Jesus Cristo, as artes sacras representam boas ações, dirigidas a inspirar a fé pelos sentidos humanos. São obras criadas pelas mãos de artistas inspirados por Deus. Tais obras, de fato, atingem um valor inestimável, mas que não podem ser diminuídas a algo simplesmente comercial. As artes sacras representam devoção e adoração a Deus. Não há entre a medida dos homens valor suficiente para alcançar a glória de Deus. Não há, portanto, um valor que faça justiça à fé que inspira as obras sagradas. Ao contemplar uma arte sacra, façamos com a devida devoção, sem nos deixar cegar pelos valores mundanos. Assim nos ensina o Catecismo da Igreja Católica: “A verdadeira arte sacra leva o homem à adoração, à oração e ao amor de Deus, Criador e Salvador, Santo e Santificador” (§2502).

Na Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium, o Papa Paulo VI descreve a natureza da arte sacra e as alfaias litúrgicas: “Entre as mais nobres atividades do espírito humano estão, de pleno direito, as belas artes, e muito especialmente a arte religiosa e o seu mais alto cimo, que é a arte sacra. Elas tendem, por natureza, a exprimir, de algum modo, nas obras saídas das mãos do homem, a infinita beleza de Deus, e estarão mais orientadas para o louvor e glória de Deus, se não tiverem outro fim senão o de conduzir piamente e o mais eficazmente possível, por meio das suas obras, o espírito do homem até Deus”.


Ao apreciar uma arte sacra, busquemos a inspiração de fé e devoção que o artista dedicou ao serviço de Deus. Na admiração, encontramos a beleza nobre do espírito da arte sacra nas vestes, nos ornamentos e nos edifícios sagrados. A Igreja sempre cuidou para que as obras sagradas colaborassem para a dignidade e a beleza do culto, pela seleção das artes honrosas que representam verdadeiro sinal e símbolo de fé. Nessa honra e beleza, inspiramos nosso culto a Deus, dedicando toda honra e toda a glória, agora e para sempre.
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04 novembro 2017

Em tempos difíceis como viver da Divina Providência?


       Em tempos difíceis como viver da Divina Providência?


                  Acredite e confie na Divina Providência nos momentos de dificuldade

Lidar com a falta de recursos é algo de que, atualmente, não conseguimos escapar. Seja pela nossa própria realidade, pelas publicações na internet ou pelas conversas a nossa volta, a verdade é que, onde quer que estejamos, o assunto parece inevitável. E mesmo que tenhamos o desejo de nos manter otimistas, acabamos contagiados pelas lamentações. Com isso, inevitável também é o sentimento de medo e insegurança que a crise provoca. Por fim, vem a pergunta: “O que posso fazer diante dessa realidade? Será que existe uma saída?”.

A boa notícia é que existe sim uma saída e ela tem um nome: Divina Providência. Aliás, você sabe o que significa Divina Providência? Teologicamente, quer dizer o poder e a sabedoria suprema de Deus com a qual ele governa todas as coisas e pessoas. Em outras palavras, é uma experiência de fé que nos desafia a fazermos o que está ao nosso alcance, mas, ao mesmo tempo, a nos abandonarmos totalmente nas mãos de Deus, deixando-nos conduzir por Ele em todos os aspectos, certos de que “uma vez que o amamos, tudo concorre para o nosso bem” (Romanos 8,28). Nesse sentido, viver da Divina Providência significa ainda aceitar a vontade de Deus, mesmo que ela seja contrária as nossas expectativas; até porque são as provas que vivemos que nos fazem valorizar o essencial. Basta lembrar, por exemplo, o quanto valorizamos a saúde após a doença, o trabalho depois do desemprego e poderia citar tantos outras situações que vivemos na dor, mas que nos tornaram pessoas melhores após a superação. Perdas e ganhos fazem parte da arte de viver, o que não podemos é parar diante de desafios como a crise financeira, por exemplo.



Vença a crise e não desanime

Madre Teresa, ao falar a esse respeito, ensina-nos que não podemos deixar que enferruje o ferro que existe em nós. “Quando não conseguir correr através dos anos, trote. Quando não conseguir trotar, caminhe. Quando não conseguir caminhar, use uma bengala. Mas nunca pare”, diz ela com toda sabedoria própria de quem passou por este mundo fazendo sua parte, porém, confiando seguramente nos desígnios de Deus. Acredito que essa seja a receita ou, pelo menos, uma boa dica para quem deseja viver da Divina Providência em nossos dias, ou seja, fazer o que nos compete a cada instante – nem menos, porque seria negligencia; nem mais, porque o que não está ao nosso alcance, Deus não nos pede que façamos –, e confiar seguramente na ação divina, que pode até tardar de acordo com nossas expectativas, mas nunca falha, porque Ele é rico em generosidade.

Outro aspecto que considero importante, nesse sentido, é assumir a verdade. Não é fácil reconhecer que estamos vivendo um momento de crise, seja ela qual for, mas sem esse passo não tem como dar outros. A verdade dita do jeito certo sempre liberta. Portanto, se a crise material envolve a família, é fundamental que todos, independente da idade, saibam e colaborem com as mudanças que ela exige. Precisamos ter a coragem, por exemplo, de nos perguntarmos diante de algo que queremos: será que, realmente, preciso disso? Ao mesmo tempo, ajudarmos nossos filhos a repensarem também suas escolhas, lembrando que ninguém pode ter tudo que deseja neste mundo, e saber escolher hoje é condição fundamental para a felicidade futura.

Ser agradecido pelo que possui também é muito importante para experimentar a ação de Deus. Às vezes, focamos nossa atenção no que falta, mas nos esquecemos de agradecer o que já temos. Na verdade, deveríamos agradecer a Deus sempre, inclusive por aquilo que não recebemos, pois, se tivermos a paciência necessária com o tempo, acabamos por perceber que o que tanto pedimos, na verdade, não seria o melhor para nós. Então, em todo caso, é preciso confiar, antes de tudo, no amor de Deus e agradecer. Até porque, as Sagradas Escrituras nos lembram que “se Deus cuida das aves do céu e dos lírios do campo, muito mais cuidará de nós que somos seus filhos.” (Mateus 6,26) E como é bom saber que temos um Pai que nos ama e está disposto a nos ajudar também em meio às provas que a vida oferece! Portanto, confiemos em seu amor e deixemo-nos conduzir por Ele, pois a confiança é importante em todos os sentidos, e para viver da Divina Providência é fundamental.
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02 novembro 2017

Finados: Somente a fé é capaz de dar significado a esta data



  Finados: Somente a fé é capaz de dar significado a esta data


A Mãe Igreja, ao relembrar os defuntos, convoca a todos para confrontar-nos com o enigma da morte


Para alguns, finados é um feriado gostoso, ocasião de sair para esfriar a cabeça. Para outros, é dia de lembrar tudo, menos a morte ou as pessoas que já faleceram. Para outros, ainda, é um dia trágico, pois, de certa forma, antecipa a cada ano o que seremos todos um dia. Mas, graças a Deus, para muitos, é um dia de esperança e comunhão com quem amamos e continuamos a amar, apesar de termos perdido sua presença física neste mundo, chamado vale de lágrimas.





Este dia nos convida a refletir, não sobre a morte e, sim, sobre a vida. O nosso Deus é o Deus dos vivos e não dos mortos. As pessoas que já partiram desta vida não estão mortas; para Deus, elas não estão mortas e, portanto, nossa oração pode atingi-las ainda. É por isso que rezamos por essas pessoas no transcorrer do ano e dedicamos um dia especial a elas.

Ao rezar pelas pessoas que não estão mais presentes no meio de nós, quem sabe se, neste dia, graças às nossas orações e preces, elas não foram purificadas definitivamente e entraram na alegria de Deus? Ele quer a vitória sobre a morte pela morte de Jesus Cristo. Só a fé em Jesus Cristo morto por nós pode vencer a morte.


Somente a fé verdadeira é capaz de dar um novo significado a toda a nossa vida. Como diz o texto do Evangelho: Aquele que vem a mim nunca terá fome, aquele que crê em mim nunca terá sede. Podemos acrescentar: Aquele que crê em mim e vem a mim possuirá a vida eterna. Por isso rezemos pelos nossos irmãos defuntos na firme certeza de que um dia os nossos sucessores também rezem por nós!


A Mãe Igreja, ao relembrar os defuntos, convoca a todos para confrontar-nos com o enigma da morte e, por conseguinte, como viver bem, como encontrar a felicidade. E este Salmo responde: bem-aventurado o homem que doa; bem-aventurado o homem que não usa a vida para si mesmo mas partilha; feliz o homem que é misericordioso, bom e justo; feliz o homem que vive do amor de Deus e do próximo. Assim vivemos bem e não devemos ter receio da morte, porque estamos na felicidade que provém de Deus


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01 novembro 2017

Uma reflexão sobre o dia de todos os santos


           Uma reflexão sobre o dia de todos os santos


O dia de todos os santos tem um papel importante na Igreja, refletir sobre ele pode dar um novo sentido à vida

O calendário da Igreja nos oferece, neste final de semana, duas faces da magnífica medalha cunhada por Deus, que é a nossa vida, o Dia de todos os Santos e a Comemoração dos Fiéis falecidos. Olhamos primeiro para o ponto de chegada, que corresponde ao magnífico destino para o qual fomos criados: a plenitude da vida e da felicidade junto de Deus, “uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar” (Ap 7, 9). Temos a certeza de que Ele não fez ninguém para a perdição, todos têm em si a vocação para a plena realização de todas as suas potencialidades. Tanto é verdade que o Pai do Céu enviou o próprio Filho, como nosso Salvador e Redentor, para que todos tenham vida, e vida em abundância (cf. Jo 10,10).

Vida plenamente humana é aquela que enxerga o horizonte aberto pelo próprio Deus. A Solenidade de todos os Santos indica a perspectiva da existência marcada por uma realidade descoberta pela fé: “Desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é” (1 Jo 3,2).

Santidade é para todos! Se nos alegramos com a iminente canonização de dois Papas do nosso tempo, os Beatos João XXIII e João Paulo II, é para que sejam reconhecidos como referência e como possibilidade. São duas personalidades carregadas de humanidade, cujo percurso histórico nesta terra teve muito de parecido conosco. São homens que vieram de famílias muito simples, lutaram e amadureceram em tempos de desafios grandes, com a provocação das ideologias do século XX. Souberam dialogar com a cultura de nossa época, alegraram-se e sofreram com as mesmas realidades que até hoje nos envolvem.



Percorreram o caminho dos bem-aventurados, de olhos fixos n’Aquele que é “O Bem-aventurado”, Jesus Cristo: os pobres em espírito, dos quais é o Reino dos Céus; os aflitos, que serão consolados; os mansos, porque possuirão a terra; os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados; os misericordiosos, que alcançarão misericórdia; os puros de coração, porque verão a Deus; os que promovem a paz, chamados filhos de Deus; os que são perseguidos por causa da justiça, de quem é o Reino dos Céus! Homens e mulheres que se descobriram felizes quando injuriados e perseguidos por causa de Cristo. Pessoas portadoras de uma alegria invencível, certos da recompensa nos céus (Cf. Mt 5, 1-12).

A santidade, vocação universal dos cristãos, começa com coisas simples. João XXIII registrou, em seu diário íntimo, um caminho bom para todos, adequado para uma festa de Todos os Santos bem vivida, chamado “Decálogo da serenidade”: 1. Procurarei viver pensando apenas no dia de hoje, exclusivamente neste dia, sem querer resolver todos os problemas da minha vida de uma só vez; 2. Hoje, apenas hoje, procurarei ter o máximo cuidado na minha convivência, cortês nas minhas maneiras, a ninguém criticarei, nem pretenderei melhorar ou corrigir à força ninguém, senão a mim mesmo; 3. Hoje, apenas hoje, serei feliz. Na certeza de que fui criado para a felicidade, não só no outro mundo, mas também já neste; 4. Hoje, apenas hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias, sem pretender que sejam todas as circunstâncias a se adaptarem aos meus desejos; 5. Hoje, apenas hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, recordando que assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, a boa leitura é necessária para a vida da alma; 6. Hoje, apenas hoje, farei uma boa ação, e não direi a ninguém; 7. Hoje, apenas hoje, farei ao menos uma coisa que me custe fazer, e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba; 8. Hoje, apenas hoje, executarei um programa pormenorizado. Talvez não o cumpra perfeitamente, mas ao menos o escreverei, e fugirei de dois males, a pressa e a indecisão; 9. Hoje, apenas hoje, acreditarei firmemente, embora as circunstâncias mostrem ao contrário, que a Providência de Deus se ocupa de mim, como se não existisse mais ninguém no mundo; 10. Hoje, apenas hoje, não terei nenhum temor, de modo especial não terei medo de gozar o que é belo, e de crer na bondade.

A santidade que começa com muita simplicidade, é destinada a fazer o bem aos outros. Não é feita para aparecer, não se incha de orgulho. Sua motivação de fundo é a caridade, sem a qual nada vale neste mundo. Até porque é apenas a caridade que será levada para o encontro definitivo com Deus, “o lado de lá”, quando veremos face a face o Senhor. Ela é uma aventura feliz e bem-sucedida, construída no dia a dia e unificada pelo fio de ouro do amor de Deus, que nos faz ver o sentido de tudo o que vivemos. De fato, tudo concorrerá para o bem dos que amam a Deus (Cf. Rm 8, 29)! O Livro do Apocalipse vê uma imensa multidão, de toda língua, raça, povo e nação, “os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro” (Cf. Ap 7, 2-14).

O “lado de lá” é preparado pelo “lado de cá” bem vivido, com o qual os homens e as mulheres se preparam para a páscoa pessoal, enfrentando todas as dificuldades e ultrapassando o misterioso e também magnífico umbral da morte. Como ninguém ficará para semente nesta terra, ocorre meditar sobre esta realidade, tomar consciência de sua seriedade e preparar-se bem. Morremos do jeito que vivemos. Nossa morte e nosso céu se constroem no dia a dia, para que o Dia do Senhor não nos surpreenda, mas nos encontre vigilantes e preparados!

Ninguém precisa ficar preocupado com a morte, mas viver bem, amando a Deus e ao próximo, semeando o bem e a bem-aventurança. E quando a morte chegar, será a oportunidade de virar o jogo! O segredo está, também aqui, em nosso Salvador: “Ninguém tira a minha vida, eu a dou livremente” (Jo 10,18). Vale a pena antecipar a morte! Sim, morrendo cada dia para o egoísmo e para a maldade, transformando em dom a Deus e aos outros cada ato de nossa existência. Quem viver assim poderá dizer com São Paulo: “Para mim, de fato, o viver é Cristo e o morrer, lucro. Ora, se, continuando na vida corporal, eu posso produzir um trabalho fecundo, então já não sei o que escolher. Estou num grande dilema: por um lado, desejo ardentemente partir para estar com Cristo – o que para mim é muito melhor; por outro lado, parece mais necessário para o vosso bem que eu continue a viver neste mundo” (Fl 1,21-24).

Que cheguemos a tais alturas: “Sabemos que, se a tenda em que moramos neste mundo for destruída, Deus nos dá outra moradia no céu, que não é obra de mãos humanas e que é eterna. Aliás, é por isso que gememos, suspirando por ser sobrevestidos com a nossa habitação celeste; sobrevestidos digo, se é que seremos encontrados vestidos e não nus. Sim, nós que moramos na tenda do corpo estamos oprimidos e gememos, porque, na verdade, não queremos ser despojados, mas sim sobrevestidos, de modo que o que é mortal em nós seja absorvido pela vida. quem nos preparou para isto é Deus, que nos deu seu Espírito em garantia. Estamos sempre cheios de confiança e bem lembrados de que, enquanto moramos no corpo, somos peregrinos, longe do Senhor; pois caminhamos pela fé e não pela visão. Mas estamos cheios de confiança e preferimos deixar a moradia do nosso corpo, para ir morar junto do Senhor” (2 Cor 5, 1-8).
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31 outubro 2017

A riqueza da leitura meditada e orante da Palavra de Deus


    A riqueza da leitura meditada e orante da Palavra de Deus


                               A leitura da Palavra de Deus deve ser meditada diariamente


Descrevemos, com curiosa naturalidade, nosso cotidiano como “corrido”, em uma rotina na qual não nos sobra muito tempo. Mas há uma preocupação em especial à qual devemos nos atentar: será que nossas orações diárias fazem parte da nossa rotina como qualquer outra tarefa?

Sabemos, com certeza, que a oração é importante para nos fortalecer diante dos desafios do dia a dia. É preciso entregar-se à Providência Divina, confortar o coração com as palavras de clamor e afastar as preocupações, entregando o futuro nas mãos de Deus. Mas não somos apenas nós que falamos com Deus, dirigindo a Ele nossas orações, também Ele fala conosco nas Sagradas Escrituras. A leitura meditada e orante da Palavra nos ajuda a nos entregarmos, de coração manso e humilde, a ouvir Deus falar conosco.



Jesus Cristo nos ensina: “Maria escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada” (Lc 10,42). Essas palavras foram dirigidas a Marta, que acolheu Jesus Cristo em sua casa e pôs-se a providenciar todo o tipo de afazer doméstico; enquanto sua irmã, Maria, estava sentada aos pés de Jesus e ouvia Suas Palavras.
Os afazeres diários não podem nos afetar

Ora, devemos pensar no quanto nós mesmos nos deixamos ocupar por diversos afazeres, deixando de sentar, ouvir e meditar o Evangelho. Nossas orações e nossas leituras das Sagradas Escrituras não podem se tornar mais um dos afazeres diários que realizamos sem a devida espiritualização. E uma forma de entrega à Palavra de Deus, por meio de uma leitura atenta e profunda, é chamada de Lectio Divina.
Deus fala conosco

Nas palavras do Santo Papa João Paulo II: “Elemento essencial da formação espiritual é a leitura meditada e orante da Palavra de Deus (lectio divina), é a escuta humilde e cheia de amor d’Aquele que fala”. A Lectio Divina é uma leitura que se faz da Bíblia, de uma passagem um pouco mais longa, que se acolhe de coração como a Palavra de Deus dirigida a nós. Se, na oração, falamos com Deus, na leitura da bíblia, Deus fala conosco.

Pode ser realizada de uma forma pessoal, tomando a Palavra como um encontro particular com Deus, que escutamos enquanto lemos e respondemos em oração. Em grupo, a leitura orante deve trazer consigo a inspiração das práticas da comunidade, como exercícios espirituais, retiros, devoções e experiências religiosas.

Não nos deixemos enganar, pensando que a Lectio Divina é uma leitura direcionada apenas às pessoas consagradas, para as comunidades paroquiais ou para as associações e movimentos da Igreja. Sendo certo que a leitura orante representa um encontro íntimo com a Palavra de Deus, ela se mostra uma importante prática para fortalecimento da fé do mais culto clérigo até o mais simples paroquiano.

É bem verdade que exige uma catequização adequada para que se possa compreender bem do que se trata a lectio divina, e que contribua para esclarecer seu sentido litúrgico. Mas, de forma nenhuma, isso deve afastar o cristão de sua prática.
Meditação da Palavra

O ideal seria que cada comunidade organizasse um grupo de leitura orante da Palavra, que pudesse levar a prática de lectio divina a um número cada vez maior de cristãos. Para que haja uma correta orientação, o Sínodo dos Bispos, em sua XII Assembleia Geral Ordinária, tratou da “Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”, dedicando um capítulo para abordar a lectio divina. Também podemos facilmente encontrar, no site da Santa Sé, as meditações da prática da leitura orante pelo Papa Bento XVI, que servirão de inspiração àqueles que desejam aderir à prática.

Nas mensagens do Papa Francisco, também podemos descobrir que “A lectio divina introduz a conversação direta com o Senhor e desvela os tesouros da sabedoria. A amizade íntima com Aquele que nos ama torna-nos capazes de ver com os olhos de Deus, de falar com Sua Palavra no coração, conservar a beleza dessa experiência e partilhá-la com quantos têm fome de eternidade”.

Ao realizarmos a leitura da Palavra de Deus com o coração calmo e entregue a ouvir o que Deus tem a nos dizer diretamente, estamos nos fortalecendo em uma fé consistente, que nenhum desafio cotidiano possa abalar, nem por um minuto. Desejo que nossas comunidades e cada um de nós tenha a clareza e ocasião de “escolher a melhor parte”.
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29 outubro 2017

Oração, via de diálogo entre nós e o Senhor



              Oração, via de diálogo entre nós e o Senhor


                     A oração, além de sincera, precisa fazer parte do nosso dia a dia


O mundo nos tem proporcionado praticidades que facilitam nosso dia a dia, em especial na comunicação: redes sociais, chats, e-mails etc., ou seja, comunicação instantânea ao alcance a qualquer hora. O que percebemos é que mais e mais temos transferido essa instantaneidade para todas as áreas da nossa vida, inclusive vida em oração.


Oração,-via-de-diálogo-entre-nós-e-o-Senhor-


A quantidade de irmãos que vão às Missas com oração de cura e libertação, com pedidos urgentes e querendo respostas urgentes é assustadora! Falar em “sofrer as demoras de Deus” para um desses é o mesmo que tirar doce de uma criança. É o famoso “quero solução e quero para ontem!”.


Um dia desses, em um momento difícil em minha vida, observava uma criança soltando pipa, coisa simples, quem nunca viu? Mas eu vi além: uma criança está ligada à pipa, no movimento dela, e essa ligação é a linha. Afinal, como somos crianças na presença de Deus! Mas o que poderia ser essa linha entre nós e o Senhor? A oração. Quanto mais forte a linha, mais forte será a ligação entre o menino e a pipa. Quanto mais nos oramos, mais estaremos ligados a Deus; mais ligados a Deus, maior será, a cada dia, nossa fé! E quanto maior a nossa fé, maior serão as graças.


E quanto à oração rápida pelos pedidos instantâneos? O tempo de Deus é sabiamente diferente do nosso. Ele não age como um macarrão instantâneo, três minutos e pronto! Por isso devemos perseverar nessa ligação entre nós e o Senhor, em orar sem cessar e não nos frustrarmos com as demoras ou com o que não acontece como queremos.


O que seria do voar da pipa sem o vento? O que seria da nossa vida oracional sem o Espírito Santo? Já fez a linda experiência de acordar e dizer “Bom dia, Espírito Santo! O que faremos juntos hoje?”. Não é um clichê, é um propósito na fé em colocar-se na presença de Deus ao raiar o dia, pela ação da brisa suave do Espírito de Deus!


Sejamos como pipas nas mãos do Senhor, liguemo-nos a Deus, a cada dia, por meio da oração; deixemo-nos guiar por Ele, e o Vento Impetuoso nos impulsionará a voos mais altos. Deus o abençoe.

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27 outubro 2017

Como fazer com que a espiritualidade se torne parte do nosso dia?


Como fazer com que a espiritualidade se torne parte do nosso dia?


A espiritualidade precisar ser um exercício diário de fé e reconhecimento da presença de Jesus

Cultivar a espiritualidade ainda não faz parte do cotidiano de muitas pessoas. Pouco se compreende que esse exercício é um pilar determinante na sustentação da interioridade e de uma qualificada participação na vida social. Por isso, muitas dinâmicas estão comprometidas. Ilusoriamente, pensa-se – talvez por forças de secularismos, excesso de racionalizações ou imediatismos – que a espiritualidade é opcional, mais apropriada para alguns mais devotos. Na verdade, a espiritualidade é indispensável para sustentar a vida de todos em parâmetros qualificados. Assim, um permanente desafio é estar em sintonia com o que diz o salmista nas Sagradas Escrituras: “Desde a minha concepção me conduzistes, e no seio maternal me agasalhastes. Desde quando vim à luz vos fui entregue, desde o ventre de minha mãe sois o meu Deus”.

A humanidade, mesmo emoldurada por diferentes manifestações confessionais e religiosas, não prioriza o hábito de cultivar a espiritualidade. As consequências são o comprometimento da vida, com equívocos nos critérios que regem discernimentos e escolhas, a prevalência da mediocridade na emissão de juízos e nas iniciativas que deveriam corresponder à dignidade própria do ser humano, na sua inteireza. A cultura da dimensão espiritual no cotidiano significa reconhecer a presença de Deus no lugar que Lhe é próprio, conforme ensina o salmista, em oração: “Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança, em vós confio desde a minha juventude. Sois meu apoio desde antes que eu nascesse, desde o seio maternal, o meu amparo. Vosso louvor transborda nos meus lábios, cantam eles vossa glória o dia inteiro. Não me deixeis quando chegar minha velhice, não me falteis quando faltarem minhas forças. Eu, porém, sempre em vós confiarei, sempre mais aumentarei vosso louvor”.


O exercício da espiritualidade

O lado espiritual não é apenas uma parte da existência. Trata-se de alicerce para a vida, cultivado pelo desenvolvimento da competência de se contemplar, isto é, tornar-se capaz de mergulhar no sentido mais profundo de cada ser, de cada criatura, superando superficialidades. E a oração é, por excelência, a experiência do exercício da espiritualidade. Causa empobrecimento considerar a oração como um recurso de poucos, para momentos passageiros de aflições maiores. As preces possibilitam o enraizamento de si mesmo na verdade e na fonte do amor que é Deus. Tertuliano, reconhecido escritor dos primeiros anos da era cristã, destaca a força da oração, ao comentar: “nos tempos passados, a oração livrava do fogo, das feras e da fome. Agora, a oração cristã não faz descer o orvalho sobre as chamas, ou fechar a boca de leões, nem impede o sofrimento. Mas, certamente vem em auxílio dos que suportam a dor com paciência, afasta as tentações, faz cessar as perseguições, reconforta os de ânimo abatido, enche de alegria os generosos, acalma tempestades, detém ladrões, levanta os que caíram, sustenta os que vacilam e confirma os que estão de pé”.

A oração possibilita ao humano experimentar o deserto de seu próprio ser. Leva-o a reconhecer sua condição solitária e pobre, para explicitar sua dependência de Deus. O lado espiritual de cada pessoa é que lhe permite assumir e conquistar a humanidade verdadeira e integral. Na espiritualidade, cultiva-se o silêncio que faz da própria vida um ouvir determinante, gera-se a competência para o diálogo que promove a cultura do encontro e quebra, com propriedade, a rigidez da mesquinhez. A experiência espiritual qualificada é que nos permite cultivar e aproveitar os nossos dons, edificando a unidade interior básica, que permite a inteireza moral e existencial. Quando se compromete essa unidade, a conduta pessoal sofre com reflexos negativos. E o caminho da espiritualidade, que possibilita uma condição humana qualificada, não pode ser trilhado apenas com a própria força, nem mesmo unicamente com a luz da razão. Trata-se de percurso impulsionado pelo Espírito Santo, que está presente em cada um dos que cultivam a abertura para receber seus dons.


A humanidade carrega um fardo pesado por não compreender a importância de cultivar a espiritualidade. Por isso, o cidadão contemporâneo fica moralmente enfraquecido gerando os descompassos que degradam o mundo. Assim, o investimento para transformar a realidade exige, de cada um, cultivar o lado espiritual. Eis o caminho que é fonte de soluções para os muitos problemas enfrentados pela humanidade.
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25 outubro 2017

Traumas da infância podem afetar a vida matrimonial


        Traumas da infância podem afetar a vida matrimonial

                       O que não foi curado na infância pode trazer problemas futuros

O primeiro homem da vida de uma mulher é seu pai; assim como na vida de um menino, a primeira mulher é a mãe. Tudo, absolutamente tudo que estiver mal resolvido nessa relação, desde a infância, afetará diretamente o matrimônio. Se uma mulher guardar mágoa, raiva, ressentimento de seu pai, vai projetar tudo isso, inconscientemente, no seu marido.




Se uma criança pensar que o pai não presta, que é mau, bruto, trai e faz a mãe sofrer, vai se fechar na capacidade de amar os homens. Como consequência, na vida adulta, ela não consegue amar plenamente o marido. E assim começa um novo ciclo: desamor, mágoa, traição, e a história se repete e poderá se repetir por várias gerações.

Se sua história está repetindo o modelo negativo da história de seus pais, é preciso fazer algo, é preciso quebrar esse ciclo. Como? No vídeo abaixo você encontrará caminhos:
Confira:

Ora, não nascemos de pais perfeitos, pais ideais, eles também tem suas histórias, seus pontos vulneráveis e, consequentemente, seus erros. Para consertar o presente, precisamos, muitas vezes, voltar ao passado, se não, andamos para os futuro de costas; tropeços e quedas serão inevitáveis. Amar quem não o amou pode abrir muitas “gavetas” no cérebro que estavam trancadas há anos, e isso fará toda a diferença no casamento.


Se você, realmente, quiser curar sua história, saiba que não é fácil. Fácil é repetir os modelos que já estamos acostumados, não precisa mudar nada, é só continuar igual a sua mãe, vó, bisavó… Já pode imaginar como será o futuro de seus filhos, netos, bisnetos, e a infância deles.

Quebrar a repetição das coisas negativas exige esforço. Talvez você precise fazer coisas que jamais imaginaria. Você, por exemplo, estaria disposta a dar colo para um filho, fruto da traição do seu marido?
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23 outubro 2017

Como os traumas da infância podem afetar a vida adulta?


   Como os traumas da infância podem afetar a vida adulta?

                                         A infância é uma fase de desenvolvimento

Quanto menor a criança, menos possibilidades ela tem para se defender do que acontece à sua volta. Certa vez, um neurologista comentou que o cérebro dos pequenos na infância são como favos de mel vazios, à espera de serem preenchidos.



Essa comparação nos ajuda a compreender o funcionamento cerebral infantil que, em desenvolvimento, até uma determinada idade, não tem condições de refletir sobre os fatos de sua vida e armazenará em sua memória aquilo que sentiu e percebeu sobre uma determinada situação, sem condições de filtrar o que é ruim, acreditando em tudo o que lhe for oferecido, sem qualquer avaliação. Portanto, muitas mentiras ela pode construir sobre si mesma a partir do que vem do outro.
Crenças negativas e limitantes

Chamamos, na psicologia, essas construções mentais de crenças negativas e limitantes, podendo gerar um trauma, ou seja, uma mentira a partir do que foi vivenciado, principalmente em situações de risco, medo e insegurança.

Se pensarmos no cérebro como favos de mel, o que lhe caberia para ser preenchido se não o mel? Mas nem sempre é assim! Sem condições de escolha, a criança aceitará tudo aquilo que lhe for oferecido e, no lugar de mel, muitas vezes receberá o fel. Essas experiências ficarão marcadas não apenas nas suas redes de memória, mas também no físico, determinando o seu comportamento para o resto da vida. Em vez de abrir-se para a vida, pensará de forma tão negativa sobre si mesma, que lhe restarão apenas culpas e condenações. Mesmo 20 anos mais tarde, dentro do cérebro “vive” uma criança ferida, que não consegue dar conta da vida.

Fomos criados livres e podemos escolher sobre o bem e o mal. Independentemente do que recebemos em nossa formação física e emocional, durante a infância, temos a capacidade de escolher e ressignificar nossas vivências.
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21 outubro 2017

O pessimismo pode ser algo que herdamos de nossos antepassados?

           O pessimismo pode ser algo que herdamos de nossos antepassados?
                                                  
                                                   Pessimismo é hereditário?

Sim, pessimismo pode ser hereditário. Pesquisas mostram que herdamos dos nossos antepassados seus traumas, sendo possível observar isso até em alterações de enzimas no nosso mapa genético, como explico no vídeo a seguir. Já ouvimos alguém dizer, por exemplo: “Ele herdou o gênio do pai”, “É ranzinza igual a avó”, “É preguiçoso como o tio”, “É burro igual a mãe”, “É lerdo como a tia”, “É desajeitado igual ao pai”. Podemos acrescentar, portanto: “É pessimista igual a …” (Espero que não seja igual a você!).



Além disso, ainda somos seres que tendem a se condicionar aos comportamentos a nossa volta. Se convivermos com alguém pessimista, mesmo que não seja parente, teremos a tendência de repetir o mesmo padrão. O cérebro aprende copiando comportamentos e repetindo-os, até que eles fiquem automáticos. Não precisamos mais pensar para fazer, o que, de certa forma, economiza energia cerebral.

Você pode se perguntar: “É isso? Não tem solução? Terei de me contentar em ser como meus parentes?”. Tenho uma notícia otimista para lhe dar: Têm solução! Dentro de nós há uma dimensão que é livre e pode decidir novas coisas. Somos seres condicionáveis, mas não condicionados, portanto, podemos fazer novas escolhas. Em vez de sermos iguais nos pontos negativos de nossos parentes, podemos escolher os pontos positivos, seus dons (a arte, a dança, a perseverança, a alegria, a capacidade de amar).
Assista:

Nosso cérebro tem uma capacidade gigantesca de achar outros caminhos, outros atalhos. Afinal, somos livres, somos seres que têm, dentro de si, esperança e amor. É só acordar essa parte adormecida e ver o mundo, as pessoas, as coisas com o mesmo olhar de quem as criou.

Espero, imensamente, que nossos filhos sintam orgulho de dizerem que se parecem conosco, nos nossos pontos mais fortes e mais belos. Que sejamos aqueles que vão gerar a mais bela geração que está por vir, capaz de curar todas as feridas, todo o pessimismo.
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