Maria Madalena encontra a si mesma ao encontrar Jesus


     Maria Madalena encontra a si mesma ao encontrar Jesus



Santa Maria Madalena, aquela que encontra a si mesma ao se encontrar com o Senhor!

“Mulher, por que você está chorando? Quem é que você está procurando?” (Jo 20,15). Quem Maria procurava? Por que ela chorava?

Maria Madalena é a mulher mais citada no Evangelho. É a primeira que faz a experiência com o Cristo Ressuscitado. Era chamada pelos autores monásticos de “enamorada de Deus”. A morte de Jesus era para ela não somente a perda de um líder ou de alguém que ela amava, mas a perda de si mesma. Dela Jesus tinha expulsado sete demônios (cf. Lc 8,2), ou seja, com Ele ela fez a experiência da libertação do mal para o encontro com a vida em Deus.



Na verdade, para Maria, como para todos nós, o encontro com Jesus foi o encontro com si mesma. “Deus é mais íntimo de nós que nós mesmos”, dizia Santo Agostinho. Ele é tão próximo que até os fios de nossas cabeças estão contados (cf. Mt 10,30). Só na verdade de Deus é que, realmente, encontramos nossa verdade. Somente n’Ele sabemos sobre nós e nos conhecemos.

Vivemos num tempo em que os homens estão tão distantes de si que não sabem o caminho de volta para casa. Sem o encontro com o Senhor em si mesmos, eles vivem na exterioridade, distraídos em meio a tantas diversões tecnológicas, a tantos prazeres e barulhos. Santo Agostinho dizia: “Retornai para dentro do vosso coração! Onde quereis ir longe de vós? Retornai da vagabundagem que vos levou para fora do caminho; retornai ao Senhor. Ele está pronto. Primeiro, retorna ao teu coração, tu que te tornaste estranho a ti mesmo, por força de vagabundar fora; não conheces a ti mesmo e procuras aquele que te criou! Volta, retorna ao coração, separa-te do corpo. Regressa ao coração. Lá, examina o que talvez percebas de Deus, porque ali se encontra a imagem de d’Ele; na interioridade do homem habita Cristo”.

Nada contra celulares e ferramentas tecnológicas de comunicação, mas a forma com que os usamos flagra a distância que temos de nós mesmos. Outrora, aquelas paradas, aqueles pequenos vazios do dia a dia eram boas oportunidades de silêncio e solidão, oportunidade de falar ao próprio coração. Hoje, esses vazios são preenchidos com aquelas breves espiadas no Facebook ou um bom momento para ver se há alguma mensagem no WhatsApp. O homem moderno não tem mais tempo para encontrar a si mesmo. Sem Deus, e nesse ritmo de exterioridade, ele vai cada vez mais longe de sua casa.

Sem o encontro com si mesmo surge a falta de sentido à vida, e com ela o desespero. “Cristo revela o homem ao próprio homem”, dizia João Paulo II na Encíclica Redemptor hominis. A verdadeira espiritualidade cristã não nos distancia da própria humanidade; ao contrário, ela nos faz mais humanos. O pecado, ao contrário, nos distancia de nossa identidade, de nós mesmos.

Maria Madalena já tinha feito essa experiência. Na tradição, ela foi vista, muitas vezes, como aquela mulher flagrada em adultério (Jo 8,1-11). Enquanto os homens pegam pedras para apedrejá-la, Jesus escreve algo misterioso no chão. Talvez, ele esteja escrevendo a verdadeira identidade dela. Ele é Deus e n’Ele estava a verdade dela. Ela não é uma adúltera desprezível, mas alguém com dignidade e beleza. Jesus resgata Maria para sua verdade. Talvez seja esse o desespero dela ao procurá-Lo “entre os mortos” no terceiro dia. Se Jesus morreu, com Ele morreu Madalena, sua verdade, sua dignidade.

“Então Jesus disse: ‘Maria’” (Jo 20,16). Ele pronuncia o nome daquela mulher. Ela escuta novamente seu nome e n’Ele sua verdade. A voz de Cristo, que pronuncia nosso nome, é a Palavra de Deus que resgata nossa dignidade. Esteja lá onde estiver sua dignidade denegrida, sua beleza destruída, sua identidade desfigurada pelo pecado, saiba que Cristo está vivo. Se você procurar por Ele, o Senhor restituirá seu verdadeiro nome. Maria, por sua vez, retoma quem é diante de Deus ao pronunciar “Rabonni” (Mestre). Quem é Maria? É a mulher que encontra o profundo sentido de sua vida n’Aquele que é seu Mestre e que está vivo.

“Eu Vi o Senhor!” (Jo 20, 18b), sai Maria anunciando aos discípulos de Jesus. Ele não era um fantasma irreal. Para ela, Ele é a certeza de que ela nunca mais será a mulher dos sete demônios ou uma adúltera; ela será eternamente ela mesma, simplesmente Maria Madalena.

Aprenda a lidar com o vício do seu cônjuge


               Aprenda a lidar com o vício do seu cônjuge


Para cada tipo de vício é preciso uma ação adequada para ajudar o cônjuge

Muitos casamentos são perturbados quando um dos cônjuges se torna escravo de algum vício. Os mais comuns são a bebida, o jogo, a droga, o cigarro e também os vícios do espírito: soberba, avareza, luxúria, gula, ira, inveja, preguiça, pornografia etc.



Para cada tipo de vício é preciso uma ação adequada para ajudar o dependente. Mas há um denominador comum que não pode faltar para aqueles que desejam enfrentá-los e não permitir que ele destrua a felicidade do lar e da família. Não pode faltar, antes de tudo, a oração humilde, confiante e perseverante para ajudar aquele que é viciado. Com a oração, o cônjuge sadio pode oferecer a Deus o jejum e a esmola, para implorar de Deus a libertação do companheiro. São “alavancas” que movem o mundo espiritual para agir pelo dependente. A força do mistério da “comunhão dos santos” atua nesse caso.

Rezar a oração do santo terço diário, sempre que possível, junto com a pessoa viciada, será de grande valia para suplicar a Nossa Senhora a graça da libertação desse vício.

:: Libertando-se do vício da pornografia:: Vicio em internet: isto existe?:: Oração de libertação do vício da pornografia

Sem dúvida, será de grande auxílio divino levar o viciado a buscar a força em Deus pela confissão, pela Eucaristia, fortalecendo a alma num grupo de oração, no qual ele (a) possa rezar e receber orações.

Junto com um tratamento médico e psicológico para cada caso, é preciso conscientizar o dependente dos males do vício, seja ele de dimensão corporal ou espiritual. Se for o caso de droga, a recuperação pode ser na própria família, com um acompanhamento firme e constante do cônjuge sadio e também dos filhos, se houver. Um diálogo permanente e uma vigilância da família podem ajudar muito. Também a ajuda de outros amigos e parentes pode auxiliar nessa difícil tarefa. Nos casos graves, uma boa terapia será encaminhar a pessoa a uma casa de recuperação onde haja oração, trabalho, disciplina e amor. E a família deve acompanhar a recuperação da pessoa com visitas frequentes.

O vício da bebida exige a mesma atenção e o mesmo acompanhamento. Nos casos graves, a pessoa pode ser convidada a frequentar um bom grupo católico de alcoólicos anônimos, sempre acompanhado de orações e vida espiritual. Sobretudo, a família deve envolver a pessoa da melhor maneira, sobretudo monitorando a sua vida fora de casa para evitar as ocasiões e os lugares onde possa se embriagar. Sempre que possível, deve ser acompanhada, embora isso nem sempre seja possível.

Hoje, há também muitos homens viciados em pornografia, sobretudo na internet. Muitas esposas reclamam disso. Não é o caso de pensar em separação. O que a esposa deve fazer é conversar seriamente com o esposo; exigir que ele corte esse vício e ajudá-lo com as orações.

Não há uma receita exata para o tratamento de cada vício, seja ele moral ou físico; o que se pode fazer é contar com a ajuda do Céu, da família, dos médicos, psicólogos e amigos, sem nunca desistir e desanimar da recuperação da pessoa.

Ser de Deus. O que eu ganho com isso?


               Ser de Deus. O que eu ganho com isso


Vale a pena ser de Deus

Hoje, vivemos a era do ‘Marketing’. Desde pequena, uma criança já sabe manusear um tablet, e por todos os lados vemos propagandas de produtos que lhe trará maior prazer. É fato que as propagandas não vendem produtos, mas convites à felicidade que será alcançada por meio deles. Com isso, vemos uma geração que, a todo momento, se questiona: “O que eu ganho com isso?”, “Quanto eu lucro ao buscar esse ou aquele meio?”. E quando se fala em religião, vemos que esta não está numa realidade tão diferente da comercial. Em muros e cartazes, até mesmo em “carros de som”, anuncia-se, pela cidade, determinada igreja que nos trará benefícios e soluções de forma cada vez mais fácil, descomprometida e acessível ao fiel… Ou poderia dizer ao cliente?


Vemos que, na Bíblia, também havia pessoas interessadas em se beneficiar de Deus. Giezi é um exemplo; ele é um dos servos do profeta Elizeu, que testemunha a cura de Naamã, chefe do exército de Israel. O profeta não aceita nenhum presente de Naamã, o que deixa seu servo contrariado. “Então, Giezi sai correndo para alcançar Naamã. Quando este vê que Giezi corre atrás dele, desce do carro, vai ao seu encontro e lhe pergunta: ‘Está tudo bem?’. Giezi responde: ‘Tudo bem. Só que meu senhor mandou dizer-lhe: Agora mesmo, acabam de chegar, da região montanhosa de Efraim, dois jovens irmãos profetas. Por favor, dê para eles trinta e cinco quilos de prata e duas roupas de festa’. Naamã respondeu: ‘Aceite setenta quilos’. Insistiu para que Giezi aceitasse. Depois, Naamã colocou setenta quilos de prata e as roupas de festa em duas sacolas, e as entregou a dois de seus servos. Estes foram na frente de Giezi levando as sacolas” (cf. II Reis 5,21-25). Giezi mente dizendo que veio a mando do profeta pedir a prata e as roupas, mas o que o comandava nessa ação era seu desejo de ser beneficiado com o milagre que Deus operara em Naamã.

Na contramão, temos personagens bíblicos que nos mostram o caminho de uma real busca por Deus. O próprio profeta Elizeu, na passagem já citada, nos mostra que não é o que ganhamos com o Senhor que conta, mas o próprio Deus. Naamã lhe ofereceu prata e bens, mas o profeta os recusou, pois queria mostrar àquele homem que não se pode comprar a graça do Senhor. Muitas vezes, vejo por aí mensagens e dizeres onde se exortam um Deus produtor de bênçãos e milagres. Coisas como: “Deus não deixará nada de ruim acontecer. A sua vitória está perto, Deus fará de seus sonhos realidade”. Vamos construindo um “deus” condicionado ao que buscamos, ao que queremos.

Deus quer, sim, nos fazer felizes e nos levar a uma realização. Mas precisamos desmascarar um deus que segue caprichos humanos, que é uma mentira. No fim, são palavras vazias que nos levam a uma fé imatura, e acreditamos que o Senhor existe, sim, mas como nossos planos não acontecem, pensamos que Ele está longe de nós. As promessas de Deus se cumprem sempre, mas precisamos saber se elas vêm, realmente, do Pai.

“Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças” (Dt 6,5). É na intimidade com Deus que encontramos Suas promessas, e assim elas se cumprem. O que ganho seguindo Cristo? Ganho Cristo! “Porque todos fomos criados para aquilo que o Evangelho nos propõe: a amizade com Jesus e o amor fraterno.” (Papa Francisco EG. 265)

Jesus veio ao mundo para nos propor uma amizade verdadeira, sem interesses. Quando seu dia não for bom, você terá onde ir e com quem desabafar. E quando for ótimo? Ele estará junto de você, alegrando-se. ‘Os verdadeiros adoradores’ são aqueles que buscam Deus por quem Ele é, e assim recebem graças em sua vida. Mas quando vem a dificuldade, não renega o amigo, pois sabe que “se lhe formos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode renegar a si mesmo.” (cf. II Timóteo 2, 13)

Peçamos a Deus a graça de uma verdadeira conversão, de uma verdadeira disposição interior em buscar o Senhor e experimentar o amor d’Ele por nós. E que cresça, cada vez mais, o amor em nós por Ele. Que o amemos de graça, e o maior ganho que teremos com isso é Sua amizade.

Um amigo antecipa o céu


                       Um amigo antecipa o céu

Um amigo leva a gente pra longe mesmo quando a gente se esconde

Conscientes ou não, o fato é que todos nós necessitamos uns dos outros para sermos verdadeiramente felizes neste mundo. Podemos até trabalhar para ter o pão em nossa mesa, mas ele se torna muito mais saboroso quando é degustado na presença de pessoas queridas. Esforçamo-nos para alcançar metas e conquistar sonhos, mas de que adiantaria vencer se não houvesse com quem partilhar a vitória? Ou seja, todo mundo passa pela necessidade de ter com quem contar e poder dividir sua vida; um amigo entra justamente nesse espaço sagrado do nosso ser, onde, pela força da amizade, o “eu” dá lugar ao “nós” e o egoísmo perde seu poder.



É por isso que quem tem a coragem de viver uma grande amizade consegue ir além em muitos aspectos de sua vida. Ziza Fernandes afirma em uma de suas canções que “um amigo leva a gente pra longe mesmo quando a gente se esconde”. A meu ver, essa é uma das grandes virtudes da amizade.

Um bom amigo acredita no outro, consegue ver suas capacidades muitas vezes escondidas atrás dos medos e das marcas do passado, e o ajuda a dar a volta por cima. Sabemos bem que uma das coisas mais importantes nesta vida é ouvirmos, na hora certa, alguém nos dizer: “Vá em frente, você é capaz, eu acredito em você!”. É como se essas palavras acendessem milhares de luzes em nosso interior, nos fazendo enxergar nosso potencial e nos permitindo experimentar um pouco do céu na terra. Quem é amigo sabe fazer isso com verdade e coerência. Aliás, amizade tem tudo a ver com verdade, respeito e liberdade. Ninguém, nem mesmo o melhor amigo, tem o direito de “mandar na vida do outro”, muito menos, à custa de boa intenção, passar por cima de seus valores, levando a pessoa a uma espécie de dependência afetiva que, antes de ser sinal de amizade, é sinal de egoísmo. Recordo-me de uma história que meu pai contava quando eu era criança, que nos ajuda a perceber o valor da liberdade na amizade.

Havia uma menina que morava em uma casa de sítio, e tudo lá se resumia em harmonia e sossego. Podia-se ouvir nitidamente o canto dos pássaros e contemplar, todos os dias, o nascer e o por do sol. Até que, certa vez, a menina observou que um majestoso sabiá vinha todas as tardes cantar bem próximo à sua janela. O gesto foi se repetindo por muitos dias; então, a menina considerou que o sabiá era seu amigo, começou a apreciar mais o seu canto, alegrar-se com sua chegada e, principalmente, contar-lhe seus segredos. O pássaro também foi se acostumando com a amiga, já não tinha medo de ser apanhado e chegava a cantar cada vez mais perto dela. Costumava ficava um pouco após o canto, saltando entre um galho e outro como que a ouvir suas partilhas. Depois, abria suas bonitas azas amarelas e voava na direção do infinito. A menina aguardava ansiosa a volta dele no dia seguinte, apesar de para ela parecer uma eternidade, pois queria sua presença e seu canto o tempo inteiro.

Um dia, ela teve a infeliz ideia de, numa armadilha, capturar o sabiá. Então, no fim daquela tarde, quando ele chegou para cantar, foi preso em uma gaiola que passaria a ser a sua residência. A alegria da menina contrastava com a tristeza do pássaro que se debatia de um canto a outro, querendo de volta a liberdade. Naquele dia, não houve canto nem conversa, a menina ficou chateada por perceber que o sabiá não gostou da gaiola que ela havia mandado construir com tanto requinte. Já o sabiá, ficou desapontado por perceber que, na verdade, ela nunca fora sua amiga. Nos dias seguintes, o pássaro também não cantou e estava cada vez mais abatido, até que a menina resolveu soltá-lo, afirmando que ele não serviria para ser seu amigo. Ele, por sua vez, voou para tão longe que nunca mais voltou.

Eis a moral da história: se a menina fosse realmente amiga do pássaro, não o teria prendido. Um amigo verdadeiro nunca tira a liberdade do outro e também não é egoísta, não o engaiola. O respeito às particularidades do outro é algo sublime e fundamental em todos os relacionamentos, inclusive na amizade. Penso que quem consegue valorizar e amar seus amigos por aquilo que cada um é, sem esperar nada em troca e sem roubar sua essência, traz um pouco do céu para a terra, pois é assim que Deus nos ama.

Aproveite, portanto, este dia para fortalecer os laços de amizade que fazem parte da sua história. Dedique tempo de qualidade aos seus amigos, aprenda a “apreciar o canto sem prender o sabiá”. Expresse sua gratidão e afeto a cada um, quebre distâncias com um telefonema, uma mensagem ou. se possível, vá ao encontro de seus amigos e leve um abraço, um sorriso sincero e a disposição para o acolher; dessa forma, você o ajudará a experimentar, aqui na terra, um pouco do céu.

 

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