02 dezembro 2016

Foi inveja do diabo


                                            Foi inveja do diabo
                 “A morte e o sofrimento entraram no mundo por inveja do diabo”

Fui procurado por uma mulher que dizia, cheia de raiva e revolta contra Deus: “Como pode ser bom esse seu Deus, se me deixa perecer a vida inteira? Tenho um pai com uma doença mental progressiva e degenerativa, gasto a minha vida em seus cuidados, trocando fraldas, sendo mordida e caindo por não suportar seu peso. Tenho mais de 50 anos e não pude me casar, pois não há quem cuide dele, e não tenho coragem de abandoná-lo””.

Foi como um raio a palavra que me veio à boca: “”A morte, os males e o sofrimento entraram no mundo por inveja do diabo””. Interessante o que aconteceu em seguida: a mulher se sacudia toda, como num imenso calafrio, e já não se lembrava dos primeiros minutos de nossa conversa.



Rezei por ela. Falei-lhe do grande amor que o Senhor lhe tinha e de como Deus cuidava dela. Agora, já há alguns anos que esta mulher vive para Deus. Tornou-se até difícil acreditar que aquelas palavras de ódio que ouvi saíram de sua boca.
Deus quer o seu bem

Quantas pessoas, neste mundo, vivem tristes, amarguradas e revoltadas, pensando que foi Deus quem lançou sobre elas este ou aquele mal (ou enfermidade)?

É clara a Palavra de Deus quando diz: “Ora, Deus criou o homem para a imortalidade, e o fez à imagem da sua própria natureza. É por inveja do demônio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demônio prova-la-ão”. (Sb 2,23-24)

A maneira de a Sagrada Escritura denunciar que pertencermos ao demônio é entrando no pecado e nos afastando de Deus. Pelo pecado, o diabo adquire um certo domínio sobre o homem, embora este continue livre. O pecado original causa ‘a servidão debaixo do poder daquele que tinha o império da morte, isto é, do diabo’.
Deus não castiga

Uma das artimanhas do maligno é fazer-nos pensar que Deus nos castiga, que tira de nós as pessoas que amamos, que semeou no mundo o sofrimento e que tolhe a nossa liberdade, proibindo-nos uma série de coisas. Mas quem poderia negar que grande parte dos males que sofremos são consequências de nossas escolhas (fumo, bebida, drogas, prostituição, desordens etc.) ou consequência da escolha de outros sobre a nossa vida (estupros, assassinatos, corrupção, guerras, mentiras, negligências), ou até mesmo fruto da mentalidade de um mundo que excluiu Deus (onde a família é vista como ultrapassada; o adultério, o aborto e a promiscuidade são tidos como coisas naturais, enquanto são uma degradação da natureza).

Deus não é o culpado, como incita o demônio. Certamente, o homem tem uma parcela de culpa indiscutível, mas o Apocalipse nos mostra o instigador: “O céu, alegrai-vos! Mas terra e mar, cuidado!, pois o demônio desceu a vós com grande furor e ira”. O maligno se obstina na destruição daqueles que Deus ama, com toda sorte de males. O que Ele poderá fazer por nós, se com nossas atitudes recusamos Sua proteção?

O problema é que nos afastamos de Deus. A boa notícia é que podemos voltar para junto d’Ele e nos entregarmos à Sua proteção e ao Seu amor.

Volte para Deus

Entrevistei um homem que dizia: “Feliz a bala que me pôs nesta cadeira de rodas! A minha vida não era vida, era só aparência. Quando a bala me atingiu, não perdi apenas os movimentos, também o emprego, todos os amigos, a noiva com a qual tinha casamento marcado e tudo o que eu chamava de vida”. Ele concluía dizendo: “Hoje, sou casado com alguém que me ama como eu sou. Tenho amigos que se preocupam comigo e não com os bens e posses que tenho. A bala me tirou as pernas, mas me devolveu o sentido da vida!”.

Sinto uma alegria quando encontro pelo caminho pessoas assim, que tiram os olhos das desgraças e os elevam para Deus. Não se trata de otimismo barato, mas de viver da fé: “Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus”.
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30 novembro 2016

A motivação é melhor que a cobrança


                 A motivação é melhor que a cobrança
               A motivação visa o bem; a cobrança, o interesse de alguém

O texto para esta semana gira em torno da palavra “cobrar”; e quando vou ao dicionário para ver o significado deste verbete, eu me assusto: “Receber ou tentar receber (dívida ou aquilo a que se tem direito)”. Até aí, beleza, mas, quando continuo minha caça de significados, encontro este que me deixa pasmo: “Exigir de outrem (obrigação, cumprimento de palavra etc.)”.



Fico pensando no quanto de energia gastamos quando “cobramos”. Quando trazemos para nosso interior esse “cobrar” (receber, exigir, obrigar), temos de trabalhar com um monte de expectativas que tendem a nos levar a uma multidão de frustrações. Nessa hora, temos de parar e pensar: o certo seria mesmo “cobrar”?

Acredito que seria mais interessante “motivar”. Às vezes, a cobrança vem sem motivos, sem causas justificadas, sem destino certo. Outras vezes, encharcada por uma gama de sentimentos de inferioridade, insegurança, medo e carência.

Ao passo que, quando motivo alguém, trabalho com “expectativas”. Nessa hora, parto do motivo, do real; e isso não agride. A motivação visa o bem; a cobrança, o interesse de alguém.

Já parou para pensar o quanto a cobrança nos aprisiona? Tantas pessoas se cobram para ter um alto rendimento, mas, por se aprisionarem em tal situação, têm o mais baixo rendimento. Já vi pessoas se cobrarem tanto para tirar um “10” na prova – por isso, vivem uma angústia ao extremo –, mas acabam tirando uma nota 4, pois ficam presas à “expectativa de um 10”.

Pior é quando colocamos essa cobrança no outro. Exigimos, colocamos metas e até obrigamos a pessoa a corresponder ao nosso “ego”, tornando-o prisioneiro de nossos desejos. Relacionamentos assim tendem mais à “explosão” que à verdadeira paixão.

A motivação visa o bem; a cobrança, o interesse de alguém. Incentivar. Entusiasmar. Não é uma tarefa fácil, mas é possível realizá-la. Todos nós trazemos certa dose de cobrança em nós. Já nascemos assim. Quando éramos crianças, chorávamos para “cobrar” o peito da mãe, o colo do pai, o brinquedo do irmão. Temos essa tendência; ela está em nós.

Quando surgir o impulso de cobrança, que tal escolher o caminho da motivação, do incentivo e do entusiasmo? O resultado será mil vezes mais satisfatório e livre. Pense: em vez de cobrar uma visita do seu namorado nos fins de semana, por que não o incentivar a estar mais com aqueles que moram com você? Em vez de cobrá-lo para conversar mais com sua mãe (a sogra!), por que não o motivar a descobrir nela virtudes até então escondidas?

A maneira com que levamos a vida pode fazer de nós e dos outros mais leves ou pesados. Fica a dica!

Em vez de cobrar, que tal motivar? A maneira como nos colocamos no mundo determina o lugar que ocupamos no coração de quem amamos!
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28 novembro 2016

Nunca é tarde para recomeçar!


                       Nunca é tarde para recomeçar!

            Às vezes, é preciso parar e recomeçar, mas não recomeçar do nada

O dinamismo da mudança, de ser melhor a cada dia, nunca é tardio, pois faz das quedas um motivo de crescimento, de vida nova e aprendizado.


Você faz das situações de dificuldade um motivo de crescimento?

“Todas as pessoas, em todos os âmbitos da Igreja, que aproveitam as situações de crise e conflito, com humildade, vão amadurecer e crescer”, afirma Frei Raniero. Portanto, se você aproveita o seu erro como aprendizado para crescer e amadurecer, você não recomeça do nada, pois sabe que tem uma história que o faz melhor, que o lança para o novo, para o futuro. Por isso, há o ânimo de trazer no coração essa motivação.

A maioria das pessoas não sabe lidar com seus erros, pois o ser humano é colocado em uma ênfase: “A pessoa melhor é aquela que não erra, que é perfeita, autossuficiente, que pode e consegue tudo”. No entanto, a melhor pessoa é aquela que contempla a sua verdade no tocante às suas qualidades e a seus defeitos.

Por isso, recomece, mas não do início. Aprenda com os seus erros e seja um novo homem, uma nova mulher. Deus nos dá essa graça, mas é preciso olhar para nós mesmos com amor, como o Senhor nos olha. Peça que Deus converta o seu olhar de negativo e pessimista, para um olhar que vê o todo e contempla, em primeiro lugar, a graça d’Ele. E que o Senhor fortaleça o seu coração!

“Deus lhe diz: “Sede santo, como vosso Pai celeste é santo”. Sede santo, porque Eu sou santo”. É preciso recomeçar sempre, saber que eu quero iniciar o dia de amanhã melhor do que hoje e aprender com os erros de hoje para não errar amanhã. E contemplar as coisas que não fiz de bom hoje para fazê-las amanhã.

Não só erramos quando fazemos o mal, mas também ao deixarmos de fazer o bem quando poderíamos [fazê-lo].

Que Deus nos ajude a crescer e amadurecer com humildade diante das crises e dos conflitos.

Uma pessoa que não é otimista e motivada, ao olhar uma montanha de pedras, vê uma impossibilidade: “Eu não posso superar aquela barreira, aquela situação”. Já a pessoa diante de Deus, ao olhar a mesma montanha, diz: “Eu posso construir uma escada e superar essa montanha, essa situação”.

Que Deus possa motivar o seu coração a fazer essa experiência cada vez mais.
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26 novembro 2016

O segredo para a cura emocional


                   O segredo para a cura emocional

           A cura emocional é a “porta de entrada” para todas as outras curas

Sabemos que Jesus veio ao mundo para nos trazer a Boa Nova. Nós ouvimos, nos dias de hoje, tantas más notícias! Mas os anjos disseram aos pastores que Jesus nascera em Belém para trazer ao mundo a Boa Notícia.


O Cristianismo é a religião da alegria. A Renovação Carismática Católica tem nos ensinado que precisamos ser um povo de louvor, e não “quietinho”, triste; mas um povo que louva a Deus constantemente.

Quando eu era pároco em Bombaim (Índia), eu rezava o “Glória” todos os dias da semana e não somente aos domingos. Pessoalmente, eu penso que, quando recitamos o “Glória”, nós o devemos fazer com os braços erguidos.

O problema é que somos muito tímidos e medrosos, mas a Bíblia nos chama a sermos um povo valente, que louva a Deus publicamente. Os anjos disseram aos pastores que eles estavam anunciando uma Boa Nova para todos os povos. Portanto, precisamos louvar ao Senhor diante de todas as nações. Mas isso só é possível mediante um profundo arrependimento.

Na confissão, necessitamos experimentar o abraço do Pai. Eu tenho recomendado aos padres que eles sejam verdadeiros pais durante a confissão, pois precisamos sentir o calor do abraço amoroso de Jesus. Quando eu rezo pelas pessoas, eu primeiro a atendo em confissão e depois rezo por sua cura interior. Somente em seguida eu rezo pela cura física e, por fim, pela sua libertação.

A confissão não foi feita para ser apenas uma penitência, mas sim uma libertação completa. Você deveria sair da confissão com um sorriso nos lábios.

Infelizmente, há um destaque muito grande para a cura física. Mas Jesus não veio ao mundo apenas para fazer os paralíticos andarem e os cegos enxergarem. Ele veio para nos transformar inteiramente. Daí a importância da cura emocional, pois ela é o início, a “porta de entrada” para a cura física.

A Palavra de Deus nos fala daquele cego que gritou para o Senhor: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!”. Ele o chamou e perguntou: “O que você quer?”. É a mesma pergunta que o Senhor nos faz no dia de hoje. Ele fez essa pergunta, porque sabia que aquele cego necessitava não somente de uma cura física, mas, antes, de cura emocional e espiritual.

Por que eu afirmo isso? Porque aquele cego, após ter sido curado por Jesus, pôs-se a segui-Lo. É isso o que o Senhor quer fazer com cada um de nós, curar-nos para que nos coloquemos em Seu seguimento.

A cura emocional é a “porta de entrada” para todas as outras curas. A pessoa não experimentará a cura psíquica, a cura de seus vícios nem a libertação do mal se ela não passar, primeiro, pela experiência da cura interior. Nós precisamos saber como rezar e pedir essa.

A oração é algo científico, ela não vem “do nada”, por isso precisamos rezar a partir dos sintomas. Eles são importantes, são indicações, sinais que nos ajudam a descobrir quais são as nossas doenças emocionais.

São quatro as principais doenças emocionais. A primeira delas é o sentimento de rejeição. Jesus foi rejeitado e crucificado; e a crucificação tinha o objetivo de não apenas matar os condenados, mas também de os humilhar publicamente. Eu estive, há algum tempo, no Paraguai numa bela casa de retiros. Na capela daquele lugar, existe um lindo mosaico de Jesus crucificado, onde Ele está nu. Foi o único lugar do mundo onde vi essa imagem. E Jesus morreu na Cruz despido e humilhado.

Jesus foi crucificado por inveja. Eu vejo a inveja como a grande “porta de entrada” para as doenças emocionais. A grande dor de Jesus na cruz não foi aquela causada pelos pregos em Suas mãos e pés, mas sim aquela causada pelo abandono que sofreu na cruz. Hoje, vejo muitas pessoas sofrendo por trazerem, dentro de si, esse sentimento de abandono. Pessoas abandonadas por aqueles que menos esperavam, ou seja, pelas pessoas amadas.

O primeiro passo para a cura emocional é detectar os sintomas do problema e encontrar as causas também. É importante encontrar a raiz desse mal. Eu não tenho visto nenhum caso ser resolvido sem que antes a “causa-raiz” tenha sido descoberta. E como descobrir essa “causa-raiz”? Primeiro: rezar ao Espírito Santo. O trabalho dele não é somente descobrir a verdade de Deus para nós, mas também descobrir a verdade que trazemos diante de Deus. Precisamos rezar ao Espírito Santo constantemente. Segundo: rezar pelo meu passado, mas não com um sentimento de culpa.

A causa raiz pode estar em qualquer um dos quatro estágios da minha vida: 1) Minha árvore genealógica; 2) Minha vida intrauterina (dentro do ventre materno no período da gestação); 3) Minha infância até a juventude; 4) Minha juventude até a idade adulta.

A oração é igual ao medicamento, você não pode tomar pouco nem em demasia; tem de ser na dose certa.

Vou contar a vocês o meu segredo para descobrir a causa raiz de uma doença.
Quando as pessoas chegam até mim com algum tipo de problema, seja ele físico ou espiritual – principalmente de ordem emocional, quando a pessoa vem trazendo problemas de ataques demoníacos –, eu faço duas perguntas a elas.

A primeira pergunta é: “Quando começou o problema?”. Com frequência, as pessoas respondem: “Ah! Eu sempre tive esse problema”. E eu respondo que somente Deus é “sempre”. Nós temos um começo, o nosso problema tem um começo e eu preciso saber quando ele começou.

A segunda pergunta é: “Você se lembra de qualquer coisa que possa ter acontecido, nessa época, e que possa estar relacionado a esse problema?”

Nessa conversa, a pessoa se lembra dos acontecimentos com maior precisão e os motivos que levaram a esses acontecimentos. Ali, eu sei, estava a causa, a chave para o fim de tanto tempo de sofrimento.
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24 novembro 2016

Passamos por processos de cura interior na vida


          Passamos por processos de cura interior na vida

            Devemos pedir ao Senhor que cure nossas feridas ao longo da vida

Ninguém se coloca sob o sol sem se queimar. Se tomarmos sol em excesso, vamos sofrer as consequências dele. Com Deus acontece algo semelhante, pois ninguém se coloca na presença d’Ele sem ser beneficiado por Suas graças. As marcas da presença do Todo-poderoso também são irreversíveis para a nossa salvação. Quando nós nos deixamos conduzir pelo Espírito Santo, Ele nos dá liberdade. Nunca o Senhor pensou em nos trazer para perto d’Ele a fim de tira algo de nós, muito menos para limitar a nossa liberdade. Se Ele não quisesse a nossa liberdade, por que teria nos criado livres?

Nossa liberdade ficou comprometida por nossa própria culpa, porque quem peca se torna escravo do pecado. Pelos erros e pelos vícios que entram em nossa vida, ficamos debilitados. O Pai nos deu Cristo para nos libertar daquilo que nos amarra. Deus nos mostra quais caminhos podemos seguir, mas a liberdade de escolher é nossa. O desejo do Senhor é nos libertar de toda angústia, de toda opressão. O desejo d’Ele é nos ver felizes.

Em Gálatas 5,1 lemos: “É para que sejamos homens livres que Cristo nos libertou. Ficai, portanto, firmes e não vos submetais outra vez ao jugo da escravidão”. Cristo nos amou, morreu numa cruz por nossa causa, para que não fôssemos escravos do pecado. O Ressuscitado nos libertou de todo mal, de toda armadilha do inimigo para que permanecêssemos livres. Contudo, ninguém é livre na maldade. Uma vez que o Espírito Santo nos visita, não há brechas para o pecado.

Quem conhece as coisas que há no homem senão o espírito do homem que nele reside? (cf. Coríntios 2,10-16). Assim também ninguém conhece as coisas de Deus senão o Seu Espírito.

Ninguém pode saber o que há em nosso interior se não abrirmos a boca e dissermos o que pensamos. Quando rezamos, Deus Pai nos refaz e o Espírito Santo nos cura e liberta. Rezar é ficar nu na presença de Deus, é abrir-se a Ele. Quando rezamos, colocamo-nos na presença do Altíssimo, nos expomos e somos curados. Quando tiramos a roupa diante do espelho, vemos o que queremos e o que não queremos. Na hora em que estamos rezando, caem as nossas vestes espirituais; assim, vemos aquilo que queremos e o que não queremos. Tudo que fazemos de mau volta para nós no momento da oração. No momento em que o Senhor nos mostra quem somos, Ele também nos mostra quem Ele é. Se Ele nos revela uma coisa que não está boa, é porque precisamos consertá-la.

Na oração nós aprendemos a ouvir o Senhor. Não existe ninguém que, tendo rezado, Deus não o tenha respondido. E se Ele não lhe responde diretamente, vai fazê-lo por meio de uma pessoa ou de um fato, mas Ele responde. Nós precisamos aprender a ouvi-Lo na oração, para conhecermos os planos que Ele tem para nossa vida.

Nós precisamos, na oração, pedir ao Espírito Santo que nos faça descobrir o que está ruim dentro de nós. Deus sabe o quando fomos machucados e sabe como nos curar.

A nossa vida inteira é um processo de cura interior. Enquanto estivermos com os pés nesta terra, nossa vida será um processo de cura interior. Nós temos de nos apresentar diante de Deus. O Todo-poderoso tem um plano para nossa vida, um plano de amor, de realização e de felicidade para nós. Se não abrirmos o nosso coração para a oração, correremos o sério risco de morrer sem conhecer o plano que Deus tinha para nós.
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22 novembro 2016

A cura da mente e do coração


                      A cura da mente e do coração

                   A cura interior é a chave para a cura plena da pessoa

A cura interior não só é importante como necessária. Precisamos ser curados, e Deus quer nos curar plenamente; por meio dessa cura, somos restaurados na nossa personalidade. A cura interior é a chave para a cura plena da pessoa. Cada dia é um dia de surpresas que o Senhor nos reserva. Podemos confiar e nos abrir, sem medo, à ação do Espírito Santo.



Como saber se eu preciso de cura interior? Onde eu preciso de cura interior? Questionamentos fundamentais que nós, à luz do Espírito Santo, precisamos nos fazer, buscar o discernimento, o diagnóstico. Se um médico é cuidadoso em fazer um diagnóstico ao seu paciente, quanto mais nós precisamos ter cuidado com o diagnóstico das nossas emoções e das emoções das pessoas. É preciso abrir-se ao Espírito Santo, agir em nome de Jesus, agir para o bem, porque Deus trabalha para o bem, para todos aqueles que O amam. Para seguir o exemplo de Jesus, que passou pela Terra fazendo o bem, libertando as pessoas do poder de satanás, é preciso concluir esse trabalho, é preciso ter fé e compaixão.

Passos práticos para responder aos questionamentos: Eu preciso de cura interior? Onde eu preciso de cura interior?

1º passo:

Saber o que está acontecendo com você. Isso se chama observação. Olhar os sintomas e anotar. Observar tudo: sintomas físicos, doenças físicas que você traz e que se passam com você. Tomar nota de tudo o que acontece no seu corpo. Fazer muitas perguntas a si mesmo, anotar cada detalhe, enfim, tomar nota dos sintomas físicos. É preciso fazer bem feito. Depois de anotar todos os sintomas emocionais, lembre-se de que eles são espelho do que você vive interiormente (Exemplo: quando você está sozinho, o que você sente?). Ficar atento aos sentimentos. Ainda: tomar nota das atitudes de vida, porque elas são reflexo do que você vive interiormente. Como você se comporta? (Exemplo: dizer uma mentira é sintoma de um problema muito mais profundo. Depressão não é doença, é um sintoma). Não podemos rezar somente pelos sintomas, por isso que a cura não acontece.

2º passo:

Descobrir a doença, dar nome ao seu diagnóstico. Orar por cura profunda. Quais são os problemas emocionais profundos?

Rejeição: Como ela vem? Vem quando eu não sinto que não sou amado e querido pelas pessoas que me são importantes e próximas. Não que elas não me amem, eu sinto assim (sentimentos que podem existir: raiva, amargura, tristeza, ódio, inveja dos amigos, suspeita, falta de confiança nas pessoas). É a mais importante ferida emocional. A grande dor que Jesus sentiu foi a da rejeição.

Sentimento de Culpa: Ele entrou quando eu fui criado em uma família muito religiosa, onde alguns conceitos são passados de maneira errada. Exemplo: ““Papai do céu vai castigá-lo””; ““Papai do céu está vendo tudo que você está fazendo de errado””. A culpa saudável nos leva à conversão, mas a culpa errada nos leva a ter medo de Deus, medo do castigo eterno.

Sentimento de Inferioridade: Quando a criança nasce, ela está cheia de sentimentos de superioridade, porque todos olham para ela, tornando-a o centro; porém, conforme a criança vai crescendo, as pessoas se cansam dela e ela deixa de ser o centro. Talvez ainda ela escute dos pais expressões do tipo: “Como “você é ruim”, você é mal!””. Forma-se nela uma imagem pobre de si mesma, vinda de palavras negativas que chegam a si. Nasce com isso um sentimento de autopiedade, o ódio de si mesma, depois vem a autodestruição, chegando muitas vezes ao suicídio.

Medos: Não são os medos pequenos, são os medos que paralisam a pessoa, que a fazem se fechar em si mesma, como medo da morte, medo de ficar sozinho, medo do diabo, do escuro etc.


3º passo:

É o mais importante: encontrar as causas profundas pelos quais você tem esses problemas emocionais, as fontes dos problemas profundos das pessoas. Como está escrito no início, não basta rezar pelos sintomas, é preciso rezar pelas causas.
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20 novembro 2016

Não ao mundanismo espiritual


                     Não ao mundanismo espiritual

      Deus nos livre de uma Igreja mundana sob vestes espirituais ou pastorais!

O mundanismo espiritual, que se esconde por detrás de aparências de religiosidade e até mesmo de amor à Igreja, busca, em vez da glória do Senhor, a glória humana e o bem-estar pessoal. É aquilo que o Senhor censurava aos fariseus: «Como vos é possível acreditar, se andais à procura da glória uns dos outros, e não procurais a glória que vem do Deus único?» (Jo 5,44). É uma maneira sutil de procurar «os próprios interesses, não os interesses de Jesus Cristo» (Fl 2,21). Reveste-se de muitas formas, de acordo com o tipo de pessoas e situações em que penetra. Por cultivar o cuidado da aparência, nem sempre suscita pecados de domínio público, pelo que externamente tudo parece correto. Mas, se invadisse a Igreja, «seria infinitamente mais desastroso do que qualquer outro mundanismo meramente moral».



Esse mundanismo pode alimentar-se sobretudo de duas maneiras profundamente relacionadas. Uma delas é o fascínio do gnosticismo, uma fé fechada no subjetivismo, onde apenas interessa uma determinada experiência ou uma série de raciocínios e conhecimentos que supostamente confortam e iluminam, mas, em última instância, a pessoa fica enclausurada na imanência da sua própria razão ou dos seus sentimentos.

A outra maneira é o neopelagianismo autorreferencial e prometeuco de quem, no fundo, só confia nas suas próprias forças e se sente superior aos outros por cumprir determinadas normas ou por ser irredutivelmente fiel a um certo estilo católico próprio do passado. É uma suposta segurança doutrinal ou disciplinar que dá lugar a um elitismo narcisista e autoritário, onde, em vez de evangelizar, se analisam e classificam os demais e, em vez de facilitar o acesso à graça, consomem-se as energias a controlar. Em ambos os casos, nem Jesus Cristo nem os outros interessam verdadeiramente. São manifestações dum imanentismo antropocêntrico. Não é possível imaginar que, destas formas desvirtuadas do Cristianismo, possa brotar um autêntico dinamismo evangelizador.

Esse obscuro mundanismo manifesta-se em muitas atitudes, aparentemente opostas, mas com a mesma pretensão de «dominar o espaço da Igreja». Em alguns, há um cuidado exibicionista da liturgia, da doutrina e do prestígio da Igreja, mas não se preocupam que o Evangelho adquira uma real inserção no povo fiel de Deus e nas necessidades concretas da história. Assim, a vida da Igreja se transforma numa peça de museu ou numa possessão de poucos. Noutros, o próprio mundanismo espiritual esconde-se por detrás do fascínio de poder mostrar conquistas sociais e políticas, numa vanglória ligada à gestão de assuntos práticos ou numa atração pelas dinâmicas de autoestima e de realização autorreferencial. Também se pode traduzir em várias formas de se apresentar a si mesmo envolvido numa densa vida social cheia de viagens, reuniões, jantares e recepções. Ou então desdobra-se num funcionalismo empresarial, carregado de estatísticas, planificações e avaliações, onde o principal beneficiário não é o povo de Deus, mas a Igreja como organização. Em qualquer um dos casos, não traz o selo de Cristo encarnado, crucificado e ressuscitado, encerra-se em grupos de elite, não sai realmente à procura dos que andam perdidos nem das imensas multidões sedentas de Cristo. Já não há ardor evangélico, mas o gozo espúrio duma autocomplacência egocêntrica.

Nesse contexto, alimenta-se a vanglória de quantos se contentam com ter algum poder e preferem ser generais de exércitos derrotados antes que simples soldados dum batalhão que continua a lutar. Quantas vezes sonhamos planos apostólicos expansionistas, meticulosos e bem traçados, típicos de generais derrotados! Assim negamos a nossa história de Igreja, que é gloriosa por ser história de sacrifícios, de esperança, de luta diária, de vida gasta no serviço, de constância no trabalho fadigoso, porque todo o trabalho é “suor do nosso rosto”. Em vez disso, entretemo-nos vaidosos a falar sobre «o que se deveria fazer» – o pecado do «deveriaqueísmo» – como mestres espirituais e peritos de pastoral que dão instruções ficando de fora. Cultivamos a nossa imaginação sem limites e perdemos o contato com a dolorosa realidade do nosso povo fiel.

Quem caiu nesse mundanismo olha de cima e de longe, rejeita a profecia dos irmãos, desqualifica quem o questiona, faz ressaltar constantemente os erros alheios e vive obcecado pela aparência. Circunscreveu os pontos de referência do coração ao horizonte fechado da sua imanência e dos seus interesses e, consequentemente, não aprende com os seus pecados nem está verdadeiramente aberto ao perdão. É uma tremenda corrupção, com aparências de bem. Devemos evitá-lo, pondo a Igreja em movimento de saída de si mesma, de missão centrada em Jesus Cristo, de entrega aos pobres. Deus nos livre de uma Igreja mundana sob vestes espirituais ou pastorais! Este mundanismo asfixiante cura-se saboreando o ar puro do Espírito Santo, que nos liberta de estarmos centrados em nós mesmos, escondidos numa aparência religiosa vazia de Deus. Não deixemos que nos roubem o Evangelho!
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18 novembro 2016

Como retomar a vida de oração?


                 Como retomar a vida de oração?

            A vida de oração alimenta a alma e pode ser retomada sempre

“A oração é o oxigênio da alma. “Para mim, a oração é um impulso do coração, um olhar dirigido ao céu, um grito de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da alegria”.” (Santa Teresinha do Menino Jesus)



Precisamos orar, rezar, conversar com Deus sempre, como nos ensinou Jesus, que orava sem cessar, buscando ocasiões para entrar em profunda intimidade com o Pai. Rezemos com o que está em nosso coração, quer seja bom ou ruim, pois na oração nada se perde, tudo se transforma em matéria-prima para Deus realizar o milagre de que necessitamos. “Tudo pode ser mudado pelo poder da oração”.
Escolha um horário

Escolhamos, todos os dias, um horário para fazermos nossa oração pessoal ou oremos o dia todo, junto ao que estivermos fazendo; é a oração ao ritmo da vida. Isso nos coloca o tempo todo na presença do Senhor, alimento forte e substancioso. É necessário que essa prática seja fiel e perseverante, para se tornar normal e habitual em nossa vida, como alimentar-se todos os dia e várias vezes ao dia. A oração com a Palavra de Deus nos manterá de pé e reconheceremos melhor o Senhor e Sua promessa de salvação; Sua Palavra forma nossa mentalidade nos moldes do Reino de Deus.
Santa Missa

A Eucaristia é o alimento mais forte, pois comungamos o próprio Jesus, nossa vida. Muitas vezes, temos tempo para tudo, seja para o lazer, a conversar, a televisão, o passeio no shopping… Mas parar um pouquinho para repor as “energias” espirituais não damos muita importância. Por isso, existem pessoas morrendo no pecado e numa vida vazia, pois estão “anêmicas” de Deus, com anemia espiritual. Nessa hora, precisamos buscar a ajuda certa, como fez uma senhora que buscou, no Sacramento da Confissão, o diagnóstico e o remédio para ser curada e liberta do males da alma.

Cuidado com a anemia espiritual

Cuidemos para não buscarmos alimentos e remédios em falsas doutrinas. Eles são como um alimento falso, que não resolve; pode ser até um paliativo, que engana, mas não cura e pode levar à morte. Vamos perdendo energia e sangue sem perceber. Como nos diz São Paulo:““Enfim, fortalecei-vos no Senhor, no poder de sua força, revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do diabo. Pois nossa luta não é contra homens de carne e sangue, mas contra os principados, as potestades, os dominadores deste mundo tenebroso, contra os espíritos espalhados pelos ares. Por isso, protegei-vos com a armadura de Deus”” (cf. Efésios 6,10-13). Nesse caso, o melhor é buscarmos direção espiritual, um sacerdote ou uma pessoa mais madura na fé de sua comunidade para nos ouvir e rezar por nós, pois alimento ou medicamento errado podem nos matar.

Sem disciplina não chegamos a lugar nenhum. Quer seja no trabalho, nos estudos e também na vida de oração, sem disciplina não encontraremos a santidade”.

Portanto, o primeiro passo é começar a rezar, reconhecer que está com anemia espiritual e acreditar que, acima de tudo, Deus nos ama e espera de braços abertos na confissão, na Eucaristia, no grupo de oração, na partilha, na direção espiritual e no simples terço com Maria. “Deus me vê, não é indiferente à minha dor, Deus me entende, quer me envolver de amor”.

Rezemos juntos: “Pai santo, Pai amado, livrai-me de toda doença espiritual, psicológica ou física, e derramai sobre mim o Vosso Espírito Santo, para encher-me de força e de vida, para me ensinar a rezar. Vem, Senhor, curai-me, libertai-me, pois eu quero viver. Dai-me o dom da fortaleza, para me libertar de toda tibieza, abatimento, sentimento de derrota e frieza espiritual. Quero vencer por meio da oração e do louvor. Amém.
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16 novembro 2016

Sete passos para ser fiel na vida de oração


            Sete passos para ser fiel na vida de oração

                   Uma forma prática para crescer na vida de oração

Por incrível que pareça, é cada vez mais comum as pessoas do nosso tempo buscarem alguma forma para entrar em contato com o “ser superior” (como alguns o chamam). Esse Ser Superior, para os cristãos e a maioria da humanidade, chama-se Deus. Ele traz um profundo desejo de estar cada vez mais próximo de nós, de conversar conosco; e um dos meios mais comuns para entrar em contato com o Senhor chama-se “oração“. Porém, a maioria das pessoas sente muita dificuldade para ser fiel a vida de oração e costuma dizer:

1. “Não sei o que é isso direito”
2. “Não sei como começar isso”
3. “Até sei começar, mas logo paro de rezar (orar)” [inconstância]
4. “Só rezo (oro) quando passo por dificuldades”
5. “Rezo (oro), sim, mas do meu jeito”
6. “Rezo (oro) sempre, em todo lugar (na maioria das vezes, uma desculpa de quem ainda não aprendeu a orar direito).




Para tentar resolver alguns desses problemas, quero mais do que ficar dando explicações teológicas sobre oração. Vou lhe mostrar uma forma muito fácil e prática para você aprender a orar, a ter constância na vida de oração e crescer no relacionamento com esse “Ser Superior”, a quem chamamos de Deus. Prepare-se, vamos aprender a “oração dos sete passos”.

1° Passo

Determine um lugar para você orar, esse será o seu “cantinho de oração”. Nada daquela história de “oro no ônibus”, “no caminho para a escola”… Claro você também pode fazer isso nesses momentos, mas Deus é Pai e não quer que você fique só com “lanchinhos”, entende? A oração pessoal deve ter lugar próprio, porque é refeição completa. Você precisa de um lugar onde as pessoas não o atrapalhem nem o interrompam; busque um lugar que lhe proporcione intimidade. Existem muitas opções: uma capela (igreja), um lugar mais afastado da casa, um quarto etc. Agora, descubra o seu lugar de oração.

2° Passo

Geralmente, estamos acostumados a orar (rezar) apenas quando sentimos vontade de orar (rezar), mas aprendi que “sem disciplina não há santidade”, e eu poderia dizer mais: “sem disciplina não há intimidade”, por isso existem dias em que você ora (reza) muito tempo e outros em que você não quer rezar (orar) nada, e diz: “estou sem vontade”, “estou cansado”, “com sono”, “foi muito corrido o dia”… E por aí vai! Por isso, você precisa determinar quanto tempo você vai dar para Deus por dia.

Para alguns, talvez fique fácil entender assim: o tempo que damos para o Senhor é como um dízimo do tempo. Pense: quanto tempo você deu para a internet? Para a TV? Para os amigos? Para a família? Para o trabalho? E para Deus, quanto tempo você tem?

Uma dica: nunca comece com muito tempo, porque é como na academia, vá devagar no começo (10 minutos); depois, vá aumentando. Uma regra: o tempo sempre pode aumentar, mas nunca diminuir! O importante para Deus não é a quantidade, mas o amor com que você reza (ora); e não importa se está cansado ou coisa do tipo, o Senhor o aceita mesmo assim! Não tem desculpa. E aí? Quanto tempo vai dar para Deus? Ah! Escolha também o melhor horário do dia (manhã, tarde, noite ou madrugada).

3° Passo

Rezar (orar) um Pai-Nosso e uma Ave-Maria. O Pai-Nosso foi a oração que Jesus nos ensinou (cf. Mt 6, 9-13). Nela, vamos encontrar grandes ensinamentos que Ele nos deixou; e também a Ave-Maria, pois, quando recitamos essa oração, realizamos uma profecia bíblica, você sabia? Veja o que a Bíblia diz em Lucas 1,48: “…Sim, de agora em diante, todas as gerações me proclamarão bem-aventurada”. A maior proclamação que ela é “bendita”; na verdade, é feita pelo próprio Deus, quando o Anjo Gabriel disse: “Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco!” (Lc 1,28). Recitar a Ave-Maria é fazer eco à voz de Deus no tempo que se chama hoje. Na segunda parte da oração – “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte. Amém” –, todo mundo sabe que ela é santa, e nós a chamamos de Mãe de Deus somente porque Jesus é Deus e, no fim, pedimos que interceda por nós, mais ou menos como muitas pessoas fazem, pedindo uns aos outros oração. Fique tranquilo, pode rezar (orar) sem medo.

4° Passo

Chegou a hora de louvar, e isso significa agradecer. Nesse momento, você deve lembrar-se de tudo o que passou neste dia ou no dia anterior, ou até mesmo lembranças que vierem à sua mente neste momento. Pode agradecer a Deus, fazer mais ou menos assim: “Senhor, eu Te louvo, porque hoje eu abri meus olhos e vi as nuvens no céu, elas estavam lindas. Senhor, eu Te louvo, porque hoje não me faltou o alimento, e porque sei que estás sempre ao meu lado. Eu Te louvo por tudo, por aquilo que foi bom e por aquilo que ainda não foi bom”.

5° Passo

Todo o mundo erra, não é verdade? Então, vamos pedir perdão ao Senhor por todas as coisas que fizemos e não foram muito legais. Um dia, li no Evangelho que Jesus chorava (cf. Lc 19,41), porque os pecados que aquelas pessoas cometiam não machucavam somente a si mesmas, mas também o coração de Deus.

Peçamos perdão ao Senhor pelas vezes em que erramos e fizemos aquilo que não deveríamos fazer. Você pode começar assim: “Senhor, perdoe-me. Hoje, eu menti, tive vergonha de assumir a verdade. Senhor, perdoe-me também quando fiquei com muita raiva daquela pessoa. Senhor, perdão”.

6° Passo

Agora é o mais fácil: chegou a hora de pedir, fazer a sua prece, seus pedidos. Uma dica: você pode começar pedindo pelos outros e deixar para o fim os seus pedidos pessoais. Quando fizer os seus pedidos, lembre-se disso: “A confiança que depositamos nele é esta: em tudo quanto lhe pedirmos, se for conforme à sua vontade, Ele nos atenderá” (I Jo 5,14).


7° Passo

Oração é diálogo, é conversa, e em uma conversa sempre existe a hora de ouvir. E essa hora chegou! Talvez você pense: “Nossa, isso é muito difícil!”. Não é, não! Vou lhe mostrar: você tem Bíblia? Se não a tiver, é bom comprar uma. Se a perdeu, é bom encontrá-la. E se você estiver lendo este texto no computador, é só procurar no Google por “Bíblia”. Se quiser, há também uma versão no formato PDF.

Pegue sua Bíblia e leia uma parte qualquer; depois, faça silêncio e deixe ressoar dentro de você a “voz de Deus”. Viu como é fácil? Uma dica: se você está começando a ter contato com a Sagrada Escritura agora, então comece pelo Novo Testamento, porque é uma linguagem mais próxima da nossa, ou pelos Salmos, que também será um bom começo. Quando não entender alguma coisa, procure pessoas que realmente o ajudem e não as que o deixem mais confuso.

Pronto! Agora você já pode ter uma vida de oração constante. Seja fiel. Se marcou um lugar e uma hora, então você tem “um encontro com Deus”. Não falte. Tenha a certeza de que Ele não vai faltar. Não pare de caminhar. Orar com música também é muito bom.

Esses simples sete passos vão levá-lo ao Céu!
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14 novembro 2016

Benefícios da vida de oração


                     Benefícios da vida de oração

            Quando oramos, o brilho da vida divina brota do nosso interior

Uma das maiores descobertas que já fiz na vida foi saber que Deus me ama e me acolhe independentemente do que faço, pois Ele me ama como sou. Neste caso, se eu rezo ou não rezo, Ele continua amando-me com a mesma intensidade. No mundo existem milhões de pessoas que nunca oraram e, no entanto, não deixam de viver. Trabalham, estudam, viajam, fazem descobertas, constroem prédios, vão à praia, ao shopping e vivem naturalmente. Daí vem a pergunta, que já ouvi várias vezes: “Então, por que preciso rezar?”.



A resposta pode ser dada de inúmeras formas, mas acredito que a vida diz mais que as palavras. Enquanto escrevo, recordo-me de tantos momentos nos quais, sem saber o que fazer, procurei uma direção da parte de Deus por meio da oração e fui ajudada. Certamente você também já viveu experiências assim e é nessas horas que percebemos o valor da oração em nossa vida.
Não é Deus que precisa de nossas orações

Padre Kentenich, autor do livro “Santidade de todos os dias”, diz que, quando oramos, além de nos assemelharmos a Cristo, que é orante por excelência e nos aproximarmos do Pai, que nos ama em Cristo, nos tornamos também possuidores das riquezas divinas, já que a vida dos santos e cristãos piedosos confirma que os tesouros de Deus estão à disposição daqueles que rezam. Na verdade, existe algo que não podemos esquecer jamais: Não é Deus que precisa de nossas orações, mas somos nós que precisamos de Sua graça, e esta costuma manifestar-se quando a Ele recorremos por meio da oração.

A oração também tem o poder de despertar nossos sentidos para percebermos os presentes que Deus nos dá, mas que, por uma razão ou outra, não conseguimos reconhecê-los. É que quando oramos o Espírito Santo nos devolve a calma, assim temos condições de ver o outro lado da história, tirando os olhos de nós mesmos e do problema em si. Aliás essa é uma das maiores graças alcançadas pela oração. Já que, quando estamos com dificuldades, naturalmente acabamos colocando o problema no centro da vida e isso nos impede de encontrarmos solução para ele.

A oração é como um grito, um pedido de socorro

Já ouvi dizer que a oração é como um grito, um pedido de socorro, mesmo que seja no silêncio, pois Deus vê o coração e não deixa quem ora sem resposta. Existe até uma história que pode ilustrar essa afirmativa:

“Conta-se que um navio estando há vários dias no mar, havia-se esgotado sua reserva de água potável. O capitão não avistava margem alguma no horizonte e os viajantes sentiam cada vez mais sede… Até que avistaram um barco que navegava ao seu encontro e, aos gritos, pediram que os socorressem com água doce.

No entanto, obtiveram, também aos gritos, a resposta: ‘Ora, tirai a água do mar e bebei, não veem que é água doce?’ Experimentaram. E recolhendo a água do mar, notaram que, já havia tempo, navegavam em água doce, no imenso estuário de um rio“.

Podemos concluir que, se os tripulantes do navio não pedissem ajuda, poderiam morrer de sede estando tão próximos da água doce. Em nosso caso, quando não oramos, corremos o mesmo risco. Ou seja, de estarmos bem próximos da solução, mas não conseguirmos percebê-la.
Deus brilha em nós

Por essa e outras razões, considero a oração como algo importante e até diria fundamental para uma vida plena. Ela nos coloca em sintonia com Deus e esta é a maior graça que podemos almejar como cristãos. Também é verdade que, quando oramos, o brilho da vida divina, que está em nós, brota do interior, como que transfigurando nosso rosto. Não sei se você já observou que as pessoas idosas que levaram uma vida pura e agradável a Deus têm uma aparência sobrenatural; um exemplo claro disso é o inesquecivel e saudoso João Paulo II. Pessoas santas, independente da idade que têm, às vezes nos parecem seres de um outro mundo. É que a oração nos transfigura e nos torna aos poucos semelhantes Àquele a quem buscamos.

Portanto, apesar de saber que Deus nos ama e nos acolhe independentemente se rezamos ou não, temos muitas razões para recorrer a Ele por meio da oração.

Se hoje você passa por alguma situação dificil, se está atribulado e não sabe a quem recorrer, estou o convidando para rezarmos juntos. É o próprio Senhor quem nos fala:“Vinde a mim, todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11, 28). Jesus chama para si todas as nossas dores, aflições e angústias e nos dá a certeza de que, se crermos na Sua Palavra e guardarmos os Seus mandamentos, seremos libertos do mal.

Coloquemo-nos agora na presença de Jesus Cristo e oremos juntos:

Senhor Jesus Cristo, eu tomo posse do Teu amor, acolho a salvação que nos trouxeste pela Tua morte na cruz e ressurreição gloriosa. Convido-te para entrar agora na minha vida, tocar o meu coração e possuir todo o meu ser. Vem curar minhas feridas, Senhor, lava com Teu Sangue o meu coração sofrido e restaura minha esperança, minha fé e minha alegria. Eu só tenho a Ti, Senhor, e hoje Te busco de todo meu coração.
Obrigada por Teu amor infinito, Senhor, obrigada por acolher a minha oração e a de tantos que rezam nesta hora. A Ti toda honra, glória e louvor para sempre!
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12 novembro 2016

Oração para fazer diante de Jesus Eucarístico


            Oração para fazer diante de Jesus Eucarístico

                                         Oração para iniciar a adoração


Meus Senhor Jesus Cristo, que por amor aos homens ficais dia e noite nesse sacramento, todo cheio de misericórdia e amor, esperando, chamando e acolhendo todos os que vêm visitar-­Vos, eu creio que estais presente no sacramento do altar.




Adoro-Vos do abismo do meu nada e dou-­Vos graças por todos os Vossos benefícios, especialmente por Vos terdes dado a mim neste sacramento, por me terdes concedido por advogada Maria, Vossa Mãe Santíssima, e, finalmente, por me haverdes chamado para Vos visitar nessa igreja.

Saúdo, hoje, Vosso coração amantíssimo. Primeiro, em agradecimento pelo grande dom de Vós mesmos; segundo, em reparação pelas injúrias que Tendes recebido neste sacramento.

Meu Jesus, amo-­Vos de todo o meu coração. Arrependo-­me de, no passado, ter ofendido tantas vezes Vossa bondade infinita. Proponho, com Vossa graça, não mais Vos ofender no futuro. Nesta hora, miserável como sou, consagro-­me todo a Vós, dou e entrego-Vos minha vontade, meus afetos, meus desejos e tudo o que me pertence. Daqui em diante, fazei de mim e de tudo o que sou eu o que Vos aprouver.

Somente Vos peço e quero Vosso amor, a perseverança final e o perfeito cumprimento da Vossa vontade.

Recomendo-Vos as almas do purgatório, especialmente as mais devotas do Santíssimo Sacramento e da Virgem Maria. Recomendo-­Vos também todos os pobres pecadores. Enfim, amado Salvador meu, uno todos os meus afetos aos afetos do Vosso coração amantíssimo e, assim unidos, eu os ofereço a Vosso eterno Pai, pedindo-­Lhe em Vosso nome e, por Vosso amor, que se digne a aceitá-­los e atendê-­los.

Ó Jesus, Pão vivo descido do Céu, como é grande Vossa bondade! Para perpetuar a fé em Vossa presença real na Eucaristia, com extraordinário poder, dignastes-Vos mudar as espécies do pão e do vinho em Carne e Sangue, como se conservam no Santuário Eucarístico de Lanciano.

Aumentai sempre mais a nossa fé em Vós, Senhor sacramentado! Ardendo de amor por Vós, fazei com que, nos perigos, nas angústias e nas necessidades, só em Vós encontremos auxílio e consolação, ó divino Prisioneiro dos nossos tabernáculos, ó fonte inesgotável de todas as graças.

Suscitai em nós a fome e a sede do Vosso alimento eucarístico, para que, saboreando este pão celeste, possamos gozar da verdadeira vida, agora e sempre. Amém.
Oração ao Coração de Jesus na Eucaristia

Coração de Jesus na Eucaristia, amável companheiro do nosso exílio, eu Vos adoro! Coração Eucarístico de Jesus, Coração solitário, eu Vos adoro!
Coração humilhado, eu Vos adoro!
Coração abandonado, Coração esquecido, Coração desprezado, Coração ultrajado, eu Vos adoro!
Coração desconhecido dos homens, Coração amante, eu Vos adoro! Coração bondoso, eu Vos adoro!
Coração que desejais ser amado, Coração paciente em esperar-nos, eu Vos adoro!
Coração interessado em atender-­nos, Coração desejoso de ser suplicado, eu Vos adoro!
Coração, fonte de novas graças, silencioso, que desejais falar às almas, eu Vos adoro!
Coração, doce refúgio dos pecadores, eu Vos adoro!
Coração, que ensinais os segredos da união divina, eu Vos adoro!
Coração Eucarístico de Jesus, eu Vos adoro!
Oração a Jesus Sacramentado

Meu Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, eis-­me aqui em companhia da Santíssima Virgem, dos Anjos, dos Santos do Céu e dos justos da Terra, para visitar-­Vos e adorar-Vos nesta Hóstia Consagrada. Creio firmemente que estais tão presente, poderoso e glorioso como estais no Céu; e pelos Vossos méritos, espero alcançar a glória eterna, seguindo em tudo Vossas divinas inspirações; e em agradecimento de Vosso divino amor, quero amar-­Vos com todo o meu coração e minha alma, potências e sentidos.

Suplico-­Vos, Salvador de minha alma, pelo Sangue precioso que derramastes em Vossa circuncisão e em Vossa Santíssima Paixão, que exerciteis comigo este ofício de Salvador, dando-­me, pela intercessão de Vossa Santíssima Mãe, os dons da oração juntamente com a perseverança, para que, quando deixar esta vida, me guieis à glória eterna que gozais no Céu. Amém.
Oração a Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento

Ó Virgem Maria, Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, glória do povo cristão, alegria da Igreja Universal, Salvação do mundo, rogai por nós e despertai em todos os fiéis a devoção à Santíssima Eucaristia, a fim de que se tornem dignos de comungar todos os dias.

Ó Santíssima e Imaculada Senhora, Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo e nossa, nós, os pecadores, pedimos-vos que nos alcanceis de vosso Divino Filho Sacramentado todos os dons e graças de que necessitamos, para vivermos sustentados de Seu amor, para adquirirmos os merecimentos de Seus fiéis escravos e para termos a felicidade de, com Ele e convosco, viver por todos os séculos dos séculos. Amém.

Salve, Rainha…

Eu Te adoro, ó Cristo, Deus no Santo Altar. Em Teu Sacramento vivo a palpitar!
Dou-Te partilha, vida e coração, pois de amor me inflamo na contemplação!
Tato e vista falham, bem como o sabor; só por meu ouvido tem a fé vigor. Creio no que disseste, ó Jesus, meu Deus!
Verbo da Verdade vindo a nós dos céus!
Tua divindade não se viu na cruz, nem a humanidade vê-se aqui, Jesus!
Ambas eu confesso como o bom ladrão, e um lugar espero na eterna mansão!
Não me deste a dita, como a São Tomé, de tocar-­Te as chagas, mas eu tenho fé!
Faze que ela cresça como o meu amor, e a minha esperança tenha novo ardor!
Dos Teus sofrimentos é memorial esse Pão de Vida, Pão Celestial!
Dele eu sempre queira mais me alimentar, sentir-­Lhe a doçura divinal sem par!
Bom Pastor piedoso, Cristo, meu Senhor, lava no Teu Sangue a mim, tão pecador!
Pois que uma só gota pode resgatar do pecado o mundo e o purificar!
Ora Te contemplo sob espesso véu, mas desejo ver-­Te, Bom Jesus, no Céu, face a face.
Um dia, poderei de Ti gozar, nessa doce pátria, e sem fim Te amar.
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10 novembro 2016

Como devo reagir à oração não respondida?


           Como devo reagir à oração não respondida?

            Descubra como o cristão deve reagir à oração não respondida

Orar é dialogar com Deus. Na intimidade da oração, o coração rasga o véu do medo e abandona-se nas mãos do Pai. Diante das demandas da vida, muitas são as coisas a serem apresentadas. Muitos outros tantos são as necessidades que afligem a alma e roubam a paz. Contudo, nem sempre nossos pedidos são atendidos. Diante dessa realidade, uma pergunta ecoa no coração: Como o cristão deve reagir à oração não respondida?




Os pais sabem muito bem que nem todos os pedidos de seus filhos podem ser atendidos. Muitos são os motivos que estão por trás de um desejo não realizado. Talvez, a criança precise crescer um pouco mais para que tal necessidade seja atendida; ou ainda, tal pedido possa ser perigoso e colocar em risco a vida dela. Muitos pais sabem que alguns pedidos que seus filhos lhes fazem é apenas capricho disfarçado de necessidade extrema.
Alguns pedidos dirigidos a Deus visam apenas preencher nosso ego

Deus é Pai e sabe que nem todos os nossos pedidos poderiam ser atendidos no tempo e na ocasião que desejamos. Por amor, Ele intervêm diante de nossas necessidades e concede-nos apenas aquilo de que precisamos. Alguns pedidos dirigidos a Deus visam apenas preencher nosso ego, mas maquiamos a realidade de tal maneira que parece uma necessidade urgente.

Vivemos tempos no qual nos desacostumamos a viver com o essencial, e essa realidade, muitas vezes, é refletida em nossa vida de oração. Muitos não suportam mais viver com o essencial e precisam do periférico. Se não adquirirmos a sabedoria divina, vamos, a cada nova oração, disfarçar o periférico de essencial.
O que hoje não compreendemos amanhã pode ser tão claro como a luz do dia

Deus não se deixa enganar e concede-nos apenas aquilo de que temos necessidade. Ele conhece o conteúdo de uma intenção na sua verdadeira essência. Mesmo que algum pedido seja justo e necessário, os projetos do Senhor para cada um de nós vai se revelando nos acontecimentos da vida. O que hoje não compreendemos, amanhã pode ser tão claro como a luz do dia.
Deus responde todas as nossas orações, mesmo que Sua resposta seja ‘não’

Mesmo que algum pedido não tenha sido atendido, não desanimemos. O Senhor responde todas as nossas orações, mesmo que a resposta seja ‘não’. Talvez o fato de não termos recebido a graça hoje seja pelo fato de que Deus esteja preparando o melhor para o futuro. Renovemos nossa confiança no Senhor e busquemos o essencial. Tenhamos a coragem de olhar para as nossas necessidades espirituais e humanas e ver se não estamos nos comportando como crianças mimadas, que de tudo tem necessidade, mas lhe falta maturidade suficiente para discernir a realidade das intenções.
Fortaleçamos nossa alma na luz do Espírito Santo de Deus rezando:

“Divino Espírito, que com sua luz de amor concedei a sabedoria necessária aos corações vacilantes, concedei-me a graça da sabedoria diante das necessidades, e que minha oração, elevada ao Pai, seja sempre guiada por aquilo que realmente necessito. Afastai-me do desejo desenfreado de satisfazer meus caprichos pessoais e ajudai-me a buscar na força da oração o essencial na vida. Amém!”
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08 novembro 2016

Causas e consequências do esgotamento espiritual


        Causas e consequências do esgotamento espiritual

        Quanto maior o esgotamento espiritual menor a qualidade do ministério


Todas as atividades, se não forem vivenciadas com equilíbrio e maturidade, podem causar sérios riscos à saúde. No campo espiritual não é diferente. Com o passar do tempo, o excesso de atividades na comunidade cristã ou em outras áreas de evangelização podem silenciosamente atingir nossa alma levando-nos a um sério esgotamento espiritual.

Muitos estão esgotados espiritualmente, mas não conseguem admitir tamanha sobrecarga sobre os ombros. Quem se esgotou esgota também quem está ao seu lado.




O esgotamento espiritual traz consigo algumas características negativas para o bom andamento da missão evangelizadora. Muitos começam a exercer ministérios de maneira funcional; executam tarefas, mas o amor, que há tempos os motivava no exercício da missão, tornou-se apenas algo que pertenceu a uma antiga história de amor.

Quando isso acontece, tornam-se funcionários do Sagrado e deixam de ser discípulos missionários. Transformam a missão em algo funcional. Se antes o que alimentava a alma era o ardor missionário e evangelizador, agora cumprem suas obrigações sem se preocupar com a qualidade da evangelização.

Quanto maior o desânimo menor a qualidade do ministério. Jesus não quer funcionários que executem a missão em uma empresa, Ele quer amigos, discípulos, apóstolos que se apaixonam pela proposta do Reino e são impulsionados pelo Espírito Santo a levar a Boa Nova da salvação aos cantos e recantos do mundo. Um discípulo apaixonado é aquele que, a cada dia, examina sua consciência e procura, a cada nova manhã, renovar seu amor pelo Senhor. Quanto maior for nossa intimidade com Cristo melhor será a qualidade do nosso ministério.

Muitos se apaixonaram por Jesus Cristo um dia. Com o tempo, esse amor foi esfriando, pois deixaram de alimentar o relacionamento. A chama viva da paixão, que no início era um fogo abrasador, com o tempo tornou-se brasa, foi se apagando lentamente e hoje restam apenas algumas cinzas de um amor que não foi cuidado. Quando desviamos o olhar de Jesus Cristo, começamos a desejar outros deuses. Quantos foram seduzidos pelo poder, pela fama e o comodismo! Desviaram seu olhar do essencial e alimentam sua vida do periférico. Amores ilusórios se desfazem como o orvalho ao nascer do sol. Amores verdadeiros desabrocham como flores no jardim para alimentar a vida com a beleza que é dom divino.

Outros ainda cuidam com tanto zelo das coisas de Deus que se esqueceram do próprio Deus. Quando Ele deixa de ser a fonte na qual a alma sacia a sede, busca-se águas em fontes duvidosas que prejudicam a saúde espiritual da alma. Cuidar das coisas de Deus é importante, porém se Ele próprio não for a fonte primeira da vida missionária, seremos apenas empregados e não Seus amigos.

O esgotamento espiritual traz sérios riscos para a alma de todo cristão. Quem desvia o olhar de Jesus perde o horizonte de sua vocação. Nossa alma se alimenta daquilo que oferecemos a ela. Somente no cultivo de uma intimidade profunda com o Senhor voltaremos às origens do nosso primeiro amor.
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06 novembro 2016

Espiritualidade? O Que é isto?


                         Espiritualidade? O Que é isto?


A busca da espiritualidade deve nos ajudar a ser cada vez mais livres e senhores dos nossos instintos


Uma das palavras mais usadas nestes últimos tempos é espiritualidade, porque nos faz muita falta para o equilíbrio de nossa vida. Dizem os psicólogos que quando se fala muito de uma coisa é porque não a possuímos e portanto somos carentes do que falamos. Não sei se esta teoria está certa, não é minha especialidade. O que posso dizer é que a espiritualidade não é uma teoria que preenche o coração de ninguém. Para que a espiritualidade se torne algo de pessoal e de amado deve sair do papel e do campo das ideias e se fazer vida. Somente quem vive olhando para o alto, não se deixando escravizar pelas coisas da terra pode lentamente tornar-se uma pessoa espiritual. Devemos evitar o espiritualismo que nos impede de compreender que a ação é o caminho certo de toda forma de espiritualidade.


Se um dia você tiver a oportunidade de visitar uma livraria do aeroporto ou rodoviária ou qualquer outra livraria você fica espantado em ver tantos livros que são denominados de espiritualidade, mas que na verdade não passam de pequenas e às vezes insignificantes orientações emocionais e psicológicas que não atingem o verdadeiro sentido da vida. No respeito para todos estes autores que fazem um bem imenso aos que leem, discordo de tudo isto porque me parece que não pode existir uma autêntica espiritualidade sem uma referência explícita a determinados valores fundamentais como a defesa da vida, da paz, dos direitos humanos.
A liberdade e o caminho espiritual

A busca da espiritualidade não pode prejudicar a ninguém, mas deve nos ajudar a ser cada vez mais livres da matéria e senhores do nossos instintos. A verdadeira espiritualidade é fruto de uma luta corajosa, forte, onde ficamos feridos, arranhados e sangrando mas não desistimos da luta. Um dos textos que mais me ajudam como aprender a verdadeira e autêntica espiritualidade é a carta de São Paulo aos Gálatas. Ele nos recorda a beleza da nossa vocação, deste caminho espiritual que devemos percorrer e que devemos sempre ter presente na vida. “Fostes chamados para a liberdade””. Somente quem busca a autêntica liberdade se aventura no caminho espiritual.

A liberdade não é como normalmente se entende dentro da linguagem das pessoas no dia a dia. Livre é quem faz o que quer e como bem entende. Há muitos autores que dizem: “tenho o direito de ser feliz e de buscar a minha felicidade e realização, portanto até que não encontre vou buscando, não importa se isto me faz romper os laços da família, do amor, dos compromissos do matrimônio ou do relacionamento familiar, o que vale é a minha felicidade.” Na verdade nunca seremos felizes se nos deixarmos dominar pelo egoísmo que está em nós. A liberdade é um sonho duro a ser conquistado e que vai exigindo muito de nós. Esta liberdade nos leva à verdadeira espiritualidade do amor. Mais reflito sobre o amor e menos sei, e no entanto me parece que com os anos que vão chegando o compreendo mais. Mesmo quem sabe porque a memória dos fracassos me faz ver em outra perspectiva o mesmo amor que devo conquistar.

Perceber a necessidade do amor para viver uma dimensão de vida que não pode ser “espiritualização” de nada, mas sim somente espiritualidade autêntica e vital. Será o mesmo Paulo que vai apresentando uma lista interminável de frutos da carne. São 15 nomeados e outros que ele não nomeia. E todos são causas de perturbações que nos afastam do valor fundamental da vida. Há quem acha que viver a feitiçaria ou espiritualismo é espiritualidade, ou quem vive até rancores e domínio dos outros… Pensa que para dominar os demais se necessite de uma forte espiritualidade. Não há dúvida que são visões distorcidas da verdadeira e autêntica espiritualidade. Não podemos confundir a espiritualidade no sentido católico do termo, esta não pode ter outro alicerce a não ser Cristo Jesus.

Tipos de espiritualidades

Existem várias espiritualidades: budista, muçulmana, hinduista, judaica… são janelas pelas quais as pessoas veem a vida. Mas nós queremos ver a vida pela janela do evangelho e do coração de Deus, por isso o único alicerce de toda a espiritualidade é a palavra de Deus que nos alimenta em cada momento.

Paulo diz que os que vivem os frutos da carne não podem entrar no reino de Deus. Não é necessário termos todos os frutos da carne, é suficiente ter um que nos domine, para não termos acesso à mesma vivência do reino. Um fruto influencia toda a nossa vida e nos escraviza. Os frutos do Espírito, que são o sinal do autocontrole e do senhorio de nós mesmos, nos fazem entrar na verdadeira liberdade. Quais são estes frutos do Espírito?
Os frutos do espírito são: caridade, alegria, paz, longanimidade, afabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, continência. Contra estes não há Lei.(Gl 5, 22-23)

Aqueles que vivem estes frutos do espírito não tem mais lei porque são orientados pelo amor e quem ama sabe que jamais poderá fazer o mal nem a si mesmo e nem aos outros. São João da Cruz, na sua visão de liberdade e de plenitude da vida, ensina que quem chega no cimo do monte encontra somente a honra e a glória de Deus, e que para o justo não há lei…O justo tem uma única lei que o orienta, o amor. Este não lhe permite mais ser escravo de nada e de ninguém.
O caminho da verdadeira espiritualidade

O caminho da verdadeira espiritualidade é um processo de libertação interior onde tudo está debaixo do poder da nossa liberdade e que nada mais poderá nos impedir de sermos livres no nosso agir. Na espiritualidade então percebemos que é necessário superar as ideologias mágicas que não realizam nada em nós. Por exemplo, a espiritualidade dos perfumes, das cores, do incenso queimado ou das novenas feitas somente pelo intuito de receber a graça e nada mais. São espiritualidades vazias e sem fundamento. É preciso que o Espírito encontre em nós uma resposta e se faça carne. Deus nos dá um espaço de tempo para viver a nossa espiritualidade e somente neste espaço de vida que somos chamados a realizar o seu projeto de amor. Não há nada de reencarnação e de caminhos de volta para nos purificar e chegar assim “à iluminação”. É aqui e agora que a nossa vida deve se realizar. Não há outras vidas e nem outra existência a não ser a vida eterna que se conquista no dia a dia duro e difícil do nosso carregar a cruz, e na luta sem trégua contra o mal que está dentro e fora de nós.

Mas afinal o que é espiritualidade? É um estilo de vida pautado pelo evangelho que visa a imitar a pessoa de Jesus. Seremos espirituais quando pudermos dizer com sinceridade com Paulo apóstolo: “não sou mais eu que vivo mas é Cristo que vive em mim.”
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04 novembro 2016

A aridez espiritual pode ser um trampolim para a santidade


 A aridez espiritual pode ser um trampolim para a santidade

                            Quem persevera nos caminhos do Senhor?

           

Seguir Jesus Cristo não é aventura para os fortes, mas caminhada para aqueles que sabem insistir. Se o próprio Jesus caiu três vezes sob o peso da cruz, como esperar que sejamos tão fortes quanto inabaláveis durante o percurso? Persevera não aquele que nunca cai, mas aquele que, no chão, tem a humildade de estender a mão à misericórdia de Deus e se levantar para retomar a caminhada.

A aridez espiritual e os momentos de crise são inerentes à caminhada espiritual. A questão é o que fazemos com as nossas crises. A aridez pode se tornar um trampolim para a santidade ou um peso que nos afunda na infidelidade, como nos ensina São Francisco de Sales (1567-1622).

Caminhar com Cristo significa nos deixarmos purificar por Ele para nos configurarmos a Ele. Quando Cristo nos purifica, ou seja, quando arranca de nós costumes, sentimentos, valores, concepções e consolos, que outrora nos animavam a caminhar e a viver, a tendência natural é entrarmos na aridez. É um momento de “êxodo”, porque tantas vezes perdemos os confortos do Egito, mas ainda não tomamos posse da Terra Prometida, ou seja, da novidade de uma relação mais íntima, livre e pura com Deus. Esse espaço entre o Egito e a Terra Prometida é o lugar do deserto. Este está presente na história de salvação do povo de Deus desde Abraão, passando por Moisés, pelo próprio Jesus e permanecendo na Igreja por meio dos “padres do deserto” dos primeiros séculos, que são a grande imagem dessa realidade perene na Igreja.

Ao deparar-se com a aridez, é preciso discernir o motivo que nos levou a ela. Trata-se de uma causa de conversão ou uma consequência advinda de erros na caminhada? Se descobrirmos o motivo, respondendo a eles como alguém que renova sua decisão por Cristo, mesmo que os motivos sejam ruins, sempre seremos capazes de colher bons frutos. Diz São Paulo em Fl 3,16: “Contudo, seja qual for o grau a que chegamos, o que importa é prosseguir decididamente.”
Motivos da aridez

A primeira causa da aridez espiritual é a ação de Deus na alma, na vida do cristão. Muitas vezes, aquilo que nos animava na fé já não é mais motivo de entusiasmo. Isso é bom, porque nossas motivações precisam amadurecer. Temos de entender que “as obras de Deus ainda não são Deus” (Venerável Cardeal Van Thuan – 1928-2002). Nesse sentido, parece-me que podemos perceber três fases:

. No início da caminhada, a pessoa, encantada com a beleza das obras de Deus, sente uma empolgação em viver as coisas d’Ele. Na linguagem de Santa Teresa de Jesus (1515-1582), que é mestra nesse assunto, trata-se dos consolos espirituais. Esses consolos de experiências espirituais, comunitárias e missionárias do início são importantes, mas insuficientes para um verdadeiro conhecimento de Deus. Daí, surge uma primeira purificação dessas realidades.

. Depois, a pessoa amadurece e vai descobrindo o sentido do serviço ao Senhor. Surge o entusiasmo de dedicar-se às coisas d’Ele, empenhar-se na missão. Isso é ótimo, é profundamente evangélico; porém, o serviço do Senhor ainda não é Ele. Justamente aqui, surgem os cansaços, os fracassos e as frustrações. A tendência é o desânimo. Esse é o momento da descoberta de Deus, o momento da decisão pelo amor. São João diz: “Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus” (1Jo 3,7). Não tem jeito, somente quando o amor é puro e gratuito nós O conhecemos. Somente quando o amor a Deus é livre de condicionamentos, de sentimentos, afazeres, pessoas e estruturas, é que realmente é livre e puro.
O cansaço e suas causas:

. Ativismo: Assumir tarefas e missões sem respeitar o descanso do corpo e da mente, o respeito pela vida e suas realidades belas como, por exemplo, o tempo para uma amizade, a prática de esporte etc. No ativismo, a pessoa se descentraliza do essencial de sua missão motivado por empolgações imaturas, fuga de si mesmo, agitações interiores, vaidade pelo sucesso, necessidade de domínio, centralização das tarefas ou mesmo por um zelo irreal pela obra de Deus.

. Falta de disciplina: Leva-nos a dispensar energia para organizar a vida desorganizada. A disciplina nos encaminha com naturalidade aos compromissos. Surge a frustração em não cumprir os compromissos.

. O fracasso no apostolado: Paulo experimentou fracassos, com em Atenas, e soube fazer deles causa de conversão (cf. 1Cor 2, 1-5). Mesmo o Evangelho está cheio de situações de fracasso de Jesus junto com o povo, com os Seus e os discípulos, que custaram entender Sua mensagem. Para os orgulhosos, os fracassos são motivo de desânimo ou de acusações. Para os humildes, os fracassos são pistas para retomar o essencial da missão. Beata Elisabete da Trindade (1880-1906) nos traz a ideia de que o fracasso é tão importante, que é como um mandamento.

. Uma espiritualidade insuficiente: A pressa na oração, a pouca qualidade na oferta de si mesmo. O cansaço vem quando se perde a identidade e o sentido! Uma fonte de repouso é a redescoberta do essencial de nossa vocação. A oração nos coloca no coração de Deus, mantendo-nos na identidade e no sentido de nossa caminhada.

. O adiamento da conversão: Quando não assumimos a decisão de mudança e vamos adiando a conversão, há uma tremenda luta e perda de energia na sustentação da identidade e de práticas antigas. Às vezes, lutamos com realidades em nós que são desnecessárias e carregamos “não o peso suave e fardo leve de Cristo”, ou seja, “a mansidão e a humildade” que é a Sua Doutrina (cf. Mt 11,29), mas o peso de nossas mentiras, de nossos orgulhos: a angústia de quem não perdoa, o azedume de quem critica, a luta de quem tem um coração duro, a desconfiança de quem não confia, o desespero de quem é orgulhoso. O tempo pede a maturidade de ser feliz na doação de si. Contudo, quando se resiste à felicidade da maturidade, e continua insistindo em receber, logo surge uma vida frustrada, e a caminhada humana/cristã se torna infeliz e pesada.


. Não aceitação da própria verdade: A mentira a respeito de nós mesmos nos faz desprender energias com coisas desnecessárias, bem como esforço para manter oculta a verdade. Deus nos ama, não apesar de nossa franqueza, mas porque somos fracos. Procuramos o bem, não por méritos, mas como resposta ao Seu amor e, quando parecemos ricos, saibamos que continuamos pobres, porque só Ele é rico. É preciso reconhecer nossas franquezas com liberdade e louvor (cf. 1Jo 1, 8-9; 1Cor 1, 27; 2Cor, 12,10).

. Luta contra Deus e Sua Vontade: ter um coração agradecido, louvor à glória de Deus.

Diante disso tudo, é preciso sempre discernir o motivo da aridez. Para tanto, é importante um diretor espiritual. Discernido, especialmente se os motivos são os erros da caminhada, é preciso aplicar os remédios que vêm de encontro a esses erros. Santo Inácio de Loyola (1491-1556) dizia que “na tribulação não se deve tomar nenhuma decisão”. Isso é importante, porque se trata de um momento frágil que o maligno pode usar para nos confundir. Fundamental é que em toda aridez se mantenha a decisão por Cristo, pois Ele mesmo nos diz: “Buscai e achareis. Batei e vos será aberto.Porque todo aquele que pede, recebe. Quem busca, acha. A quem bate, abrir-se-á” (Mt 7, 7-8).
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02 novembro 2016

Três passos para viver a busca pela santidade


           Três passos para viver a busca pela santidade

               O caminho da santidade é construído no cotidiano da nossa vida


São Francisco de Assis, Santo Afonso Maria de Ligório, Santa Teresa de Jesus, São João da Cruz, Santa Teresinha do Menino Jesus, Santa Rita de Cássia… Santos canonizados e reconhecidos, oficialmente, pela Igreja devido as virtudes que iluminaram seus caminhos rumo ao coração de Deus.

O caminho da santidade é construído no cotidiano da nossa vida. Os santos nos ensinam esta verdade: santo é quem faz da sua vida um altar do amor. Eles atingiram a santidade, porque viveram a vida com todas as consequências da caminhada: erros e acertos; alegrias e tristezas; luzes e trevas.




O que é ser santo? Ser santo não é ser perfeito. Se fôssemos perfeitos, não era preciso buscar a santidade, pois já seríamos santos de fato. Os grandes santos nos ensinam que viver reconciliados com nossa humanidade é fundamental para quem se propõe a buscar a santidade. São Francisco de Assis reconciliou seu lado humano com o mistério da morte, a tal ponto de chamá-la de irmã morte. Santa Terezinha do Menino Jesus trilhou seu caminho de santidade na obediência.

Hoje, vivemos um tempo em que a busca da santidade está em alta. Tal atitude não é errada. Porém, muitos a têm buscado sem se reconciliar com seu lado humano. E quando descobrem que enquanto não forem humanos não conseguirão chegar à santidade, entram em complexas crises de identidade.


O que fazer com as próprias imperfeições

O caminho da santidade passa essencialmente pelos territórios humanos que compõem nosso ser. Buscar a santidade e esquecer-se de reconciliar-se com o humano é fonte de problemas psicológicos sérios. Muitos têm trilhado esse caminho perigoso. Olham para os santos como se esses nunca tivessem pecado na vida, mas estes só conseguiram chegar à santidade, porque, por meio de suas próprias imperfeições, buscaram, a cada dia, ser melhores. O caminho da santidade começa a ser trilhado quando o presente se torna um lugar de reconstrução. O passado nos ensina o erro cometido, o presente é lugar por excelência de recomeçar e o futuro é morada da esperança.

Muitos querem ser santos, mas ainda não aprenderam a ser humanos. Desejariam ser robôs programados para fazer somente o bem, mas a realidade é permeada de imperfeições. Acordam com o olhar no ideal perfeito de uma vida sem erros, mas adentram a noite perdidos nas trevas do erro. Buscam a perfeição, mas se esquecem de se reconciliar com o que ainda está em construção. Andam pelas margens da estrada da vida e se desviam das pedras necessárias para o amadurecimento. As pedras que se encontram no meio da estrada só serão prejudiciais se nada aprendermos com elas.


Primeiro passo

O primeiro passo para sermos santos é identificarmos as nossas imperfeições. É ainda preciso ter consciência de que nunca seremos 100% perfeitos. Nem mesmo São Francisco de Assis o foi. Ele só foi santo, porque buscava, a cada dia, refazer sua história. Nos erros da vida, São Francisco descobria, em cada nova manhã, a chance de recomeçar.
Segundo passo

O segundo passo para o caminho da santidade é fazermos, de cada novo dia, uma oportunidade de recomeçar. Quem nunca encara os seus pecados dificilmente conseguirá encontrar meios para vencê-los. É mais fácil maquiarmos o erro do que olharmos no espelho de nossa alma e reconhecermos o seu verdadeiro rosto.

Às vezes, é mais fácil e bonito vivermos com um ideal de santidade do que nos esforçarmos para mudarmos atitudes que não contribuem em nada com nosso crescimento humano e cristão. Ser santo não é fácil, mas também não é impossível.
Terceiro passo

O terceiro passo é buscarmos a santidade no cotidiano da nossa vida. Amar mais aqueles que vivem ao nosso lado, exercitar a paciência quando estamos a ponto de descarregar nossa raiva em quem não tem culpa dos nossos fracassos. Ser solidário quando todos pensam apenas em si mesmos.

Ser santo é fazer a diferença no mundo! Cristão é aquele que transforma a realidade onde vive com gestos de amor e fraternidade.

Deus não quis robôs. Eles nos fez humanos para que descobríssemos a felicidade escondida nos mistérios mais simples e bonitos da vida. Seremos santos à medida que a santidade não for um peso ou uma imposição, mas sim um estilo de vida.
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31 outubro 2016

Como o corpo pode levar o homem à santidade?


          Como o corpo pode levar o homem à santidade?

       Deus criou o corpo para também por ele conduzir o homem à santidade

Todos nós, sem exceção, somos chamados à santidade. Mas, diferentemente dos anjos que são puro espírito, o nosso chamado adquire uma forma muito especial para se manifestar: o nosso corpo. E como filhos de Deus, somos predestinados a participar da íntima relação de amor existente na Santíssima Trindade; faremos parte, no fim dos tempos, do “banquete do Cordeiro” (Ap. 19, 9). Seremos santos, mas essa vocação à santidade já adquire sua concretude aqui, no nosso tempo e espaço.




Em um momento histórico, situado nos primeiros séculos da era cristã, tivemos o surgimento de alguns movimentos que faziam certa oposição entre corpo e alma, afirmando ser a alma um bem que devemos aperfeiçoar e o corpo um mal a ser rejeitado. Os maniqueístas, por exemplo, defendiam essa concepção do homem.

Entretanto, o homem é um ser integral, feito pelas mãos do próprio Deus e com a Sua apreciação, que olha a criatura e diz que “é muito boa” (Gn 1,31). O homem foi feito de material palpável, da terra, do barro… matéria física e concreta. O Senhor soprou nele a vida e, assim, o primeiro homem foi constituído em alma, espírito e corpo! Esse é o homem integral.

Se temos, assim, um chamado à santidade, só poderemos corresponder-lhe por meio do nosso ser integral. E como sabemos que existimos? Como se manifesta nossa alma e espírito? Através do corpo. Nas atividades cotidianas, na forma como olhamos as pessoas ao nosso redor, como lhes entregamos nosso sorriso, nossa ajuda, na maneira como desenvolvemos nossos afazeres, podemos ser sujeitos e canais de santidade.

Certa vez, um garoto perguntou à sua mãe como eles se reconheceriam no céu. “Como saberei que você é você, mamãe?”. Que pergunta brilhante! Não será de outra forma senão pelos olhos do nosso corpo; saberemos quem o outro é pela forma que ele possui, o tocaremos com nossas mãos, abraçaremos com nossos braços.

Porém, em nossos tempos, infelizmente encontramos muitos apelos para profanar a santidade que nossos corpos carregam, desviando-nos da nossa missão fundamental de santidade. O lugar central de Deus é, inúmeras vezes, substituído pelo corpo humano.

Imagens fantasiosas de corpos femininos perfeitos levam muitas mulheres a desenvolverem um parâmetro irreal do que é bom, belo e saudável. O mesmo se dá com os homens, que além de projetarem a imagem de uma mulher que não existe (a mulher com curvas perfeitas divulgada na grande mídia), também fazem de si pequenos deuses em busca da perfeição estética.

No fim das contas, essa sede de perfeição é própria de todo ser humano. Queremos o belo e o perfeito, nossas almas foram feitas para isso! Somos cidadãos do Éden, lugar de perfeita ordem, da beleza infinita de Deus manifestada em toda a criação.

Contudo, nossa cultura inverte completamente o significado mais profundo do corpo. Em vez de levarmos o ser humano a realizar-se plenamente na sua humanidade e, por meio de seu corpo, ser sujeito de santidade, as prioridades são invertidas e não somos mais dom ao outro. Ao contrário, fazemos do corpo um meio para a satisfação, para o prazer pessoal. O outro deixa, assim, de ser sujeito de santidade, passando a ser um objeto.

Entretanto, se temos em nossa humanidade as marcas do pecado original que significou essa ruptura com o perfeito, temos também o “eco da inocência original” (João Paulo II, 1980). Na Teologia do Corpo, o Papa dirá que, através do corpo, a santidade entrou no mundo. Que santa realidade! Que linda ousadia proclamar essa verdade sobre o significado do ser humano!

Podemos, assim, escolher o caminho dessa inocência original que todos temos marcada em nossas almas. A perfeição pode hoje acontecer para mim e para você por meio dos nossos corpos.

As mãos poderão plantar as sementes do Reino que sentimos saudade. Os pés podem ir em direção ao outro e, com um sorriso, convidá-lo para a mesma santidade que desejamos viver. O abraço acolherá a dor, os ouvidos serão território onde outros poderão partilhar suas trilhas, o nariz, as pernas, ombros… tudo é material que constrói a santidade, vocação de todo homem!
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