21 junho 2018

Deixar de sentir-se amado: a quarta insegurança de muitos casais



  Deixar de sentir-se amado: a quarta insegurança de muitos casais


A insegurança de não ser amado pode acontecer por diversos motivos que geram a desunião do casal.


Dom Bosco dizia que não basta amar os jovens, é preciso manifestar-lhes nosso amor. Isso vale também para o casamento. Muitos casais deixam o seu relacionamento conjugal cair na monotonia, no silêncio vazio onde já não acontece o diálogo, onde não há mais interesse de contar as coisas ao outro; às vezes, no desrespeito mútuo, na falta de atenção devida, na falta de harmonia sexual. Tudo isso pode gerar em um deles a sensação e a insegurança de não ser amado. Isso ameaça o casamento e a família.


Já ouvi algumas pessoas casadas dizerem que “não amam mais o outro”, e buscam um novo relacionamento. A sabedoria popular diz que “só se troca um amor por outro maior”. Por que isso acontece?





A razão básica é que essa pessoa não está satisfeita em seu relacionamento conjugal, e isso tem muitas causas; muitas vezes, aparece outra pessoa em sua vida, que lhe oferece mais carinho, mais atenção e até mesmo mais atração física.


A sensação de não ser amado surge quando o casal “deixa morrer a planta do amor”. Se você não colocar água, todos os dias, numa planta, ela acaba morrendo; não basta colocar um balde de água uma vez por mês. A displicência com o outro na vida de casados vai matando o amor. Se um já não é mais para o outro “alguém que o ajuda a crescer”, a ser feliz, que lhe dá carinho e atenção, então, começa a haver uma distância entre eles. Se cada um não se sente responsável pelo crescimento humano e espiritual do outro, o amor conjugal morre. Se as brigas se tornam constantes e não há uma reconciliação real entre eles, o amor vai esfriando.
Por que essa sensação surge?


A insegurança de não ser amado pode acontecer por muitos motivos que geram a desunião do casal, entre eles as mentiras, falsidades, fingimentos, palavras ofensivas, comparações com a vida e as atitudes dos outros casais, desentendimentos com a família do cônjuge, inveja e ciúme do outro, desentendimento no uso do dinheiro, reclamações, negativismo, apego exagerado aos pais, mau humor, birra; enfim, tudo o que azeda o relacionamento. Tudo isso mata a planta do amor.


Se não existe mais o desejo de agradar o outro, de sacrificar-se por ele, a frieza começa a tomar conta da vida conjugal. A preocupação de satisfazer o outro, sem cair no exagero, é claro, é o que mantém a comunhão de vidas e o amor vivo. Por isso, os psicólogos terapeutas conjugais recomendam “todo dia dizer uma palavra carinhosa ao outro”, nunca gritar com o cônjuge e sempre trocar a discussão pelo diálogo paciente e amoroso.


A sensação de que o amor deles está morrendo é a falta do verdadeiro amor conjugal, que significa “dar a vida pelo outro”. Michel Quoist dizia que “amar é dar-se”, e isso é o oposto do egoísmo. São Paulo recomendou aos maridos: “amar as esposas como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela” (Ef 5,25). A falta desse amor, disposto a dar a vida pelo outro, que diz não para si mesmo para dizer sim ao outro, é que faz o amor conjugal definhar e criar a sensação de não ser amado.


Quando nos casamos, recebemos o outro das mãos de Deus e da família, como um presente ímpar, singular, sem igual, e que deve, portanto, ser cuidado com o máximo de atenção e para sempre. Se não houver esse propósito, essa fidelidade ao juramento do altar, o amor deles pode começar a perecer. O difícil não é conquistar uma nova mulher ou um novo homem; o difícil e necessário é saber conquistar o mesmo homem ou a mesma mulher todos os dias.


O casal humano é chamado a crescer por meio da “fidelidade” diária à promessa feita no altar: “Amando-te e respeitando-te todos os dias de minha vida”.


O amor exige que eu despose o outro, conscientemente, com todos os seus defeitos e qualidades, e o faça crescer a meu lado, com minha dedicação. Só o amor constrói. Amar não é querer alguém construído, mas construir alguém querido.


Se os cônjuges não entenderem que amar não é uma decisão de apenas um momento ou de um período da vida, mas uma decisão que deve ser renovada a cada momento, a vida toda, para durar sempre, o amor deles não sobrevive.


É preciso estar sempre consciente que amar um homem ou uma mulher será sempre amar um ser imperfeito, pecador, fraco e sujeito às intempéries da vida. Mas se houver amor de verdade, é possível ajudar o outro a vencer suas dificuldades e ser alguém novo por causa do seu amor. A beleza do amor está exatamente em superar todas essas dores e fazer o outro melhor; do contrário, ele não seria o que é. Como um ninho, a felicidade do casal que se ama é construída pedacinho por pedacinho, por meio de esforços mútuos.


Se o casal não tem a maturidade suficiente para entender o sentido do matrimônio e da paternidade, que é uma missão a cumprir, fazendo o outro crescer, gerar os filhos e educá-los, então, acaba desistindo dessa grande missão e achando que não é mais amado, que tem de escolher outra pessoa.
Amar não é gostar


O amor está em crise, porque seu sentido foi esvaziado. Amar não é gostar, não é prazer, mas sim se dar para fazer o outro crescer. Sem maturidade espiritual e sem uma fé sólida, perseverante, com clareza de convicções religiosas, opção clara por Deus e autêntico amor ao cônjuge e aos filhos, o casal não mantém vivo o seu amor.


O mundo oferece muitos prazeres fáceis, mas se não houver amor verdadeiro, o casamento pode esvaziar-se e o sentimento de não ser amado surgir. Ser maduro é ser responsável, é saber enfrentar os desafios e as tarefas da vida sem reclamar nem culpar os outros. Muitas são as expressões de falta de maturidade que prejudicam o amor do casal.


Pela busca constante da oração e dos sacramentos, numa vida de vigilância sobre si mesmo, cada um pode manter o amor vivo. Não podemos esquecer que “Deus é amor” (1 Jo 4,8); é n’Ele que o casal tem de alimentar seu amor se não quiser que ele morra. Jesus disse: “Sem mim, nada podeis fazer”.
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19 junho 2018

Divórcio: a terceira insegurança de muitos casais



         Divórcio: a terceira insegurança de muitos casais 

Há muitas razões pelas quais pode acontecer um divórcio ou levar os cônjuges à insegurança

O Papa São João Paulo II falava do divórcio como “uma praga” que põe fim a muitos casamentos. De fato, a sua possibilidade gera uma insegurança em muitos casais, sobretudo naqueles que vivem um relacionamento um tanto conturbado. Na verdade, ele é uma grave ofensa à dignidade do casamento.


Jesus insistiu na intenção original do Criador, que queria um casamento indissolúvel. “Não separe o homem o que Deus uniu” (Mt 19,6). Ele eliminou as tolerâncias que se tinham introduzido na Lei antiga. Por isso, entre batizados, o matrimônio ratificado e consumado não pode ser dissolvido por nenhum poder humano nem por nenhuma causa, exceto a morte; a menos que tenha sido um casamento nulo, por decisão do Tribunal da Igreja.





Há muitas razões pelas quais pode acontecer um divórcio, ou mesmo levar os cônjuges à insegurança, mesmo que a separação ainda não se concretize.


Algumas das razões para um possível divórcio já foram abordadas em nossa matéria anterior sobre a traição. Um namoro mal vivido, onde não houve um bom discernimento, pode arrastar dúvidas ao casamento e dar margem a se pensar em divórcio.


A infidelidade de um dos cônjuges gera o medo do divórcio; as sucessivas brigas do casal não bem resolvidas, as carências de cada um não satisfeitas no relacionamento conjugal, as dificuldades na vida sexual, a falta de religião, a falta de diálogo e de atenção com o outro… tudo isso e muitas outras causas podem gerar o medo de uma separação.
Como evitar a insegurança?


Evidentemente, para evitar essa insegurança, o casal cristão precisa sempre renovar o compromisso assumido no altar de serem fiéis um ao outro, por amor a Deus que os uniu. Uma vida de oração, de meditação da Palavra de Deus, a vivência frequente dos sacramentos da confissão e da Eucaristia, a reza do terço em família etc., são as melhores salvaguardas contra essa insegurança.


O demônio sabe amedrontar as mentes dos casais com sugestões de separação, mas Deus nos protege com sua graça quando nos colocamos debaixo de Sua proteção e da proteção da Virgem Maria.


É muito importante que cada cônjuge saiba compreender o outro nos seus momentos de crise e dificuldade, ajudando-o, com o seu amor, a vencer seus problemas, para que isso não gere uma instabilidade perigosa no casamento. Quando um estiver nervoso, o outro precisa manter a calma, não revidar as ofensas, saber calar e saber falar na hora certa e do jeito certo.


O compromisso de viver a paciência, a compreensão com o outro, a humildade, o perdão, a bondade, a eliminação do egoísmo, a fé etc., é o que dá ao casal uma fortaleza espiritual que elimina o medo de um divórcio.

O cônjuge cristão nunca deve pensar em divórcio, porque seus efeitos são terríveis. Ele é ofensa grave à lei natural, porque rompe um compromisso livremente assumido e consentido pelos esposos, diante de Deus e dos homens, de viver um com o outro até a morte. A Igreja nos ensina que o divórcio lesa a aliança de salvação de Cristo com a Igreja (cf. Ef 5,25), da qual o matrimônio sacramental é o sinal. O Catecismo diz:


“O fato de contrair nova união, mesmo que reconhecida pela lei civil, aumenta a gravidade da ruptura; o cônjuge recasado passa a encontrar-se em situação de adultério público e permanente” (n. 2384).


O divórcio cria uma desordem na família e na sociedade: para o cônjuge que fica abandonado; para os filhos, traumatizados pela separação dos pais, e muitas vezes disputados entre eles (cada um dos cônjuges querendo os filhos para si); e seu efeito de contágio, que faz dele “uma verdadeira praga social”. (cf. CIC n. 2385)


É importante que os cônjuges cristãos pensem seriamente sobre tudo isso para que cada um, diante de Deus e do outro, jamais pensem ou falem da possibilidade de se divorciarem.
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17 junho 2018

Doença: a segunda insegurança de muitos casais



         Doença: a segunda insegurança de muitos casais

        Muitas vezes, a doença atinge o casal de maneira muito dura, tirando-lhes a paz


Na vida de todo casal há muitos problemas, entre eles a doença. O casamento é uma missão árdua que deve ser exercida por amor a Deus, que incumbiu o casal de “crescer e multiplicar”. Cada um deve fazer o outro crescer na fé, na profissão, na estabilidade emocional, religiosa etc., gerar e educar os filhos que Deus lhes enviar.


Todos os casais enfrentam o problema da doença, seja do próprio casal, como também dos pais, dos filhos ou parentes próximos. Não há família que não seja visitada pela doença. Por isso mesmo, é preciso que todo casal seja prevenido. Sabemos que a melhor terapia é a prevenção.





Em primeiro lugar, o casal deve estar preocupado com os cuidados básicos de saúde.


Como a assistência médica pública hoje é precária na maioria das cidades, então, o casal que pode, deve providenciar um plano de saúde, colocando isso como prioridade em suas despesas, antes de lazer e outras necessidades menos importantes.


Todo mundo sabe que o mais importante para ter saúde é tratar a doença logo no começo, quando o tratamento é mais fácil, mais rápido e barato. Muitas pessoas sabem que estão com um problema de saúde, mas protelam a visita ao médico, nem sempre por razões financeiras.


Quando a doença nos atinge, temos duas providências a tomar: buscar o médico e a oração.
O livro do Eclesiástico nos ensina isso:


“Honra o médico por causa da necessidade, pois foi o Altíssimo quem o criou. Toda a medicina provém de Deus. O Senhor fez a terra produzir os medicamentos: o homem sensato não os despreza. O Altíssimo deu-lhes a ciência da medicina para ser honrado em suas maravilhas e dela se serve para acalmar as dores e curá-las. Meu filho, se estiveres doente, não te descuides de ti, mas ora ao Senhor, que te curará. Afasta-te do pecado, reergue as mãos e purifica teu coração de todo o pecado. Em seguida, dá lugar ao médico, pois ele foi criado por Deus; que ele não te deixe, pois sua arte te é necessária” (Eclo 38).


Muitas vezes, a doença nos atinge de maneira muito dura e pode nos tirar a paz. A única maneira de enfrentá-la é na fé e com os recursos da medicina. Na maioria das vezes, graças a Deus, podemos buscar a cura pelos remédios e cirurgias. No entanto, há casos em que o mal supera a medicina.

Nessa situação, temos de entregar-nos nas mãos de Deus e confiar no que Ele permite que aconteça.

Fé e oração precisam fazer parte da vida do casal


A variedade das doenças é muito grande, e a medicina tem se desdobrado para enfrentá-las. São males do corpo e da alma. Hoje, muitos casais sofrem o problema da depressão, por exemplo, o que limita a vida do casal, mesmo no campo sexual. Tudo isso exige que o casal enfrente com fé e oração tudo isso.


Sabemos que Deus não é o Autor do mal nem das doenças, estas são frutos do pecado da humanidade. “O salário do pecado é a morte” (Rom 6,23). Mas Deus sabe do mal tirar um bem. Santo Agostinho disse que Ele não permitiria o mal se dele não soubesse tirar um bem. O sofrimento na vida de um casal pode ser uma ocasião de mudança de vida, de conversão, de volta para Deus, até mesmo de reconciliação entre os cônjuges.
A doença derruba as ilusões


Às vezes, Deus permite que o corpo seja ferido para que a alma seja curada. Muitos só assim largaram do pecado e se voltaram para Deus. A maioria dos homens somente pelo sofrimento entende que a vida é passageira, transitória e provisória. A doença derruba as ilusões, as picuinhas, as vontades e as coisas pequenas.


A doença deve ser encarada na fé e no abandono em Deus. Na hora da enfermidade, prova-se a fé da pessoa e a sua confiança em Deus. Santo Agostinho disse que “provados pela mesma desgraça, os maus odeiam Deus e blasfemam enquanto os bons rezam e louvam. A diferença não está na desgraça sofrida, mas na qualidade de quem a sofre. Agitados o lodo e o perfume, o primeiro cheira mal e o segundo exala agradável fragrância”.


Santa Catarina de Gênova dizia que, “neste mundo, as pessoas doentes acham o Purgatório em seu próprio corpo”, isto é, a purificação nesta vida. A Providência Divina tudo permite a seu tempo.


A penitência não vem sem a misericórdia


O grande bispo Jacques Bossuet dizia que “o verdadeiro tempo de expiar os pecados e de experimentar a graça do perdão é a doença. Enquanto esse espinho nos fere e incomoda, pesa sobre nós a mão de Deus e Ele próprio nos impõe a penitência, segundo a medida de sua infinita misericórdia”.


Por que a doença, justo agora que eu tinha belos projetos? Só Deus tem a resposta; e se Ele não a dá para nós, é porque deseja que confiemos n’Ele e, assim, sejamos cheios de méritos.


São Francisco de Sales dizia que “quando Deus nos convida ao sofrimento da doença, dispensa-nos da ação”. “Uma hora de sofrimento por amor e submissão à vontade de Deus vale mais do que muitos dias de trabalhos feitos com menos amor”.
Apoio familiar


Neste vale de lágrimas da vida, a doença é, muitas vezes, inevitável; então, soframos com resignação para não aumentar o sofrimento. Atravessar um período de doença exige de nós muita virtude, porque ela abate as nossas forças, justamente quando mais precisamos delas. Nesta hora, a melhor ajuda para o doente é o apoio da família, do cônjuge, dos filhos. Nada melhor do que sofrer com o que sofre e ajudá-lo com os auxílios de Deus e da medicina.


Nesta hora difícil, quase não conseguimos rezar; então, são preciosas as jaculatórias: “Meu Deus, meu Pai, faça-se a Vossa santa vontade! Bendito seja Deus!”.
O gemido do enfermo é uma grande oração


Quanto mais ficamos irritados e revoltados com a doença, mais sofremos. Deixe-a em paz. Tudo que se aceita transforma-se em amigo. Nessa hora, é preciso recorrer a Deus com fé; como aquela mulher hemorroíssa, que tocou no manto de Jesus e ficou curada. Com a mesma fé dos cegos que gritavam “Jesus, Filho de Davi, tem piedade de nós!”, muitas pessoas têm recebido de Deus a graça e o dom da cura. É um recurso que nos ajuda a encontrar a cura e a libertação dos males.
São Camilo de Lelis, que entregou a sua vida tratando de doentes, escreveu a Oração do Enfermo:


Senhor, a doença bateu na porta de minha vida. Tirou-me do meu trabalho e colocou-me num outro mundo, o mundo dos doentes. Uma experiência dura, Senhor! Uma realidade difícil de aceitar. No entanto, agradeço mesmo por essa doença! Ela me faz tocar com a mão a fragilidade e a precariedade de vida. Liberta-me de tantas ilusões. Agora, olho tudo com olhos diferentes. Aquilo que tenho e que sou não me pertence, é um dom Seu. Descobri o que quer dizer “depender”. Ter necessidade de tudo e de todos, não poder fazer nada sozinho. Tenho provado a solidão, a angústia, o desespero, mas também o carinho, o amor, a amizade de tantas pessoas. Seja feita a Sua vontade! Eu Lhe ofereço os meus sofrimentos e os uno aos de Cristo. Peço ao Senhor que abençoe todas as pessoas que me assistem e todas aquelas que sofrem comigo.


É feliz quem a Deus se confia, diz o salmista.


Não permita que o medo do futuro, o medo de enfrentar uma doença ou de perder a pessoa amada o paralise. Viva um dia de cada vez e confie seu futuro nas mãos de Deus, que o ama e sempre quer o melhor para você.

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15 junho 2018

Traição: a primeira insegurança de muitos casais



       Traição: a primeira insegurança de muitos casais

                                       A traição é um pecado muito sério



A crise que mais pode afetar e até mesmo destruir um casamento é a traição. Infelizmente, é um caso que acontece muitas vezes. Por que uma traição acontece no casamento? São muitos os motivos.


Infelizmente, a revolução sexual dos anos 60 “liberou” a atividade sexual antes do casamento para a maioria das pessoas. Criou-se uma cultura de sexo livre, também um mal chamado amor livre. A partir daí, o sexo passou a ser banalizado nos meios de comunicação, especialmente nas TVs por meio das novelas e outros programas de entretenimento.





O sexismo hoje permeia a cultura social, influencia a música, a moda, os livros, os relacionamentos etc. A maioria dos namorados, hoje, acha normal viver uma vida sexual antes do casamento; e quem não aceita isso é olhado como estranho. Não há como negar que essa “cultura sexual” influencia, fomenta e estimula a traição depois do casamento. Quem se acostumou com o “sexo livre”, dificilmente se contentará com apenas um cônjuge. Estou convencido de que, face a essa pressão sexual que hoje existe sobre as pessoas, somente a religião e a moral cristã podem fazer com que um casal se mantenha fiel no seu relacionamento.
A lei de Deus é clara: “Não adulterarás” (Deut 5,18)


A traição no casamento é um pecado muito sério, pois destrói famílias. O casamento é uma aliança sagrada, na qual duas pessoas prometem ser fiéis uma a outra até a morte, perante Deus e os homens. A traição quebra essa aliança e desrespeita o cônjuge e Deus. No entanto, quem tem esse valor consegue, com a graça de Deus, superar as tentações sexuais. Do contrário, é muito difícil!


Mesmo entre casais cristãos há traições, certamente por falta de amor ao outro, vigilância e oração. Jesus deixou claro: “Vigiai e orai, porque o espírito é forte, mas a carne é fraca”. Quando um cônjuge se arrepende de uma traição isolada, o mais correto será pedir perdão a Deus e se confessar. Sempre que possível, é bom procurar a reconciliação com o cônjuge, especialmente se tiverem filhos. Isso é muito difícil e doloroso, mas é a coisa mais correta a se fazer. Não há pecado que não possa ser perdoado se houver arrependimento sincero. Vale a pena lutar para manter o casamento e a família.


Se a pessoa que traiu se arrepende e quer consertar o relacionamento, é bom dar uma segunda chance. Mas, se quem traiu persiste na traição repetida, quem foi traído tem o direito de separar-se, embora não possa se casar com outra pessoa sem declaração de nulidade do casamento. Os especialistas dizem que mais da metade dos casamentos continuam mesmo após uma traição. Sem Deus, sem o compromisso sacramental com o cônjuge, as traições se repetem.

Só os homens traem?

Segundo os dados levantados por especialistas em relacionamentos, as mulheres estão tão propensas a trair quanto os homens. Um advogado amigo, que trata de casos de divórcio, confirmou-me este dado. Dizem que a diferença é que o homem é menos cuidadoso na hora de esconder a infidelidade. Alguns afirmam que enquanto os homens tendem a trair ao longo da vida, as mulheres estão mais propensas a trair mais tarde, quando os filhos já estão crescidos.


Muitos dos infiéis diziam buscar aventuras extraconjugais devido à monotonia no casamento. Com o passar dos anos, muitos deixam de investir no relacionamento conjugal, deixam de procurar formas de sair da rotina, de conversar sobre assuntos variados e dialogar com frequência. E isso pode prejudicar o relacionamento. A rotina destrói o bom relacionamento e pode ir separando o casal. Se a planta do amor não for regada todos os dias com um pouco de carinho, pode morrer. Por isso, os terapeutas conjugais recomendam “dizer ao outro uma palavra carinhosa todos os dias”.


É claro que quem trai é culpado pelo ato em si, mas as razões que o levaram a chegar neste ponto podem envolver muitas coisas. A causa principal das traições é a fraqueza humana, a força do instinto sexual e a tentação do mal. O demônio se aproveita disso, quer destruir as famílias; e tudo começa na traição. E as formas de tentações e traições são muitas.
Por que as pessoas traem?


Alguns dizem que traem para fugir da rotina sexual com o cônjuge, querem novas aventuras sexuais. Há quem diga que trai por curiosidade, para experimentar novas aventuras.


A vida sexual no casamento é muito importante, e o casal precisa buscar uma harmonia sexual que satisfaça ambos. Especialmente para o homem casado é muito difícil viver sem vida sexual com a esposa, e isso acontece muitas vezes; certamente, isso pode fomentar um adultério. E isso também pode acontecer com algumas mulheres. Daí a necessidade de os casais resolverem suas dificuldades neste relacionamento.


Outros dizem que chegam a trair para chamar a atenção do cônjuge, que não lhe dá atenção devida e não satisfaz os seus desejos. É o caso da “carência afetiva” que envolve muitos, especialmente as mulheres, que são mais sensíveis. A falta de atenção e de carinho geram grande insatisfação no relacionamento e podem fomentar uma traição. Se a mulher casada não se sustentar em Deus, poderá buscar esses cuidados, como se vê hoje, esses perigosos “namoros” pela internet, o que já pode ser considerado, de certa forma, uma traição.


Todos os casamentos têm problemas e eles devem ser resolvidos com conversas e orações, mas nada justifica uma traição.


Alguns dizem que traíram para “dar um troco”, por vingança, mas nada disso justifica a traição, um erro não justifica outro. Há traições premeditadas, planejadas, especialmente nos casos em que entra um amante. Mas há também aquela traição inesperada, única, quando acontece uma viagem sozinho e a tentação se apresenta. A gravidade é a mesma, mas as consequências podem ser diferentes.



Há também o caso dos casais que moram em cidades distantes por causa de trabalho; isso pode ser um fator que aumenta a possibilidade de traição se não houver muito cuidado e fidelidade ao outro. Nem sempre há o desejo de terminar o casamento, ou mesmo de não amar o outro e a família. É que “a ocasião faz o ladrão”.


Jesus, que conhecia profundamente o ser humano, sabia que o adultério não começa na cama, mas no mau desejo; por isso disse no Sermão da Montanha: “Se o homem desejar uma mulher libidinosamente, já adulterou com ela em seu coração”. Então, o cristão tem de se precaver nisso, no mau desejo. Sentir o mau desejo não é pecado, mas consentir nele sim.
Existe traição entre todos os casais?


Também precisamos dizer que existem casais que nunca viveram nenhuma das realidades mencionadas acima, no entanto, vivem uma tensão no relacionamento como se tivessem passado. Muito sofrem por um “fantasma”. O que muitas vezes começa a gerar outros problemas, como desconfiança, ciúmes, discussões e muitas outras.


É importante tomar cuidado, pois essa é uma insegurança que se não for “tratada” pode gerar várias outras e causar um prejuízo maior no namoro ou no casamento. O diálogo, a confiança e a compreensão mútua são essenciais para o casal vencer esses desafios.


É preciso estar atento, vigiando e orando sempre, pois nenhum casal está isento dessa realidade. No entanto, com fé e a graça de Deus, podemos superar tudo isso.
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13 junho 2018

Como construir um matrimônio sadio?



               Como construir um matrimônio sadio?

             Noivos, aprendam a admirar-se para a construção do matrimônio sadio


Todos os filósofos afirmam que a grandeza do pensamento tem início na capacidade que a pessoa possui de se deixar admirar e contemplar.


A admiração não é uma atitude superficial, muito pelo contrário, admirar é sinônimo de deter-se e observar lentamente aquilo que nos chama à atenção. Na exortação Amoris Laetitia, Papa Francisco escreve: “O primeiro nível do eros é a capacidade de se admirar”. (A.L 150). O verdadeiro namoro tem o seu ponto de partida na admiração inicial, sadia e pura de um olhar, de um sorriso e uma conversa.




Como construir a admiração?


Na admiração, os namorados aprendem e crescem na virtude da pureza. Muitos casais de namorados, após se conhecerem, já têm necessidade de estar juntos todos os dias, de partilhar tudo juntos e viver juntos. O namoro não pode ser superado como se fosse um tempo de possessão ou domínio. O tempo de namoro parte da primeira admiração, vai crescendo e gerando nos namorados a alegria de se conhecerem aos poucos.


Percebe-se, na nossa sociedade, que os namorados já estão vinculados “oficialmente” por uma espécie de pacto ou por assim chamar de oficial relacionamento que, no meio da família e dos amigos, é já aceito.




Namorados passam férias juntos, fins de semana e muito tempo juntos. Um namoro sadio e responsável nasce num tempo oportuno, prudente e discreto. Quando os namorados estabelecem uma relação nesse nível, perdem a capacidade de se admirarem, dando maior oportunidade para as brigas insignificantes que deterioram o relacionamento.


Sou ciente de que hoje podemos entrar em contato com as pessoas superando as distâncias, o tempo e até o espaço. Mas, no namoro, é vital a serenidade e a consciência de saber que esse período de relacionamento não possui em si mesmo nenhum compromisso definitivo; muito pelo contrário, é um tempo que passa na jovialidade da juventude.


Os namorados, muito mais do que admirar as qualidades ou a beleza física de cada um, devem admirar o conteúdo das suas conversas, dos assuntos que juntos partilham, das conquistas que realizam a nível acadêmico e familiar, especialmente preparando um projeto de vida que vislumbre o futuro. Quando o namoro é vivido na serenidade e na consciência sadia de que um não depende do outro, a admiração se torna um caminho viável para, talvez, chegar a um tempo de noivado e, sem dúvida, um futuro matrimônio.


O tempo de namoro


Quando deve começar o namoro? Quando nasce a admiração e essa passa pela confirmação dos membros da família. Namorar às escondidas, namorar virtualmente não constitui um passo suficientemente frutuoso. O namoro deve ser experimentado no encontro aberto e reconhecido por aqueles que “cuidam” dos namorados. Cuidar não é sinônimo de vigiar, controlar e decidir no lugar do filho ou da filha. Cuidar significa promover a descoberta de uma nova experiência na vida, que, se bem conduzida, vai trazer grandes benefícios para o amadurecimento.


Deixemo-nos admirar, cada vez mais, pelas obras do Senhor. Deus sempre nos admira. Permitamos que o tempo de namoro seja de conquistas e realizações, que contribuam para que o caminho seja melhor construído. Não acelerar nenhum tipo de relacionamento é o primeiro sinal de uma vida construída sobre a Rocha, que é Cristo.


Viver o namoro na admiração sensata de, quem sabe que um dia, tomar decisões definitivas é uma das maiores conquistas na vida afetiva. Namorados, façam do namoro um tempo de admiração singela e doce, permitam que a ternura floresça na sua relação com dom vivido e celebrado.


O tempo que o namoro durar será frutífero quando cada um se admirar das esperanças do outro e das determinações que ele tomar; até o dia em que já não serão mais decisões individuais, mas sim de casal. Testemunhem, com sua juventude, que namorar é um tempo de graça vivido no respeito e na virtude. Isso não é outra coisa senão admirar!
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11 junho 2018

Para viver bem a relação, esteja atento à sensibilidade do outro


Para viver bem a relação, esteja atento à sensibilidade do outro

                         É preciso existir clareza dentro de uma relação

A atração que uma pessoa pode sentir por outra é uma experiência, por vezes, maravilhosa e embriagante. Descobrimos, ao mesmo tempo, a ternura, a emoção do coração e do corpo quando vemos o outro, quando temos contato com ele. Esse prazer experimentado pela proximidade de alguém dá-nos o desejo de vivê-lo ainda mais intensamente, ir mais longe na relação. Ora, dar-se as mãos, beijar-se, tocar-se já é bastante. Todos esses gestos de ternura e amor nos comprometem um com o outro, e nenhum deles é inofensivo, quaisquer que sejam os sentimentos que se vivam.




Ternura ou desejo pelo outro?

Eis porque é importante dar tempo para se perguntar se os gestos que fazemos têm o mesmo significado para cada um de nós dois. É por amor, por simples prazer, por necessidade de ternura? Essas atitudes não nos comprometem mais do que aquilo que pensamos? Se vivemos todos os gestos do amor e nos damos um ao outro, será que ainda podemos discernir, verdadeiramente e com clareza, quais são os nossos sentimentos?

Para viver da melhor forma essa relação de ternura, diferente da que é vivida no casamento – pois o dom total do corpo se fará num compromisso definitivo –, estejamos atentos às reações e à sensibilidade do outro. É o momento de aprender o domínio de si mesmo. Podemos ser tentados, sobretudo se já nos conhecemos há muito tempo, a ter gestos mais íntimos. Perguntemo-nos, então, se o que nos guia é exprimir a nossa ternura ou o desejo pelo outro.


Se estamos, verdadeiramente, atraídos um pelo outro, não será o momento de nos colocarmos a questão do casamento? Quantos casamentos que acabaram mal, não teriam sequer acontecido se o homem e a mulher tivessem tido tempo para se conhecerem um ao outro em toda a liberdade!

Numa sociedade em que os slongans publicitários repetem, sem cessar, as palavras “instantâneo e imediatamente”, e em que queremos ter “tudo e já”, vejam bem que é preciso tempo para edificar a relação interpessoal de marido e mulher, e que o teste do amor é o compromisso duradouro.
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09 junho 2018

Conheça os cinco principais mitos que permeiam a questão do suicídio


Conheça os cinco principais mitos que permeiam a questão do suicídio


                                                     Mitos sobre o suicídio

O mês de setembro é lembrado como o mês da campanha de conscientização e prevenção do suicídio, cujo objetivo é alertar as pessoas para essa realidade que faz, em média, 32 vítimas, por dia, no Brasil, e 1 milhão de pessoas, por ano, em todo o mundo, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Esses números que poderiam ser bem menores se o problema fosse tratado de forma mais clara e menos preconceituosa.



Por que é importante falar sobre suicídio?

Por muito tempo, achou-se que falar sobre suicídio poderia induzir as pessoas a cometerem tal ato. Hoje, sabe-se que é justamente o contrário. Tirar esse tema das sombras é uma forma objetiva de levar informação às famílias que enfrentam esse drama, além de permitir com que os órgãos públicos possam traçar estratégias de enfrentamento do problema. Ao falar sobre o drama do suicídio, podemos também formar e incentivar as pessoas a escutar a dor do outro e desmistificar os mitos que envolvem o tema. Nesse sentido, gostaria de falar sobre os cinco principais mitos que permeiam a questão do suicídio.
Mito 1: quem quer se matar não avisa

Fato: Em 90% dos casos, pessoas que tiraram a própria vida deram sinais diretos ou indiretos de que a dor interior estava difícil de suportar. Nunca se deve subestimar alguém que está dizendo que tirar a própria vida seria a forma mais fácil de resolver seus problemas. Na maioria das vezes, esse “dizer” não envolve necessariamente palavras, mas mudanças bruscas de comportamento, isolamento, uso abusivo de drogas, sentimento de culpa, irritabilidade excessiva e bullying.
Mito 2: quem comete suicídio ou tem pensamentos suicidas possui algum transtorno mental

Fato: apesar de as pessoas que sofrem algum transtorno psíquico estarem no grupo de maior risco, nem sempre alguém com algum diagnóstico atentará contra a própria vida. Da mesma forma, uma pessoa que pensa em suicídio, necessariamente, pode não ter nenhum transtorno mental. O ato de tirar a própria vida tem na sua base um sofrimento extremo, que está difícil de suportar. Portanto, a escuta acolhedora e incondicional é um fator de extrema importância na tentativa de aliviar a dor da pessoa.
Mito 3: a pessoa que fala em suicídio quer realmente morrer

Fato: ao escutar pessoas que apresentam pensamentos suicidas, é possível observar uma ambivalência entre querer morrer e viver. Quando alguém diz que quer tirar a própria vida, pode-se ver, neste ato, um pedido de ajuda, uma tentativa de viver. Portanto, nem sempre todo suicida quer realmente morrer. A vida sempre quer prevalecer sobre a morte.

Mito 4: se eu falar com alguém que está em risco, isso vai estimulá-la ainda mais

Fato: já está provado que falar sobre suicídio reduz os riscos de a pessoa realizá-lo e pode ser a única oportunidade de oferecer a ela a possibilidade de autoanálise de sua vida e de seus propósitos. É importante, no entanto, salientar que falar sobre suicídio não significa despejar jargões como “existe sofrimentos maiores que o seu”, “você não pode ser tão tola assim” ou coisas do tipo. Falar com essa pessoa significa entender seu sofrimento, mostrar algum sentido para a vida, injetar-lhe esperança.
Mito 5: se eu falar que tudo vai ficar bem e fizer uma oração por ela, tudo se resolverá

Fato: sem dúvida nenhuma, rezar por uma pessoa em sofrimento extremo é algo que pode lhe trazer um bom alívio, mas, em seguida, o melhor a fazer é estimulá-la a procurar uma ajuda profissional, como um psiquiatra ou psicólogo, justamente, porque esses profissionais possuem o manejo técnico para a melhor intervenção na raiz do problema. Somente orar por essa pessoa e dizer que tudo vai ficar bem pode piorar o problema se, eventualmente, ela não ficar bem.

Não só neste mês de setembro, mas todos os dias do ano, não percamos a oportunidade de desmascarar esse drama silencioso que mata mais do que a AIDS. Se você conhece alguém que está em situação de extrema dor, procure essa pessoa para escutá-la.
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07 junho 2018

É possível uma pessoa chegar ao ponto de odiar a própria mãe?


É possível uma pessoa chegar ao ponto de odiar a própria mãe?

                                            Como pode uma pessoa odiar a mãe?

Odiar a mãe, isso seria concebível? Veja o relato desta pessoa: “Nunca senti o amor de minha mãe, ela me detesta, só ama o meu irmão. Comprou dois sapatos lindos para ela outro dia, sendo que o meu está rasgado na sola. Emprestei um vestido de uma amiga para ir a uma festa, fiquei linda mas, quando ela me viu, mandou eu tirar e devolver. Fui à festa de calça mesmo. Nada que eu faça está bom. Por mais que eu me esforce para deixar a casa limpa, ela diz que está um chiqueiro. Se me vê sorrindo, pergunta por que estou com essa ‘cara de boba’. Se tiro notas boas: ‘não fez mais do que a sua obrigação’. Se meu chefe me elogia no trabalho, ela diz: ‘É porque você está sendo vagabunda e se insinuando pra ele’. Se estou mal, ela fica em paz. Odeio minha mãe”.






Sim, filhas de mães com transtorno de personalidade narcisista, podem chegar a esse extremo: odiar a mãe. Porém, antes de odiarem a mãe, odeiam a si mesmas. Mães com esse transtorno, são obcecadas consigo mesmas, parecendo incapazes de amar. Se fôssemos usar as histórias infantis para caracterizar essas mães, poderíamos compará-las com a madrasta da Branca de Neve: “Espelho, espelho meu, existe alguém mais bonita do que eu?”. Se a resposta do espelho for “Sim, é sua filha”, coitada dessa criatura. Uma mãe normal ficaria orgulhosa, mas essas mães tem inveja. Com essa inveja (da beleza ou do sucesso da filha), fará de tudo para destruí-la.
Estrago psicológico

Algumas mães, com transtorno de personalidade narcisista, são sutis. Através de palavras manipulatórias, tentam fazer as filhas pensarem que são menos, que são feias e culpadas por todo o “sofrimento” que causam à mãe. Exemplo: “Estou tão cansada, depois que você nasceu minha vida não é mais a mesma, você só me dá trabalho, a filha da minha amiga, no entanto, é tão inteligente, bonita. Porque você não nasceu assim?”. Outras mães são duras com claro abuso verbal: “Sua porca! Se você não limpar direito, não vou deixar você sair com suas amigas” e/ou “não
vai ser nada na vida; tenho vergonha de ter parido alguém como você; aberração da natureza, burra, retardada;”. Outras podem chegar até nas fortes agressões físicas e ameaças, dignas de denúncia à polícia.

Mas quem iria denunciar essa mãe? A filha teria coragem de denunciar a própria mãe? Muitas iriam se sentir ainda mais culpadas, pois o estrago psicológico que essas mães causam são muitos. Filhas de mães com esse transtorno podem ir para as drogas, bebida, comida em excesso, ataques de pânico, depressão e até suicídio. Tornam-se pessoas inseguras, com baixa autoestima, com muito medo de errar e, se erram, sentem-se culpadas e nunca se sentem boas o suficiente.

É mais comum do que se pensa. 1% da população geral sofre desse transtorno. As causas podem ser tanto ambientais quanto genéticas, com o índice de hereditariedade podendo chegar a 64%. Mães com traços narcisistas são incapazes de se colocar no lugar do outro. Tudo precisa funcionar como ela quer. São perfeccionistas, rígidas, egocêntricas, arrogantes, frias. São manipuladoras, tratando bem a filha quando lhe é conveniente, principalmente na frente dos outros.
Como tratar dessas mães e dessas filhas?

Dificilmente essas mães buscarão ajuda, pois não admitem que estejam erradas, se acham “perfeitas”. As filhas precisam buscar apoio psicológico e as vezes até psiquiátrico, para conseguirem se libertar desse cordão umbilical venenoso. Nos casos extremos, quando se tratam de abuso físico e graves abusos verbais, o distanciamento físico se fará necessário.

Mas, acima de tudo, é necessário o corte psíquico desse cordão. Essa filha deve compreender que ela não precisa mais absorver aquele “veneno”. Essa filha precisará se encontrar como pessoa inteira, completa, repleta de dons, capaz de tratar essa mãe como o ser humano doente que é. Digna de pena. Assim, o ódio dessa filha poderá se transforma em um olhar de compaixão. O que se esconde por trás dessa mãe são feridas, muitas vezes escondidas no próprio inconsciente. E atrás de toda aquela fachada poderosa, tem um ser sozinho, pequeno, que no fundo se sente um nada.
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05 junho 2018

Por que a lei natural permite ao homem o poder de discernir?


  Por que a lei natural permite ao homem o poder de discernir?

             Através da lei natural o homem é capaz de seguir e praticar o caminho do bem

1954. O homem participa na sabedoria e na bondade do Criador, que lhe confere o domínio dos seus atos e a capacidade de se governar em ordem à verdade e ao bem. A lei natural exprime o sentido moral original que, permite ao homem discernir, pela razão, o bem e o mal, a verdade e a mentira.

“A lei natural […] está escrita e gravada na alma de todos e de cada um dos homens, porque não é senão a razão humana ordenando fazer o bem e proibindo pecar (…). Mas esse ditame da razão humana não poderia ter força de lei, se não fosse a voz e a intérprete duma razão superior, à qual o nosso espírito e a nossa liberdade devem estar sujeitos” (3).




Deus criou o homem

1955. A lei “divina e natural” mostra ao homem o caminho a seguir para praticar o bem e atingir o seu fim. A lei natural enuncia os preceitos primários e essenciais que regem a vida moral. Tem como fulcro a aspiração e a submissão a Deus, fonte e juiz de todo o bem, assim como o sentido do outro como igual a si mesmo. Quanto aos seus preceitos principais, está expressa no Decálogo. Esta lei é chamada natural, não em relação à natureza dos seres irracionais, mas porque a razão que a promulga é própria da natureza humana.

A lei natural “não é senão a luz da inteligência posta em nós por Deus; por ela, nós conhecemos o que se deve fazer e o que se deve evitar. Esta luz ou esta lei, deu-a Deus ao homem na criação”.

1956. Presente no coração de cada homem e estabelecida pela razão, a lei natural é universal nos seus preceitos, e a sua autoridade estende-se a todos os homens. Ela exprime a dignidade da pessoa e determina a base dos seus deveres e direitos fundamentais.

“Existe, sem dúvida, uma verdadeira lei, que é a reta razão; ela é conforme à natureza, comum a todos os homens; é imutável e eterna; as suas ordens apelam para o dever; as suas proibições desviam da falta. […] É um sacrilégio substituí-la por uma lei contrária: e é interdito deixar de cumprir uma só que seja das suas disposições; quanto a ab-rogá-la inteiramente, ninguém o pode fazer”.

1957. A aplicação da lei natural varia muito; pode requerer uma reflexão adaptada à multiplicidade das condições de vida, segundo os lugares, as épocas e as circunstâncias. Todavia, na diversidade das culturas, a lei natural permanece como regra a unir os homens entre si, impondo-lhes, para além das diferenças inevitáveis, princípios comuns.

1958. A lei natural é imutável e permanente através das variações da história. Subsiste sob o fluxo das ideias e dos costumes e está na base do respectivo progresso. As regras que a traduzem permanecem substancialmente válidas. Mesmo que se lhe neguem até os princípios, não é possível destruí-la nem tirá-la do coração do homem; ela ressurge sempre na vida dos indivíduos e das sociedades:

“Não há dúvida de que o roubo é punido pela vossa Lei, Senhor, e pela lei que está escrita no coração do homem e que nem a própria iniquidade consegue apagar”.

1959. Obra excelente do Criador, a lei natural fornece os fundamentos sólidos sobre os quais o homem pode construir o edifício das regras morais que hão-de orientar as suas opções. Também nela assenta a base moral indispensável para a construção da comunidade dos homens. Enfim, proporciona a base necessária à lei civil, que a ela se liga, quer por uma reflexão que dos seus princípios tira as conclusões, quer por adições de natureza positiva e jurídica.

1960. Os preceitos da lei natural não são por todos recebidos de maneira clara e imediata. Na situação atual, a graça e a Revelação são necessárias ao homem pecador para que as verdades religiosas e morais possam ser conhecidas, “por todos e sem dificuldade, com firme certeza e sem mistura de erro”. A lei natural proporciona à lei revelada e à graça, uma base preparada por Deus e concedida por obra do Espírito.
Como derrubar o direito natural?

Eliminar nas pessoas de que existe um Criador que, ordenou todas as coisas e as mantém de modo que o cosmos não se movimenta de modo arbitrário;

Eliminando a consciência da dignidade da vida humana;

Eliminando a consciência da dignidade da sexualidade humana.

Com o advento do cristianismo, ainda nos primeiros séculos, o seguimento de Cristo, onde é forte a existência do direito natural, ainda no tempo de Santo Agostinho, (livro A Verdadeira Religião), a sabedoria voltou a surgir na sociedade.
Os dois modos de trabalho do intelecto:

Razão Natural (O ser de todas as coisas);

A inteligência ajudada pela Graça (vem da sétima morada; se cultiva por um caminho espiritual, onde se começa a experimentar a partir da quinta morada do castelo interior; é a contemplação Infusa).

Santo Agostinho relata que, o fato dele crer o fez ver mais verdades e com muito mais clareza (não foi uma conversão moral, mas sim intelectual).

Algumas provas da inteligência ajudada pela graça

Padre Sertillanges em seu livro sobre a vida intelectual diz: “Como querereis pensar bem com a alma doente, com o coração trabalhado pelos vícios, solicitado pelas paixões, desorientado por amores violentos ou culpados?”:

“De que depende, antes de mais nada, o esforço da ciência? Da atenção, que fixa o campo da investigação nos concentra nele e apoia todas as nossas forças nesse sentido; em seguida do juízo, que recolhe os frutos da investigação. Ora as paixões e os vícios distraem a atenção, dispersam-na, desviam-na e alcançam o juízo por rodeios”.

“Não pensais na preguiça, sepulcro dos melhores dons? Na sensualidade, que enfraquece e prostra o corpo, enegrece a imaginação, embota a inteligência, dissipa a memória? No orgulho, que ora deslumbra ora entenebrece, que nos arrasta para o nosso próprio senso a ponto de nos fazer perder o senso universal? Na inveja que recusa obstinadamente uma claridade vizinha? Na irritação que rejeita as críticas e se apega ao erro?”.

Livre destes obstáculos o homem de estudo elevar-se-á, mais ou menos, segundo as suas posses e o ambiente em que vive, mas alcançará o nível do seu próprio gênio, do seu próprio destino. Todas as taras mencionadas estão mais ou menos ligadas umas às outras; (exige uma mudança em todas as áreas de nossa vida).
É possível ao intelecto ver a Deus?

“Tudo o que é elevado acima da natureza própria é necessário que tenha uma disposição, que lhe seja superior; assim, se o ar tiver que receber a forma do fogo, é necessário que receba alguma disposição para tal forma. Ora, quando um intelecto criado vê a Deus em essência, essa torna-se a forma inteligível. Por onde é necessário que lhe seja acrescentada alguma disposição sobrenatural, para que se eleve a tanta sublimidade. Ora, como a virtude natural do intelecto criado, não lhe basta para que veja a essência de Deus, como já demonstramos, necessário é que, seja aumentada pela divina graça a virtude intelectual, e esse aumento chama-se iluminação do intelecto, assim como o próprio inteligível é chamado luz ou lume, do qual diz a Escritura (Ap 21, 23): “A claridade de Deus a alumiou, i. é, a sociedade dos bem-aventurados que veem a Deus. E este lume os torna deiformes, i. é, semelhantes a Deus, conforme aquilo do Evangelho (1 Jo 3, 2):Quando ele aparecer, seremos semelhantes a ele e o veremos bem como ele é”. (S. Tomás – questão 12, art. 5)
Uns veem a Deus melhor que outros?

“Dos que veem a essência de Deus, uns a veem mais perfeitamente do que outros, o que não se dá, porque haja em uns semelhança de Deus mais perfeita do que em outros; pois, essa visão não se há-de realizar por nenhuma semelhança, como demonstramos; mas, sim, porque o intelecto de uns terá maior virtude ou faculdade para ver a Deus, que o de outros . Ora, a faculdade de ver a Deus não é própria ao intelecto criado, pela sua natureza mesma, mas, pelo lume da glória, que o constitui numa como deiformidade, conforme resulta do que já foi visto. Por onde, o intelecto que mais participar do lume da glória mais perfeitamente verá a Deus. Ora, desse lume mais participa quem mais caridade tem, porque onde há maior caridade há mais desejo e este torna, de certo modo, quem deseja, apto e preparado para receber o desejado. Logo, quem mais caridade tiver mais perfeitamente verá a Deus e mais feliz será”. (S. Tomás – questão 12, art. 6)
É possível compreender a Deus?

“(…) a compreensão, em sentido, mais amplo, opõe-se à pesquisa; assim, diz-se que compreende aquele que possui a quem procurava. E neste sentido, Deus é compreendido pelos bem-aventurados, conforme aquilo da Escritura (Ct 3, 4): aferrei dele nem o largarei; sentido no qual se entendem os lugares do Apóstolo sobre a compreensão. Neste sentido, a compreensão é um dos três dotes da alma correspondente à esperança (…)” (S. Tomás – questão 12, art. 7).

“A educação até o ano de 1200, era uma educação voltada para a elevação do ser humano. Não haviam as diversas matérias sociais que existem atualmente. Ensinava-se filosofia, teologia e, posteriormente, o início da decadência do processo educacional, também por conta da expansão do protestantismo, retórica.

“Mas o ensino, antes das universidades, eram voltados para a integridade, para vencer as paixões, a meditação e a contemplação, assim como documentou o sacerdote Hugo do mosteiro de São Vitor. A partir da contemplação, a pessoa alcançava a síntese de todas as coisas” (O papel do sábio).

11 – “A criação das universidades, de modo particular, após a criação do Diploma. Nesse momento passa-se a romper, gradativamente com a elevação do modo de aprendizado da inteligência ajudada pela graça, que requer acese, e valoriza-se mais o modo de aprendizado da razão natural. E a constante decadência no ensino, mais tarde vai causar a queda dos conceitos abstratos” (Nominalismo).
A universidade não é feita para a contemplação!

A contemplação ocorre tanto no uso da razão natural, quanto no uso da razão ajudada pela graça. Para a contemplação infusa é preciso passar, antes, pela contemplação natural.

“Com o tempo, não se cobra mais moralidade em faculdade nenhuma. A falta de desenvolvimento moral torna o homem um joguete nas mãos das paixões. Havendo uma ideologia ou doutrina que não seja árdua ou ascética e moral, às pessoas aceitam de bom grado”;

“O cristianismo pausou a decadência da humanidade na etapa do poder econômico. Porém, os poderosos não investiram na sabedoria, mais cumpriram a maldição grega de procura de aumento do próprio domínio”.

“As leis de Isaac Newton foram as bases da filosofia moderna. Ele veio antes dos filósofos com mais baixo grau de capacidade filosófica como Kant, Hegel, Marx (…). Foi ele quem lançou as bases para eles. Ex.: A lei do Movimento Retilíneo Uniforme é a base que confronta a lei do movimento que prova a existência de Deus”. (As demais leis de Newton são uma pior do que a outra e é preciso estudar sobre isso. Não o faremos nesses artigos).

“Quem criou o mecanismo de controle das leis foi Karl Marx com a disseminação das ideologias. Esse processo de criação das ideologias da modernidade começou com as leis de Issac Newton, seguido pelos filósofos Kant, Fichte, Schelling, Hegel e seguintes. Esses romperam com a filosofia tradicional e criaram uma tremenda confusão devido a baixa capacidade intelectual que já vigorava em sua época”.

“O pior ainda está por vir: já está em curso os projetos de controle educacional, para que tudo esteja no controle do Estado. Uma educação obrigatória, que tirará o direito dos pais e da Igreja no processo educacional”.
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03 junho 2018

Devemos ter coragem de sair da zona de conforto e progredir


 Devemos ter coragem de sair da zona de conforto e progredir

                     Não fique no plano das promessas tenha coragem de progredir


Entra ano e sai ano e as promessas se tornam grandes e muitas vezes irreais. Projetos são idealizados e não concretizados. E a frustração e o desânimo tornam-se companheiros cada vez mais frequentes.

Que tal iniciar o ano de uma forma diferente? O que você deseja fazer neste ano que não fez? Pense em algo.





Agora, pense no que você precisa fazer para que esse projeto se realize, e não fique apenas no papel. Pensou? Aqui é preciso gastar neurônio. Traçar um caminho real e não imaginário, do que eu preciso fazer para alcançar meu objetivo. Por exemplo. Quero trocar de carro: para trocar de carro eu preciso saber o valor do meu atual e o valor do carro que eu desejo comprar. Depois de saber o valor da diferença, é necessário saber onde poupar. Onde poderia diminuir a minha despesa? Nos gastos com refeição e saídas noturnas aos finais de semana? Com aquele lanche que compro todos os dias quando saio do trabalho, ao passar naquela padaria maravilhosa? Na conta do celular? Seja real, verdadeiro e prático. Desse valor que poderá ser poupado, onde será bem aplicado para a troca do carro? Talvez um consórcio. Tudo isto poderá ser realizado ao longo do ano de 2018, até que a troca seja feita. Ótimo! Já temos um planejamento anual. No entanto, existe um erro nisso tudo. Afinal de contas, muitos brasileiros já fazem isso e, todo o planejamento não sai do papel. E ao chegar ao final do ano, permanece com o mesmo carro, frustrado e sem dinheiro.
O segredo está no hoje!

Todo esse planejamento está projetado para um futuro. Que pode chegar ou não. E o problema do futuro é que não vivo ele. E quando vivo, corro o grande risco de desenvolver um transtorno de ansiedade. Então, o que desse planejamento eu posso realizar hoje? Se desejo vender, é preciso anunciar a venda. Tirar foto do carro, anunciar na internet, colocar uma placa de “vende-se”! Tudo isso eu posso fazer AGORA! Ficar apenas no projeto, não impulsionará ninguém chegar a lugar algum. É preciso saber onde quero chegar, como chegar, mas acima de tudo, dar a partida. Sair do lugar, dar o primeiro passo! A sua mente só saberá que você quer chegar a algum lugar, quando já estiver no caminho.

Vamos pensar naquela pessoa que deseja muito, ao final do próximo ano, participar da corrida de São Silvestre ou de alguma meia maratona que acontece nas grandes capitais. Se ela desejar e planejar tudo o que precisa fazer, como: mudar a alimentação, dedicar um tempo do seu dia para fortalecer a musculatura na academia e ir para a rua correr; se essa pessoa planejar mas não iniciar esse processo, então, chegará ao final do ano e ela não terá condições físicas para participar da corrida. Tudo ficará apenas no desejo e no pensamento.


Planeje, mas execute

Por isso, não adianta planejar e não executar. E o executar precisa ser agora, no calor da motivação, da criatividade!

Outro ponto determinante é sobreviver no percurso da execução do projeto. Sair da zona de conforto é desgastante, instável e inseguro. Por esses motivos, muitas vezes desistimos no meio do caminho. Pois o meio do caminho é este lugar em transição, que não é mais de onde eu estava, mas também, não é onde eu desejo chegar. Essa transição gera a angústia da instabilidade, do não saber se vai dar certo, “se eu vou conseguir”. No entanto, se eu ficar preso a emoção da angústia e insegurança, provavelmente ficarei vulnerável as situações externas e assim desistirei. Se seu projeto é bom; real; possível de se realizar; não fique preso às emoções próprias da fase de transição. Tenha coragem de dar o primeiro passo! De sair do ponto de partida e perseverar na transição.

Não deixe para ir à academia amanhã; fazer dieta na segunda; poupar dinheiro no próximo mês, amar seus filhos, pais, amigos e esposo (a) amanhã. Viva o hoje! É isso que você tem – o hoje; preciso sonhar e planejar o amanhã, mas se não colocar em prática hoje, tudo ficará sempre no “amanhã”. Inicie e persevere!
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01 junho 2018

Como formar crianças emocionalmente fortes e equilibradas?


Como formar crianças emocionalmente fortes e equilibradas?

                É possível educar as crianças para serem fortes em todas as áreas da vida?


Nasce o filho e com ele nascem: o pai e a mãe. E nesse pai e nessa mãe, nasce uma avalanche de sentimentos. Um mix de seguranças e incertezas, coragem e medo. Queríamos uma cartilha que nos ajudasse no sono, na amamentação, nas cólicas, nas febres, nas viroses, na introdução alimentar, no engatinhar, no andar, no falar, no pensar, no amar, no e na (…). “Ufa!”. São tantas demandas. E, existe sim, muitas “cartilhas” de como “adestrar” seus filhos. Métodos e mais métodos “infalíveis” para transformar aquela folha em branco chamada filho no “ideal de homem/mulher” que está dentro dos pais.

Até o título desse texto foi de propósito, pois, quem não quer as 5, 10 ou 20 dicas de como formarem crianças para serem emocionalmente fortes e equilibradas? Certinhas e que nunca mostrem fraquezas ou certo desequilíbrio? Quem não quer um filho que não “dê problema”? Quem não quer um “deus” em vez de uma pessoa?





Depois de muitas provocações precisamos pensar: “Quero ser para meu filho alguém que, o ajude a ser o melhor de si mesmo ou o melhor que acho que ele deve ser?” Estou preocupado com ele ou comigo mesmo?
Quero entender meu filho?

Por exemplo, muitos pais não querem entender o porquê do choro do filho, que não permite que ele durma; mas, querem a receita infalível para que o bebê pare de chorar e durma. O que está por trás não é a necessidade do filho que chora por uma causa, mas sim a necessidade que o pai/mãe tem de dormir.

Por vezes corremos o risco de “idealizarmos” tanto o filho “perfeito” que não permitimos que ele exista, entretanto, insistimos para que ele “exista” da maneira que julgamos a mais apropriada. Que violência! Colocamos padrões desumanos,como por exemplo, meu filho tem que andar com 5 meses, porque, tem que ser o primeiro em tudo. Deve ler com 1 ano, pois, o da vizinha aprendeu com 2 anos e o meu não pode ficar para trás. Não pode chorar; tem que ser forte e mais forte que o filho dos outros.

Gosto do sentido da palavra -educar- vem do latim: “educere”, que significa “tirar de dentro”. Educar não quer dizer colocar coisas, como se não tivesse nada lá dentro dele, muito pelo contrário, educar é um processo que oportuniza sair o que em potencial já existe. Todos nós nascemos com um ser bom, justo, amável e etc.. O que precisamos como pais é oferecer o melhor ambiente para que isso possa vir para fora; para que possa aparecer e ser. Nosso trabalho não é o de colocar coisas, e sim, sermos “gatilhos” de identificação para nossos filhos.


Como ter um filho equilibrado emocionalmente?

Se quero que meu filho seja uma pessoa “equilibrada emocionalmente”, preciso pensar no quanto eu “ofereço para ele um ambiente equilibrado nas emoções”, para que ele se identifique e tire de dentro dele aquilo que ele viu fora.

Contudo, entenda que equilíbrio emocional não quer dizer não ter conflitos, não é isso. Equilíbrio se supõe presença de opostos, logo, conflitos. E esses opostos podem aparecer sem medo e sem desajustar a relação. Pode até tensiona-la, mas não polariza-la. Isso gera no filho a oportunidade de tocar dentro de si, nos próprios sentimentos ambivalentes que existem e, assim, assumi-los, integra-los e os colocar no mundo das relações de uma maneira mais saudável.

Hoje, acompanhamos vários adolescentes, jovens e, até adultos, que não conseguem lidar com as próprias emoções. Não toleram a frustração e partem para atitudes desequilibradas baseadas no rancor, raiva e ódio. Pensemos no quando, durante a infância foram “formados” por um ambiente instável e agressivo. Agem no hoje com aquilo que internalizaram lá na infância.
Qual é a fórmula certa para educar?

Se me perguntarem:

– Então, como educar os nossos filhos? Primeiro pense no quanto você de fato está “educado”. O quanto você se conhece, se aceita e se integra. Que referencial você é para o seu filho e como ele assimila isso? Muitas vezes colocamos fardos sobre eles, os fardos das nossas idealizações. Mas, digo a você, seu filho estrutura-se na linha das idealizações que ele faz de você. Ou seja, o quanto você se torna o “ideal” que está dentro dele. Exemplo: se falo para o meu filho que precisa respeitar aos outros, que deve ser honesto e gentil e, no primeiro sinal vermelho do semáforo acelero, não paro carro; estou dando a ele o “ideal da desonestidade” e, entre o que falo e faço, ele ficará com o que eu faço.

Eles nos veem; nos idealizam. Não há métodos infalíveis e livros de receitas para a educação dos filhos, podem até ajudar, mas sempre será no relacionamento de pais e filhos que o “educere” acontecerá. Acredite nisso!
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30 maio 2018

Como posso fazer para educar e criar bem meus filhos?


      Como posso fazer para educar e criar bem meus filhos?

                     Educar os filhos é uma missão que exige compreensão e sabedoria

Que pai e mãe nunca falaram ou ouviram a célebre frase: “Eles não vêm com manual!”. Eu sou mãe de três e já falei e ouvi, várias vezes, essa frase; ri muito, mas, hoje, penso na quantidade de manuais que recebemos, diariamente, sobre como educar nossos filhos.

É um excesso de manuais que ensinam, de diversas formas, como educar seus filhos, o que você deve ou não fazer, como eles devem ou não se comportar, o que deve ou não ser aceito. Como se eles fossem máquinas que precisassem ser programadas. Ou como se todos fossem tão iguais, que o mesmo manual servisse para todos, “pode confiar, não tem erro!”.



Cada filho é um

Como eu disse, sou mãe de três, e cada é um de um jeito, mesmo com idades próximas (7,5 e 3 anos). São educados pelos mesmos pais, seguem os mesmos princípios, mas, meu Deus, como são diferentes! E precisam ser tratados assim, diferentes, cada um com sua didática. Somos, constantemente, bombardeados pelas redes sociais, por revistas, por pessoas que, muitas vezes, só estão interessadas no nosso dinheiro, vendendo seus pacotes milagrosos, que transformam nossos filhos em anjos.

Primeiro, filhos não são anjos. Eles são, a princípio, crianças que precisam ser amadas e educadas, mas não à base de ferro e fogo. O alicerce precisa ser o amor. Sei que não é fácil, e, aqui em casa, é uma luta diária!

O mundo vive uma fase em que tudo precisa ser “fast”. Se não for rápido, se não for fácil, está errado. Quem sabe, então, terceirizar nossos filhos seja a solução! Aí, fica bom a creche, a escola em tempo integral (faço uma ressalva, aqui, para os pais que precisam trabalhar o dia todo para levar o sustento para os seus lares. Nesse caso, a creche e a escola em tempo integral são fundamentais!); porém, há aqueles pais que podem, sim, passar mais tempo com seus filhos, mas preferem os encher de atividades durante o dia, para que, ao chegarem em casa, se sintam tão cansados e não deem trabalho nenhum.

Com esse excesso de manuais que temos, acabamos nos esquecendo do essencial: Deus nos deu algo muito melhor, o instinto. Muitas vezes, nele está a resposta para os conflitos que vivemos em nossa casa. É só acalmar nosso coração e ouvir a voz que vem a nós; normalmente, não tem erro!

Sei que existem problemas como TDHA, síndrome de down, autismo… Nesses casos, a ajuda profissional para a família toda é, realmente, essencial. Mas se seus filhos não apresentam nenhum desses problemas, porque não confiar naquilo que você traz de instinto, naquilo que aprendeu com seus pais? A vida é feita de acertos e erros, nossos filhos precisam ver isso, até para não acharem que tudo é perfeito nem que eles não precisam ser perfeitos. Não podemos exigir isso deles.
Passe mais tempo ao lado deles

Pare um pouco de ler esses artigos ensinando como educar seus filhos e passe mais tempo com eles. Talvez, aí já esteja a solução. Com o celular de lado, pergunte como foi a escola, quem são seus amigos, se ele já traz sonhos. Fale do amor que sente por eles, faça um bolo juntos, dê risadas de bobeiras, faça uma brincadeira em família, reze em família, mas não imponha nada. Aos poucos, coloque essas práticas na rotina da casa.

Disse uma vez para uma amiga que a única coisa que uma criança precisa é um lar e amor. Lar não é só uma casa física, tijolos e paredes, mas uma família estruturada, onde há respeito, amor, compreensão, tempo de qualidade juntos, TV desligada um pouco, para desconectar do mundo e estar em família.

Se você teve a chance de ler aquele artigo que escrevi sobre a guerra que as famílias estão vivendo, vai ver que, este artigo, agora, está ligado a ele. Pois se terceirizamos nossos filhos, tornarmo-nos desconhecidos dentro de nossas próprias casas; e aí a desestruturalização do nosso lar já está decretada.

Comece a observar o seu lar e ver como está sua relação com seus filhos, onde ela pode melhorar. Lembre-se de que os filhos são nossa herança, e precisamos cuidar deles. Comece a dar passos em direção a eles, mesmo que não sejam pequenos como os meus, pois a reconciliação é possível, ainda dá tempo de ajustar as estruturas da casa, reconstruir os laços que, com o tempo, foram se desfazendo.

Deus abençoe você e sua família. Faça você o seu manual e nunca se esqueça de que o nosso lugar e o de nossos filhos é o Céu.

E se você achar, mesmo assim, que precisa de um manual, vou te dar um:
Oração pelos filhos

Sois, ó meu Deus, o Criador e o verdadeiro Pai de meus filhos.

De Vossas mãos os recebi como a dádiva mais preciosa e cara que me podíeis ter dado, e que a Vossa bondade conserva e mantém em meu poder, para minha consolação e ufania.

Consagrando-me devotamente ao Vosso serviço e amor, eu Vo-los consagro também, para que sempre Vos sirvam e sobre todas as coisas Vos amem.

Abençoai-os, Senhor, enquanto eu, por minha vez, igualmente os abençoo em Vosso sacratíssimo nome.

Não permitais que, por negligência de minha parte, venham eles a desertar, um dia, do caminho da virtude e do bem.

Velai por mim, para que eu possa por eles velar, educando-os no Vosso santo temor, em harmonia com os ditames de Vossa lei.

Fazei-os dóceis, obedientes, inimigos do pecado, para que nunca Vos ofendam, como eu tanto e tanto Vos tenho ofendido.

Colocai-os, Senhor de bondade, sob a maternal proteção de Maria Santíssima, Vossa Divina Mãe e nosso incomparável modelo, para que possam guardar sempre ilibado o formoso lírio da pureza que tanto amais.

Afastai deles as doenças, a pobreza e as riquezas perigosas.

Livrai-os, Senhor, de todas as desgraças e perigos da alma e do corpo, e concedei-lhes todas aquelas graças que eu não sei pedir, mas que lhes são precisas, para que sejam bons filhos e católicos fervorosíssimos.

Fazei, finalmente, meu Deus, que com todos os meus filhos possa eu desfrutar, no seio do paraíso, a doce e eterna ventura que destinais aos Vossos eleitos.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Amém
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28 maio 2018

Eduque seus filhos bem alicerçados em valores



           Eduque seus filhos bem alicerçados em valores

              Reflita alguns ensinamentos do Papa Francisco para a educação dos filhos

              “… a casa não desabou, porque estava construída sobre a rocha” (Mt 7,25)



Quando o Papa Francisco esteve no Brasil, em 2012, ele usou uma expressão bem conhecida por nós: “Os filhos são a menina dos nossos olhos”. O ditado popular aplica aos filhos a imagem da pupila dos olhos, considerada janela por onde a luz entra e possibilita a visão.







Fazemos tudo o que podemos para que nossos filhos cresçam alicerçados sobre uma base sólida, onde sejam capazes de construir a vida. É nossa responsabilidade garantir a eles segurança e educação, para que se tornem aquilo que podem ser. Buscamos transmitir valores duradouros, para que vivam a vida como ela merece ser vivida. Dessa maneira, garantiremos a eles um horizonte que corresponda à sede de felicidade autêntica, suscitando neles a criatividade do bem.


“…estava construída sobre a rocha” (Mt 7,26)


“O que vai ser de nós se não tomarmos conta dos nossos olhos? Como haveremos de seguir em frente?”, continua o Santo Padre. Essas perguntas nos provocam sobre a formação que estamos oferecendo aos nossos filhos. Que valores estamos transmitindo a eles? Será que uma chuva passageira vai desfazer o que ensinamos? Os ventos contrários podem abalar nossos filhos? Proximidade, doçura e firmeza oferecidos em doses equilibradas permitem a transmissão da sabedoria.
Proximidade


Seja próximo dos filhos em seu crescimento: “Quando brincam e quando se empenham, quando estão despreocupados e quando estão angustiados, quando se exprimem e quando ficam em silêncio, quando ousam e quando têm medo, quando dão um passo errado e quando reencontram o caminho; pai presente, sempre”, ensina o Papa Francisco. Proporcionar que o filho sinta um afeto profundo e discreto é o que marca a proximidade dos pais. Talvez o filho não reconheça essa proximidade na adolescência e no início da juventude, mas, como o passar dos anos, o afeto que recebeu se tornará evidente em seus comportamentos e sentimentos.




Doçura


É preciso encontrar as palavras certas para se fazer entender e aliviar o peso de inevitáveis incompreensões. Em certos casos, pai e mãe recorrem à sabedoria do coração para vigiar sobre os excessos de sentimento.
Firmeza


Muitas vezes, os pais precisam ensinar coisas que nem mesmo sabem, corrigir erros que os filhos não percebem. Acostumados com cumplicidade e proteção, nem sempre haverá compreensão dos filhos quando houver a necessidade de uma postura mais rigorosa e firme. Diante de um erro cometido, os pais deve corrigir os filhos com firmeza. Porém, é sabedoria saber perdoá-los de coração. “O pai que sabe corrigir sem degradar é o mesmo que sabe proteger sem se economizar. Uma vez ouvi um pai dizer: ‘Algumas vezes, preciso bater um pouco nos filhos, mas nunca no rosto, para não os degradar’. Que bonito! Tem sentido de dignidade. Deve punir, faz isso de modo justo, e segue adiante”, explica Francisco.






Exemplo de amor


Antes de aprender falar, os filhos prestam atenção em tudo. É muito importante que eles vejam e percebam que o pai e mãe são apaixonados um pelo outro. “Que seja próximo à mulher, para partilhar tudo, alegrias e dores, cansaços e esperanças”.
Brinque


Uma das coisas que dou prioridade no dia a dia é brincar com meu menino. Aliás, a brincadeira é uma das mais importantes maneiras de possibilitar aos pequenos, que ainda não têm o domínio da linguagem, expressar seus sentimentos. Portanto, brincar é a linguagem das crianças, principalmente das pequenas. Na infância, o tempo livre que as crianças têm para brincar é muito mais importante do que as atividades acadêmicas. O valor de uma brincadeira não deve ser subestimado. Brincar é tão importante no desenvolvimento infantil, que é garantido no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), promulgado em 13 de julho de 1990. Brincar é saudável, reduz o estresse e o risco de obesidade, desenvolve habilidades cognitivas, físicas e sociais.




Não seja controlador


Ser presente não é o mesmo que ser controlador. “Porque os pais muito controladores anulam os filhos, não os deixam crescer”, exorta Francisco. Assim como na Parábola do “Pai Misericordioso” (cfr Lc 15,11-32), os pais devem ser pacientes. “Tantas vezes não há outra coisa a fazer se não esperar, rezar e esperar com paciência, doçura, magnanimidade e misericórdia”, ensina o Papa. É necessário dar espaço para que a nova geração realize a missão que só cabe a ela.
Importância dos irmãos


“E o fato de ter irmãos e irmãs é bom para você: os filhos e filhas de uma numerosa família são mais capazes de comunhão fraterna desde a infância. Em um mundo, muitas vezes, marcado pelo egoísmo, a família numerosa é uma escola de solidariedade e partilha; e essas atitudes são, portanto, para o benefício de toda a sociedade. Obviamente, a família para viver esta sua vocação deve contar não só na ‘aldeia’ de seus amigos, mas com o apoio efetivo de políticas familiares e com a proximidade da comunidade eclesial”, diz o Papa Francisco.



Abertura aos outros


O clima de educação familiar aberta aos outros se torna uma grande escola de liberdade e paz. Na família, aprendemos com nossos irmãos como devemos viver na sociedade. “Talvez nem sempre sejamos conscientes disso, mas é justamente a família que introduz a fraternidade no mundo. A partir dessa primeira experiência de fraternidade, alimentada pelos afetos e pela educação familiar, o estilo de fraternidade se irradia como uma promessa sobre toda a sociedade e sobre relações entre os povos”, enfatiza o Santo Padre.
Que herança vou deixar?


Para o pleno desenvolvimento das crianças, devemos “tutelar as condições materiais e imateriais”. O pai que “reconhece ter transmitido ao filho um coração sábio” sente-se realizado. Realização não se alcança quando o pai repete no filho as coisas que ele diz e faz, mas quando é capaz de transmitir sabedoria. “Filho meu, se o teu coração for sábio, também o meu será cheio de alegria. Exultarei dentro de mim, quando os teus lábios disserem palavras retas”, ensina a Palavra de Deus (cfr. Pv 23,15-16). Muitos se preocupam se deixarão uma boa herança. Papa Francisco afirma que um dos melhores patrimônios que se pode oferecer ao filho é a “atitude de sentir e agir, de falar e julgar com sabedoria e retidão”, despertando neles “as melhores potencialidades, para que sejam sujeitos do próprio amanhã e corresponsáveis do destino de todos”.
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26 maio 2018

Quando é que as mães param para rezar?



          Quando é que as mães param para rezar?

Enquanto mãe, minha obrigação primeira é amar e cuidar dos meus; e ao fazer isso, estarei amando e honrando Nosso Senhor, isso é rezar


Um dia, após ter tido meu primeiro filho, fui com o coração apertado conversar com um padre amigo meu, porque estava me sentindo distante de Deus, já que, em meio a mamadas, banhos, trocas de fralda, roupinhas para lavar, serviços de casa e marido, não estava encontrando tempo para rezar.





Dentre tantas coisas que ele me falou, a que mais ficou gravada foi: “Um filho nunca vem para afastar seus pais de Deus, mas para os aproximar”.
Fiquei com aquela frase e fui conduzindo minha vida. O tempo foi passando e eu continuava tentando adaptar as várias realidades do dia com a minha espiritualidade.
Momentos de aridez sem conseguir rezar
Vivi momentos de aridez, de dias sem rezar o terço, de semanas sem um estudo da Palavra de verdade; às vezes, uma passada de olho, e acabava dormindo com a caneta na mão, rabiscando coisas ilegíveis no papel.
Sei que nesse tempo fui amparada pela Eucaristia diária.
Em meio a toda correria, não deixávamos de participar da Santa Missa nem um dia. Isso foi meu sustento. Hoje, graças a Deus, vivo um tempo bonito de intimidade com Deus, de me sentir amada e perceber que meu amor por Ele também cresce a cada dia.
Como consegui isso com tantas atribuições e tarefas a serem realizadas? É o que quero partilhar com você.
Rezar e trabalhar
A primeira e preciosíssima coisa foi entender a beleza de meu chamado e a virtude a que sou convidada a viver como esposa e mãe.
Deus espera virtudes diferentes de cada vocação, de cada estado de vida: a dos esposos é o amor e a fidelidade um para com o outro.
A das mães e pais é a virtude da paciência e o cuidado com os filhos. Missões diferentes do que Ele espera de um sacerdote e de uma freira, por exemplo.
Compreendendo isso, descobri que enquanto varria minha casa, poderia causar tanta alegria ao coração de Deus, como se passasse 40 minutos de joelhos em oração.
Não é que Deus não queira me ver diante d’Ele rezando, mas é que, enquanto mãe, minha obrigação primeira é amar e cuidar dos meus; e ao fazer isso, estarei amando e honrando Nosso Senhor. Isso é rezar.
Fazer tudo com amor é oração
A segunda coisa que aprendi com Santa Terezinha, que com certeza aprendeu de seus pais São Luís e Santa Zélia (casados, pais de nove filhos), é que a menor e mais simples atitude – feita com amor- é oração; é um degrau que sobe em direção ao céu.
Isso me ajudou muito: passei a fazer do estender roupas no varal, do lavar louças, do arrumar as camas, de um momento de atividade com os meninos, do receber meu esposo em casa com um beijo, minha oração.
Consegui isso todos os dias e com perfeição? Não. Ainda não. Às vezes, o cansaço, a irritação, as preocupações me atrapalham em meu propósito, mas continuo nessa busca; e quando consigo, é para mim um dia pleno da presença de Deus.

Espiritualidade no casamento

A terceira coisa é aprender a fazer tudo na presença de Deus. Desde o acordar, já podemos ir nos colocando em oração, agradecendo a Deus pelo dia e consagrando a Ele todas as nossas atividades.
Recordo-me de um dia, um domingo de manhã, que acordei já muito cansada, porque estava sozinha com as crianças desde sexta-feira, pois, meu esposo havia viajado em missão (para pregar em um retiro). E percebi logo de manhã, pela impaciência com os meninos, que meu dia não seria fácil; coloquei-me num cantinho da cozinha e comecei a orar em línguas, clamando que o Espírito Santo viesse me ajudar naquele dia, que viesse mudar meu humor e nos ajudasse a ter um dia agradável.
Eu não queria ser conduzida pelos meus sentimentos e por meu cansaço, mas pelo Espírito de Deus. Foi incrível o que o Senhor realizou! Passamos um dia tranquilo, divertimo-nos e fizemos tudo que precisávamos fazer em paz.
Quando clamamos a presença e o auxílio de Deus e de Nossa Senhora, Eles não nos desamparam. Assim, em tudo que fizermos, podemos ir pedindo, numa oração silenciosa ou não (é até bom que nossos filhos nos escutem rezando), que o Senhor venha estar conosco, que Maria venha nos ensinar a ser mãe, que o Espírito Santo preencha nosso lar de amor e paz.
Isso é rezar, rezar constante, ao ritmo da vida que aprendemos com monsenhor Jonas, fundador da Canção Nova.
São Paulo recomenda: “Orai em todo tempo” (Ef 6,18). Isso nós mães e esposas podemos e devemos fazer: enquanto amamentamos, enquanto tomamos banho, enquanto fazemos almoço, enquanto colocamos a criança para dormir, é estar o tempo todo falando com Deus. Falando de quê? De tudo.
Tudo que passa no coração: dores, medos, alegrias, dúvidas, sofrimentos, sonhos. Isso é oração concreta.
Continue sempre rezando
Outro ponto da espiritualidade do casado é entender que o amor entre os esposos é a grande expressão da presença de Deus na família.
Estudando a “Teologia do Corpo” de São João Paulo II, compreendi que o ponto forte da espiritualidade do casal acontece no ato conjugal, onde esposo e esposa atualizam o sacramento, tornam-se expressão do amor de Cristo pela Igreja e expressão do próprio Deus, que é comunhão, é unidade.
Então, por exemplo, se uma esposa está indecisa sobre como aproveitar seu tempo, se rezando o terço ou unindo-se sexualmente ao seu marido, penso que melhor para o casal – emocional e espiritualmente falando – é a segunda opção; melhor ainda é se puderem os dois recitarem o terço juntos e depois fecharem a espiritualidade do dia com a celebração do amor em seu leito conjugal. Isso é oração, a mais bela oração de um casal.
Por fim, compreendi que tudo na nossa vida passa, só Deus não.
As noites em claro vão passar; o cuidado, muitas vezes exaustivo com o recém-nascido, vai passar; as inúmeras trocas de fraldas ou de roupas sujas de papinha, vão passar; as preocupações com provas, tarefas e a escola, vão passar; o trabalho profissional das esposas, que além da casa também trabalham fora, com o tempo vai mudar.
As exigências próprias desse tempo
Então, o que vivemos hoje são exigências próprias desse tempo, mas futuramente não as teremos e provavelmente voltaremos a ter mais tempo para nos dedicarmos diretamente à oração, às missões e atividades pastorais em nossas comunidades.
Conformemo-nos com o chamado de Deus e nos alegremos, fazendo tudo com amor, porque essa é a maior e mais perfeita oração: “Agora pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, mas o maior desses é o Amor” (1 Cor 13,13).
Assim, ao nos questionarmos sobre a espiritualidade de uma esposa com a pergunta: “Quando é que ela reza?”, logo teremos a resposta também em forma de pergunta: “Quando é que ela NÃO reza?”.

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24 maio 2018

Conheça Santa Gianna Beretta e seus valores familiares

      Conheça Santa Gianna Beretta e seus valores familiares

   Mãe, esposa e profissional dedicada, a vida de Gianna Beretta foi e continua a ser exemplo

Em 24 de abril de 1994, o Santo Papa João Paulo II celebrava a beatificação de Gianna Beretta Molla, também chamada de Joana, momento em que se atentou ao dom divino da maternidade e fez constar em suas palavras uma “homenagem a todas as mães valentes, que são dedicadas sem reservas a sua própria família, que sofrem com o parto de seus filhos e estão prontas a realizar todo o trabalho árduo, enfrentar todos os sacrifícios para transmiti-los o melhor que elas preservam em si mesmas”.

Gianna representa para as famílias um modelo do maior mandamento “Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, com toda tua força e de todo o teu entendimento; e a teu próximo como a ti mesmo” (Lc 10,27). Desde muito nova, acolheu o dom da fé e a educação cristã que lhe foi ensinada por seus pais. Cresceu praticando sua fé com um compromisso de apostolado entre os jovens e de caridade com os idosos. Por profissão, escolheu a medicina que exerceu em Mêsero, um município italiano na província de Milão, especializou-se em pediatria e, entre seus pacientes, demonstrou especial cuidado com as mães, crianças, idosos e pobres.




Observando sua trajetória, compreendemos a importância da catequese familiar, pois a presença daqueles pais devotos encaminharam sua filha para a santidade. Sua formação religiosa ensinou-lhe considerar a vida como um dom maravilhoso de Deus, ter confiança na Providência e a estimar a necessidade e a eficácia da oração. Por meio desta, entregou-se à vocação matrimonial, com entusiasmo e total doação, para formar uma família realmente cristã.

Na basílica de São Martinho, em Magenta, casa aos 24 de setembro de 1955, vive uma vida de fé inabalável, a tudo agradece, fortalece-se na oração e entrega-se à Divina Providência no mais puro modelo de devoção que se requer de todo sacramento. Apresenta-se jubilosa mãe de Pedro, Mariolina e Laura, com simplicidade e equilíbrio, harmoniza os deveres de mãe, esposa e médica com a grande alegria de viver. Ora, que formidável exemplo a seguir!

Em especial, nos dias de hoje, pelos quais em nome de valores mundanos há de se insistir na distinção entre profissional e mãe, entre mulher livre e esposa. Na Concelebração Eucarística de sua canonização, em 2004, Papa João Paulo II expressou seu desejo de que “possa a nossa época descobrir de novo, através do exemplo de Joana Beretta Molla, a beleza pura, casta e fecunda do amor conjugal, vivido como resposta ao chamamento divino!”.
Chamado divino

É bem verdade que, pela Providência Divina, pode a mulher exercer plenamente a profissão sem o abandono do lar, pode dedicar-se ao matrimônio sem perder-se de si mesma e, se houver o chamado, poderá ser exemplo do sacrifício de quem põe, acima de tudo, a vocação de ser mãe, ato de entrega que merece nossa admiração. Em nossa vida, no momento da decisão de seguir o chamado divino, pelo exemplo de Gianna Beretta, não deixemos que as angústias do desamparo humano nos levem a crer que há limitações aos desígnios de Deus.

Durante uma vida de entrega à vocação cristã, Gianna demonstrou-se uma mulher completa e totalmente feliz;0 e no momento da dor, não se deixou abalar. No início da gravidez de seu quarto filho, Gianna foi atingida pelo sofrimento e pela dor quando apareceu um fibroma em seu útero. Submetida à cirurgia, mantem-se firme na , pedindo pela vida de sua filha. Com o sucesso da cirurgia, reforça sua gratidão a Deus e vive os restantes sete meses de gravidez com sua fé inabalada, suplicando a Deus pela saúde de sua filha.


Santidade

Dias antes do parto, cheia do amor que a maternidade representa, está pronta para sacrificar-se por sua filha. Na manhã de 21 de abril de 1962, nasce Joana Manuela. Apesar dos esforços para salvar sua vida, na manhã de 28 de abril, em meio a fortes dores e após ter repetido a jaculatória “Jesus eu te amo, eu te amo”, Gianna Beretta morre santamente. Foi beatificada por João Paulo II, no dia 24 de abril de 1994, no Ano Internacional da Família e canonizada em 16 de maio de 2004.

Exemplo de dedicação ao matrimônio e a maternidade é lembrada pelo Papa Bento XVI como “esposa e mãe, mulher comprometida no âmbito eclesial e civil, que fez resplandecer a beleza e a alegria da fé, da esperança e da caridade”. Peçamos, em oração a Deus Pai, que nos deu a Santa Gianna como exemplo de esposa amorosa, que cercou de amor a sua família, construindo uma verdadeira “Igreja Doméstica”, faz-me assimilar esse mesmo amor incondicional, consagrando minha vida ao Teu serviço junto aos que me cercam.

Oração:

“Senhor, que seja Tua Vontade. Amamos a Cruz e temos que refletir que não a carregamos sozinhos(as), se não que é Jesus que nos ajuda a carregá-la e que Nele somos capazes de fazê-lo, já que Ele nos dá a força necessária para isso“.

(Gianna Beretta Molla)
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