Quem deve ser o diretor espiritual?


               Quem deve ser o diretor espiritual?



A direção espiritual não pode ser conduzida pelo “respeito humano”, por isso é preciso discernir bem quem deve ser o diretor espiritual.

A direção espiritual toca na dimensão pessoal, por isso é importante que ela seja presencial. A distância sempre trará certa dificuldade à comunicação, impedindo vários fatores no contexto da direção. A não ser no caso de uma pessoa que já tenha começado esse caminho há um bom tempo e, por isso, pode continuá-lo via internet, devido ao tempo de conhecimento já adquirido entre o diretor e o dirigido. Mesmo assim, será necessário um momento presencial entre eles.

Esse trabalho de direção espiritual é a condução da alma para Jesus Cristo, porque ninguém segue esse caminho sozinho. Ninguém “se resolve” sozinho nem tem todas as respostas, não é autossuficiente. É preciso enxergar a vida, os conflitos e também os benefícios que precisam ser trilhados com a ajuda de alguém que nos leve ao crescimento e à vivência das virtudes. O diretor espiritual é aquele que ajuda a pessoa na descoberta da vontade de Deus para ela.

Não é necessário que seja somente um sacerdote para dirigi-la espiritualmente. Pode também ser um religioso, um monge, um consagrado e até mesmo um leigo. No entanto, é preciso que haja clareza e preparo nessa questão, além de outros requisitos.

São Francisco de Sales afirma que existem três qualidades fundamentais para o diretor espiritual: a caridade, a ciência e a prudência. A caridade consiste em dispensar tempo para atender a pessoa que precisa de direção. Ciência, porque requer conhecimento espiritual, estudo sobre a vida dos santos e sobre as realidades da alma, justamente para conseguir identificar as questões íntimas que a pessoa vive e discernir qual caminho ela deve seguir. A prudência também é necessária nesse caso, a fim de que a direção espiritual não se torne um “mero trato de dois amigos” que partilham algo.

Dirigir alguém espiritualmente não é simplesmente fazer uma partilha da alma, mas um momento no qual eu “abro” a minha alma para me deixar conduzir. Muitas vezes, essa condução não será de acordo com as nossa vontade. O diretor espiritual precisa ter o cuidado de não atrair a pessoa para si, ou seja, passar a ser referência na vida dela. Pelo contrário, ele precisa fazer a pessoa crescer em Jesus Cristo com elementos para que possa discernir a própria vida. O diretor espiritual não deve “decidir” a vida da pessoa, mas conceder esses elementos para que ela possa tomar suas próprias decisões.

O principal benefício dessa prática consiste em crescer na fé e na intimidade com Deus. Santo Agostinho afirma: “Eu quero conhecer-me para humilhar-me e quero conhecer-Te para amar-Te”. Então, na direção espiritual, há esses dois conhecimentos: quem somos nós e quem é Deus.

É importante que os atendimentos aconteçam, ao menos, uma vez por mês, dependendo da necessidade do dirigido. É evidente que se a pessoa estiver enfrentando conflitos mais sérios, ela talvez necessite de um tempo menor entre uma direção e outra.

Sempre será preciso que o diretor traga firmeza paterna para corrigir a pessoa nos seus defeitos e nas suas dificuldades. A direção espiritual não pode ser conduzida pelo “respeito humano”, quando o diretor não fala o que precisa ser realmente dito com receio de que o outro se sinta ofendido. Esse processo precisa acontecer com sinceridade e transparência.

Quem está sendo dirigido precisa ser obediente. Se não houver docilidade, as orientações não serão colocadas em prática. É preciso levar a sério os conselhos dados pelo diretor e comprometer-se com eles. Muitas vezes, ele toca nas feridas do coração, o que causa muita dor. Mas é melhor a dor que liberta do que a covardia da ferida escondida, que nunca é tocada, nunca é mexida, e que está ali doendo e influenciando a vida daquela pessoa. O diretor espiritual é um instrumento nas mãos do Espírito Santo. É importante também que ele seja sempre alguém discreto, que não exponha ninguém, saiba guardar sigilo e tratar o “sagrado” que as pessoas trazem dentro de si. Ele é um especialista na alma, nas coisas do espírito.

Peço a você, internauta, que traga, no seu coração, o desejo de rezar pelo sacerdote que o dirige e pelas pessoas que são referência para você. Reze por aquele que dirige a sua alma, que o aconselha nas situações, pois o dom da sabedoria se encontra sobre ele. Que Deus o favoreça nesse desejo de crescer espiritualmente e amadurecer na fé; desta forma, encontrar a fortaleza necessária para enfrentar certas coisas na vida. É importante buscar esse crescimento e mergulhar na espiritualidade profunda. Que o Senhor possa lhe providenciar um diretor espiritual, para que você realmente se comprometa com ele dentro desse processo de crescimento e amadurecimento.

Você reconhece suas qualidades?


                     Você reconhece suas qualidades?



Você é daqueles que, olhando para si, quase não encontra suas qualidades? Tomando por exemplo Santa Clara vamos refletir como nos vemos?

“Foi clara na terra e luz no céu! Como é grande a veemência de sua luz e como é veemente a iluminação de sua claridade!” (Bula de canonização de Santa Clara – Papa Alexandre IV)

Quero refletir com você o exemplo de Santa Clara. Uma mulher que expressou nitidamente a fidelidade aos votos de pobreza, castidade e obediência; porém não podemos limitá-la a seus votos perpétuos. A santa de hoje traz virtudes que regeram sua vida, porque as soube utilizar para o bem. Mas vamos nos concentrar em uma apenas.

Clara de Assis, como é conhecida, tinha uma característica marcante: a determinação. Foi graças a essa virtude que ela enfrentou toda a resistência da família à sua vocação. Nascida em uma nobre família italiana, aos dezoito anos encantou-se pelos ensinamentos de Francisco de Assis e quis seguir a vida religiosa. A família de Clara não aceitava sua decisão; a jovem, porém, queria atender a todo custo ao apelo do Senhor.

Sendo uma moça bonita, de cabelos longos e loiros, na mesma noite em que se apresentou no mosteiro fez a “tonsura”, forma franciscana de cortar os cabelos. Graças a essa atitude, quando seus familiares foram buscá-la, desistiram, pois, devido aos cabelos cortados, perceberam que a moça já havia se consagrado inteiramente ao Senhor e não poderia mais voltar.

Outro gesto da santa que marca sua história foi, quando já doente, em meio a uma invasão do exército turco, pediu às irmãs que a levassem ao portão do mosteiro. Com uma caixinha nas mãos contendo o Santíssimo Sacramento, ela, em prantos, colocou-se a rezar pedindo a Jesus que defendesse o convento e a cidade. Nada podia parar Clara, sua determinação a impulsionava ao foco de sua vida, que era o cumprimento da vontade de Deus.

Ser santo é realizar os desígnios de Deus. Muitas vezes, procuramos caminhos miraculosos, difíceis demais para ser o que Ele deseja, porém não é assim. Ao nos criar, o Pai já imprimiu em nós as virtudes necessárias para alcançarmos a santidade. Santa Clara precisou ser determinada, porém essa virtude não vinha de fora para dentro, mas de dentro para fora. A santa apenas deixou essa característica crescer e ganhar espaço em seu interior.

Já parou para pensar nas virtudes que você tem?



Pense um pouquinho… Você é daqueles que, ao olhar para si, quase não encontra qualidades? E se as encontra as desmerece, pois acha que as de outras pessoas “são melhores” do as suas? Tenho uma ótima notícia! É preciso olhar para dentro de si e descobrir o que você tem de bom, porque assim será feliz. Quem fica se buscando no outro ou querendo ser o que o outro é não pode viver bem, porque é obrigado a conviver com a maior de todas as frustrações: a decepção consigo mesmo, por ter de corresponder a uma imagem boa demais que sonhou para si e não existe.

Quando as virtudes, ainda que sejam poucas, são bem aproveitadas e livres para crescer, sou mais leve, carrego menos peso da vida e o melhor de tudo: sinto o suave sabor de ser eu mesmo.

Quem não pratica a arte de se descobrir não pode ser verdadeiramente feliz! Comece hoje mesmo a deliciosa aventura de mergulhar em si mesmo e se conhecer. Observe suas virtudes, reconcilie-se com elas, ame-as e experimente o sabor de ser quem você é, pois só você tem o dom de ser assim.

Que neste dia, Santa Clara nos ajude a nos encontrarmos com nós mesmos e amar o que somos.

Santa Clara de Assis, rogai por nós!

Palavras de um pai a um filho


                        Palavras de um pai a um filho


Deus manda que os filhos ouçam os conselhos dos seus pais

“Ouvi, meus filhos, os conselhos de vosso pai, segui-os de tal modo que sejais salvos” (Eclo 3,2).

Há na Bíblia uma bela página que apresenta os conselhos de um velho pai (Tobit), antes de morrer, a seu filho jovem (Tobias). É um exemplo para todos, pais e filhos:

“Ouve, meu filho, as palavras que te vou dizer, e faze que elas sejam em teu coração um sólido fundamento. Quando Deus tiver recebido a minha alma, darás sepultura ao meu corpo. Honrarás tua mãe todos os dias da tua vida, porque te deves lembrar de quantos perigos ela passou por tua causa (quando te trazia em seu seio). Quando ela, por sua vez, tiver cessado de viver, tu a enterrarás junto de mim”.



“Quanto a ti, conserva sempre em teu coração o pensamento de Deus; guarda-te de consentir jamais no pecado e de negligenciar os preceitos do Senhor, nosso Deus. Pratica a justiça em todos os dias da tua vida, e nunca andes pelos caminhos da iniquidade, porque os homens retos triunfam em todos os seus trabalhos, assim como as pessoas honestas”.

“Dá esmola dos teus bens, e não te desvies de nenhum pobre, pois assim fazendo, Deus tampouco se desviará de ti. Sê misericordioso segundo as tuas posses. Se tiveres muito dá abundantemente; se tiveres pouco, dá desse pouco de bom coração. Assim acumularás uma boa recompensa para o dia da necessidade: porque a esmola livra do pecado e da morte, e preserva a alma de cair nas trevas. A esmola será para todos os que a praticam um motivo de grande confiança diante do Deus Altíssimo”.

“Guarda-te meu filho de toda a fornicação: fora de tua mulher não autorizes jamais um comércio criminoso. Sobretudo, escolhe para ti uma mulher de tua tribo; não tomes uma mulher estranha à tua raça, porque somos filhos dos profetas…”

“Nunca permita que o orgulho domine o teu espírito ou tuas palavras, porque ele é a origem de todo o mal”.

“A todo o que fizer para ti um trabalho, paga o seu salário na mesma hora: que a paga do teu operário não fique um instante em teu poder.”

“Não bebas jamais vinho até a embriaguez e que esta nunca seja tua companheira de caminho. Reparte o teu pão com os famintos e cobre com as tuas próprias vestes os que estiverem nus. Dá esmola do que te sobra, e o que assim deres, não o lamentes”.

“Guarda-te de jamais fazer a outrem, o que não quererias que te fosse feito. Come o teu pão em companhia dos pobres e dos indigentes; cobre com as tuas próprias vestes os que estiverem desprovidos delas”.

“Busca sempre conselhos junto ao sábio. Bendize a Deus em todo o tempo, e pede-lhe que dirija os teus passos, de modo que os teus planos estejam sempre de acordo com a tua vontade. Porque não há homem que seja perspicaz: É só Deus quem lhe dá uma boa decisão. E o Senhor exalta a quem ele quer, humilha também até aos infernos a quem ele quer. Logo, meu filho, lembra-te desses conselhos: que eles não se apaguem do teu coração”.

“Procura viver sem cuidados, meu filho. Levemos, é certo, uma vida pobre, mas se tememos a Deus, se evitamos todo o pecado e vivemos honestamente, grande será a nossa riqueza” (Tobias 4,1-23).

Talvez essas sejam as palavras mais sábias que um pai pode dizer a seu filho, e que o enche de belos ensinamentos segundo a vontade de Deus, pois estão de acordo com os seus Mandamentos.

Como pode agir o cristão nesta sociedade de disputa?


      Como pode agir o cristão nesta sociedade de disputa?


No entanto, a simplicidade há de ser a tônica para que não se percam balizamentos importantes no direcionamento do que se escolhe fazer, projetar e construir.

O dom da vida não pode pendular entre espetáculo e aberração no cotidiano da sociedade, da vida familiar e no dia a dia de cada um. Este movimento mata a cultura da simplicidade que revela, de maneira completa e autêntica, a glória do amor, razão única para empenhar-se na aventura de viver. Merece atenção o predomínio da perversa dinâmica pendular entre espetáculo e aberração, que infelizmente confere tônica à comunicação, ao funcionamento das relações interpessoais, ao jeito de fazer política e, até mesmo, ao modo de se usufruir da liberdade religiosa. Essa preocupação é pertinente porque tal dinâmica compromete a cidadania e é determinante na desestruturação da cultura. Não raramente, contribui para a deterioração de tradições, tão necessárias para o avanço da sociedade. A tendência de se rifar tudo o que se pode neste tempo, em razão de conquistas tecnológicas e conceitos reduzidos sobre liberdade, a partir da lógica perversa entre o espetáculo e a aberração, produz uma subcultura. A grave consequência é a despersonalização das relações sociais que marcam a sociedade contemporânea.

É assustador o grande interesse do cidadão, seu fascínio pelas situações aberrantes que ganham ares de espetacular e alimentam o lado sombrio da condição humana. Avançar, progredir, fazer, conquistar, inovar e outros verbos podem e precisam compor o vocabulário da cidadania contemporânea. No entanto, a simplicidade há de ser a tônica para que não se percam balizamentos importantes no direcionamento do que se escolhe fazer, projetar e construir. O que se deseja fazer não pode estar desconectado com o sentido inegociável de serviço dedicado à sociedade e à cultura, em fidelidade a valores e princípios. Caso contrário, a dinâmica do espetacular e da aberração alimentará o ego de pessoas e grupos. Seremos vítimas de síndromes muito perigosas. Estaremos sempre distantes do mais nobre sentido de cidadania, da autêntica vivência confessional, segundo a própria liberdade de escolha, com consequentes manipulações em vista de interesses que ferem a vida dos cidadãos, particularmente dos mais pobres, frágeis e indefesos. A síndrome da disputa, que acomete diversos segmentos da sociedade, é exemplo de prejuízo que resulta da falta da simplicidade como parâmetro. Essa síndrome é alimentada pelo desejo egoísta de ser considerado o mais, o primeiro, o melhor, uma necessidade que faz negar o outro pela desclassificação, muitas vezes forjada e mentirosa.

Infelizmente, muito do que se faz não é para atender necessidades históricas, o que a vida apresenta como demanda, como a busca pela superação das desigualdades sociais. Com frequência, os projetos são elaborados, nas diferentes áreas e campos do saber, simplesmente como busca de engrandecimento pessoal, no máximo grupal ou partidário. Ignora-se uma cultura consistente nos seus valores e princípios, capaz de alicerçar a cidadania. Assim, torna-se consolidado um contexto em que o espetacular e a aberração valem sempre mais, prejudicando a simplicidade que garante igualdade, profundidade e resultados cidadãos.

Funcionar segundo o pêndulo da dinâmica do espetáculo e da aberração impõe à sociedade uma necessidade de viver da criação de figuras idolatradas. Isto impede o alcance de conquistas que só são possíveis a partir de uma cidadania vivida na simplicidade, na qual as diferenças, no que se refere à importância social ou à excelência no que se faz, não têm o restrito sentido de superar os outros. Ao contrário, estas características constituem responsabilidade ainda maior de colaborar para construção cidadã do tecido social, cultural e religioso que sustenta substantivamente um povo. É alto o preço a ser pago quando se segue no caminho contrário desta compreensão. Convive-se, por exemplo, com os atrasos na mudança de cenários abomináveis e com a espetacularização de feitos e fatos, que nada contribuem para superar a distância entre diferentes camadas da sociedade.

Só a simplicidade alimenta a coragem de uma postura cidadã, fazendo com que todos sintam vergonha das desigualdades sociais, do modo medíocre como se faz política no país e, a partir disso, sejam capazes de gestos mais efetivos. Ela capacita cada um a ser o que é não por vaidade, mas em razão da urgente mobilização para se reconstruir a sociedade. Refletir este tema – a dinâmica pendular que coloca o dom da vida entre espetáculo e aberração – é oportunidade para se cuidar, em tempo, do acelerado processo de desumanização em curso, um risco para todos, que provoca prejuízos irreversíveis.

 

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