09 novembro 2010

Alegrai-vos no Senhor!

Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos! - Fl 4, 4

Quanto mais Deus se nos revela, quanto mais O conhecemos e O amamos, podemos dizer que tanto mais O buscamos através da fé, sobretudo quando nossas experiências, nossas vivências não conseguem nos transmitir clareza e segurança. Mas quando, às vezes, conseguimos escutar o clamor profundo de nossa existência, então temos certeza: Deus aí está.


O Terceiro Domingo do Advento nos ensina ainda mais. Desde que Cristo veio ao mundo, convivemos melhor com esta “certeza”, ou seja, a de que Deus está aqui, Ele está no meio de nós. Ele veio, vem e virá. Virá sobretudo naquele dia, no dia do Cristo que será um e único para cada um de nós e para todos.

É a esperança deste Dia que nos move, que nos faz viver este Tempo Litúrgico de expectativa por excelência, sinal para que possamos viver, muito conscientes, o nosso Advento de cada dia. Cada dia de nossa vida é um Advento pelo dia do Cristo que virá.

Na Palavra, o Profeta Sofonias (Cf. Sf. 3,14-18) nos diz que JAVÉ, o Rei de Israel, se encontra muito perto de nós, que Ele guia o seu Povo e o ama com amor genuíno, único. Com este amor Ele conduz o rebanho, amor de pastor, amor de mãe, que gera, que nutre, que cuida. Pois o Israel do Profeta Sofonias somos todos nós, nós que vimos e veremos a salvação de Deus.

Como nos disse o Santo Padre Bento XVI, em Colônia, durante a última Jornada Mundial para a Juventude, “wer glaubt, ist nicht allein”, quem crê não está só, ou seja, numa tradução interpretativa, quem tem a certeza da proximidade de Deus, nada teme. Poderá então, de fato, dizer não só com palavras, mas com a vida: “O Senhor é o meu Pastor”.(Cf. Sl. 22).

Esta proximidade de Deus, pela fé, que afasta todo o temor, nos é também atestada por Paulo na Segunda Leitura(Cf. FL 4,4-7). Sabemos que o Apóstolo se encontrava num Presídio quando escrevia aos cristãos de Philipos e, aos do mundo inteiro e, sobretudo a nós, que o escutamos hoje: “O Senhor está perto. Alegrai-vos, alegrai-vos sempre no Senhor”.

Paulo, aqui, fisicamente acorrentado, preso, sentia-se espiritual e moralmente absolutamente livre, plenamente, porque o Cristo se encontrava dentro dele. Esta é a plenitude invisível, a fecundidade oculta que os olhos não conseguem ver, nem os ouvidos ouvir, nem a inteligência imaginar. Por isto mesmo podemos ter a certeza do Santo Padre Bento XVI: “Quem crê, não está só” e só pode se alegrar.

João, o Precursor, sinaliza ainda hoje, no Evangelho de Lucas(Cf. Lc 3,10-18), com toda a humildade, para a vinda do Senhor que traz a alegria e o bem, a tranqüilidade e a paz. Como João o faz, também nós, na mesma fé, devemos testemunhar esta alegria objetiva, escatológica, da “Vinda do Senhor”.

Existe esta possibilidade de fato? Uma alegria que permanece, quando tudo falha, não é uma farsa? Paulo, quando escreve aos Filipenses, nos mostra que esta alegria é, de fato, plausível. É a alegria que brota da esperança e do amor incondicionais, como resposta aquele Amor Infinito e Misericordioso que nos foi consignado de presente no Primeiro Natal.

Sim, a Alegria do Senhor é a Nossa Força, é a Nossa Vida!
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DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO

ARCEBISPO EMÉRITO DE JUIZ DE FORA, MG.
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