22 janeiro 2011

O amor ao próximo

  Para se obter a vida eterna cumpre amar a Deus e ao próximo como a si mesmo, conforme ensinou Jesus (Lc 10,25-37). A caridade para com os outros deve ser sobrenatural, ou seja, praticada, vivida em função de Deus. É que todos os homens foram criados à imagem e semelhança do Ser Supremo. Sem esta raiz que se imerge na eternidade e vai até o amor increado, os sentimentos que unem as criaturas racionais não passam de mera filantropia. Seriam então epidérmicos e não resistiriam aos ventos perniciosos do egoísmo.


A caridade deve ser sobrenatural na sua origem, em seu objeto, em seus motivos, no seu exercício e no seu fim último. Sobrenatural na sua origem, pois a verdadeira dileção flui de Deus e nasce nos corações fiéis por inspiração do Espírito de Amor, Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Eis por que não há dois amores diferentes: um ao Criador e outro à criatura racional. Há, somente, uma única dileção que se difunde do Ente Supremo, amado sobre todas as coisas, e se irradia daí no afeto aos irmãos, imagens vivas deste mesmo Deus. Aí está a razão pela qual é um erro alguém asseverar que ama a Deus, mas não o próximo.

São João expressou esta verdade em termos claros e sumamente pedagógicos: “Se alguém disser: ‘Amo a Deus’, mas odeia o seu irmão é um mentiroso: pois quem não ama seu irmão a quem vê, a Deus, a quem não vê, não poderá amar” (1 Jo 4,20). Em conseqüência, a caridade é sobrenatural no seu objeto. Todo homem foi criado à imagem e semelhança de Deus e cada cristão é um templo vivo da divindade, purificado que foi nas águas batismais, ungido com o óleo da crisma, alimentado pelo pão eucarístico, regenerado tantas vezes pelo perdão divino no Sacramento da Penitência, co-herdeiro da mesma glória da Jerusalém celeste.

São Paulo, aliás, contemplava na Eucaristia o sinal desta unidade cristã ao colocar esta questão aos Coríntios: “Visto que há um só pão nós, embora muitos, formamos um só corpo, porque participamos todos dum só pão” (1 Cor 10,17). O que move o fiel a amar, deste modo, os que o rodeiam e a todos os homens são motivos de ordem também sobrenatural. Todo amor, realmente, toda simpatia, todo afeto, inclusive qualquer benefício para com os outros, não é, em si, necessariamente o amor pregado por Cristo.

Este depende das intenções que levam a todas estas louváveis posturas. Amar e ajudar alguém porque nos agrada, nos presta serviços, nos pode ser útil, não é a autêntica caridade. A caridade paira muito mais alto. Trata-se de ultrapassar as alianças naturais para, através do dom da Ciência, sobrenaturalizar tudo, fazendo inclusive daquilo que é fácil e agradável um ato revestido da luz divina. O cristão está, então, sempre a repetir em tudo: “Coloquei minha vida a serviço do próximo e o próximo é Jesus Cristo”. Este mostrou que “os filhos deste século são mais prudentes com sua geração que os filhos da luz” (Lc 16,8).

De fato, é sabedoria celestial transformar todas as atividades em atos meritórios via amor, porque quer queiramos quer não, tudo que se faz é sempre um serviço que se está prestando ao outro. É esta mentalidade que não apenas conduz a atos heróicos para com os desafetos ou para com aqueles com os quais nenhuma força extrínseca justificaria os gestos de compreensão, préstimos ou afeição, mas também leva à eficiência no labor diário, pois este é então feito em função de Jesus.

O cristão, realmente, transforma, santifica, eleva, diviniza todas as suas posturas. Eis por que, além de tudo isto, é benigno, bondoso, paciente, tolerante sempre e em toda parte, irradiando paz, tranqüilidade, serenidade. Deste modo a caridade se faz sobrenatural no seu exercício, ou seja, é um comportamento vivificado pela graça de Deus. Não é fácil amar como Jesus amou e ensinou. Nas palavras, e nas ações, nos juízos e nos desejos, nos sentimentos e propósitos se deve sempre examinar se era assim que o Mestre agiria.

A caridade deve ainda ser sobrenatural no seu fim último, pois tudo que se faz ao próximo deve ser olhando também sua salvação eterna. Nunca um ato de caridade deixa de fazer algum bem espiritual ao outro. É a sedução do exemplo. Foi o que recomendou o próprio Cristo: “Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o Pai que está no céu” (Mt 5,15).
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Fonte:
www.rccvicosa.com
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