18 janeiro 2013

DOGMAS SOBRE OS SACRAMENTOS


DO BATISMO À UNÇÃO DOS ENFERMOS

1. O BATISMO É VERDADEIRO SACRAMENTO INSTITUÍDO POR JESUS CRISTO

O Concílio de Trento (1545-1563), sob Paulo III (1534-1549), afirma: 
· \"Se alguém disser que os Sacramentos da Nova Lei não foram instituídos por Jesus Cristo, a saber: Batismo, Confirmação... e que algum destes não é verdadeira e propriamente Sacramento, seja excomungado.\" 

Sagradas Escrituras: 

· Cristo explica a Nicodemos a essência e necessidade do Batismo, em Jo 3,5: \"Aquele que não nascer pela água e pelo Espírito não entrará no Reino de Deus\". 
· Antes de subir aos céus, ordenou a Seus Apóstolos que batizassem a todas as pessoas, cf. Mt 28,19: \"Me foi dado todo poder no céu e na terra; ide então e ensinai todas as pessoas, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo\". 


Escreve São Boaventura: 

·"O Batismo foi instituído, quanto a sua matéria, quando Cristo se fez batizar, e quanto ? sua forma quando o Senhor ressuscitou e nos deu essa forma (cf. Mt. 28,19); quanto a seu efeito: quando Jesus padeceu, pela paixão, o Batismo recebe toda sua virtude, e a seu fim, quando predisse sua necessidade e suas vantagens: \'Respondeu Jesus: -Em verdade, em verdade vos digo, aquele que não nascer da água e do Espírito não entrará no Reino de Deus\' (cf. Jo 3,5)." 

O Batismo pela água pode ser substituído, em caso legítimo, pelo Batismo de Sangue. 

2. A CONFIRMAÇÃO É VERDADEIRO E PRÓPRIO SACRAMENTO

O Concílio de Trento (1545-1563), sob Paulo III (1534-1549), diz: 
· \"Se alguém disser que a Confirmação dos batizados é cerimônia ociosa, e não um verdadeiro e próprio Sacramento..., seja excomungado.\" (Dz. 871). 
Diz São Tomás de Aquino: 
· \"Este Sacramento concede aos batizados a fortaleza do Espírito Santo para que se consolidem interiormente em sua vida sobrenatural e confessem exteriormente com valentia sua fé em Jesus Cristo.\" 

Sagradas Escrituras: 

· Jesus promete enviar o Espírito e se cumpre no dia de Pentecostes: \"Ficaram todos cheios do Espírito Santo\" (At 2,4). 
· \"Pedro e João são enviados ? Samaria, para que recebam ao Espírito Santo, pois ainda não havia vindo sobre nenhum deles\" (At 8,14). 
· \"E impondo-lhes Paulo suas mãos, desceu sobre eles o Espírito Santo\" (At 19,6). 

Os Apóstolos eram conscientes que efetuavam um rito sacramental, consistente na imposição das mãos e a oração que tinha como efeito a comunicação do Espírito Santo. 

3. A IGREJA RECEBEU DE CRISTO O PODER DE PERDOAR OS PECADOS COMETIDOS APÓS O BATISMO

Define o Concílio de Trento (1545-1563), sob Júlio III (1550-1565): 
· \"...foi comunicada aos Apóstolos e a seus legítimos sucessores o poder de perdoar e de reter os pecados para reconciliar aos fiéis caídos depois do Batismo.\" (Com. 3; Dz. 894.). 

Sagradas Escrituras: 

· Mt 16,19: \"Eu te darei as chaves do reino de os céus.\" - O possuidor das chaves do Reino dos céus tem a plena potestade para admitir ou excluir qualquer pessoa deste Reino. 
· Jo 20,21: \"... a quem perdoares os pecados, lhes serão perdoados, a quem não perdoares, lhes serão retidos...\". 
Assim como Jesus tinha perdoado os pecados durante sua vida terrena (cf. Mt 9,2; Mc 2,5; Lc 5,20), assim também agora participa a seus Apóstolos esse poder de perdoar. As palavras de Jesus Cristo se referem ao perdão real dos pecados pelo Sacramento da Penitência (Dz. 913). 

O poder de perdoar não foi concedido aos Apóstolos como carisma pessoal, mas sim ? Igreja como instituição permanente para passá-lo aos sucessores dos Apóstolos. 

4. A CONFISSÃO SACRAMENTAL DOS PECADOS ESTÁ PRESCRITA POR DIREITO DIVINO E É NECESSÁRIA PARA A SALVAÇÃO

Diz o Concílio de Trento (1545-1563), sob Júlio III (1550-1555): 
· \"Se alguém disser que a Confissão Sacramental não foi instituída ou não é necessária para a salvação, por direito divino, ou disser que o modo de confessar secretamente apenas com o sacerdote, como a Igreja Católica sempre observou desde o princípio e segue observando, é alheio ? instituição e mandato de Cristo e é uma intervenção humana, seja excomungado.\" (Dz. 916). 
Os reformadores, negaram que a Confissão particular dos pecados fosse de instituição Divina e necessária para a salvação. 

Sagradas Escrituras: 

· Não se expressa diretamente a instituição Divina da Confissão particular mas se deduz: o poder para reter ou perdoar não se pode exercer devidamente se aquele que possui tal poder não conhece a culpa da disposição do penitente. Para ele é necessário que o penitente se acuse. 
O Papa Leão Magno, contra os abusos da confissão pública declarou: \"basta indicar a culpa da consciência apenas aos sacerdotes mediante confissão secreta.\" (Dz. 145). 

5. A EUCARISTIA É VERDADEIRO SACRAMENTO INSTITUÍDO POR CRISTO

O Concílio de Trento (1545-1563), sob Paulo III (1534-1549), expressa: · \"Se alguém disser que os Sacramentos da nova Lei não foram instituídos todos por Jesus Cristo, e que são sete: Batismo, Eucaristia... e que algum destes não é verdadeiro e propriamente Sacramento, seja excomungado.\" 

Sagradas Escrituras: 

· O feito de que Cristo instituiu a Eucaristia se vê em suas palavras: \"Fazei isto em memória de Mim...\" (Lc 22,19). Nelas se cumprem todas as notas essenciais da definição do Sacramento: 
· A matéria: o pão e vinho. 
· A forma: as palavras da consagração. 
· A graça interna: indicada e produzida pelo signo é a união com Cristo e a vida eterna: 
1. \"Quem come Minha Carne e bebe Meu Sangue permanece em Mim e Eu nele\" (Jo 6,56). 
2. \"Aquele que come Minha Carne e bebe Meu Sangue tem a vida eterna.\" (Jo 6,54). 

6. CRISTO ESTÁ PRESENTE NO SACRAMENTO DO ALTAR PELA TRANSUBSTANCIAÇÃO DE TODA A SUBSTÂNCIA DO PÃO EM SEU CORPO E TODA SUBSTÂNCIA DO VINHO EM SEU SANGUE

O Concílio de Trento (1545-1563), sob Júlio III (1550-1555), declara: 
· \"Se alguém disser que no sacrossanto Sacramento da Eucaristia permanece as substâncias do pão e do vinho, juntamente com o Corpo e o Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, e negar aquela maravilhosa e singular conversão de toda a substância do pão e do vinho em Corpo e Sangue, permanecendo apenas as espécies de pão e vinho, conversão essa que a Igreja muito corretamente chama \'Transubstanciação\', seja excomungado.\" (Dz. 884-877). 
\"Transubstanciação\" é uma conversão no sentido passivo; é o trânsito de uma coisa a outra. Cessam as substâncias de Pão e Vinho, pois sucedem em seus lugares o Corpo e o Sangue de Cristo. A Transubstanciação é uma conversão milagrosa e singular diferente das conversões naturais, porque não apenas a matéria como também a forma do pão e do vinho são convertidas; apenas os acidentes permanecem sem mudar: continuamos vendo o pão e o vinho, mas substancialmente já não o são, porque neles está realmente o Corpo, o Sangue, Alma e Divindade de Cristo. 

Sagradas Escrituras: 

· Mc 14,22: \"Tomai, este é Meu Corpo...\". 
· Lc 22,19: \"Tomou o pão, e dando graças o deu a seus discípulos dizendo: Este é Meu Corpo...\". 

7. A UNÇÃO DOS ENFERMOS É VERDADEIRO E PRÓPRIO SACRAMENTO INSTITUÍDO POR CRISTO 

O Concílio de Trento (1545-1563), sob Júlio III (1550-1555), declara: 
· \"Se alguém disser que a Extrema Unção não é verdadeira e propriamente um Sacramento instituído por Cristo, nosso Senhor, e promulgado pelo bem-aventurado São Tiago Apóstolo, mas apenas um rito aceito pelos Padres ou uma invenção humana, seja excomungado.\" (Dz. 926). 
Pio X condenou a sentença modernista que pretende que o Apóstolo São Tiago tenha, em sua carta, apenas recomendado uma prática piedosa (Dz. 2048). 

Sagradas Escrituras:

· Mc 6,13: \"Expulsavam muitos demônios e ungiam com azeite a muitos enfermos e os curavam\". 
· Tg 5,14: \"Existe algum enfermo entre nós? Façamos a unção do mesmo em nome do Senhor...\"
Esta última passagem expressa as notas essenciais do Sacramento: 
1. Sinal exterior da graça: óleo. 
2. Matéria e forma: oração dos presbíteros. 
3. Efeito interior da graça expresso no perdão dos pecados. 
4. A instituição por Cristo: \"no nome do Senhor\", \"por encargo e autoridade do Senhor.\" cf. Tg 5,10. 

8. A ORDEM É VERDADEIRO E PRÓPRIO SACRAMENTO INSTITUÍDO POR CRISTO

O Concílio de Trento 1545-1563, sob Pio IV (1559-1565), afirma: 
· \"Se alguém disser que no Novo Testamento não existe um sacerdócio visível e externo, ou que não se dá poder algum de consagrar e oferecer o verdadeiro Corpo e Sangue do Senhor e de perdoar os pecados, mas sim, apenas o dever e mero ministério de pregar o Evangelho...seja excomungado.\" (Dz. 961). 
Como se vê, existe na Igreja um sacerdócio visível e externo: \"Se alguém disser que na Igreja católica não existe uma hierarquia instituída por ordenação Divina, que consta de Bispos, Presbíteros e Ministros, seja excomungado.\" (Dz. 966). E é uma hierarquia instituída por ordenação divina. 

Sagradas Escrituras: 

· At 6,6: \"Os quais (7 varões) foram apresentados aos Apóstolos, os quais, orando, lhes impuseram as mãos\" - Instituição dos diáconos. 
· At 14,22: \"Os constituíram presbíteros pela imposição das mãos\". 

9. O MATRIMÔNIO É VERDADEIRO E PRÓPRIO SACRAMENTO INSTITUÍDO POR CRISTO

O Concílio de Trento (1545-1563), sob Pio IV (1559-1565), declara: 
· \"Se alguém disser que o matrimônio não é verdadeiro e propriamente um dos sete Sacramentos da Lei do Evangelho, e instituído por Cristo Senhor, mas sim inventado pelos homens da Igreja, e que não confere a graça, seja excomungado\" (Dz. 971). 

Sagradas Escrituras: 

· Mt 19,6: \"Assim, pois, já não são dois, mas apenas uma só carne\". 
· Gn 2,23: \"Pelo qual, abandonará o homem a seu pai e a sua mãe, e se juntará a sua mulher, e serão dois em uma só carne\".
· Mc 10,9: \"O que Deus uniu o homem não o separe\". 
· Ef 5,32: \"Este Sacramento é grande mas em Cristo e na Igreja\". 

O Matrimônio, como instituição natural, é de origem divina. Deus criou os seres humanos varão e fêmea (cf. Gn. 1,27) e depositou na mesma natureza humana o instinto de procriação. Deus abençoou o primeiro casal e lhes ordenou que se multiplicassem: \"crescei e multiplicai, e povoai a terra\" (Gn 1,28). 

Cristo restaurou o matrimônio instituído e bendito por Deus, fazendo que recobrasse seu primitivo ideal da unidade e indissolubilidade e elevando-o a dignidade de Sacramento. 
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