21 março 2013

As dores e alegrias da Mãe de Deus


A respeito das dores de Nossa Senhora, basicamente pode-se dizer o seguinte: engana-se quem pensa que Ela teve na vida apenas um episódio de dor, no momento supremo da Paixão de seu Divino Filho.

[Por Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, emCatolicismo*]

Não foi este um momento único, embora tenha sido a maior dor que jamais se tenha sentido no universo, abaixo da dor insondável de Nosso Senhor Jesus Cristo em sua humanidade santíssima. Foi uma dor tão grande, que recapitulou todas as dores do universo e tudo quanto os homens sofreram desde a queda de Adão e sofrerão até o último momento em que haja homens na Terra.


Nosso Senhor Jesus Cristo foi chamado pelo profeta Isaías de Vir Dolorum (Is 53, 3) [Varão das Dores]. A Paixão de Nosso Senhor não foi um fato isolado na sua vida, mas foi o ápice de uma seqüência enorme de dores, que começaram desde o primeiro instante de seu Ser e foram até o momento em que, com um dilúvio de dores, Ele exalou o terrível Consummatum est (Jo 19, 30) [Tudo está consumado].

Nossa Senhora, sendo um espelho da Sabedoria e da Justiça, reflete em si tudo quanto é de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, pode-se afirmar que Ela foi a Mulier Dolorum, a Dama das Dores. Teve a sua vida inteira invadida pela dor. Foi no entanto uma dor proporcional às forças incalculáveis que a graça lhe dava.

Como dor imposta pela Providência, por mais lancinante que tenha sido, não era dessas dores que põem tudo em turbulência, em provação, e que devastam uma alma. Eram dores imensas, mas muito arquitetônicas, sábias, e recebidas com uma serenidade de alma admirável. Na suprema amargura, conservava a paz. Assim, também de Nossa Senhora pode-se dizer que estava em paz em meio a uma amargura suprema.

No meio de um oceano de dores, tudo era equilibrado, raciocinado, carregado com amor e equilíbrio de alma incomparável, sem super-emoções, embora com uma quase infinitude de sentimentos. Sem torcidas, sem pânicos, mas com muito medo, muita angústia; e, nos momentos devidos, com um peso de dor que chegava quase a estraçalhar.

Durante a vida inteira, Nossa Senhora foi uma grande sofredora, mas teve também alegrias ao longo da vida inteira. Todas as alegrias do mundo –– desde o primeiro instante em que o homem nasceu no Paraíso terrestre até o último momento em que haja homens na Terra, todas elas somadas –– não se comparam às grandes alegrias da Santíssima Virgem. Essas dores e alegrias entrelaçaram-se continuamente. Ela vivia suportando o fardo das mais tremendas dores, e ao mesmo tempo aliviada pelas mais admiráveis alegrias.
Quais foram as dores de Nossa Senhora?

Fundamentalmente, Ela começou a sofrer já antes de saber que seria a Mãe de Deus. Tendo sido concebida sem pecado original, pensava e tinha profundo conhecimento de tudo que se passava. E tinha pela glória de Deus um zelo tal, que daria mil vidas para evitar um pecado mortal. Entretanto passava pela dor tremenda de ver a humanidade inteira inerte no pecado.

Mais do que isto, Ela viu os pecados que se cometeriam por ocasião da vinda do Messias e os que viriam depois do Messias até o fim do mundo. E esses pecados causavam-lhe um tormento do qual simplesmente não temos idéia. Santo Inácio de Loyola disse que, se ele tivesse que passar a vida inteira de sofrimentos simplesmente para evitar que se cometesse um só pecado mortal, daria por bem empregados todos os sofrimentos de sua existência, de tal maneira o pecado mortal é um mal insondável.

Mas se esse santo pensava assim, o que pensava Nossa Senhora, diante da qual o maior santo é menos do que uma gota de água comparada a todos os mares? A santidade de Nossa Senhora não tem proporção com nada. Nós não podemos fazer o cômputo da desproporção entre a santidade de Maria Santíssima e a de todos os anjos e santos reunidos. Então, que tormentos isso seria para Ela?

Depois Ela recebeu a notícia magnífica de que seria a Mãe do Verbo Encarnado. Pode-se imaginar a alegria que Ela teve em adorar o Deus encarnado, no primeiro momento em que O concebeu por obra do Divino Espírito Santo. Mas também se pode imaginar a dor, pensando nos sofrimentos inenarráveis que seu Divino Filho padeceria.

Desde a infância de Nosso Senhor até sua morte na cruz

Nossa Senhora passa pelas dores na infância do Menino Jesus, depois pela dor da separação d’Ele. Mais tarde começam os milagres operados por Ele, começam as vitórias d’Ele — é o momento da alegria. Mas, pouco depois, começa a ingratidão dos homens. Começa a se preparar a tempestade das injustiças que levaram Nosso Senhor até a Crucifixão. Ela vai sofrendo com tudo isso. Por exemplo, considerando a ingratidão de que Ele era vítima por toda parte.

No momento da Paixão, Ela vê tudo o que Nosso Senhor sofreu, em cada transe, e sofreu junto. Se há santos e santas que desmaiaram ao terem a revelação do que Nosso Senhor sofreu na Paixão, como avaliar o que seria para Nossa Senhora o mínimo episódio da Paixão?

Afinal, vendo seu Filho no alto da cruz, as dores de Nossa Senhora atingem o inenarrável. Ela fica nessa alternativa: de um lado, desejar que Ele morra logo, para diminuir as dores; de outro lado, desejar que a vida d’Ele ainda se prolongue, porque toda mãe deseja prolongar a vida de seu filho; mas também devido à idéia de que assim Ele sofreria mais, e seria melhor para a remissão dos pobres pecadores. Ela adere à Paixão, adere ao prolongamento desse sofrimento, e mantém o propósito de concordar em que Nosso Senhor seja imolado.
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