27 junho 2013

O Culto à Santíssima Virgem

É comum vermos os protestantes acusando a Santa Igreja Católica Apostólica Romana de adorar a Santíssima Virgem Maria considerando-a uma divindade. Um rápido exame da fé católica é suficiente para demonstrar que não há fundamentos para tal acusação!

O Concílio Vaticano II, ao escrever sobre o culto ao qual a Santa Igreja honra a Virgem Maria, afirma: "Maria foi exaltada pela graça de Deus acima de todos os anjos e de todos os homens, logo abaixo de seu Filho, ser a Mãe Santíssima de Deus, como tal, haver participado nos mistérios de Cristo; por isso, a Igreja a honra com um culto especial. (...) "Todas as gerações me chamarão de bem-aventurada, porque fez em mim grande coisas o onipotente" (Lc 1,48) Este culto, tal como existiu sempre na Igreja, é de todo singular, mas DIFERE ESSENCIALMENTE DO CULTO DE ADORAÇÃO QUE É PRESTADO AO VERBO ENCARNADO E DO MESMO MODO AO PAI E AO ESPÍRITO SANTO, e muito contribui para ele." (Lumen Gentium, 66)


Assim, a Santa Igreja honra a Deus com um culto de adoração, que a teologia chama de "latria"; honra normalmente aos santos com um culto de veneração, que a teologia chama de "dulia"; e honra a Virgem Maria com o culto máximo de veneração, que a teologia chama de "hiperdulia". Embora a Virgem Maria se dê o culto máximo de veneração, é um culto que difere essencialmente do culto de adoração prestado à Deus, como explica o Concílio.

Este culto à Virgem Maria se expressa, entre outras formas, através do culto à Suas Santas Imagens. A acusação protestante de que a Santa Igreja Católica cai na idolatria ao cultuar as Santas Imagens também carece de fundamento, pois um estudo atento das Sagradas Escrituras mostra que Deus não proíbe em si mesma a confecção de imagens dos que estão no Céu, como os protestantes alegam. O que Deus proíbe é a idolatria às imagens que havia nas práticas dos povos pagãos (Ex 20, 1).  Prova disso é que Ele mesmo ordena à seguir que se faça a imagem de dois querubins (Ex 25, 18)!

À este respeito, o Concílio Vaticano II exorta a "observar religiosamente quanto foi estabelecido no passado acerca do culto das imagens de Cristo, da bem-aventurada Virgem e dos santos." (Lumen Gentium, 67) O Concílio se refere naturalmente ao que foi definido em Nicéia e Trento. Afirma o II Concílio de Nicéia (ano 787): "Nós definimos com todo o rigor e cuidado que, à semelhança da representação da cruz preciosa e vivificante, assim as venerandas e sagradas imagens pintadas quer em mosaico ou em qualquer outro material adaptado, devem ser expostas nas santas igrejas de Deus, nas alfaias sagradas, nos paramentos sagrados, nas paredes e mesas, nas casas, e ruas; sejam elas imagem do Senhor Deus e Salvador nosso Jesus Cristo, ou da Imaculada Senhora nossa, a Santa Mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e justos. (...) Com efeito, quanto mais essas imagens forem contempladas, tanto mais os que virem serão levados à recordação e ao desejo dos modelos originários e a tributar-lhes, beijando-as, respeito e veneração. (...) A honra tributada a imagem, na realidade, pertence aquele que nela é representado; e quem venera a imagem, venera a realidade daquele que nela é reproduzido." O Concílio de Trento (séc. XVI), por sua vez, afirma: "Quanto às Imagens de Cristo, da Santíssima Virgem e de outros Santos, se devem ter e conservar especialmente nos templos e se lhes deve tributar a devida honra e veneração, não porque se creia que há nelas alguma divindade ou virtude pelas quais devam ser honradas, nem porque se lhes deva pedir alguma coisa ou depositar nelas alguma confiança, como outrora os gentios, que punham suas esperanças nos ídolos (cfr. Sl 134, 15 ss), mas porque a veneração tributada às Imagens se refere aos protótipos que elas representam, de sorte que nas Imagens que osculamos, e diante das quais nos descobrimos e ajoelhamos, adoremos a Cristo e veneremos os Santos, representados nas Imagens. Isto foi sancionado nos decretos dos Concílios, especialmente no segundo de Nicéia contra os iconoclastas. (...) Se alguém ensinar ou pensar de modo contrário a estes decretos — seja excomungado."

O Concílio Vaticano II, por fim, exorto "os teólogos e os pregadores da palavra divina a que, ao considerarem a singular dignidade da Mãe de Deus, se abstenham com cuidado, tanto de qualquer falso exagero, como também de demasiada pequenez de espírito." (Lumen Gentium, 67) Portanto, por um lado, se há um falso exagero naqueles que afirmam que a Virgem Maria seria a "quarta pessoa da Santíssima Trindade" ou a "encarnação do Espírito Santo" (como já ouvi!), por outro lado não podemos falar da Virgem Maria com um espírito de pequenez, como se ela fosse simplesmente uma fiel seguidora de Nosso Senhor, e ignorar aquilo que a Ela é: Virgem Mãe de Deus, Imaculada, Assunta ao Céu em Corpo e Alma, Rainha do Céu e da Terra, Medianeira de todos as Graças. Assim é a Virgem Maria, e é digna de ser venerada como tal!

Como não lembrar aqui do que São Luiz Maria Montfort escreveu à respeito do que ele chama de "devotos escrupulosos"? Assim ele escreve: "Os devotos escrupulosos são aqueles que receiam desonrar o Filho, honrando a Mãe, e rebaixá-lo se a exaltarem demais. Não podem suportar que se repitam à Santíssima Virgem aqueles louvores justíssimos que lhes teceram os Santos Padres; não suportam sem desgosto que a multidão ajoelhada aos pés de Maria seja maior que ante o altar do Santíssimo Sacramento, como se fossem antagônicos, e como se os que rezam à Santíssima Virgem não rezassem a Jesus Cristo por meio dela. Não querem que se fale tão frequentemente da Santíssima Virgem, nem que se recorra tantas vezes a ela. Algumas frases eles a repetem a cada momento: "Pra que tantos terços, tantas confrarias e devoções exteriores à Santíssima Virgem? Vai nisso muito de ignorância! É fazer da religião uma palhaçada. Falei-me, sim, dos que são devotos de Jesus Cristo; cumpre recorrer a Jesus Cristo, pois é ele o único medianeiro; é preciso pregar a Jesus Cristo, isto sim é sólido!" Em certo sentido é verdade o que eles dizem. Mas, pela aplicação que lhes dão, é bem perigoso e constitui uma cilada sutil do maligno, sob o pretexto de um bem maior, pois nunca se há de honrar mais a Jesus Cristo do que honrando a Santíssima Virgem, desde de que a honra que se preste a Maria não tenha outro fim do que honrar mais perfeitamente a Jesus Cristo, e que só se vai a ela como ao caminho para atingir o termo que é Jesus Cristo." (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, 94) Palavras que recebem uma confirmação do saudoso Papa João Paulo II, quando afirma: "Num primeiro tempo tinha-me parecido que deveria afastar-me um pouco da devoção mariana da infância, a favor do cristocentrismo. Graças a S. Luis Grignion de Montfort compreendi que a verdadeira devoção à Mãe de Deus é, pelo contrário, cristocêntrica." ("Cruzando o limiar da esperança").
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