29 julho 2013

Deus, o tempo e eu: relações

Olho pela janela - chuva. Percebo, no cinza escuro que esconde o horizonte, um raio de luz buscando o solo e o vento que aproxima aquelas nuvens ferozes de minha casa. Após o relâmpago, uma breve contagem e o estrondo. O trovão diz a que distância está a tempestade e a cortina, balançando-se para dentro da sala revela qual o tempo restante para sua chegada. Em casa, apenas o silêncio de uma televisão desligada e o barulho da geladeira, imperceptível aos ouvidos acostumados. Uma vida que segue os mesmos padrões do céu que se precipita um dia e, em outro brilha, azul e limpo. Para além dos acontecimentos que permeiam o dia e a vida, Deus. Além do tempo, Deus. Antes do tempo, Deus. Imerso no mundo eu, vagando entre dias de tempestade e sóis. E Deus, que não se vê, fala. Ouço? Nem sempre...


Passam-se os dias, corre a vida pelas veias e diante dos olhos. Cada segundo é único e jamais volta. Existe apenas no tempo de sua própria duração, fadado à lembrança ou ao total esquecimento. Sou mais que o segundo, com sua existência efêmera, mas igual a ele em sua transitoriedade, enquanto estiver impregnado de mundo e carne. Nuvem que passa, violenta, trazendo em seu coração raios que deixam marcas na terra e se derrama em água. Ou nuvem que simplesmente caminha silenciosa até que de repente se dissipa. E Deus, que não se vê, chama. Respondo? Nem sempre...

Deus e eu. Entre nós, o tempo. Torna a terra um céu com ventos e a mim, chuva. Eu me precipito em gotas até que não reste nada de mim que não tenha ainda sido engolido pelos rios e pelo mar. Deus, montanha. Deus, cume. Eu, nuvem e água. Perto da montanha, eu, gelo. Eu, neve. Eu, eterno. E Deus, que não se vê, espera. Eu chego? Desejo.
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