31 julho 2013

O abismo, a missão e o tesouro

Um homem saiu para empreender uma missão. Já havia passado muito tempo desde que iniciou a viagem e ele andava então carregado de coisas que acumulara pelo trajeto. E todas essas coisas passaram a ser seu tesouro pessoal, fazendo suas bolsas pesarem em seus ombros. Levava consigo também mulas, que carregavam o que havia de maior e mais pesado. E ele seguia em frente em sua missão, que já não parecia ser o que havia de mais importante para ele. Era necessário também tratar da segurança de seu tesouro. Se, ao início da viagem ele andava rapidamente, agora seus passos eram lentos e cansativos. Certo dia deparou-se com um imenso abismo. Para fazer a travessia, havia apenas uma frágil ponte, com cordas desgastadas e madeira velha. O homem olhou para a continuação da estrada, do outro lado do abismo e olhou para seu tesouro. E um dilema saltou-lhe à mente: para continuar sua missão, era necessário abandonar seu tesouro. Para ficar com o tesouro, era necessário abandonar a missão.


Há um pressuposto no cristianismo que não pode ser ignorado. Somos enviados em missão. Somos marcados nos ouvidos e no coração pela voz de Cristo que nos incita a anunciar a sua boa notícia, a alegria de um Deus que se fez carne e derramou seu sangue por amor, vencendo a morte e nos adotando como filhos. A partir de nossa experiência de contato com essa realidade e após sermos mergulhados nos sacramentos – mistérios do Reino – experimentamos uma alegria incontida pela missão que nos foi confiada. Caminhamos decididamente em direção ao nosso objetivo, felizes e com passos firmes, certos de que a notícia da qual somos portadores é capaz de mudar tudo o que há à nossa volta. Essa notícia revela, sobretudo, que pertencemos a um Reino que transcende o mundo e alcança os braços de Deus. E é isso o que nos motiva a levar adiante a missão.

A vida, para além do cristianismo, é uma experiência contínua e cumulativa. É o caminho pelo qual passamos para cumprir a nossa missão. As estradas e cidades que surgem ao longo da viagem sempre nos oferecem algo que nos cativa e ao qual nos apegamos naturalmente. Pessoas, sentimentos, conquistas, acontecimentos e oportunidades que acabam por se constituir o tesouro que carregamos conosco. Nos afeiçoamos tanto a esse tesouro que ele passa a se identificar conosco ao ponto de não nos imaginarmos sem ele. Se, ao início da jornada, estávamos dispostos a sofrer as intempéries dos dias sucessivos em viagem como portadores da grande notícia, agora a notícia já não parecia tão grande assim. Contrapondo-se à dureza da viagem, havia o prazer proporcionado pelo desfrute daquela riqueza acumulada no caminho. A jornada não só parecia mais pesada, mas se configurava como uma insanidade. Ainda assim, seguimos viagem, reclamando das bolhas nos pés e da grande distância entre uma pousada e outra. Não demorará muito até nos encontrarmos diante do abismo que nos fará escolher entre o tesouro acumulado e a concretização de nossa missão.

A grande pergunta é: Quando esse momento chegar, o que será mais importante para nós? A missão, ou o tesouro?.
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