01 agosto 2013

Optando pela Missão

Diante do abismo, que só podia ser ultrapassado através da frágil ponte, o homem decide abrir mão de seu tesouro, ainda que isso provoque dor e tristeza. Mas para ele, a missão era mais importante. Assim, ele prossegue em sua viagem.

Por várias vezes, Jesus nos propõe deixar tudo o que nos vincula aos valores do mundo por uma causa maior. Ele afirma, categoricamente, no Evangelho de Mateus, capítulo 19 que “todo aquele que por causa dEele deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna”.

O vínculo com a posse e a vivência junto aos bens com os quais nos cercamos provoca uma série de sentimentos e sensações: Prazer, ciúme, possessividade, ambição, tristeza, euforia, medo, raiva, atração, excitação... Somos humanos e os sentidos são o nosso meio de contato com o mundo. Tudo o que faz com que nos relacionemos com o que é externo a nós é perceptível pelos sentidos. Mesmo Deus se deixa perceber através do contato com a sua criação. São os sentidos que despertam as paixões e essas são as grandes desafiantes da razão. Mas a adesão ao mistério do Reino de Deus, que não está ao alcance das mãos, dos olhos, do olfato ou do paladar exige que tenhamos uma capacidade a mais. A fé.


Não a podemos adquirir por nós mesmos. É um dom. Uma virtude sobrenatural infundida por Deus. Mas também uma adesão livre da razão a uma realidade que não pode ser medida por uma sensação, ainda que nos sejam dados pelo Espírito sinais exteriores claros que a revelam. Ter fé é saber que apesar da aparência frágil da ponte e da profundidade do abismo, caminhar por ela até o outro lado é a melhor coisa a se fazer. A decisão de atravessá-la é precisamente o ato de crer. Abandonar a segurança de uma vida confortável em favor de um objetivo que não se apresenta imediatamente aos nossos olhos e não nos proporciona nenhum benefício sensível parece contrário à lógica. De fato, o ato de crer obedece a uma lógica diferente daquela com a qual estamos acostumados. O Catecismo afirma que “as verdades reveladas podem parecer obscuras à razão e à experiência humanas, mas a certeza dada pela luz divina é maior que a que é dada pela luz da razão natural” (CIC 157b).

Ter fé é perceber os sinais que nos levaram até à situação em que nos encontramos. E compreender que, se fomos levados até a beira do abismo, não foi para estacionarmos no meio da viagem sem ter chegado a lugar algum. É compreender que os meios não são mais importantes que o fim. E, ao final da viagem há algo muito superior a tudo aquilo que possamos ter conquistado durante a caminhada. Ter fé é entender que a vida ao redor é circunstancial. Que passamos pela vida como peregrinos, rumo a uma pátria melhor. E, como em uma grande caravana, estarmos sempre dispostos a levantar aquele que cai no meio do caminho.

Todos os grandes momentos de nossa fé foram marcados pela caminhada constante e resignada. Abraão sai de Harã para Canaã. Moisés sai do Egito para a Terra Prometida. Jesus, no ventre de sua mãe, parte de Nazaré para vir ao mundo em Belém. Depois segue ao Egito. Depois ao Templo em Jerusalém muitas e muitas vezes. E, em sua vida pública está sempre na estrada até chegar ao seu grande abismo, cuja beira é o Getsêmani e cuja travessia é a cruz. Sua ressurreição é o outro lado do imenso abismo. Assim foi também com os Apóstolos, os mártires e tantos outros que abriram mão do tesouro em favor daquele bem maior. A vida eterna no Reino anunciada com amor pelo Senhor através dos inúmeros sinais que Ele nos deu como presentes.

Da fecundidade de Abraão e Sara à libertação do Povo Hebreu do Egito, dos Reis e Profetas que testemunharam esses sinais e prepararam o terreno para a vinda do Messias, da chegada do Cristo ao mundo em uma manjedoura humilde. Seus milagres, curas e palavras e, sobretudo sua morte e a grande vitória sobre ela no Dia do Sol. E todos os que testemunharam com a vida e com a morte a realidade desse caminho. São luzes que iluminam a travessia e nos dão confiança para alcançar o outro lado. São a certeza da realidade do Reino e de tudo o que ele significa. São o atestado da realidade de Deus que nos salva da escuridão e nos acolhe como filhos. Essa é a fé que recebemos. A fé é ponte. Leva-nos para frente. Põe-nos a caminho e nos faz Cristo para os que ainda vivem na incerteza. À medida que seguimos em frente, sem olhar para trás, vamos compreendendo o modo carinhoso com que Deus nos fala durante a viagem. E aquilo que deixamos para trás já não nos dói mais. Já não nos assombra. Nos impregnamos tanto da mensagem que portamos, que quem nos vê, enxerga o Verbo que anunciamos. O mesmo Verbo que se fez carne... E habitou entre nós.
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