29 setembro 2013

Cristo vivo em sua Igreja


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Transformamo-nos naquele que recebemos

Caríssimos filhos, a natureza humana foi assumida tão intimamente pelo Filho de Deus, que o único e mesmo Cristo está não apenas neste homem, primogênito de toda a criatura, mas também em todos os seus santos. Disto não podemos duvidar. E como a Cabeça não pode separar-se dos membros, também os membros não podem separar-se da Cabeça. Se é certo que Deus será tudo em todos não nesta vida, mas na eterna, também é verdade que, desde agora, ele habita inseparavelmente no Seu templo, que é a Igreja, conforme Sua promessa: "Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo" (Mt 28,20).

Por conseguinte, tudo quanto o Filho de Deus fez e ensinou para a reconciliação do mundo podemos saber não apenas pela história do passado, mas experimentando-o na eficácia do que Ele realiza no presente. 
É Ele que, tendo nascido da Virgem Mãe pelo poder do Espírito Santo, por ação do mesmo Espírito, fecunda a Sua Igreja Imaculada, a fim de gerar pelo nascimento batismal uma inumerável multidão de filhos de Deus. É deles que se diz: "Estes não nasceram do sangue nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus mesmo" (Jo 1,13).
É Ele que abençoou a descendência de Abraão por meio da adoção filial de todos os povos do mundo; e o santo patriarca torna-se pai das nações quando, pela fé e não pela carne, lhe nascem os filhos da promessa.

É Ele que, sem excluir povo algum, reúne em um só rebanho as santas ovelhas de todas as nações que existem debaixo do céu e, todos os dias, cumpre o que prometera ao dizer: "Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil: também a elas devo conduzir; escutarão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor" (Jo 10,16).

Embora tenha dito de modo especial a São Pedro: "Apascenta as minhas ovelhas" (Jo 21,17), é Ele o único Senhor que orienta o ministério de todos os pastores. É Ele quem alimenta os que se aproximam desta pedra, com pastos tão férteis e bem irrigados, que inúmeras ovelhas, fortalecidas pela generosidade do seu amor, não hesitam em morrer pelo Pastor, o Bom Pastor que deu a vida por Suas ovelhas.

É ele que une à Sua Paixão não apenas a gloriosa fortaleza dos mártires, mas também a fé de todos aqueles que renasceram nas águas batismais.

É nisso que consiste celebrar dignamente a Páscoa do Senhor com os ázimos da sinceridade e da verdade: tendo rejeitado o fermento da antiga malícia, a nova criatura se inebria e se alimenta do próprio Senhor.

A nossa participação no Corpo e no Sangue de Cristo age de tal modo que nos transformamos naquele que recebemos. Mortos, sepultados e ressuscitados n'Ele, que o tenhamos sempre em nós, tanto no espírito quanto no corpo.
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