09 dezembro 2013

O envelhecimento não abre exceções para ninguém


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Sejamos menos críticos com as nossas imperfeições
Envelhecer é perceber a ação implacável do tempo sobre a nossa natureza. É reconhecer que, a cada ano, diminui a nossa vitalidade para as coisas que, anteriormente, pareciam não demandar esforços. A pele já não tem a mesma elasticidade que tinha aos 15 anos; por isso, facilmente se percebe as pequenas dobras junto dos olhos, nas mãos, além de algumas outras manchas provocadas pelo sol. Os cabelos, aqueles que ainda restam, perdem a cor e os olhos já não conseguem ler, senão com a ajuda dos óculos… E esse fenômeno não abre exceções para ninguém.
Fazer uma retrospectiva de meio século de vida não é somente constatar a ação predatória do tempo sobre nosso organismo, mas é, sobretudo, reconhecer as muitas vitórias alcançadas. É também uma oportunidade para perceber outros erros, os quais poderiam ser evitados se tivéssemos um pouco mais de cautela ou, em outras ocasiões, se fosse reprimido o ímpeto de um temperamento imaturo. A cada década que retrocedemos é possível reconhecer o quanto amadurecemos com aquilo que a vida tem nos ensinado.
Com todas essas coisas, para algumas pessoas também se aproxima o tempo da aposentadoria. E aqueles esforços empreendidos para firmar uma carreira, fazer economias para garantir o futuro, parecem ser apenas parte de uma equação que teria como resultado um final feliz, com a sensação de ter sido produtivo. Diante do inevitável, vale então a lição de aprendermos a conviver com os pensamentos e nos moldarmos – dentro do possível – às atitudes das novas gerações.

Certa vez, minha avó, que já estava perto dos 90 anos, disse que sentia como se não houvesse mais lugar para ela no mundo. Depois disso, viveu mais 12 anos num mundo de poucas pessoas e no qual já não era mais importante saber das horas. Talvez, ela até teria suas razões para afirmar tal sentimento, pois aquilo que movimentava seus dias e foi, por muito tempo, um objetivo a ser alcançado, com a independência dos filhos, deixou de ser para ela o motivo que a estimulava a acumular forças para enfrentar seus desafios. Imagino que para outras pessoas, que marcaram sua presença com grandes sucessos, pode parecer ainda mais difícil acolher esse momento em que os holofotes se apagam e sobre elas caem as sombras do anonimato.

Entretanto, muito mais que desfrutar do tempo, parece ser prioritário para cada um de nós cultivar e manter a saúde dos nossos relacionamentos com aqueles que têm participado do nosso dia a dia e que conosco estão na mesma estrada. Dessa forma, poderemos juntos viver, de maneira gradual, a transição para outro momento sem perdermos a autoestima. Pois, um dia, a nossa conversa poderá deixar de ser interessante e a velocidade dos nossos passos já não serão tão convidativos para um passeio.

O envelhecimento não pode nos assustar, mas com ele precisamos aprender a ser menos críticos com as nossas imperfeições, tendo como objetivo cultivar a simpatia e ser amados.
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