18 dezembro 2013

Uma nova paróquia


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Nela, os fiéis devem encontrar o Cristo Ressuscitado

A 51ª Assembleia Geral Ordinária da CNBB, em Aparecida, teve como tema central a questão paroquial. Depois de examinarmos a realidade religiosa em nosso país, na análise da conjuntura, nós nos debruçamos sobre a necessidade de encontrar meios de fazer com que as paróquias sejam comunidade de comunidades ou rede de comunidades como dizemos. O documento ainda não sairá, nesta Assembleia, pois o texto, depois de corrigido, discutido e aprovado, irá para reflexão nas comunidades para depois, em outra Assembleia, ser aprovado como documento de nossa Conferência Episcopal.

A paróquia é a casa, por excelência, de todos os fiéis, onde eles devem encontrar o Cristo Ressuscitado. A paróquia é lugar de acolhida, de orientação, de ajuda espiritual e material. É a partir da paróquia que se podem descobrir os espaços não evangelizados de um território ou as situações que demandam atenção especial: escolas, hospitais, prisões, invasões, migrantes, favelas. A paróquia deve atingir o meio cultural e proporcionar ação pastoral que alcance o mundo da cultura e das artes. 
A partir das paróquias pode acontecer uma renovada evangelização. Assim sendo, nossas paróquias devem ser acolhedoras, missionárias, fomentando redes de comunidades vivas e atuantes, que sejam irradiadoras de vida e, portanto, evangelizadoras. Acolhimento e missão formando discípulos de Cristo Ressuscitado que vivam na unidade.

Devemos apostar na presença da Igreja, em forma de pequenas comunidades, em todos os cantos e recantos do território paroquial, naquilo que se chama capilaridade. As pequenas comunidades bem orientadas e unidas na caminhada de Igreja podem ser um bom caminho de renovação da paróquia, porque possibilitam responder à vocação cristã que se realiza sempre em comum.

A renovação da paróquia é fundamental para a Igreja enfrentar os desafios pastorais, a missão... Enfim, evangelizar, levar a Boa Nova de Jesus Cristo a todas as pessoas, formando pequenos núcleos pastorais, como células vivas da grande mãe, chamada paróquia. As migrações arrancaram as pessoas de suas raízes e trouxeram-nas para as cidades. Hoje, a nossa vida em geral é urbana.

Na paróquia, temos três compromissos fundamentais, os quais provêm da essência da Igreja e do ministério sacerdotal. O primeiro é o serviço sacramental. Entre os sacramentos, o que se destaca, é claro, é a Eucaristia, centro e fonte de nossa vida cristã. Porém, temos dois sacramentos que merecem uma atenção especial devido às atuais circunstâncias. Um deles é o sacramento do batismo, a sua preparação e o compromisso de dar continuidade às recomendações batismais, e que já nos colocam também em contato com quantos não são muito crentes. Temos, nesse trabalho, a importante iniciação cristã. O compromisso de preparar o batismo, de abrir as almas dos pais, dos parentes, dos padrinhos e das madrinhas à realidade do sacramento, já pode e deveria ser um compromisso missionário, que vai muito além dos confins das pessoas já "fiéis". Ao preparar o batismo, procuramos fazer compreender que este sacramento é inserção na família de Deus, pois Ele vive e se preocupa conosco. Esse sacramento nos faz aprofundar em toda a vida cristã.

Outra preocupação paroquial a ser considerada diz respeito aosacramento do matrimônio. Também ele se apresenta como uma grande ocasião missionária, porque, hoje, graças a Deus, temos muitos que desejam se casar na Igreja, inclusive tantos que, mesmo batizados, não a frequentam muito. É uma ocasião para levar estes jovens a confrontar-se com a realidade, que é o matrimônio cristão, o matrimônio sacramental. A preparação para o matrimônio é uma ocasião de grandíssima importância, de missionariedade para anunciar, de novo, no sacramento do matrimônio, o sacramento de Cristo. Aqui se insere toda a questão da vida e família.

O segundo compromisso fundamental da paróquia é o anúncio da Palavra, com os dois elementos essenciais: a homilia e a catequese.Urge redescobrirmos que a homilia deve ser a "ponte" entre a Palavra de Deus, que é atual, e deve chegar ao coração das pessoas. Devo dizer que a exegese histórico-crítica com frequência não é suficiente para nos ajudar na preparação da homilia. Observemos que o próprio Papa Francisco, na sua celebração cotidiana na Capela da Casa Santa Marta, onde está residindo, de maneira muito atual para a vida da Igreja e de todos os batizados, está atualizando a Palavra de Deus para vivermos a nossa vocação batismal. Ele assim também se expressou à comissão bíblica internacional nestes dias.

O terceiro compromisso fundamental da paróquia é a questão social: a “charitas”, a “diakonia”. “Somos sempre responsáveis pelos que sofrem, pelos doentes, pelos marginalizados e pobres”. Pelo retrato da diocese, vejo que são numerosos os que têm necessidade da nossa diakonia e esta também é uma ocasião sempre missionária. Assim, tenho a impressão de que a ‘clássica’ pastoral paroquial se autotranscenda nos três setores e se torne pastoral missionária.

Por isso, não podemos nos descurar do respeito que devemos dar aos nossos agentes de pastoral. O pároco não tem como fazer tudo! É impossível! Hoje, quer nos movimentos, quer nas pastorais, nas associações ou nas novas comunidades que existem, temos agentes que podem ser colaboradores para a constituição de uma verdadeira rede de comunidades, para que a paróquia atinja a todos os que não são tocados pela nossa pastoral clássica.

O trabalho paroquial será enriquecido com as ideias que o documento de nossa Assembleia Geral traz para ser aprofundado e colocado em prática. É um tema necessário e atual. Tenho certeza de que nos ajudará a dinamizarmos ainda mais nossa missão de discípulos de Jesus Cristo nestes tempos de tantas necessidades. 
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