11 junho 2014

O silêncio de Maria depois do Pentecostes


O intrigante silêncio da Virgem Maria depois do Pentecostes e a missão da Mãe de Jesus na Igreja
Depois do Pentecostes, o silêncio da Santíssima Virgem Maria é, a princípio,
 quase incompreensível, pois a Mãe de Jesus esteve presente, nos atestam a
Palavra de Deus e a Tradição, nos três momentos constitutivos do mistério
de Cristo e da Igreja: a Encarnação no Verbo, o Mistério Pascal e o Pentecostes .
 No Cenáculo, Nossa Senhora está presente juntamente com algumas mulheres,
 mas, num plano superior, não somente em relação a elas, mas também aos apóstolos
. A Virgem Maria está presente como “Mãe de Jesus” ! Isso significa que
“o Espírito Santo, que está por vir, é ‘o Espírito do seu Filho’! Entre ela e o
 Paráclito há uma ligação objetiva e indestrutível, que é o próprio Jesus
 que juntos geraram” . No Calvário, Maria está aos pés da cruz de Jesus como
 Mãe da Igreja; no Cenáculo, ela se mostra como madrinha: “uma batizada pelo
 Espírito que, agora, apresenta a Igreja para o batismo do Espírito. Se os
batizados são adultos, a madrinha assiste-os na preparação; é o que Maria
fez com os apóstolos e faz conosco”  Mas, depois do Pentecostes, quando
os apóstolos e os discípulos de Jesus foram batizados pelo Espírito Santo,
 a Mãe de Cristo desaparece, no mais profundo silêncio.Como entender 
esse silêncio de Maria na Palavra de Deus depois do Pentecostes?
Nossa Senhora e o Espírito Santo
Para entender o silêncio de Nossa Senhora não podemos partir da Palavra
 de Deus, pois não há nenhuma fonte escrita que nos dê informações a
respeito dela. Porém, por indução, a partir dos frutos e das realizações que
 a Palavra produziu na Igreja, podemos extrair da experiência dos santos
algo que diz respeito à vida interior da Mãe da Igreja, pois há leis e elementos
constantes no campo da vida espiritual e da santidade dela. Por isso,
a partir da experiência dos santos e das santas, que deixaram suas
famílias, seus trabalhos e seus bens para se dedicarem inteiramente a Deus,
 numa vida silenciosa e escondida, podemos compreender melhor o silêncio
 de Maria depois do Pentecostes, que marca o início da missão da Igreja.  
A Virgem Maria “foi a primeira monja da Igreja. Depois de Pentecostes, é como
 se ela tivesse entrado para uma clausura”  A vida de Nossa Senhora, 
agora, “está escondida com Cristo em Deus” . Da mesma forma que na vida 
dos santos, o silêncio de Maria é o argumento mais seguro e eloquente de todos. 
“Maria inaugurou, na Igreja, aquela segunda alma ou vocação, que é a alma 
escondida e orante, ao lado da alma apostólica e ativa” . Os apóstolos, 
depois de receber o Espírito Santo, vão logo às praças para pregar  fundam 
e dirigem igrejas  enfrentam processos e convocam um Concílio  Mas a
 respeito de Maria nada se fala, pois ela permanece unida em oração com 
as mulheres no Cenáculo. Dessa forma, o silêncio dela nos mostra que, 
na Igreja, o serviço na construção do Reino dos Céus não é tudo, são 
indispensáveis as almas orantes que o sustentam.
Nossa Senhora é o “protótipo e o modelo acabado” da Igreja. A Mãe de Deus
 é imagem da Igreja “enquanto arquétipo, isto é, enquanto ‘ideia’ 
realizada de forma perfeita e inigualável” . Para compreender esse carisma
de Maria, voltemo-nos à experiência de Santa Teresinha do Menino
Jesus, na descoberta de sua vocação na Igreja. Depois de ler a descrição
dos carismas feita por São Paulo, Teresinha “teria desejado ser apóstolo,
 sacerdote, mártir… […] Esses desejos tinham-se tornado para ela um
 verdadeiro martírio, até que, um dia, eis a descoberta: o Corpo de Cristo
 tem um coração que move todos os membros e sem o qual tudo pararia.
 E no auge da alegria, exclamou: ‘No coração da Igreja, minha Mãe, eu 
serei o amor e assim serei tudo!’ ” Naque dia, Santa Teresinha descobriu
a vocação de Maria: ser, na Igreja, o coração que ama, o coração que ninguém
 vê, mas que tudo move; sem ele, todo o seu corpo pararia.
Assim, a presença da Virgem Maria na Igreja foi, e continua sendo, presença
orante e silenciosa, escondida aos olhos dos homens. Essa é a vocação dos
religiosos e religiosas, que também diz respeito à vocação dos leigos e leigas
 na Igreja. Essa vocação ao silêncio, ao escondimento e à oração foi revelada
a Santa Faustina, em um momento de oração, pela própria Mãe de Jesus:
“Vossa vida deve ser semelhante a minha: silenciosa e oculta, 
continuamente unida a Deus, em súplica pela humanidade e a preparar
 o mundo para a segunda vinda de Deus”15. Acolhamos essas palavras
de Nossa Senhora e procuremos vivê-la com uma vida silenciosa e oculta,
continuamente unida a Deus, em oração suplicante pela salvação da
humanidade, preparando o mundo para a segunda vinda de Jesus Cristo.
Essa é a vocação de Maria e a nossa vocação, a vocação da Igreja: no
silêncio, no escondimento e na oração, ser o coração que ama e que tudo
move, para preparar um povo bem disposto para a vinda de Cristo e para o
 Reino dos Céus. Nossa Senhora, Mãe da Igreja, rogai por nós!
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