15 junho 2014

Qual seria a diferença entre vontade e desejo?



   Qual seria a diferença entre vontade e desejo?




Quando eu era apenas um menino, meu sonho era encontrar o gênio da lâmpada
 mágica para que ele realizasse as minhas vontades, mesmo sabendo que teria
apenas três desejos. Mas, se existisse um gênio que realizasse tais coisas,
por que razão ele colocaria a condição de atender apenas três desejos, conforme
 indica a fábula? Qual seria a diferença entre vontade e desejo?
De acordo com a definição do dicionário Houaiss, um dos significados da
palavra “vontade” é a “força interior que impulsiona o indivíduo a realizar algo,
atingir seus fins”. Enquanto que o significado de “desejo” é “aspiração diante
de algo que corresponda ao esperado”. À primeira vista, as palavras seriam
sinônimas, mas trazem em si objetivos diferentes.
Ouvimos muitas pessoas dizerem que, em toda sua vida, nunca tiveram seus
 sonhos realizados. Que a vontade delas sempre ficou em segundo plano,
 parece que nunca tiveram sorte na vida nem conheceram o significado
da palavra felicidade. Há também aquelas pessoas que acreditam que os astros
 criaram um verdadeiro complô contra elas. Assim, muitas outras justificativas
poderiam ser apresentadas como razão para suas frustrações.
Quem não gostaria de se tornar um milionário na loteria? No entanto, a
maioria das pessoas não se empenha para isso, pois, raramente, fazem suas
 apostas. Outras têm vontade de ter um bom emprego, com ótima remuneração,
 mas pouco fazem para a concretização de seus sonhos.
Quando acontece alguma coisa interessante, é comum as pessoas dizerem que
 “juntou-se a vontade de comer com o desejo”. Por meio desse dito popular,
 fica fácil perceber que a vontade se tornou realidade quando se criou
oportunidades para viver o que foi antes desejado.
Tomando outro ditado como exemplo – “vontade é uma coisa que dá e
passa” –, podemos perceber que, nessa circunstância, faltou empenho da
parte da pessoa para a realização daquilo que era sua aspiração. Então,
podemos entender que a realização da nossa vontade está diretamente
relacionada às atitudes que deveremos empreender para alcançar aquilo que
 é do nosso desejo. A partir dessa reflexão, precisamos estar atentos às
 diferentes vontades que alimentamos, pois nenhum de nós está imune a ter
 vontades que, em nada, contribuem com a vida que procuramos levar.
 Se não estivermos vigilantes, poderemos nos empenhar, avidamente, para a
 realização de algo que poderia ser a ruína da nossa vida.
É claro que, como em todos os nossos desejos, o prazer e a satisfação
 são as compensações para os esforços empreendidos. Mas muitos desses
 desejos podem se tornar compulsivos, fazendo com que a pessoa se torne
 escrava de suas próprias vontades.
Diante dessas situações, podemos entender que não cabe a Deus a tarefa
de tirar do nosso coração os desejos que nos levam a cair. Fica a nosso
 encargo a obrigação de não criarmos meios para a realização daquilo
que poderia trazer desordem aos nossos sentimentos ou confusão à nossa
razão.
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