09 outubro 2014


        A prática espiritual do casal: comunhão e fidelidade

             Missão do casamento: construir o outro com amor, na comunhão e na fidelidade

Infelizmente, muitos casais não têm a noção exata do que seja o casamento no plano de Deus; por isso, muitos não vivem bem. Quando o Senhor quis que a humanidade existisse, estabeleceu um plano: criar o homem e a mulher para que, vivendo o amor, se multiplicassem enchendo a terra de filhos. Por isso, no início da humanidade, Deus disse ao primeiro casal: “O homem deixa a casa de seu pai, une-se à sua mulher e serão uma só carne” (cf. Gen 2,24). E disse-lhes: “Crescei e multiplicai, enchei a terra e submetei-a” (Gen 2,28).

O casamento não é mera ”curtição” a dois, mas uma bela “missão” que Deus deu a cada casal: viver o amor na fidelidade um ao outro até a morte, gerando e educando os filhos para Ele. É uma missão tão árdua como a do sacerdote, que vive apenas para Deus e para Seu Reino.


:: A espiritualidade cristã na família: um casamento que dá certo

O casal cristão tem a missão de “crescer a dois”, cada um fazer o outro melhor. Alguém disse que “amar não é querer alguém construído, mas construir alguém querido”. Essa é a primeira e bela missão do casamento: construir o outro com o seu amor. Mas, amar não é fácil, é dar-se, é renunciar-se, é dizer não a si mesmo para dizer sim ao outro.

O casal cristão, ensina a Igreja, vive segundo a “paternidade responsável”, tem todos os filhos que pode criar com dignidade, sem limitar seus nascimentos apenas por comodismo, medo, egoísmo ou outro motivo vil. Mas essa não é uma tarefa fácil! Por isso o mundo rejeita radicalmente essa proposta divina. O pecado original destruiu a bela harmonia interna em cada um de nós; passamos a ser atraídos pelo mal, pelo pecado que dificulta a vida conjugal. Daí nascem as infidelidades, as brigas, os egoísmos etc.

Jesus Cristo veio restaurar a família e o casamento com a Sua graça. Ele entrou no nosso mundo pela porta da família e Seu primeiro milagre foi num casamento. Ele transformou o casamento em sacramento, isto é, uma graça especial para os que se casam, para que possam cumprir, como Deus deseja, a dura missão de pais e esposos fiéis. Agora, com Cristo é possível viver um casamento fiel e feliz até a morte de um dos cônjuges. Com Cristo é possível não trair o cônjuge nem os filhos.

Para isso é preciso que o casal tenha uma vida espiritual, uma vida de oração, de frequência aos sacramentos da confissão e comunhão. É preciso que a família reze junta o santo terço, que medite a Palavra de Deus e leia bons livros. Sem isso a alma esfria e o mal desce sobre ela. Sabemos que a mosca não desce sobre um prato quente.

Não é fácil a vida conjugal e sexual do casal. Muitos são os problemas que todos enfrentam. Os defeitos de um irritam os defeitos de outro, o ajustamento nem sempre é fácil, a paciência e a tolerância com os erros de cada um nem sempre acontecem. Mas Deus é a fonte do amor, da bondade, da mansidão e da paz. É n’Ele que o casal precisa se abastecer todos os dias, recarregar sua disposição em viver as virtudes que trazem a felicidade ao lar.

Não é fácil manter a família, fazer todas as despesas, educar os filhos, superar os problemas e conflitos do lar; mas, com Deus presente, tudo passa, tudo se resolve, Ele tudo providencia, porque está no comando de um lar que O adora e serve. Diz o salmista: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os seus construtores. Se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigiam as sentinelas. Inútil levantar-se antes da aurora e retrasar até alta noite o vosso descanso para comer o pão de um duro trabalho, pois Deus o dá a seus amados até durante o sono. Vede, os filhos são um dom de Deus, uma recompensa o fruto das entranhas.” (cf. Sl 126, 1-3)
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