01 outubro 2014

Que tal se abrir ao amor?


                            Que tal se abrir ao amor?

                    Que tal ajustar o passo com o compasso do coração e se abrir ao amor?

Acredito que não conhecemos nem nos relacionamos com as pessoas por acaso e que todas as relações, sejam elas quais forem, são, antes de mais nada, uma oportunidade que Deus nos dá para sermos canais do amor d’Ele na vida uns dos outros. No casamento, isso acontece de maneira muito concreta; Deus une duas pessoas profundamente, as sela com o sacramento e as envia ao mundo com a missão de se amarem até o último respiro. Um ao outro? Sim. Mas não só!

Na verdade, quanto mais o casal experimenta a força do amor, cuja fonte é Deus, tanto mais percebe que este amor não pode parar em si mesmo. Compreende que a fonte que sustenta a relação não são os parceiros em si, nem qualquer coisa que possam oferecer um ao outro, por mais gentis que sejam, mas somente Deus.



Diante disso, é libertador entender que se amar reciprocamente não é se agarrar um ao outro para encontrar segurança ou fugir da solidão, que o mundo oferece como prêmio pelo mau uso da liberdade. Afinal já está provado que quanto mais tentamos preencher os espaços vazios da nossa vida com a presença de uma pessoa, tanto mais chances temos de nos decepcionarmos e nos sentirmos sozinhos. Sabe por quê? Porque amar não é simplesmente preencher espaço. Amar é dar sem esperar receber nada em troca, é viver o desafio de plantar, cultivar e contemplar o crescimento sem a pretensão de fazer a colheita. Amar é sair de si mesmo, é voar alto na direção do infinito sem fazer cálculos para a aterrissagem. O amor não oferece segurança, antes rouba o que pensávamos ser nossa segurança.

Talvez seja por isso que muitos acham amar uma tarefa exigente, e têm razão. É exigente mesmo! Só não têm razão para decidir não amar, visto que esta é justamente a finalidade para qual fomos criados e enviados ao mundo. Na verdade, mesmo que seja de maneira inconsciente, trazemos impresso na alma o anseio por amar e ser amados, basta observar como, na sociedade, canta-se, escreve-se e fala-se sobre o amor como o belo ideal de vida.

O desafio é encontrar quem realmente tenha a coragem de ir além da paixão, do desejo e do sentimentalismo e optar por dividir a vida com o outro, no caso do casamento, assumindo um compromisso definitivo com todos os sacrifícios e dons que isso acarreta aos dois.

Nesta hora, geralmente entramos em um dilema: ao mesmo tempo em que tomamos consciência da necessidade que temos de amar, nos deparamos também com uma cultura que nos diz: “Não ame! Isso é coisa difícil demais!” Por exemplo, lidamos diariamente com a tecnologia, na qual quase tudo é digital, automático e facilitado; a meta é não precisar fazer esforço e ter tudo pronto, rápido e seguro na hora em que quisermos. Porém, quando o assunto é o amor, sabemos bem que isso não funciona… Andamos correndo, e a razão passa o dia inteiro atropelando o coração. Falta-nos tempo para sorrir, abraçar, estender a mão e até mesmo apreciar a beleza da natureza. Ouvir uma canção de olhos fechados, sentindo a brisa tocar no rosto, é coisa raríssima, prestar atenção nas pessoas – e ainda mais parar para ouvi-las – tornou-se algo surreal!

Sendo assim, a proposta de amar realmente não é para qualquer um, é só para aqueles que têm a coragem de “nadar contra a correnteza” e ir além da superfície dos relacionamentos virtuais e interesseiros que a mídia oferece, e mergulhar no grande desafio de desbravar o território mais sagrado que existe: o coração humano.

Por essa razão, amar não é para qualquer um, é para quem está interessado no essencial, no eterno, porque “[...] as profecias serão aniquiladas; as línguas cessarão; a ciência desaparecerá. O amor jamais acabará” (I Cor 13, 8).

Então que tal ajustar o passo com o compasso do coração e se abrir ao amor?

Você é capaz de amar e ser amado, sim, pois Deus o criou para isso. Então, “mãos à obra”! Não espere ser amado, ame primeiro! Comece lançando as sementes, empenhe-se no cultivo e não se preocupe com a colheita; ela virá no tempo certo e seus frutos serão maravilhosos. Pode crer! E mais: se Deus o chama a assumir o matrimônio, e já lhe confiou a pessoa com a qual pode casar-se, não perca tempo, celebre este amor com o sacramento. Fuja das influências sociais que colocam os bens acima do bem maior. Se o casal está disposto a unir-se na missão de amar, e tem Deus no centro de tudo, a Providência Divina não deixará lhes faltar o necessário; eu e meu esposo somos testemunhas disso.

As lutas fazem parte da vida em qualquer etapa, também no matrimônio. O mais importante, no entanto, é nunca nos esquecermos de que Deus está conosco e cuida dos detalhes, quando não nos dá o que Lhe pedimos, Ele nos dá o que precisamos, pois nos conhece e sabe o que é melhor para nossa salvação. A confiança incondicional em Seu amor dá sentido a todas as coisas.

Revele o amor de Deus ao mundo amando! Se hoje você não consegue fazer grandes coisas, faça pequenos gestos, mas não pare. Uma grande floresta pode começar com o cultivo de uma semente… Coragem, estamos juntos na missão de amar!
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