20 dezembro 2014

Alegria no Senhor


                                     Alegria no Senhor
Dom Alberto Taveira apresenta dez indicações que ele chama de “receita da alegria”, realização desejada para o fim de ano

A Igreja e o mundo continuam a se surpreender com as atitudes e palavras do Papa Francisco, novidade de Deus oferecida a todos, com segurança, coerência, clareza e capacidade de decisão que edificam as pessoas que estão mais próximas e os que se encontram nas periferias geográficas e existenciais. O Papa propõe continuamente a volta ao Evangelho e oportunidades de conversão aos que se encontram na Igreja e aos que a olham de longe. Ninguém espere dele atitudes contrárias ao ensinamento moral ou irresponsabilidades na condução da Igreja. Ao realizar a reforma da Cúria Romana ou a reflexão sinodal sobre a família, ainda quando pretendem colocar em sua boca palavras e propostas estranhas, basta ouvi-lo diretamente ou ler os documentos dele emanados para verificar a linha clara do evangelizador incansável e coerente, presente de Deus para nosso tempo.



Durante o tempo do Advento, ao voltar o chamado “Domingo da Alegria”, desejo compartilhar o caminho da alegria cristã, a partir das constatações e provocações positivas feitas pelo Santo Padre em sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium.

“A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior e do isolamento! Com Jesus Cristo renasce sem cessar a alegria. Quero dirigir-me aos fiéis cristãos a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos. O grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Este é um risco, certo e permanente, que correm também as pessoas de fé. Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas e sem vida. Esta não é a escolha duma vida digna e plena, este não é o desígnio que Deus tem para nós, esta não é a vida no Espírito que jorra do coração de Cristo ressuscitado. Convido todo cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por ele, de procurá-lo dia a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito, já que da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído. Quem arrisca, o Senhor não o desilude; e, quando alguém dá um pequeno passo em direção a Jesus, descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada” (EG 1-3).

Este é um presente digno a ser pedido e compartilhado no Natal que se aproxima, a verdadeira alegria! Com certa frequência aparecem propostas de “decálogos”. No texto da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses (5, 16-24), identifiquei dez indicações que desejo chamar “receita da alegria”, em tempos nos quais as pessoas se enganam pensando estar apenas em enfeites ou presentes a realização desejada para o fim de ano.

“Estai sempre alegres” é a recomendação de São Paulo. Alegria é tarefa, virtude a ser praticada, decisão tomada com clareza, antes de ser uma efusão de barulho ou gargalhadas, quem sabe motivadas por exterioridades que não realizam as pessoas.

“Rezai sem cessar”. Como sabemos que quem reza se salva, temos também a certeza de que o apelo à oração, especialmente na participação da Santa Missa, é caminho certo para manter a verdadeira alegria.

“Dai graças em todas as circunstâncias”! Olhar ao redor e identificar os inúmeros motivos que temos para agradecer, muito maiores do que os problemas existentes. Vale a pena tomar posse, com a graça de Deus, da boa notícia de cada dia!

“Não apagueis o Espírito”. É por ele que somos conduzidos e seremos felizes se ouvirmos sempre a sua voz, que se manifesta em nossa consciência.

“Não desprezeis os dons de profecia, mas examinai tudo e guardai o que for bom”. O Senhor não nos entregou ao acaso dos acontecimentos, mas garantiu a assistência do Espírito Santo, para discernir o que é útil à nossa salvação. Vale a pena prestar atenção, porque há muita inspiração enviada por Deus aos pequeninos e aos mais jovens.

“Afastai-vos de toda espécie de mal”. Não brincar com fogo para não se queimar, ensinam nossos pais. Radicalidade, fuga do pecado, seriedade na vivência da lei de Deus.

“Que o próprio Deus da paz vos santifique inteiramente”. Buscar a paz e a realização fora de Deus só conduz ao fracasso. Nosso mundo multiplica leis e regulamentos, mas falta-lhe a alma para encontrar a paz, que só pode vir de Deus.

“Todo o vosso ser – o espírito, a alma e o corpo – seja guardado irrepreensível”. Não basta o cuidado do corpo, com a higiene, a alimentação e os exercícios físicos. É necessário cuidar da vida interior se queremos ser realmente felizes e alegres!

“Para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”. De fato, “se é só para esta vida que pusemos a nossa esperança em Cristo, somos, dentre todos os homens, os mais dignos de compaixão” (1 Cor 15,19). Fonte de felicidade é olhar também para a eternidade, depois de nossa Páscoa pessoal na morte!

“Aquele que vos chama é fiel, Ele mesmo fará isto”. A última recomendação é a certeza de que estamos nas mãos de quem nos pode dar a verdadeira alegria!

Experimente essa “receita”. Desafio a quem quer que seja a ficar sem alegria e felicidade ao praticá-la!
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