30 março 2015

A Transfiguração revela a identidade de Jesus


            A Transfiguração revela a identidade de Jesus

A transfiguração continua a revelação da identidade de Jesus, iniciada no batismo no Rio Jordão


Jesus é o Filho amado de Deus, enviado para ser ouvido. É ele a Palavra, o Evangelho, a habitação de Deus. Nele encontraram sentido as Escrituras representadas por Moisés e Elias. Os três apóstolos, espectadores atônitos e medrosos diante da manifestação de Deus, vivem depois a doçura daquela experiência, mas devem continuar, descer para a planície, depois da antecipação da luz do Ressuscitado.



No contato com as pessoas, Jesus se revela mais humano do que todos os homens e mulheres que encontra, manifestando sensibilidade inigualável diante da alegria, os sofrimentos e todas as dores dos diversos grupos de pessoas. O resultado é que ninguém consegue ficar indiferente diante de sua presença. O episódio da Transfiguração expressa, visto do ângulo humano, a imensa delicadeza com os discípulos destinados anunciar o seu mistério. Jesus leva à montanha os três, chamados a participar mais de perto de alguns acontecimentos decisivos, para revelar-lhes sua própria identidade. Começaram a entrar no mistério, para descer da montanha com novas disposições.

Subamos com Jesus e seus discípulos ao Tabor, para conhecer mais de seus segredos. Não desceremos diminuídos em nossas aspirações ou frustrados em nossos planos de realização humana. Se nos confrontarmos com o Senhor, nascerá em nós o maravilhoso dilema, conduzidos pelas mãos e o exemplo de Pedro, aquele afoito discípulo e apóstolo, para quem bastavam as três tendas, para Jesus, Moisés e Elias. Nem pensou em si ou em seus companheiros!

Para que o mistério se realize em nós, subamos à montanha para rezar. Isso quer dizer escolher como programa uma imensa vida de oração. E a Quaresma, tempo privilegiado em que nos encontramos, é ocasião propícia para crescer na intimidade com Deus. Se rezar é um dever, este nasce de dentro do coração, em quem se reconhece criatura amada profundamente por Deus. Basta um olhar pessoal trocado com o Senhor, no reconhecimento da obra prima que realizou ao nos criar e salvar, para que os joelhos da alma ou do corpo se dobrem, as mãos se elevem no louvor e na ação de graças ou as lágrimas de pecadores arrependidos se derramem.

Quem reza se salva, quem reza contempla, quem reza melhora de vida como pessoa humana e como cristão.

Chegados ao Monte Tabor, a atenção do Senhor concedeu aos discípulos a presença de duas testemunhas, e que testemunhas! Nada menos do que a visão de Moisés e Elias. Aquele que é Senhor da Lei submete-se a ela, como se fossem juízes os pobres discípulos ali presentes. Não é diferente em nossa vida cristã.

Basta verificar a história da Salvação, com a quantidade de homens e mulheres que a Escritura apresenta, pessoas que passaram por todas as provações imagináveis. E a história da Igreja? Para recordar apenas uma alegre notícia, há poucos dias o Papa reconheceu formalmente o martírio de Dom Oscar Romero, que será proximamente beatificado, um sinal precioso para a nossa geração. E sabendo ser grande a lista, somos mais privilegiados do que os apóstolos! Olhando em torno a nós, não serão poucas as outras testemunhas, homens e mulheres que gritam com a vida a verdade da fé em Cristo.

“Portanto, com tamanha nuvem de testemunhas em torno de nós, deixemos de lado tudo o que nos atrapalha e o pecado que nos envolve. Corramos com perseverança na competição que nos é proposta, com os olhos fixos em Jesus, que vai à frente da nossa fé e a leva à perfeição” (Hb 12, 1-2). As testemunhas, verdadeiras companhias qualificadas, nos fazem melhores!

O Cenário está preparado. Se somos companheiros de Jesus e de seus Apóstolos, não tenhamos medo de entrar na nuvem, nada menos do que a presença do Espírito Santo, muito mais efetiva do que as eventuais nuvens “eletrônicas” de nossos dias. É necessário, para ser melhores, o aprendizado da contemplação, um olhar apurado que não despreza os sinais deixados por Deus. Vale a pena exercitar, a esta altura da Quaresma, este olhar contemplativo, que vai além das aparências.

Seremos melhores se formos mais serenos e atentos, acolhendo as muitas indicações que nos são oferecidas pelo Espírito Santo.

Agora, os discípulos de ontem e de hoje precisam ouvir! “Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: ‘Rabi, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias’ Na realidade, não sabia o que devia falar, pois eles estavam tomados de medo. Desceu, então, uma nuvem, cobrindo-os com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: ‘Este é o meu Filho amado. Escutai-o!’ E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém: só Jesus estava com eles” (Mc 9, 5-8). O discípulo aprende ao conviver com o mestre e ouvi-lo! Se vale para o aprendizado das coisas humanas, o que dizer da escola de vida divina, oferecida pelo Senhor! E como para bom entendedor, meia palavra basta, a Palavra que sai da boca de Deus é fonte inesgotável para o aperfeiçoamento humano.

Da Transfiguração para cá, estando o Senhor entre nós, quando reunidos em seu nome, a mesma experiência se repete. Os olhos se abrem, os ouvidos apuram melhor o que escutam, a Trindade se revela. E os discípulos continuam a aventura proposta por Jesus, acolhendo a revelação do amor de Deus, que lhes mostra também o melhor que existe no coração humano. Descendo do Tabor para a planície do quotidiano, são chamados a anunciar e testemunhar o que apenas vislumbraram, mas experimentaram diretamente, quando o Senhor ressuscitou. Não cabe voltar atrás nem fugir das responsabilidades que lhes foram entregues, mas serão sempre missionários e missionárias, enfrentando todos os desafios que se apresentarem.

Onde lhes for dado estar presentes, os cristãos haverão de ser restauradores de ruínas!

Onde houver pessimismo e derrotismo, anunciarão a vitória do bem e da verdade, pela força da Ressurreição de Cristo. Quando encontrarem pessoas destruídas pelos próprios pecados ou os pecados dos outros, saberão ser artistas, conduzidos pela luz do Espírito Santo, recompondo a unidade quebrada, permitindo que Deus faça dos cacos quebrados um bonito mosaico, obra de arte que só pode vir de seu amor infinito. Espalharão a semente do perdão, nascida do Pai das Misericórdias, convidando a todos para dele se aproximarem.

Sua presença no mundo é testemunha de que o dia de hoje é sempre melhor do que ontem, e o amanhã se abre em horizonte de esperança.
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