22 março 2015

Tenho um filho homossexual. O que faço?


                  Tenho um filho homossexual. O que faço?
Existem passos a serem dados quando se toma consciência da homossexualidade de um filho
O que fazer, quando se descobre que um filho é homossexual, é algo relativo a cada situação, que é sempre única. Por isso, não é fácil falar disso como se fosse uma receita de bolo. O que vamos apresentar, neste artigo, é apenas uma reflexão que poderá iluminar um pouco quem está com essa realidade em casa. Também é muito difícil dizer sobre esse assunto sem o embasamento teórico acoplado, para podermos compreender o que é a homossexualidade, como ela se desenvolve numa pessoa, em que época e quais as causas. Por isso, sugiro a leitura de artigos que foram publicados pela própria Canção Nova com o título “A homossexualidade e a família” e “O processo de socialização primária”, ambos de minha autoria. Mesmo com essas observações, vamos então tentar algo prático.



:: Palavras a um jovem homossexual

Primeiro passo: Precisamos partir para o diálogo claro, objetivo, acolhedor e compreensivo sobre esse aspecto do jovem ou adolescente, pois sem um diálogo franco com ele, tudo fica mais difícil. Se o filho tem dificuldades em falar abertamente sobre isso, pais e mães precisam, aos poucos, derrubar as barreiras que estão impedindo a franqueza e a liberdade da (o) filha (o) para que haja diálogo.

Segundo passo: No diálogo, que não acontecerá só uma vez ou outra, mas muitas vezes, vamos então, tentar detectar se este jovem é realmente homossexual, ou seja, a sua homossexualidade é estruturada por processos de identificação com pessoas do sexo oposto. Um exemplo: o homem, por exemplo, que se identifica como mulher, pensa que é mulher e, por isso, acaba interessando-se por outro homem; sendo assim, apaixonando-se e se envolvendo verdadeiramente com pessoas do mesmo sexo. Ou é apenas uma pseudo-homossexualidade (falsa homossexualidade) muito comum nos dias de hoje.

Nesse caso, trata-se de uma homossexualidade não verdadeira, mas devido às influências culturais da escola, dos colegas, da moda e das mídias; assim, é, na verdade, uma forma de o adolescente ou jovem mostrar “revolta” típica, nessa idade, contra os pais. Se antes essas manifestações contra a autoridade do adolescente era o uso de maconha ou o fato de ser comunista, hoje pode ser a homossexualidade uma delas.

Também é bom saber que, exceto em caso de hermafroditismos, que deverão ter acompanhamento de um especialista sério, a homossexualidade nada tem a ver com hormônios ou gens. Existem rapazes com excesso de hormônios femininos que não são homossexuais como já havia constatado Freud em sua época. O mesmo pode se falar das meninas; o excesso de hormônios masculinos não vai torná-las homossexuais. O que nos confunde muito é que alguns homossexuais, tanto meninos quanto meninas, começam a tomar hormônios. Por isso a tendência é inverter o processo de causa e efeito.

Terceiro passo: após checar se é uma homossexualidade real ou uma pseudo-homossexualidade, poderemos, então, falar de atitudes concretas. Agora, vem a questão-chave: o jovem ou adolescente homossexual deseja mudar essa condição? Certamente não. Isso deve ser esclarecido no diálogo. É claro que se for uma homossexualidade real, a pessoa não vai mesmo desejar mudar, pois se uma pessoa heterossexual desejar ser gay, ela conseguirá? Não. A mesma situação da pessoa heterossexual que se apaixona e sente atração física por pessoas do sexo oposto, ocorre com a pessoa homossexual com pessoas do mesmo sexo. Embora todos sejam livres, e a pessoa homossexual é livre para querer mudar de opção sexual1, normalmente uma mudança verdadeira e profunda é muito rara.

Quarto passo: Supomos que a pessoa não aceite mudar de opção, que é o mais comum, então agora a questão é com os pais:

1- Separar a homossexualidade (que para nós pode ser algo muito complicado de aceitar), do do filho (a), pois acolher o filho (a) não precisa querer dizer acolher a homossexualidade;

2- Explicar isso à filha (o) homossexual;

3- Ter uma atitude de compreensão, acolhimento e afeto, e pensar como Cristo agiria, como Ele se comportaria, o que Ele faria! O que Cristo diria para essa pessoa? O que o Espírito santo poderia nos ensinar com isso? O que Ele poderia colocar em nossa mente para dizermos ao nosso filho ou filha com essa cruz para carregar, pois para ele (a) também será uma cruz, e nada leve.

Quinto passo: Chegou a hora de dizer a esse filho ou filha o que Cristo, talvez, em nosso lugar, diria:

– Meu filha ou minha filha, você é muito mais do que homossexual! A homossexualidade assim como a heterossexualidade não precisa moldar suas atitudes perante o mundo, perante a vida e o outro.

Os pais poderão cuidar da conduta desse filho ou filha e mostrar que a boa conduta, o bom caráter, a veracidade na fala, os comportamentos, os valores e os princípios de uma pessoa de boa vontade é que fazem a vida da pessoa e não um aspecto da sexualidade. Devemos mostrar a essa (e) jovem ou adolescente que a sexualidade pode ser discreta como é a sexualidade de uma pessoa heterossexual. Por que a necessidade de chocar? Para que a necessidade de ir contra regras, contra o povo, contra instituições? Isso só irá trazer mais danos para esta pessoa. Ser homossexual não precisa ser “perseguido”. Caso os pais não tenham condições de trabalhar essas questões com o próprio filho, talvez seria interessante encaminhar a um terapeuta sério para que esta pessoa possa, também saber lidar com sua condição, pois muitos não sabem e acabam por cavar a própria cova com comportamentos persecutórios.

E por fim, dizer a esse filho que ele não precisa se afastar de Deus, de Jesus, da Igreja, pois Deus irá trabalhá-lo se ele ou ela deixar, como dizia santo Inácio de Loyola: “Um tronco de árvore grosso e disforme nunca sonharia poder transformar-se em obra de arte, e por isso nunca se submeteria ao escopro e ao martelo do escultor, capaz de ver nele o que dele pode ser feito”. Que Deus possa trabalhar a todos nós.
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