10 abril 2015

O que é o Apocalipse?


                                 O que é o Apocalipse?
                             A interpretação deste gênero literário requer critérios precisos

A palavra grega “apokálypsis” quer dizer “revelação”. O Apocalipse quer incutir nos leitores uma confiança inabalável na Providência Divina em tempos difíceis para os cristãos. É uma forma literária, que era usada em Israel, repleta de simbolismos de números, animais, aves, monstros etc., e que não é fácil de ser hoje entendido. As páginas mais tipicamente apocalípticas do Antigo Testamento são os capítulos 7 a 12 do livro de Daniel.



Algumas características do gênero apocalíptico são:

As frequentes intervenções de anjo: aparecem como ministros de Deus ou como intérpretes das visões ou revelações que o autor do livro descreve (Ez 40,3; Zc 2,1s; Ap 7, 1-3; 8, 1-13). Simbolismo rico, singular. Animais podem significar homens e povos; feras e aves representam geralmente as nações pagãs; os anjos bons são descritos como se fossem homens, e os maus como estrelas caídas.

O recurso aos números 3, 7, 10, 12 e 1000 são símbolos de bonança; 3 1/2, símbolo de tribulação. Forte nota escatológica. Os apocalipses se voltam todos para os tempos finais da história, com intervenção solene de Deus em meio a um cenário cósmico, o julgamento dos povos, o abalo da natureza, a derrota dos maus e a exaltação dos bons.

Por que Jesus fez essa Revelação a São João, que estava preso na ilha de Patmos, no mar Egeu?

No fim do século I, era cada vez mais difícil a situação dos cristãos no Império Romano por causa da terrível perseguição dos imperadores. Tudo começou com Nero, no ano 64, e continuou na terrível perseguição de Domiciano (81-96). Muitos cristãos foram martirizados, mas muitos também estavam desanimados, abandonavam a fé (apostasia) e aderiam às práticas pagãs. Isso pode ser notado nas mensagens às sete igrejas da Ásia Menor: Éfeso, Laodiceia, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Filadélfia e Sardes. Foi em tais circunstâncias sombrias que São João escreveu o Apocalipse.

O livro visava encorajar os fiéis. O Apocalipse é, basicamente, “o livro da esperança cristã” ou da confiança inabalável no Senhor Jesus e Suas promessas de vitória. Ele quer anunciar a “vitória do bem sobre o mal”, do reino de Cristo sobre o reino do mal, especialmente para aquele momento muito difícil em que se encontrava a Igreja.

Nem todo o livro do Apocalipse está redigido em estilo apocalíptico. Compreende duas partes anunciadas em Ap 1,19-3,22, revisão de vida das sete comunidades da Ásia Menor às quais São João escreve em estilo pastoral; Ap 4,1-22,15, as coisas que devem acontecer depois. Esta é a parte apocalíptica propriamente dita para a qual se volta a nossa atenção: 4,1-5,14, a corte celeste com sua liturgia. O Cordeiro “de pé, como que imolado” (5,6), recebe em suas mãos o livro da história da humanidade. A mensagem principal é esta: “Tudo o que acontece no mundo está sob o domínio do Senhor, que é o Rei dos séculos”.

A parte apocalíptica do livro abre-se com uma grandiosa cena de paz e segurança, qualquer quadro de desgraça está subordinado a isso.

O núcleo central do sentido do Apocalipse apresenta, sob forma de símbolos, a luta entre Cristo e Satanás, luta que é o eixo de toda a história, e que já tem Cristo como vencedor, apesar dos sofrimentos dos cristãos. Os sete selos (septenários) revelam essa luta. A seguir, de 17,1 a 22,17, após os três septenários, ocorre a queda dos agentes do mal; 17,1-19,10: a queda de Babilônia (símbolo da Roma pagã); 19,11-21: a queda das duas bestas que regem Babilônia (o poder imperial pagão e a religião oficial do império romano); 20,1-15: a queda do Dragão, instigador do mal, satanás.

A seção final (21,1-22,15) mostra a Jerusalém Celeste, Esposa do Cordeiro, o oposto da Babilônia pervertida. Os versículos 22,16-21 constituem o epílogo do livro.

O Apocalipse de São João apresenta os grandes protagonistas da história da Igreja: a Mulher e o Dragão no capítulo 12; a Mulher-Mãe, que exerce sua maternidade por toda a história da salvação, se consumará na Jerusalém celeste, a Esposa do Cordeiro (Ap 21 s). As duas bestas, manipuladas pelo Dragão, sendo que a primeira sobe do mar e representa o poder imperial perseguidor (Roma); a segunda Besta sobe da terra (Ásia Menor), onde está o culto religioso do Imperador. (cf. Ap 13,1 e 11).

A batalha entre Miguel e o Dragão não corresponde à queda original dos anjos, mas significa a derrota de satanás, vencido quando Cristo venceu a morte por Sua Ressurreição e Ascensão. Deus lhe permite tentar os homens, nesses séculos da história da Igreja, a fim de provar e consolidar a fidelidade deles. Satanás só age por permissão de Deus.

Em resumo, as calamidades que o Apocalipse apresenta não podem ser interpretadas ao pé da letra, é uma linguagem figurada. Unindo as aflições na terra e a alegria no céu, quer dizer aos seus leitores que as tribulações desta vida estão de acordo com a Sabedoria de Deus; foram cuidadosamente previstas pelo Senhor, dentro de um plano harmonioso, onde nada escapa, embora não entendamos.

A mensagem mais importante é esta: ao padecer as aflições da vida cotidiana, os cristãos não devem desanimar. Foi uma forma de consolo que o Apocalipse queria incutir aos seus leitores; não só do séc. I, mas de todos os tempos da história; isto é, os acontecimentos que nos atingem aqui na terra fazem parte da luta vitoriosa do bem sobre o mal; é a prolongação da obra do Cordeiro que foi imolado, mas, atualmente, reina sobre o mundo com as suas chagas glorificadas (cf. c.5). Os cristãos na terra gemem, mas os bem-aventurados na glória cantam aleluia.

No céu, os justos não se desesperam com o que acontece com os que sofrem na terra; antes, continuam a cantar jubilosamente a Deus, porque percebem o sentido das nossas tribulações. O Apocalipse quer mostrar que essa mesma paz do céu deve ser também a dos cristãos na terra, porque, embora vivam no mundo presente, já possuem em suas almas a eternidade e o céu em forma de semente, pela graça santificante, que é a semente da glória celeste.

Assim, o Apocalipse oferece uma imagem do que é a vida do cristão e a vida da Igreja: uma realidade ao mesmo tempo da terra e do céu, do tempo e da eternidade. A vida do cristão é celeste, deve ser tranquila, como a vida dos justos que no céu possuem em plenitude aquilo mesmo que os cristãos possuem na terra.

A mensagem básica do Apocalipse é esta: as desgraças da vida presente, por mais aterradoras que pareçam, estão sujeitas ao sábio plano da Providência Divina, a qual tudo “faz concorrer para o bem daqueles que O amam” (Rm 8,28).

O Apocalipse finaliza com chave de ouro, num diálogo amoroso impressionante entre a Esposa, que é a Igreja, animada pelo Espírito Santo, e o seu Esposo no céu. É um diálogo que deve ser vivido por cada um dos cristãos que desejam o encontro com Cristo, um encontro que já começa na Eucaristia: João repete as palavras de Jesus no Evangelho (Jo 7, 37): “Quem tiver sede venha!” O Espírito e a Esposa dizem: Vem!”.
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