31 janeiro 2017

A experiência de fé exige amadurecimento



                A experiência de fé exige amadurecimento
                                        A vivência na fé requer posições maduras

Os Apóstolos de Jesus e os discípulos que a eles se juntaram eram pessoas provenientes do ambiente popular, com atividades diversificadas. Vários deles eram pescadores profissionais. O Mar de Tiberíades, também chamado Mar da Galileia ou Lago de Genesaré, era o espaço de trabalho e convivência. Pregações, milagres, caminhadas, muitas das atividades de Jesus se desenvolveram ali, num sobe e desce de barcos, ventanias, redes, peixes, comércio no mercado, suor, cansaço, horas de expectativa dos peixes, que nem sempre vinham, famílias que dependiam daquele trabalho, um conjunto de vida e atividade certamente muito carregado de humanidade e lutas, temperado também com muitas alegrias.



É para o lago que retorna Pedro, seguido de seus companheiros. Não lhes era ainda claro tudo o que viria a acontecer, se pensarmos na origem simples daqueles homens, que não eram especialistas em profecias, letras da lei ou mesmo na novidade do próprio Evangelho. Era um mar de novidades, num mar de ideias confusas. Sabemos que foi depois do derramamento do Espírito Santo que aqueles homens adquiriram a ousadia (Parresia!) necessária para pregar, constituir as primeiras comunidades cristãs e derramar o próprio sangue pela Igreja e pela causa do Reino! Tinham que aprender muito, e o Senhor aproveita a aparente volta à profissão de pescadores para oferecer-lhes e a todos nós preciosas lições (Jo 21,1-19).
Enxergar o amor em meio à escuridão

Seis pescadores profissionais chegam à madrugada sem qualquer fruto do trabalho. Barca e trabalho na barca de Pedro, que sabemos ser a Igreja, não leva a nada sem a presença do Senhor. O lusco-fusco da madrugada mostra uma figura na praia. É que a experiência da fé exige mesmo amadurecimento! Jesus os provoca, perguntando sobre algo para comer. Nem sabiam que da Ressurreição para frente quem oferece o alimento que perdura para a vida eterna é Jesus! É João, o discípulo amado, que proclama com força “é o Senhor!”, pois o amor verdadeiro faz enxergar no meio da escuridão dos acontecimentos.

Redes lançadas pela força da Palavra de Jesus, frutos em profusão. Começa uma nova mudança em Pedro, que culminará em mais um chamado. O homem nu reveste-se agora de sua inusitada missão. Corre até Jesus, mas me parece ver o próprio Jesus entrando na barca do coração de Pedro. Chegados à praia, é Jesus quem havia preparado tudo. O Mestre e Senhor se faz mais uma vez servidor. Uma refeição oferecida por Jesus é sinal daquela que o mesmo Senhor oferece todos os dias, até o fim dos tempos, na Eucaristia. Além disso, a rede da Igreja tem cento e cinquenta e três grandes peixes, e essa rede nunca vai se romper, podendo acolher, na contínua festa eucarística da misericórdia, todas as gerações, até que ele volte outra vez. É a abundância do tempo novo inaugurado pelos discípulos capazes de lançar na fidelidade à ordem do Senhor. Eles têm alguma e muita coisa para oferecer. Igreja é assim! Deus recebe, Deus se doa, suscita a maravilhosa comunhão em que Céu e Terra compartilham seus dons! É claro que ninguém mais se atreve a perguntar nada, pois é certa a vinda e a presença do Senhor.
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