24 junho 2017

O sentimento de solidão não pode reger a vida


              O sentimento de solidão não pode reger a vida

                              O coração caminha pleno de presença e ausente de solidão

Uma das realidades que mais castigam o homem de hoje, juntamente com as doenças psicossomáticas, é o sentimento de desconsolo e solidão. É comum encontrarmos, nos cenários de nosso tempo, corações que, mesmo estando acompanhados por muitas presenças, se sentem profundamente sós.





Percebe-se que muitos dos olhares dos que habitam nosso tempo perderam a sensibilidade para com o simples e o descomplicado da vida, sendo assim incapazes de se descobrirem encontrados e acompanhados no comum e ordinário dos dias.

Diante da rotina e da simplicidade de cada dia, somos constantemente tentados a enxergar pessoas e situações sob o peso do tédio, sem vislumbrar nada de novo e sem perceber uma presença que dê sentido às lutas e aos desafios próprios do nosso cotidiano. É mais fácil fazer o bem e até perceber Deus em ocasiões extraordinárias e incomuns, contudo, a virtude mora no olhar que consegue fazer a experiência com Deus em meio ao comum dos dias.
Na solidão, fazer a experiência com Deus

O coração que tem o devido tino para descobrir o Eterno no tempo e o Sagrado no comum passa a se sentir mais acompanhado e visitado naquilo que é e experiência com Deus cotidianamente. Assim, a vida se torna menos pesada e só e o homem percebe que não é um ser jogado e desconsolado na existência.

Em um universo globalizado, globalizante e globalizador, torna-se fácil perder-se no todo e dissolver-se na massa humana das grandes cidades e concentrações sociais, sentindo, com isso, o desconsolo de se entender mais um em meio a um aglomerado de histórias.


Deus se faz presente em cada fragmento


Todavia, é necessário entender que Deus se faz presente em cada fragmento do que somos e vivemos, Ele cuida de nós e nos acompanha em tudo o que ilustra e compõe os nossos dias. Quem consegue perceber essa presença no comum de seus dias, pode contemplar a sua rotina de maneira acompanhada e sempre nova, sem o peso e o tédio próprios daqueles que experienciam a angústia de se sentirem na solidão e desconsolados em suas histórias.

O olhar precisa desenvolver a devida sensibilidade para, assim, enxergar o comum da vida. Dessa forma, o ordinário investe-se de novidade, e o coração caminha pleno de presença e ausente de solidão. Descubramos essa presença no normal de nossa vida e permitamos que esse consolo de Deus traga uma nova ordem e um novo sentido aos nossos passos.
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